sábado, maio 19, 2007

MAL EDUCADOS

Leiam o absurdo abaixo:


19.05, 17h30

Por Fábio Rabello

Quanto ganha um professor da rede pública de ensino? Não sei, não dou aula em nenhuma escola estadual ou municipal, mas conheço muitos professores que atuam lá. Por isso mesmo, posso dizer sem medo: eles ganham muito dinheiro. Ganham infinitamente mais do que realmente merecem. Maluf, mesmo há anos sem entrar numa escola pública e ver de perto o que acontece lá dentro, acertou quando, em público, disse que “nossas professoras não precisam de aumento salarial porque são bancadas pelos maridos”. Maluf só se esqueceu de dizer, naquela época, que a maioria de nossas professoras, além de não precisarem de tal aumento, também não o merecem.

Lembro-me da época em que eu cursava o ensino médio numa escola da rede pública. Minha professora de biologia trazia consigo um vasto e sofisticado material para as aulas: agulhas de crochê importadas e novelos de lã canadenses. Passados três anos, nos formamos todos sem ao menos ter plantado um único pé de feijão em um copo cheio de algodão embebido em água, que é o que mandam fazer as professoras de biologia quando não querem dar aula. No entanto, éramos capazes de confeccionar um cachecol em ponto-cruz ou um pulôver italiano em, no máximo, três dias. Sinto falta daquele tempo. Hoje, muitos de nossos jovens saem da escola sem saber que existe uma disciplina chamada biologia, ou que agulhas de crochê importadas são capazes de manufaturar um cachecol em apenas três dias porque têm uma qualidade bastante superior às agulhas nacionais. As aulas de língua portuguesa eram todas muito semelhantes à feira de artesanato da Praça Benedito Calixto, em São Paulo. O biscate era feito sobre a mesa do professor, numa linguagem muito próxima à usada pelos hippies de verdade lá da Benedito Calixto ou da Praça da República.

Como se vê, de uns tempos para cá, o ensino público sofreu acentuada decadência. Os professores de uns dez ou quinze anos atrás trabalhavam. Não como professores, mas trabalhavam. Era divertido ver a frustração deles. Tínhamos artesão, costureiros e hippies fracassados na sala de aula. Hoje não temos nem isso. A maioria dos educadores deste país está dentro das escolas porque a escola é uma das instituições que mais acolhe os leigos e inaptos naquilo que fazem. Depois, ainda querem reivindicar aumento salarial. Se nosso país fosse um lugar realmente decente, alguma coisa teria de ser mudada: ou o salário de muitos professores teria de ser reduzido significativamente, ou, então, teríamos de formar professores de verdade, e não mais aqueles que passam apenas um ano cursando o ensino superior a distância e depois ministram cursos com o triplo da carga horária de sua ‘faculdade’, no ensino médio.

Como é ensinado em quase todas as palestras de motivação profissional nas grandes empresas, ‘você ganha exatamente aquilo que merece’. Portanto, aconselho a maioria do corpo docente das escolas públicas a não fazer muito alarde. É perigoso. Se o Estado resolver de uma hora para a outra adotar o pensamento lógico dos palestrantes, a situação pode piorar. E, depois, não adiantará apelar para o artesanato ou para as agulhas importadas de crochê. Explico:

Tais habilidades exigem estudo e intensa dedicação.

FONTE: Site porta-voz da direita

Um comentário:

Felipe disse...

Li algumas de suas idéias.
Vc tem mesmo um racicínio interessante, mas vai acabar se perdendo pelas pequenas falhas (que geram erros grotescos).
Por exemplo: claro que senso crítico é essencial, mas essa acidez corosiva não ajuda.
Além disso, generalidades como esta sobre uma classe profissional inteira permitiram o holocausto e outras ecatombes do estilo.
Continua, é bom e necessário, Mas tenha um pouco mais de calma ao se expressar - pelo amor de Marx!
Abç,
Felipe.