sexta-feira, outubro 21, 2011

As histórias que o “jornalismo investigativo” da RBS não conta



Oct 21st, 2011 by Marco Aurélio Weissheimer.




Jornalistas têm o hábito de se achar acima do bem e do mal. É um vício de origem da profissão que, em um determinado momento, foi chamada de “quarto poder”. A imprensa ou “mídia”, como é mais conhecida hoje, poderia desempenhar legitimamente essa função, se o seu principal objetivo fosse a defesa do interesse público. Mas ela deixou de fazer isso há muito tempo, com a sua incorporação por grandes grupos empresariais que têm como principal objetivo o lucro. A maioria dos funcionários dessas empresas, porém, incorporam a mentalidade de classe de seus patrões como se ela fosse a expressão do interesse público. Não é.


O Rio Grande do Sul tem uma fonte rica em exemplos desse tipo de comportamento, que é a RBS, um grupo de comunicação construído à sombra da ditadura, que cresceu apoiando a ditadura e, mais tarde, o processo de privatizações. Não só apoiando, aliás, mas participando diretamente do mesmo, no caso da privatização da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). Mas o assunto não é propriamente esse. Uma característica recorrente de profissionais da RBS – fenômeno aliás recorrente também em outras empresas de comunicação – é tomar qualquer crítica à imprensa como se fosse uma crítica a eles individualmente. Quem ousar “falar mal” da imprensa será rapidamente agraciado com uma bacia de adjetivos nada elogiosos.


Aconteceu mais uma vez agora com as declarações que o governador Tarso Genro fez ontem no Congresso Nacional da Campanha do Ministério Público contra a Corrupção. O que Tarso disse que despertou a ira de vários empregados da RBS? Ele criticou a imprensa “quando ela ocupa o lugar das instituições e realiza investigações sem técnica adequada”. “O julgamento e a condenação promovidos pela mídia suprime o direito da ampla defesa, o que remete às ditaduras”, afirmou. O contexto das afirmações, obviamente, é a mais recente denúncia feita revista Veja contra um ministro do governo Dilma, no caso o ministro dos Esportes, Orlando Silva.


Pode-se concordar ou discordar da afirmação de Tarso. A ira expressa nos comentários dos funcionários da RBS, porém, parece querer interditar o direito do governador ter opinião. Qual é o problema de criticar a imprensa? É proibido? Ela está cima do bem e do mal? As respostas de funcionários da RBS ao governador vieram imediatamente pelo twitter, não economizando adjetivos e sutilezas.


O comentarista de futebol Nando Gross qualificou as declarações do governador com “simplórias” e “superficiais” e passou a discutir com o assessor de imprensa do governador, Guilherme Gomes, pelo twitter.


A colunista política de ZH, Rosane de Oliveira, reduziu a fala de Tarso a uma “crítica ao jornalismo investigativo”. “Os petistas se mobilizaram para apoiar as críticas de Tarso Genro ao jornalismo investigativo. Por que será?” – escreveu.


Menos sutil, Giovani Grizotti antecipou o clima eleitoral da sucessão estadual de 2014: “Neste momento, a senadora Ana Amélia Lemos, no mesmo congresso, está defendendo a imprensa. Realmente, há políticos e políticos”.


Nada de novo sob o sol. Uma resposta mais inteligente às declarações de Tarso seria dizer que a presidenta Dilma Rousseff está legitimando as denúncias feitas pela Veja, já que elas vêm resultando, todas até aqui, na queda de ministros. A Veja está fazendo o jogo da empresa que a publica, que é oposição declarada ao governo federal e não esconde isso de ninguém. O “jornalismo investigativo” dessa publicação está a serviço dessa agenda e isso não é segredo para ninguém. Em suas críticas ao governador Tarso Genro, os funcionários da RBS, porém, apresentam-se como porta-vozes de uma suposta instituição chamada “jornalismo investigativo” que estaria acima dos interesses privados das empresas de comunicação.


A existência de um jornalismo desse tipo é fundamental para o avanço e a qualificação da democracia, mas, infelizmente, essa prática ainda é um projeto a construir no Brasil. Há ótimos profissionais dentro dessas empresas que lutam diariamente para fazer esse tipo de jornalismo, defrontando-se cotidianamente com os limites impostos pelos interesses privados que ditam, em última análise, as linhas editoriais de suas publicações. Não custa lembrar, a título de exemplo, alguns assuntos que parecem ser de interesse público e que não mereceram a atenção do “jornalismo investigativo” da RBS:


1. O uso privilegiado, por alguns jornalistas, de senhas exclusivas de agentes do Estado para acessar o Sistema Integrado de Consultas da Secretaria de Segurança Pública. O nome desses jornalistas não veio a público pois o processo corre em segredo de justiça. A RBS já ingressou na Justiça diversas vezes para quebrar sigilos de processos invocando o interesse público, como ocorreu recentemente com um vereador do DEM. Se esse pedido é negado, denuncia imediatamente cerceamento da liberdade de imprensa. Neste caso, não há tal interesse.


2. A existência de um braço midiático da fraude do Detran denunciado pelo Ministério Público Federal. Recordando o que diz a página 56 dessa denúncia:


“Os denunciados integrantes da quadrilha não descuidavam da imagem dos grupos familiares e empresariais, bem assim da vinculação com a imprensa. O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade”.


3. O assassinato do sindicalista Jair Antonio da Costa, em 2005, e do colono sem terra Eltom Brum da Silva, em 2009, que até hoje permanecem impunes. Alguém aí leu alguma reportagem investigativa sobre essas mortes, sobre quem eram essas pessoas e como ficou a vida de seus familiares e amigos depois da ação policial truculenta que tirou suas vidas?


Não viu, nem verá, por uma singela razão: o jornalismo investigativo da RBS tem um corte classista. Ele é um leão contra agentes públicos corruptos (ou acusados de corrupção) e é um gatinho quando se trata de escrever algo contra corruptores ou contra um eventual anunciante (especialmente se for grande) envolvido em alguma denúncia. Ele vai até onde começam os interesses do grande capital que a RBS representa no Estado. Alguém viu alguma reportagem sobre quanto a Gerdau já ganhou em isenções fiscais no RS? Ou sobre quanto dinheiro a Aracruz despejou em publicidade na mídia gaúcha prometendo uma nova era de desenvolvendo com as plantações de eucaliptos? Essa é a crítica central que deve ser feita a um jornalismo que se apresenta como de interesse público mas que está subordinado, em últimas instância, aos interesses privados dos donos da empresa.


E antes que alguém venha buzinar, eu não me apresento como nenhum modelo de jornalismo investigativo nem pretendo ter a fórmula para ele. Mas sei bem o que ele não é. Perdi as ilusões com o jornalismo quando era editor do jornal NH, em Novo Hamburgo, e pedi demissão pelo fato de a direção da empresa ter retirado do jornal, na calada da noite, uma matéria sobre uma condenação de alguns jovens da cidade envolvidos em um caso de estupro. Foi retirada, aliás, por dois dias consecutivos, mesmo após um acordo feito com a direção que, digamos, “suavizou” o relato sobre o crime. Não bastou. Aparentemente, interesses de anunciantes poderiam ser afetados. Pedi demissão na hora, abri mão (burramente) de receber meu Fundo de Garantia e fui estudar Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o que foi uma das decisões mais acertadas da minha vida. Jornalismo investigativo e grande capital são (ou deveriam ser) inimigos.


Os funcionários da RBS fazem bem em defender a liberdade de imprensa e de expressão. Fariam melhor ainda se a defendessem por inteiro. Mas aí, talvez, teriam que trabalhar em outro lugar.


Fonte:


http://rsurgente.opsblog.org/2011/10/21/as-historias-que-o-jornalismo-investigativo-da-rbs-nao-conta/

segunda-feira, outubro 17, 2011

Educação: dever dos pais e não do governo

Educação é um processo amplo adquirido na família, na comunidade e na própria escola. Ela vem de casa, da família, de nossos pais, parentes e amigos que se preocupam em nos dar o melhor. Desde a maneira de se portar em diversas ocasiões até a de conviver com outras pessoas sabendo respeitar a tudo e a todos.


O ensino é diferente de educação. O ensino é a cultura adquirida nas escolas, mas apenas nos oferece conhecer melhor o mundo. Nas escolas não se aprende a ser educado como nossos pais deveriam nos ensinar.

Pode até existir uma confusão entre educação e ensino, mas o papel dos pais jamais deverá ser substituído pelos professores, que até tentam ajudar neste quesito quando os pais falham, e como falham.

domingo, outubro 16, 2011

Steve Jobs e a Apple:Eu entrevistei o CEO da Apple. O outro.

Em 1991, quando de bloco e caneta nas mãos sentei-me diante do CEO da Apple, o dono do posto era justamente um antípoda de Jobs, John Sculley
Eurípedes Alcântara é diretor de redação de VEJA
Steve Jobs e John Sculley em 1984: um ano mais tarde, Sculley afastaria Jobs da empresa
Steve Jobs e John Sculley em 1984: um ano mais tarde, Sculley afastaria Jobs da empresa (Ed Kashi/Latinstock)
Quando chegar o dia de o sol se apagar para John Sculley... Nas primeiras linhas do obituário virá a informação que ele armou a saída de Jobs da Apple em 1985
Preparei-me como poucos para o que poderia ter sido a mais extraordinária entrevista da minha carreira de editor de Tecnologia de VEJA: Steve Jobs. Mas quis o destino que, no começo de 1991, quando de bloco e caneta nas mãos sentei-me diante do CEO da Apple, em Cupertino, na Califórnia, o dono do posto fosse justamente um antípoda de Jobs, John Sculley. Harry Truman demitiu o general Douglas MacArthur nos anos 50.  A Ford demitiu Lee Iacocca nos 70. A queda dos dois heróis americanos foi chocante. MacArthur e Iacocca, porém, tinham mesmo que cair. O general queria jogar bombas atômicas na China com o objetivo de interromper o apoio de Mao à Coréia do Norte. Iacocca foi derrubado pela soberba. Confrontado com o fato que os tanques de gasolina dos modelos Ford Pinto tendiam a explodir quando alvos de colisão na traseira, Iacocca escudou-se na arrogante e suicida resposta à crise: “Segurança não vende carro.” Sculley conseguiu que a Apple demitisse seu fundador, forçando a renúncia de Jobs, no que foi um choque nos anos 80. MacArthur voltaria fugazmente à cena na despedida na academia militar (“Um velho soldado nunca morre, desvanece simplesmente”). Iacocca, criador do Mustang, mais tarde se reinventaria como lenda na Chrysler. Jobs voltou à Apple em 1997, mudou o mundo digital e foi enterrado como um rei.
Quando chegar o dia de o sol se apagar para John Sculley...
 
Nas primeiras linhas do obituário virá a informação que ele foi o executivo que armou o afastamento de Jobs da Apple em 1985. Antes, Sculley fez longa e exitosa carreira até o topo na PepsiCo, tendo trabalhado no Brasil quando a empresa americana comprou a brasileira Elma Chips. Foi minha pergunta de aquecimento. “De que lhe serviu a experiência brasileira?” Sculley, que não perderia para garçons parisienses um campeonato de frieza, desconversou. Ele não se lembrava mais de nenhuma palavra em português. Mas não se esquecera da “mão-de-obra barata” ( 2,6 dólares por dia, metade do que a PepsiCo pagava por hora a um peão nos Estados Unidos) e de como teve que dar um “choque sanitário” nos processos industriais da subsidiária brasileira. Na sua autobiografia “Odisseia, da Pepsi à Apple”, publicada em português em 1988, ele se refere ao Brasil como “um país falido”.  Sculley relata despreocupadamente como seus executivos desmontavam máquinas industriais obsoletas nos Estados Unidos e contrabandeavam as peças para o Brasil em suas malas de viagem. As máquinas eram remontadas aqui e colocadas para funcionar sem pagar um centavo de imposto.
 
John Sculley se orgulhava de ter sido o primeiro executivo com MBA contratado pela PepsiCo. Ele fez carreira como cortador de custos.  A Elma Chips e, depois, toda a divisão de alimentos da PepsiCo tornaram-se lucrativas. A reputação de “empunhar uma machadinha” -- e demitir pessoas “uma a uma, olhando-as nos olhos e explicando objetivamente o motivo maior da perda do emprego” – o levou a uma Apple em dolorosa crise de crescimento. A empresa estava sendo administrada por um criador original, Steve Jobs, cercado por uma estrutura sem proteína ou vigor de gestão para acompanhar seus surtos de inventividade. A Apple ia quebrar. Equiparados no comando, Jobs e Sculley conviveram bem alguns meses. Logo se evidenciou a incompatibilidade total entre o intrépido desbravador do universo microdigital e o vendedor de refrigerantes que não olhava despesa quando a missão era cortar custos. 
    
Dado o duelo final entre os dois, o conselho da Apple ficou com aquele que garantiria a sobrevivência imediata da empresa. Jobs saiu com 150 milhões de dólares. Foi sofrer um pouco e se preparar para as revoluções que faria no cenário tecnológico quando voltasse à Apple em 1997. Sculley enxugou a Apple, aumentou o preço dos computadores Macintosh, lançou produtos esquecíveis. E um inesquecível. Foi o Newton MessagePad, um tablete que deveria ser um “assistente digital”. A maior inovação do aparelho, lançado em 1993, era a capacidade de transformar letra cursiva em texto formatado em dezenas de fontes diferentes. Sculley comprou bem baratinho essa tecnologia desenvolvida por programadores da recém-arruinada União Soviética. Seu mecanismo de reconhecimento de caligrafia era patético. As mancadas da maquininha criaram uma modalidade nova de humor baseada nas suas confusões. A pessoa escrevia, por exemplo, quinta-feira – “thursday”, em inglês, e o Newton entendia sedento – “thirsty”. A Apple anunciou que seu MessagePad era capaz de se comunicar com outros MessagePads, o que integraria seus usuários em uma versão rudimentar de rede. Sim, o Newton podia se comunicar com outros Newtons, mas o fazia através de emissores-sensores de radiação infravermelha, tipo de conexão que só funciona bem entre dois aparelhos de cada vez e exige que estejam a menos de trinta centímetros de distância. A Apple ainda chegou a lançar um opcional que dava ao Newton a possibilidade de conectar-se sem fio a distâncias um pouco maiores. Tarde demais, caro demais, complicado demais – a perfeita negação de Steve Jobs. O Newton naufragou, levando com ele seu criador.
 
O que faltou a John Sculley? Com o sol de Jobs no firmamento nenhuma estrela brilharia -- muito menos a de Sculley. Mas a ele faltou principalmente a internet.  Ele foi atraído para a Apple pelo próprio Jobs que lhe teria dito a frase lendária, embora nunca confirmada por nenhum dos dois: “Você quer passar a vida inteira vendendo água com açúcar ou prefere ter a chance de mudar o mundo?” Ele ficou dez anos no comando da empresa em Cupertino. Saiu em 1993 sem mudar o mundo. Mas pode ter sido por pouco. Naquele mesmo ano a Apple lançou um serviço chamado eWorld, que permitia aos computadores da marca participar de uma rede fechada a que eles se conectavam pelo telefone com a intermediação de um modem, o “modulador-demodulador”, a Pedra de Rosetta que permitiu o diálogo de aparelhos digitais através dos circuitos analógicos das companhias telefônicas. Logo o eWorld teria uma “gateway”, uma porta de comunicação, com a internet, a rede que desencadearia a mais formidável corrida de modernização tecnológica mundial já experimentada na história.  
 
Especulemos sobre como John Sculley reagiria ao mundo em transformação pela internet, caso o implacável Cronos tivesse permitido que seu período mais produtivo se materializasse com cinco anos de atraso no Infinity Loop. A primeira e mais óbvia conclusão é a de que a história do Newton teria sido não a de um retumbante fracasso, mas a de um produto saído da cabeça de um visionário. Beneficiado pela popularização e barateamento das tecnologias de conexão de meados dos anos 90, o Newton poderia vir a ser classificado como antepassado direto do iPad e teria catapultado a carreira de John Sculley. Ele atingiria a categoria de lenda de seu antecessor e sucessor? Provavelmente não, pois nada indica que Sculley teria tido as mesmas certeiras intuições que serviram magicamente a Steve Jobs na extensão de seu domínio sobre o reino digital com a incorporação da indústria musical, do cinema de animação e da telefonia móvel. Certamente Sculley não teria atingido o patamar de herói cultural da humanidade a que Jobs foi elevado na morte.
 
Naquele longínquo e tecnologicamente pré-histórico 1991 eu perguntei a Sculley como ele enxergava o futuro da Apple. Ele respondeu: “Meu objetivo é fazer da Apple uma empresa de software, uma usina de ideias e soluções brilhantes para os problemas do cotidiano das pessoas.” Sculley teve seu momento Jobs. Quanto a mim, que no decorrer dos anos 90 falaria até mais de uma vez com Bill Gates, Scott McNealy, Tim Berners-Lee, Michael Dell, Gordon Moore, Marc Andreessen, Larry Ellison e tantos outros fundadores da civilização digital, entrevistei o executivo chefe da Apple. O outro.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/eu-entrevistei-o-ceo-da-apple-o-outro


terça-feira, outubro 11, 2011

Steve Jobs: Continue com fome, continue ingênuo



Não há razão para não seguir seu coração.
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.
Na contracapa do Whole Earth Catalog havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: “Continue com fome, continue ingênuo.”
(Steve Jobs)
Lendo hoje “Steve Jobs, um homem paradoxal” de Pedro Doria de O Globo, várias
sincronicidades, contradições e humanidades me chamaram a atenção sobre o recém desencarnado Steven Paul Jobs (São Francisco, Califórnia, 24 de Fevereiro de 1955 — Palo Alto, Califórnia, 5 de Outubro de 2011) inventor, empresário, magnata americano no setor da informática, co-fundador da Apple Inc, e diretor executivo da empresa de animação por computação gráfica Pixar.
O texto de Dória está entremeado pelo famoso Discurso na Universidade de Stanford de Steve Jobs (Você tem que encontrar o que você ama).
“Steven Paul Jobs era um homem pacato. Budista, seguia desde muito jovem a linha zen. Era também um homem agressivo, capaz de demissões sumárias por motivos fúteis. Fez muita gente chorar por broncas duras. Estourava mesmo. Nos corredores, os funcionários se desviavam dele. Falavam o menos possível, ninguém queria se expor à demissão repentina sem pista do porquê. Em alguns depoimentos, porém, alguns sugerem que a idade e os filhos o amaciaram. Quando fazia produtos pensando em famílias, aquilo lhe era natural. Steve Jobs gostava de família. Foi um pai amoroso quase toda a vida mas se recusou a reconhecer a primeira filha em seus primeiros anos. Foi um homem ímpar, paradoxal, que marcou profundamente o mundo.”
Eu não tinha ideia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que tomei. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não meinteressavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.
“Quando jovem, gostava de ternos caros. No fim, adotou o jeans velho e rasgado,
sempre Levi’s 501, e camisa preta com gola alta, tênis. Quando, no verão, o calor
passava dos 40C, bermudas. Conhecia os vizinhos pelo nome e os cumprimentava, seus filhos estudam na escola pública a poucas quadras dali. Jobs não perdia as reuniões de pais e mestres. Ia também a pé fazer compras no supermercado Whole Foods, de comida orgânica. Era vegetariano, mas comia peixe cru.”
“Quando jovem e solteiro, viveu numa mansão na vizinha Woodside. Quem o visitou na época dizia que só tinha um móvel: a cama. Nas paredes, fotografias do americano Ansel Adams. No meio da sala, mantinha uma motocicleta BMW, um piano Bosendorfer, um abajur Tiffany’s e um aparelho de som Bang & Olufsen. Os objetos não o atraíam pela utilidade e sim pela elegância do desenho. Era muito rígido com esta busca por elegância e equilíbrio nos objetos. Foi esta busca que quase o desviou de fundar a Apple. Quis, antes, ser monge Zen. Foi dissuadido pelo sensei de toda sua vida, o japonês Kobun Chino. Criou a Apple e criou produtos seguindo os preceitos rigorosos da arte Zen. Foi Kobun Chino que o casou, muitos anos depois, com a economista Laurene Powell. Casaram-se em 1991 em Yosemite, o primeiro parque nacional dos EUA. É um paraíso de sequóias centenárias na Sierra Nevada, a quatro horas do Vale do Silício. O cenário das fotografias de Ansel Adams.”
O Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante. Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
“Jobs teve quatro filhos. A mais velha, Lisa, nasceu de um namoro fugaz, em 1978. Ele foi à Justiça negar paternidade. Se recusou a visitá-la, a vê-la. E, enquanto agia assim, batizou de Lisa um computador da Apple na homenagem ao bebê a quem negava o sobrenome. O período passou, registrou-a. Viveram juntos quando Lisa era adolescente e, Jobs, recém-casado. Jobs foi ele próprio um bebê rejeitado, oferecido a adoção pelos pais que se recusou a conhecer até o fim. Reed, seu primeiro filho com Laurene, nasceu em 1991, seguido de Erin, em 95, e Eve, em 98.”
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.
“Tinha preferência pelo design alemão e dirigia carros alemães. Quando jovem
milionário, Porsches. Mais velho, Mercedes. Dirigia rápido ignorando qualquer lei. E tirava as placas do carro para evitar multas. Quando não havia vaga, mesmo saudável, estacionava no espaço para cadeirantes. Pegou hábito e começou a fazê-lo mesmo quando havia vagas. Que ninguém reclamasse, pois estourava.”
Lentamente, comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida.
“No Vale do Silício, principalmente após Bill Gates criar sua fundação, virou praxe para os grandes milionários doar um bom quinhão de suas fortunas para boas causas. Não Jobs. Suas únicas doações conhecidas são para o Partido Democrata.”
Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar.
Não sossegue.


Fonte:

quinta-feira, outubro 06, 2011

Os grandes nomes da Apple atualmente


Conheça os herdeiros do legado de Steve Jobs: Tim Cook, Jonathan Ive, Bob Mansfield, Scott Forstall, Ron Johnson e Peter Oppenheimer.
Tim Cook, ex-chefe de operações, assume a Apple após saída de Steve Jobs. (Foto: Divulgação)Tim Cook, atual CEO da Apple. (Foto: Divulgação)
Tim Cook: Escolhido em 2011 para substituir Steve Jobs como CEO da Apple, Tim Cook já ocupou cargos importantes em outras empresas como IBM, até 1998, quando entrou para Apple.
Considerado o braço esquerdo de Jobs e o gênio por trás de toda a operação, Tim ocupou o cargo de CEO temporariamente duas vezes antes de 2011.
Em ambas situações, Jobs teve que se ausentar para tratar de um câncer no pâncreas, e ninguém melhor para substituí-lo que Tim. Depois da saída definitiva de Jobs do posto de CEO da Apple, Tim Cook foi escolhido para levar adiante o legado da Apple.
Jonathan Ive (Foto: Reprodução)Jonathan Ive (Foto: Reprodução)
Jonathan Ive: O Vice Presidente Sênior da Indústria de Design da Apple, Jonathan está encarregado de produzir os dispositivos da empresa.
Desde MacBooks, iPads, iPhones e iPods, Ive é responsável pelo bonito e elaborado design dos produtos.
Com mais de 15 anos de história na Apple, Jonathan ainda tem o mesmo desafio: continuar fazendo produtos inovadores, que combinem elegância e eficiência.

Bob Mansfield (Foto: Reprodução/ Apple)Bob Mansfield (Foto: Reprodução/ Apple)
Bob Mansfield: Vice Presidente Sênior da Mac and Devices Hardware Engineering, Bob entrou na compania em 1999.
Como Vice Presidente, ele supervisionou todo o processo de desenvolvimento de diversos produtos, entre eles o iMac e MacBook.
No ano de 2010, Mansfield lucrou mais de 13 milhões de dólares vendendo ações da Apple.
Ele vendeu mais de 38 mil papéis, a US$ 351,89 cada. Nos últimos três anos, Bob Mansfield já ganhou quase 60 milhões de dólares em negociações.
Scott Forstall (Foto: Reprodução/Geek.com)Scott Forstall (Foto: Reprodução/Geek.com)
Scott Forstall: Um dos arquitetos do Mac OS X, o Vice Presidente de Software iOS Scott Forstall, teve um papel fundamental no desenvolvimento da interface revolucionária do iPhone.
Ele também é bastante conhecido por sua atenção especial aos pequenos detalhes, assim como Steve Jobs.
O iPhone transformou o conceito de smartphones, e é atualmente o celular mais vendido do Brasil e um dos mais vendidos do mundo.
Ron Johson (Foto: Andy Shaw/Bloomberg News)Ron Johson (Foto: Andy Shaw/Bloomberg News)
Ron Johnson: Vice Presidente Sênior da área de vendas, Ron Johnson já trabalhou como Vice Presidente de merchandising na rede de varejos Target, a segunda maior dos Estados Unidos.
Atualmente, ele é o cérebro por trás de todas as Apple Stores. As 247 lojas geram mais vendas por metro quadrado que a Best Buy e a Tiffany juntas, somente nos Estados Unidos.
Entretanto, foi confirmado por um porta-voz da Apple que, no dia 1º de novembro, Ron deixará a empresa e assumirá o posto de presidente da rede de departamento JCPenney. A Apple já está em busca de um bom substituto.

Peter Oppenheimer (Foto: Reprodução)Peter Oppenheimer (Foto: Reprodução)
Peter Oppenheimer: Vice Presidente Sênior e Chefe de Finanças da Apple (CFO), Oppenheimer entrou na empresa em1996, um ano antes do retorno de Jobs.
Como chefe do departamento financeiro, Peter lida com a montanha de dinheiro e investimentos da Apple.
Além disso, ele é o responsável por supervisionar todas as transações financeiras.
Atualmente, o valor estimado da compania é de mais de 220 bilhões de dólares.


Fonte:

quarta-feira, outubro 05, 2011

Transcrição completa do maravilhoso discurso de Steve Jobs na Universidade de Stanford, em 2005




Transcrição completa do maravilhoso discurso de Steve Jobs na Universidade de Stanford, em 2005







Parte 1
Parte 2



Divirta-se:


Você tem que encontrar o que você ama


Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.


A primeira história é sobre ligar os pontos.


Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.


Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”


Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.


Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.


Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.


Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.


Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.


Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.


De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.


Minha segunda história é sobre amor e perda.


Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.


E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.


Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].


Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.


A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.


E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.


Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.


Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.


Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.


Minha terceira história é sobre morte.


Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.


Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.


Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.


Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.


Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.


Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.


Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.


Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.


O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.


Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.


Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.


E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.


Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.


Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.


Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:


“Continue com fome, continue bobo.”


Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.


Obrigado.