Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Ambição na Vida


Sábado, Outubro 17, 2009

A improbabilidade de Deus

Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Os irlandeses mandam-se uns aos outros pelo ar em nome de Deus. Os árabes mandam-se a si próprios pelo ar em nome de Deus. Os imãs e os aiatolas oprimem as mulheres em nome de Deus. Os papas e os padres celibatários destroçam a vida sexual das pessoas em nome de Deus. Os shohets judeus cortam a garganta de animais vivos em nome de Deus.

As proezas da religião no passado ― cruzadas sangrentas, inquisições que praticavam a tortura, conquistadores que assassinavam em massa, missionários que destruiam culturas, resistência reforçada legalmente e até ao último momento possível a cada nova verdade científica ― são ainda mais impressionantes. E tudo isto para quê? Creio que se torna cada vez mais claro que a resposta é absolutamente para nada. Não há nenhuma razão para que acreditemos que existam quaisquer espécies de deuses e há muito boas razões para que acreditemos que não existem e nunca existiram. Foi tudo um gigantesco desperdício de tempo e de vida. Seria uma anedota de proporções cósmicas se não fosse tão trágico.

Porque é que as pessoas acreditam em Deus? Para a maior parte das pessoas a resposta é ainda uma qualquer versão do antigo Argumento do Desígnio. Olhamos em volta para a beleza e complexidade do mundo ― para o movimento aerodinâmico de uma asa de andorinha, para a delicadeza das flores e das borboletas que as fertilizam; por intermédio de um microscópio para a vida luxuriante existente em cada gota de água de um tanque; por intermédio de um telescópio para a copa de uma sequóia gigante. Reflectimos na complexidade electrónica e na perfeição óptica dos nossos olhos que vêem tudo isto. Se temos alguma imaginação, estas coisas conduzem-nos a um sentimento de temor e reverência. Além disso, não podemos deixar de nos impressionar com a semelhança óbvia dos órgãos vivos com os projectos cuidadosamente planeados dos engenheiros humanos. A expressão mais famosa deste argumento é a analogia do relojoeiro de William Paley, padre do século dezoito. Mesmo que não soubéssemos o que é um relógio, o carácter obviamente concebido dos seus dentes e molas e de como engrenam uns nos outros para um propósito, forçar-nos-ia a concluir «que o relógio teve de ter um autor: que teve de ter existido, nalguma altura, num lugar ou noutro, um artífice ou artífices, que o concebeu com o propósito a que o vemos agora responder; que compreendeu a sua construção e concebeu o seu uso.» Se isto é verdade de um relógio relativamente simples, não é muito mais verdade do olho, do ouvido, do rim, da articulação do cotovelo e do cérebro? Estas belas, complexas e intrincadas estruturas, que foram evidentemente construídas com um propósito, tiveram de ter o seu próprio autor, o seu próprio relojoeiro ― Deus.

Tal é o argumento de Paley, e é um argumento que praticamente todas as pessoas que reflectem e têm sensibilidade descobrem por elas próprias em certa altura da sua infância. Durante a maior parte da história deve ter parecido absolutamente convincente e de uma verdade auto-evidente. E contudo, como resultado de uma das mais espantosas revoluções intelectuais da história, sabemos agora que é errado ou pelo menos supérfluo. Sabemos agora que a ordem e a aparente intencionalidade do mundo vivo aconteceu por intermédio de um processo completamente diferente, um processo que funciona sem a necessidade de qualquer autor e que é uma consequência de leis físicas basicamente muito simples. Este é o processo de evolução por selecção natural, descoberto por Charles Darwin e, independentemente, por Alfred Russel Wallace.

O que têm em comum todos os objectos que parecem ter de ter tido um autor? A resposta é improbabilidade estatística. Se encontramos um seixo transparente a que o mar deu a forma de uma lente imperfeita, não concluímos que teve de ser concebido por um oculista: as leis da física por si sós são capazes de alcançar este resultado; não é muito improvável que tenha meramente «acontecido». Mas se encontramos uma lente composta trabalhada, cuidadosamente corrigida contra a aberração esférica e cromática, revestida contra o brilho e com «Carl Zeiss» gravado no rebordo, sabemos que não poderia ter acontecido meramente por acaso. Se pegarmos em todos os átomos de uma tal lente composta e os lançarmos juntos ao acaso sob a impulsionante influência das leis vulgares da física na natureza é teoricamente possível que, por puro acaso, os átomos se agrupem segundo o padrão da lente composta da Zeiss e até que os átomos em redor da orla se agrupem de modo a que o nome Carl Zeiss seja gravado. Mas o número de outras formas segundo as quais os átomos poderiam, com idêntica probabilidade, ter-se agrupado é tão extremamente, imensamente, incomensuravelmente elevado, que podemos pôr completamente de lado a hipótese do acaso. Como explicação o acaso está fora de questão.

A propósito, este argumento não é circular. Pode parecer circular porque, depois da ocorrência, podemos dizer que qualquer organização particular de átomos é muito improvável. Como já alguém disse, quando uma bola cai num determinado pedaço de relva no campo de golfo, seria loucura exclamar: «De todos os biliões de pedaços de relva em que a bola poderia ter caído, caiu efectivamente neste. Quão admiravelmente e miraculosamente improvável!» Claro que a falácia aqui é que a bola tinha de cair nalgum lado. Só podemos ficar admirados com a improbabilidade do acontecimento real se o determinarmos a priori: por exemplo, se uma pessoa de olhos vendados girasse sobre si no tee, acertasse na bola ao acaso e conseguisse um hole in one. Isso seria verdadeiramente espantoso, porque o destino alvo da bola tinha sido estabelecido previamente.

De todas as triliões de formas diferentes de juntar os átomos de um telescópio, apenas uma minoria poderia na realidade funcionar de forma útil. Apenas uma pequena minoria teria Carl Zeiss gravado ou, na verdade, quaisquer palavras reconhecíveis de qualquer linguagem humana. O mesmo é verdade para as partes de um relógio: de todos os biliões de modos possíveis de os juntar, apenas uma pequena minoria dirão as horas ou farão qualquer coisa útil. E, claro, o mesmo é verdade, a fortiori, para as partes dos corpos vivos. De todos os triliões de triliões de modos de juntar as partes de um corpo, apenas uma minoria infinitesimal viverão, procurarão comida, comerão e se reproduzirão. É verdade que há muitas formas diferentes de estar vivo ― pelo menos dez milhões de formas diferentes, se contarmos o número de espécies diferentes que estão actualmente vivas ― mas, por mais formas que possam existir de estar vivo, de certeza que há muito mais de estar morto!

Podemos com segurança concluir que os corpos vivos são biliões de vezes demasiado complicados ― demasiado estatisticamente improváveis ― para terem surgido por puro acaso. Como é que surgiram, então? A resposta é que o acaso entra na história, mas não um único e monolítico acto de acaso. Em vez disso, toda uma série de pequenos passos ocasionais, cada um suficientemente pequeno para ser um resultado credível do seu predecessor, ocorreram uns atrás dos outros em sequência. Estes pequenos passos do acaso são causados por mutações genéticas, mudanças fortuitas ― erros de facto ― no material genético. Originam mudanças na estrutura corporal existente. A maior parte dessas mudanças são perniciosas e levam à morte. Uma minoria revelam-se pequenas melhorias, que conduzem a um aumento da sobrevivência e da reprodução. Por este processo de selecção natural, as mudanças ao acaso que se revelam no fim de contas benéficas espalham-se pela espécie e tornam-se a norma. O cenário está agora montado para a próxima pequena mudança no processo evolutivo. Depois de, digamos, um milhar destas pequenas mudanças em série, cada mudança fornecendo a base para a próxima,  o resultado final tornou-se, por um processo de acumulação, demasiado complexo para ter surgido num único acto de acaso.

Por exemplo, é teoricamente possível que um olho se forme do nada, num único passo de acaso: digamos que a partir apenas da pele. É teoricamente possível no sentido em que poderíamos escrever uma receita com a forma de um grande número de mutações. Se todas estas mutações acontecessem simultaneamente, poderia mesmo surgir do nada um olho completo. Mas embora seja teoricamente possível, é na prática inconcebível. A quantidade de acaso que envolve é demasiada. A receita «correcta» envolve mudanças num enorme número de genes simultaneamente. A receita correcta é uma combinação particular de mudanças em triliões de combinações de acasos igualmente prováveis. Podemos certamente excluir uma tal miraculosa coincidência. Mas é perfeitamente plausível que o olho moderno se tenha formado a partir de algo que fosse quase igual ao olho moderno mas não exactamente igual: um olho ligeiramente menos elaborado. Pelo mesmo argumento, este olho ligeiramente menos elaborado formou-se a partir de um ainda menos elaborado, etc. Se assumirmos um número suficientemente grande de pequenas diferenças entre cada estádio evolutivo e o seu predecessor, somos capazes de derivar um olho completo, complexo, a funcionar, a partir apenas da pele. Quantos estádios intermédios podemos postular? Isso depende do tempo de que dispusermos. Houve tempo suficiente para os olhos evoluírem por pequenos passos a partir do nada?

Os fósseis dizem-nos que a vida evolui na Terra há mais de 3 000 milhões de anos. Para a mente humana é quase impossível apreender uma tal imensidão de tempo. Nós, naturalmente e felizmente, tendemos a ver a nossa própria expectativa de vida como razoavelmente longa, mas não podemos esperar viver nem sequer um século. Passaram 2 000 anos desde que Jesus viveu, tempo suficiente para esbater a distinção entre história e mito. Podemos imaginar um milhão de períodos desses colocados lado a lado? Suponhamos que queremos escrever toda a história num longo e único rolo. Se amontoássemos toda a história da Era Comum num metro de rolo, que tamanho teria a parte do rolo da Era pré-Comum até ao começo da evolução? A resposta é que a parte do rolo da Era pré-Comum estender-se-ia de Milão a Moscovo. Pensemos nas implicações disto para a quantidade de mudanças evolutivas que podem ser incluídas. Todos as raças de cães domésticos ― pequineses, poodles, spaniels, São Bernardos e chihuahuas ― provieram de lobos num espaço de tempo medido em centenas ou no máximo milhares de anos: não mais que dois metros ao longo da estrada de Milão para Moscovo. Pensemos na quantidade de mudança envolvida na passagem de lobo a pequinês; agora multipliquemos essa quantidade de mudança por um milhão. Quando olhamos para isto dessa maneira, torna-se fácil acreditar que um olho pode ter evoluído por pequenos passos a partir do nada.

É preciso ainda convencermo-nos de que cada um dos mediadores na rota da evolução, digamos da mera pele para um olho moderno, teria sido favorecido pela selecção natural; teria sido um progresso em relação ao seu predecessor na sequência ou pelo menos teria sobrevivido. Não serviria de nada provarmos a nós próprios que existe teoricamente uma cadeia de mediadores quase perceptivelmente diferentes levando a um olho se muitos desses mediadores tivessem morrido. Afirma-se às vezes que as partes de um olho têm de estar todas reunidas ou o olho não funcionará. Metade de um olho, diz o argumento, não é melhor que nenhum olho. Não podemos voar com metade de uma asa; não podemos ouvir com metade de um ouvido. Portanto, não pode ter existido uma série de passos intermédios conduzindo ao olho, asa ou ouvido modernos.

Este tipo de argumento é tão ingénuo que podemos apenas perguntar-nos quais os motivos subconscientes para acreditar nele. É obviamente falso que meio olho seja inútil. As pessoas que sofrem de cataratas a quem removeram cirurgicamente os cristalinos não podem ver muito bem sem óculos, mas ainda assim estão muito melhor do que as pessoas que não têm quaisquer olhos. Sem o cristalino não é possível focar uma imagem detalhada, mas é possível evitar chocar com obstáculos e seria possível detectar a sombra vaga de um predador.

Quanto ao argumento segundo o qual não podemos voar com apenas metade de uma asa, é refutado por um grande número de animais planantes bem sucedidos, incluindo mamíferos de géneros muito diferentes, lagartos, rãs, cobras e chocos. Muitos géneros diferentes de animais que vivem nas árvores têm abas de pele entre as suas articulações que são de facto asas fraccionadas. Se cairmos de uma árvore, qualquer aba de pele ou alisamento do corpo que aumente a nossa área de superfície pode salvar-nos a vida. E, por muito pequenas ou grandes que as nossas abas possam ser, haverá sempre uma altura crítica tal que, se cairmos de uma árvore dessa altura, a nossa vida poderia ter sido salva por precisamente um pouco mais de área de superfície. Portanto, quando os nossos descendentes desenvolverem essa área de superfície extra, as suas vidas serão salvas precisamente por um pouco mais, mesmo que caiam de árvores de uma altura ligeiramente maior. E assim sucessivamente, por passos imperceptivelmente graduados até que, centenas de gerações depois, chegamos a asas completas.

Os olhos e as asas não podem surgir num passo único. Isso seria como ter a sorte quase infinita de acertar na combinação que abre a caixa-forte de um grande banco. Mas se girarmos os discos da fechadura ao acaso e, de cada vez que nos aproximarmos um pouco mais do número da sorte, a porta da caixa-forte rangendo abrir outra ranhura, em breve teremos a porta aberta! Na essência, é esse o segredo de como a evolução por selecção natural realiza o que pareceu impossível. Coisas que não podem plausivelmente ser derivadas de predecessores muito diferentes podem plausivelmente ser derivados de predecessores apenas ligeiramente diferentes. Contanto que haja uma série suficientemente longa de predecessores ligeiramente diferentes, podemos derivar qualquer coisa de qualquer outra coisa.

Portanto, a evolução é teoricamente capaz de fazer o trabalho que antigamente parecia ser uma prerrogativa de Deus. Mas há alguma prova de que a evolução tenha de facto acontecido? A resposta é sim; a prova é esmagadora. Milhões de fósseis encontram-se exactamente nos lugares e exactamente à profundidade a que devemos esperar que estejam se a evolução aconteceu. Nem um único fóssil foi alguma vez encontrado num local em que a teoria da evolução não previsse que estivesse, embora isto pudesse ter acontecido com muita facilidade: um fóssil de um mamífero tão antigo que os peixes ainda não existissem, por exemplo, seria suficiente para refutar a teoria da evolução.

Os padrões de distribuição dos animais e das plantas pelos continentes e ilhas do mundo são exactamente os que seria de esperar que fossem se eles tivessem evoluído de antepassados comuns por graus lentos e graduais. Os padrões de semelhança entre animais e plantas são exactamente o que esperaríamos se alguns fossem entre si primos chegados, e outros mais distantes. O facto do código genético ser o mesmo em todas as criaturas vivas sugere esmagadoramente que todas descendem de um único antepassado. As provas a favor da evolução são tão conclusivas que a única forma de salvar a teoria da criação é assumir que Deus deliberadamente colocou enormes quantidades de provas para fazer com que parecesse que a evolução ocorreu. Por outras palavras, os fósseis, a distribuição geográfica dos animais e tudo isso, são todos um gigantesco conto do vigário. Alguém quer adorar um Deus capaz de tal embuste? É certamente muito mais respeitoso, assim como mais sensato do ponto de vista científico, tomar as provas pelo seu valor facial. Todas as criaturas vivas são primas umas das outras, descendem de um antepassado remoto que viveu há mais do que 3000 milhões de anos.

Por conseguinte, o Argumento do Desígnio foi destruído como razão para acreditar em Deus. Existem outros argumentos? Algumas pessoas acreditam em Deus por causa do que sentem ser uma revelação interior. Tais revelações nem sempre são edificantes mas para a pessoa em questão são sem dúvida sentidas como reais. Muitos habitantes de hospícios têm uma fé inabalável em que são Napoleão ou, na verdade, o próprio Deus. Não há dúvida do poder de tais convicções para quem acredita nelas, mas isto não é razão para que o resto de nós acredite. Na verdade, uma vez que essas crenças são mutuamente contraditórias, não podemos acreditar nelas.

É preciso dizer um pouco mais. A evolução por selecção natural explica muitas coisas, mas não poderia ter começado do nada. Não poderia ter começado sem que houvesse algum género de reprodução e de hereditariedade. A hereditariedade moderna baseia-se no código de ADN, que é ele mesmo demasiado complicado para ter surgido espontaneamente por um único acto de acaso. Isto parece significar que teve de existir algum sistema hereditário anterior, agora desaparecido, que era suficientemente simples para ter surgido por acaso e pelas leis da química e que forneceu o meio no qual uma forma primitiva de selecção natural cumulativa pôde começar. O ADN foi um produto posterior desta selecção primitiva e cumulativa. Antes deste género original de selecção natural, houve um período em que foram construídos compostos químicos complexos a partir de compostos químicos mais simples e antes desse um período em que os elementos químicos foram feitos a partir de elementos mais simples, seguindo leis físicas bem compreendidas. Antes disso, em última instância foi tudo construído de hidrogénio puro no imediato seguimento do big bang que iniciou o universo.

Há a tentação de defender que, embora Deus possa não ser necessário para explicar a evolução da ordem complexa uma vez que o universo, com as suas leis fundamentais da física, tenha começado, precisamos de um Deus para explicar a origem de todas as coisas. Esta ideia não deixa Deus com muito que fazer: somente iniciar o big bang, e em seguida sentar-se e esperar que tudo aconteça. O físico-químico Peter Atkins, no seu livro maravilhosamente escrito The Creation, postula um Deus preguiçoso que se esforçou por fazer tão pouco quanto possível para iniciar tudo. Atkins explica como cada passo na história do universo seguiu, por simples lei física, o seu predecessor. Reduziu assim a quantidade de trabalho que o criador preguiçoso precisaria de fazer e no fim de contas concluiu que de facto não precisaria de fazer nada!

Os detalhes da fase inicial do universo pertencem ao reino da física e eu sou biólogo, mais interessado nas últimas fases da evolução em complexidade. Para mim, o ponto importante é que, mesmo se o físico precisa de postular um mínimo irredutível que teve de estar presente no começo, para que o universo começasse, esse mínimo irredutível é certamente extremamente simples. Por definição, as explicações construídas sobre premissas simples são mais plausíveis e mais satisfatórias do que as explicações que têm de postular começos complexos e estatisticamente improváveis. E dificilmente poderemos encontrar algo mais complexo do que um Deus Todo-Poderoso!

Richard Dawkins é Professor em Oxford de Compreensão Pública da Ciência. É o autor de O Relojoeiro Cego (no qual este artigo se baseia em parte) e A Escalada do Monte Improvável. É Editor Principal do Free Inquiry.
Tradução de Álvaro Nunes

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Lula projeta Brasil a 'líder regional e ator global de 1ª ordem', diz jornal argentino

O jornal argentino "La Nación" afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como "líder regional e ator global de primeira ordem".

O texto, intitulado "Brasil, nas grandes ligas", atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a "via das políticas de Estado (...) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso".

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de "dois troféus" aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma "formidável imagem de como se defende o interesse nacional". O "La Nación" sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, "aversões pessoais" entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal "não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas".

"A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo." Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, "enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama".

O jornal observa que "em 2011 terminará o segundo período de Lula". "Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas." Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, "o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina" e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que "em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões".

"Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida."

FONTE: UOL

Minha observação

O comentário feito sobre Buenos Aires se aplicar ao RS. Aqui, gremistas ficam torcendo para que as reformas do Beira-Rio dêem errado e com isso o Olímpico tenha alguma chance, mesmo que a FIFA já tenha definido tudo.

Por isso, o RS é um estado realmente "aregentino", inclusive nos defeitos.

Domingo, Outubro 11, 2009

ENEM: aplique-se a Lei 8666/93 ao Grupo Folha

No âmbito do direito cível e do administrativo, a gráfica Plural, que pertence ao grupo Folha de São Paulo, foi contratada por meio de licitação pública. Ou seja, comprometeu-se a cumprir todas as exigências do edital, pelo menor preço. E uma dessas exigências era o sigilo e a confidencialidade do trabalho, que era a impressão de provas de um concurso. E a essa exigência, evidente e notoriamente o grupo não cumpriu.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

As Raízes da Corrupção


Terça-feira, Outubro 06, 2009

A política do desprezo

Paul Krugman
Do The New York Times

Semana passada ocorreu o que o presidente Barack Obama gosta de chamar de "oportunidade de aprendizado", quando o Comitê Olímpico rejeitou a cidade de Chicago para sediar as Olimpíadas de 2016.

De acordo com o blog de um dos membros da publicação conservadora Weekly Standard, houve uma "festa" na redação da revista. O título da postagem era "Obama perdeu! Obama perdeu!". Rush Limbaugh disse estar "satisfeito". "O Mundo Rejeita Obama", disse o Drudge Report. E assim por diante.

E qual foi o aprendizado então? Primeiro, aprendemos que o movimento conservador moderno, que domina o partido republicano, tem a maturidade emocional de um pirralho de 13 anos.

Mas, além disso, o episódio revelou uma verdade incontestável da situação política nos Estados Unidos: No momento, a força motriz de um dos maiores partidos do país é basicamente o desprezo. Se os republicanos acham que alguma coisa pode ser boa para o presidente, eles se mostram imediatamente contra, sem relevar se essa mesma coisa é ou não boa para o país.

Na realidade, a celebração infantil da rejeição do Comitê Olímpico não foi exatamente ofensiva. Mas esse princípio do desprezo tem determinado posições republicanas em questões mais sérias, com consequências infinitamente mais graves - em especial no debate da reforma de saúde.

É compreensível que muitos republicanos se oponham aos planos dos democratas de aumentar a abrangência da cobertura de saúde - da mesma forma que a maioria dos democratas se opôs à tentativa de Bush de transformar a Previdência Social em um grande plano 401(k). Os dois partidos, no final das contas, possuem filosofias diferentes relativas ao papel do governo.

Mas eles também têm diferentes táticas. Em 2005, quando os democratas fizeram campanha contra a privatização da previdência, seus argumentos eram consistentes à sua ideologia: eles diziam que substituir os benefícios garantidos por contas privadas significaria expor os contribuintes a um risco desnecessário.
A campanha republicana contra a reforma da saúde, ao contrário disso, não demonstra qualquer consistência. O ataque dos republicanos baseia-se na alegação de que a reforma irá enfraquecer o Medicare. E essa forma de ataque vai contra as tradições do partido e suas filosofias.

Veja que bizarra e contraditória deve ser para os republicanos a posição de defensores do gasto irrestrito para o plano Medicare. Em primeiro lugar, o partido republicano moderno considera-se um partido de Ronald Reagan - e Reagan opunha-se ferrenhamente à criação do Medicare, alegando que ele iria acabar com a liberdade nos EUA. (E isso não é brincadeira.) Na década de 1990, Newt Gingrich tentou forçar cortes drásticos no orçamento do Medicare. Recentemente, os republicanos têm desdenhado do crescimento nos gastos com a previdência - crescimento esse que é impulsionado pelos gastos cada vez maiores com seguros de saúde.

Mas a administração Obama planeja aumentar a cobertura de saúde com a verba que sobrará do Medicare. E já que os republicanos se opõem a tudo que possa ser bom para Obama, tornaram-se defensores apaixonados do sistema que sustenta operações inúteis e pagamentos exorbitantes aos convênios de saúde.
Como é que um dos maiores partidos do país veio a tornar-se tão inescrupuloso, tão cruel a ponto de aplicar táticas que inviabilizem inclusive as administrações futuras de fazer um governo decente?

O ponto mais importante é que, desde a era Reagan, o partido republicano tem sido dominado por radicais - demagogos e fundamentalistas que não aceitam o direito do outro de governar.

Quem se espanta com a oposição viperina e selvagem a Obama deve ter esquecido da era Clinton. Lembra quando Rush Limbaugh disse que Hillary Clinton era cúmplice de assassinato? Quando Newt Gingrich calou o governo federal para tentar forçar Bill Clinton a aceitar os cortes do Medicare? E é melhor nem falarmos naquela história de impeachment.

A única diferença agora é que o partido republicano está na posição mais fragilizada, perdeu controle no congresso e teve sua oratória enfraquecida. O público não acredita mais na ideologia conservadora como antigamente; os velhos ataques ao governo e as súplicas da mágica da economia de mercado não surtem mais efeito. E, mesmo assim, os conservadores acreditam que só eles devem ter o direito de governar.

O resultado disso é uma abordagem amarga e inescrupulosa. À espera do dia em que o partido governará novamente para, na primeira oportunidade, punir a atual administração da forma mais severa.

É um quadro assustador. Mas é a verdade. E é uma verdade que precisa ser encarada por todos que desejam fazer algo para resolver os problemas dos Estados Unidos.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.
 
Fonte: TERRA

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

La apuesta de Lula para ubicar a Brasil en el centro del mundo

RIO DE JANEIRO- Desde que Río de Janeiro alcanzó la recta final para ser sede olímpica, Lula puso todo el peso de su liderazgo y popularidad para concretar una de sus grandes ambiciones antes de dejar la presidencia de Brasil en el 2010: que los Juegos Olímpicos del 2016 se realicen en este país.
Lejos de formar parte de una obsesión circunstancial, la ambición de Lula de colocar el nombre "Brasil" en el mundo y extender su liderazgo en todos los campos posibles se constituyó en un objetivo incesante de la política exterior brasileña de los últimos gobiernos.

En este sentido, Lula entendió perfectamente que una de las maneras de posicionar a su país en el centro del mundo y de ejercer el liderazgo que Brasil viene desplegando en los últimos años también se logra a través del deporte, motivando el inicio de su cruzada para constituirse en sede del mundial de fútbol en el 2014, algo que consiguió y significó un logro inmediato de la política exterior y de su gobierno.

Esta visión se reforzó luego del espectacular despliegue de China en las olimpíadas de Pekín 2008, uno de los principales socios políticos de Brasil en el grupo de los BRIC, que integra junto a Rusia y la India, donde se consolidó la idea de Lula de posicionar a su país como referente mundial también en el campo deportivo.

Lejos de leerse como un hecho aislado, la obsesión que el gobierno brasileño mostró por los Juegos Olímpicos debe interpretarse como una actitud de un país que aún con su compleja problemática social, actúa como potencia y pretende que así sea percibida en el campo internacional. No faltará la oportunidad: en el 2014 y 2016 el mundo tendrá sus ojos puestos en Brasil. 

Fonte: La Nacion

Alguns comentários de leitores:

Muy bién por nuestros vecinos Brasileros, Los envidio sanamente, De afuera se vé que sus polìticos están creando un país en serio en todos sus estamentos, con polìticas de estado creíbles y un presidente inteligente con un carisma arrollador. Los admiro!!!!!

Mientras Brasil muestra un liderazgo cada vez mas notable pensando en crecer cada vez mas, recordando el pasado para no repetir errores en el futuro (a diferencia de la impresentable que quiere volver a los 70s para vivir en el pasado) , organizaran en el 2014 el mundial de futbol y en el 2016 los juegos olimpicos, FELICITACIONES A BRASIL Y LA VERDAD UNA GRAN ENVIDIA A los brasileños por tener en LULA UN GRAN ESTADISTICA (A DIFERENCIA DE LA PROFESORA OFELIA QUE HABLA MUCHO DE MEMORIA, SIN SENTIDO, Y SE chor... todo )

Estoy mirando en TV a LULA ¡què presidente!. Lo veo con su corbata con los colores de la bandera brasileña y su pin en el saco y siento ENVIDIA. Està emocionado hablando de su paìs. Es inevitable compararlo con la crispaciòn y soberbia gubernamental argentina. Los brasileños deben estar ORGULLOSOS de tener a LULA.


Grande Brasil !!!!!!!!!!!!!!!!!! y como dice el amigo es una victoria de toda sudamerica contra los poderosos ; Felicitaciones Brasil !!!!!!!!!!!!!!


Vivo en brasil hace 30 anios,soy de Avellaneda,hoy es un dia de gran felicidad para Brasil y Sudamerica,y quien dijo que Lula no va estar de presidente,en 2014,pueden tener certeza que será candidato y ganará facil,si bien no concordo con sus amistades,tipo chavez,evo morales ,fidel o su preferencia con el lado palestino,no dejo de reconocer que el pais esta muy bien,solido y con gran desenvolvimiento para seguir cresciendo.Excelente el trabajo del comite olimpico brasilero,Brasil fue el pais comn mas emocion y ganas de acontecer,por eso :bella victoria.PARABENS,FELICITACIONES! a todos los que trabajaron para este triunfo,Argentina tiene la chance de se esforzar para obtener buenos resultados,es casi local en Rio.

Indudablemente Lula es un estadísta y en el mundo se lo reconoce como tal.

La verdad, un gran logro y una cabal demostración del status de Brazil en el mundo. Nosotros estamos cerca (geográficamente, por supuesto).





Quarta-feira, Setembro 23, 2009

lula: 'The Most Popular Politician on Earth'

For nearly seven years, he's done a spectacular job as Brazil's president. But can Lula resist the temptation to throw it away?
Sep 22, 2009
He grew up so poor, he didn't find out what bread was until he was 7. That was Lula's age when he climbed onto a flatbed truck with his Brazilian dirt-farmer family and all their possessions and made the 1,900-mile journey from the country's northeastern dustbowl for a life in the slums of São Paulo. He dropped out of school in the fifth grade, shined shoes on the street, and went to work in a factory at 14, losing a finger to a lathe in an accident on the graveyard shift at an auto-parts plant. Eventually he rose through the rank and file to become an internationally respected union leader. A military junta ruled Brazil back then, and strikes were illegal, but he defied the generals and the bosses and practically shut down the continent's industrial powerhouse in the name of the steelworkers.
He's in New York this week to kick off the 64th session of the United Nations General Assembly. The cameras may focus on the embodiment of American cool, Barack Obama, or on flamboyant autocrats and chest thumpers like Iran's Mahmoud Ahmadinejad and Venezuela's Hugo Chávez, but the biggest star on hand will be the blunt, bearded onetime lathe operator: Brazil's president, Luiz Inácio Lula da Silva. After nearly seven tumultuous years in office, the man everyone calls Lula continues to enjoy an approval rating above 70 percent. That would be a remarkable feat anywhere, never mind in a continent where presidents are a disposable commodity. "That's my man right there," Obama greeted him at the G20 summit in London in April. "The most popular politician on earth."



How da Silva earned such acclaim says plenty about how wealth and power are shifting in this postcrash age. With his leadership, Brazil has withstood the global crisis better than almost any other nation: not a single bank went under, inflation is low, and the economy is growing again. "People doubted it when I said we would be the last to fall into recession and the first out," Lula told NEWSWEEK in an exclusive interview. "But just wait and see, this December. We are going to create a million jobs this year." That's not as good as it may sound: a million jobs would only just about replace the jobs his country has lost since October 2008. But Brazil is looking pretty good compared with most places; it's outpacing Russia and joining India and China—the other big emerging powers tagged collectively BRICs—to lead the way back to global economic growth. Gone are the days when, as Goldman Sachs chief economist Jim O'Neill jokingly recalls, "people told me I put the B in BRICs to make the acronym sound better."

Brazil's man of the moment says he couldn't give a fig for the polls. "If you have flawed policies and try to sell them with false publicity, your ratings won't last," he says. But the question now is whether he can continue to parlay his own star power into gains for Brazil—and, more pointedly, whether he is about to throw away much of what he has accomplished as president. He has just 15 months to go in office, and his favored successor, chief of staff Dilma Rousseff, has little national name recognition and none of her boss's charm. Despite his overwhelming popularity, recent polls say she's running a distant second and losing ground to the opposition's choice, São Paulo Gov. José Serra. "Lula's aura is not transferable," remarks Donna Hrinak, a former U.S. ambassador to Brazil. To compensate, the former labor firebrand has begun doing just what his critics feared when he first took office in 2003: tightening government control of the economy, looking the other way when key allies are caught with their hands in the public till, and spraying money about with abandon.

In the name of helping poor and working-class Brazilians—but with a close eye on next year's election—da Silva has repeatedly pumped up the minimum wage (up 67 percent since 2003, nearly 40 percent over the pace of inflation) and is boosting government pay and pensions, a move that can only add to the next administration's troubles. "We have to give a little more to those who earn less," Lula says. Yet that's the sort of populist talk that gives many the chills. "The risk is the legacy of fixed expenditures and budget commitments that Lula will leave for the future," warns former finance minister Mailson da Nóbrega. The public payroll is growing at more than 10 times the rate of public investment in roads, bridges, and ports. Meanwhile, da Silva has done nothing to ease the country's total tax burden, the highest in the emerging markets at 36 percent of GDP. And when Senate leader and former president José Sarney, who controls a key block of votes in the allied Brazilian Democratic Movement Party, came under fire for handing out jobs to cronies and kin, Lula rushed to his defense, saying Sarney "could not be treated like an ordinary person"—an odd choice of words, coming from a man of the people.

Still, if there's one constant truth about Lula, it is that things are subject to change. "I am a walking metamorphosis," he likes to say, quoting the 1970s Brazilian cult singer Raul Seixas. On the surface, he bears no more than a faint resemblance to the roughcut union man of 30 years ago, or even to the politician he became in the '80s and '90s, stumping for the poor and forgotten till he went hoarse. The once black curls and unkempt beard are neatly trimmed now and shot through with gray. In place of his old stained workshirt and denim bell-bottoms, he dresses in smart suits tailored to flatter his barrel of a body. His lifelong lisp has lessened, and long hours of practice have refined his shop-floor grammar and vocabulary. The man who took office saying he would be content to improve the lot of the Brazilian poor is now convinced of Brazil's mission to transform the world. "Brazil is a country with solid, democratic institutions," he says. "We have shown nations some lessons about how to confront the economic crisis."

And yet in deeper ways he's the same as ever. He still speaks in the sandpaper basso profundo that electrified his fellow metalworkers. And for all his polished manners and fine clothes, nothing vexes Lula more than being trapped in his office. "He gets nervous when he spends too much time at his desk," says his cabinet chief, Gilberto Carvalho. "He says, 'I need to get out and travel, and meet people.' His connection is with the little guy." The president likes nothing more than to ditch protocol, go off script, and (to the despair of his security detail) wade into an adoring crowd. Nevertheless, to his credit, he has resisted his followers' urgings to amend the Constitution so he can seek a third term and warns against the false high of celebrity. "Popularity is like blood pressure," he says. "Sometimes it's high and sometimes it's low. What you need is to keep it under control."

That's a skill he acquired the hard way. Starting in 1989, he ran for president three times, surging in early polls only to hit a wall on voting day. By the late '90s he was on the verge of quitting politics. Instead, he did something bolder: he remade himself. He stopped his fist-waving harangues, climbed into a suit, and hired a speech coach and a marketing wizard. More important, he tempered his leftist politics. The turning point was June 2002. He was ahead in the polls, but Brazil's economy was tanking—largely, it seemed, because investors were spooked by the prospect of President Lula. He responded with a "Letter to the Brazilian People," pledging to honor contracts, pay down the country's debts, abide by the International Monetary Fund's requirements, and generally play by the rules of the market. It was the gamble of his career, the political equivalent of tacking into a hurricane. Hardliners from his Workers Party (PT) accused him of betraying and caving in to bankers and capitalist carpetbaggers. Business executives were also wary: could the "new" Lula be trusted? Investors sat on their hands.

He won by a landslide, but the hard work had only begun. The pre-election financial turmoil had gutted economic growth and forced a steep devaluation of Brazil's currency. "It wasn't easy," recalls Lula. "We had no foreign credit. Our [hard currency] reserves were extremely low. Inflation was showing strong signs of resurgence. The economy was gridlocked." But an even bigger challenge was to live down the hard-left image he and the ruling PT had acquired over the years. "We took office amid a huge crisis of mistrust," says Carvalho, his cabinet chief and a longtime friend. "We were a minority in Congress. The press was skeptical." After all, Carvalho allows, "Until then everything we'd stood for was not paying the foreign debt, raising salaries. It would have been a disaster."

To convince lenders Brazil was serious, Lula increased the "primary budget surplus"—the money the government puts aside every year to pay debt and interest—and boosted lending rates to a scorching 26 percent a year, throttling growth in order to kill inflation. He also kept government wages and pensions under control. "The unions and many people in the party hated it," says Ricardo Kotscho, a friend and former press aide.
International money men still weren't sure. "We knew he'd been a union leader and the president of a political party. What I really wondered was if he had the guns to be president," says former World Bank president James Wolfensohn. So Wolfensohn sent out a feeler, offering to dispatch a team of experts to brief Lula's government on the key issues facing the international economy and Latin America. He didn't know how the new president would respond. "A lot of leaders throw the presidential seal at you," says Wolfensohn. "But Lula lapped it up. He was like a piece of blotting paper. He realized he had a major job to do and that running an election was different from running a country. For me, it characterized the man."

Da Silva has operated that way ever since, putting pragmatism ahead of ideology and, for the most part, fiscal restraint over the quick fix. "No one in their wildest dreams would have thought Lula would behave the way he has," emerging-market investment guru Mark Mobius, of Templeton Asset Management, told me a year ago. Now Templeton has $5 billion in Brazil, more than it does in China. For sure, Lula had plenty to work with. With a web of hydroelectric stations and half its fleet of cars running on clean-burning sugar-cane ethanol, the country has long been the benchmark in renewable energy. Clever agronomists have turned the harsh tropical backlands into a breadbasket, exporting more beef, soybeans, and frozen chickens than any other nation. But Lula also added value by stumping for Brazilian brands abroad. "We had to make it clear that Brazil is not a minor country," he says. "Brazil has the Amazon [rainforest], but also makes airplanes and cell phones." And just as his labor rallies once galvanized the hardhats in São Paulo, his aggressive diplomacy has rallied poorer nations to demand free trade and a new deal in the international economy.

His real genius, however, has been his ability to sell unpalatable reforms to a largely poor population that looked to him as something of a savior. "Lula's popularity helped him make risky decisions that often required sacrifices," says José Dirceu, a former Workers' Party commander who fell to a corruption scandal. More important, unlike the supremos and populist demagogues who abound in Latin America, he did it playing by the rules. "Lula's respect for democracy and elections is a big plus," says former Treasury chief Joaquim Levy. "Very often he has been able to translate key values of democracy in ways that make them more concrete to people." The president still has his work cut out for him, and not much time left to accomplish it. "This is a country that has suffered from low self-esteem," he says. "Brazil needs to recover its pride. And I think things are happening. I hope those who come after me can work to transform Brazil into a great economy."

The economic crash put Lula's skills as a persuader to the test. "It was frightening," da Silva recalls. "We had no credit, no money in September, October, November, December, January, February, and March." But instead of lurching to the left, his instincts took him to the center, steeling him against populist pressures. He gave the central bank a free hand to control inflation, even at the price of curbing growth. "We knew there were no miracles," he says.

Still, the crisis inflamed Lula's old rancor over "savage capitalism" and the folly of the free market. He blamed the subprime market mess on "white-skinned, blue-eyed" bankers and ridiculed the champions of deregulation and the "minimal" state. "In the '80s and '90s it was fashionable to deride the state," he says. "But in the blink of the eye, the [free] market nearly bankrupted the world. And who did they go to for a bailout? The state." This is not as fierce as it sounds. While Lula roundly denounces his predecessor's sell-off of state-owned industries, he made a point not to reverse the process after taking office. "I think privatization was a mistake, but I had to work to do," he says. "I couldn't afford to spend my mandate fighting with the old government." Clout, not dogma, is what fuels Lula.

Clearly part of this is realpolitik as Lula works to cement Brazil's preeminence. "As the dominant economy in the region, Brazil has to be comprehending of its neighbors," he says. "It's like the relations of father to son." He even defends the ham-fisted rule of Venezuelan strongman Hugo Chávez. "Give me one example of how Venezuela is not a democracy!" he demands. But Lula's larger ambition is to assert Brazil's place on the world stage. He makes no secret of his own national pride. Back in 2003, the G7 nations finally opened up their annual gathering to some of the less-wealthy countries, and Lula was among those invited. He stood before the meeting in France and marveled at how unlikely it was that he, a peasant's son, was now addressing some of the most powerful people on the planet. Then he turned the tables: why not hold the next G7 meeting in Brazil, he challenged. "After all, in 20 years maybe only three of you will still be around." Not everyone was amused. But no one missed the point.

Correction: The original version of this story said Obama's "That's my man" comment was made at the Summit of the Americas; it was actually made at the G20 meeting in London.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

O BRASILEIRO É ASSIM

- Comemora pênaltis simulados por jogadores de seus times, gols irregulares; e, faltas violentas.
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Fala no celular enquanto dirige.
-Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas em frente as escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho
- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos piratas com a pela consciência de que são piratas.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Freqüenta os caça-níqueis e fazem uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales transportes e vale refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo.. só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado...
- Quando volta do exterior, nunca fala a verdade quando o policial pergunta o que traz na bagagem...
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.


E querem que os políticos sejam honestos, se escandalizam com a farra das passagens aéreas. Estes políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?!


Brasileiro reclama de quê, afinal?

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

'Le Monde': Lula acertou ao falar que crise era "marolinha"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão "bastante correta" ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma "marolinha", diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira. 

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e do real. 



"A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais", afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado "A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics", o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo - Brasil, Rússia, Índia e China - um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países
"É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna", diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.
O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços. Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. 

Fonte: Terra

Sábado, Setembro 05, 2009

Pedagogia: Formação deficiente

EDITORIAIS


Os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), divulgados agora pelo Ministério da Educação (MEC), colocam o Rio Grande do Sul em primeiro lugar entre os Estados com maior número de cursos universitários com conceitos 4 e 5, numa escala de 1 a 5. O desempenho gaúcho merece ser comemorado, mas não é suficiente para atenuar a preocupação com outro aspecto revelado pela pesquisa, evidenciado em âmbito nacional: a precariedade, de maneira geral, da formação de professores, encarregados da formação básica dos brasileiros. A avaliação confirma, assim, a importância de mais investimentos nos cursos destinados à formação de educadores e dos mecanismos de avaliação que vêm sendo implantados por alguns Estados, incluindo o Rio Grande do Sul.

O exame do MEC revela que na área de Pedagogia, uma das 23 avaliadas, um em cada quatro futuros profissionais do país se forma em cursos de má qualidade – os avaliados com conceito 1 e 2. E o mais preocupante é que a deterioração da qualidade do curso, responsável pela formação de professores, coordenadores e diretores de escolas, vem aumentando. De 2005 até agora, o percentual de faculdades de mau desempenho nesta área, em âmbito nacional, aumentou de 28,8% para 30,1%. O país precisa deter de imediato essa deterioração crescente e qualificar as alternativas já existentes de formação, evitando a perpetuação dos prejuízos para as futuras gerações.

A particularidade de as causas do problema serem múltiplas faz com que a solução não possa ser encarada como fácil. Investimentos na melhoria da qualidade da formação e intensificação dos mecanismos de avaliação dos profissionais, como os em andamento no governo federal e no estadual, estão entre as providências obrigatórias.

Nem o Rio Grande do Sul, nem o Brasil podem se conformar com o círculo vicioso mantido por características como a de que os jovens optam por Pedagogia pelo fato de ser mais fácil passar no vestibular e que o curso é ruim porque os alunos são pouco exigentes. Educação de qualidade, como a que o Estado e o país precisam, exige antes de mais nada professores bem formados e alunos realmente interessados em seguir a carreira.


Fonte: ZERO HORA

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Pensamento do dia

"Todo mundo pode dominar uma dor exceto a que sente."

  Willian Shakespeare
Ele quiz dizer o seguinte: Quando é alguém a sentir dor, nós aconselhamos, indicamos soluções, indicamos remédios, etc, mas, não sentimos aquela dor, pois ela é de outrem. Porém, quando a sentimos, a história torna-se diferente e, acontece o que ele disse, não dominamos. Inclusive esse pensamento é bem mais amplo do que parece, pois a dor veio ao mundo para "ser sentida", o próprio nome caracteriza a sua função. Ela não tem outra função. Mesmo com todo avanço tecnológico e científico, chega-se a um determinado ponto em que ela sai vitoriosa, isso sem mencionar, a dor psicológica, que talvez seja a pior delas.
Hoje, sofrendo de uma doença cruel, sofro em pensar que não disse as palavras certas aos meus pais antes deles morrem de doenças graves.
As piores coisas que se pode dizer são: vai passar, tem gente pior, tem gente que se cura, não é bom pensar na morte, etc.
Quem tem doença grave no fundo quer que todos tenham compaixão e facilitem sua vida. Quem tem doença grave quer que as pessoas dêem menos opiniões e parém de finger sentimentos.

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

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Domingo, Agosto 09, 2009

TAMIFLU: Quem [e Donald H. Rumsfeld

Reuters
Nome: Donald H. Rumsfeld
Cargo: secretário de Defesa dos EUA (Governo Bush)
Formação: história, Universidade de Princeton
Estado civil: casado com Joyce Pierson, com quem tem três filhos.
Nascimento: 9 de julho de 1932, em Chicago, Illinois, EUA (71 anos)


Donald Rumsfeld nasceu em Chicago (Illinois) em 9 de julho de 1932. Depois de se formar na Universidade de Princeton (Illinois), Rumsfeld serviu a Marinha por três anos como piloto e instrutor de vôo, passando mais tarde para a reserva, onde ainda cumpriria funções administrativas até 1975. Nesse ano, se tornou o mais jovem Secretário da Defesa que os EUA já tiveram.

Antes da Secretaria da Defesa, assumida pela primeira vez durante o governo de Gerald Ford (1974-1977), Rumsfeld foi assessor parlamentar, executivo de investimentos em um banco e deputado pelo Estado de Illinois reeleito três vezes (1962-1969), até trocar o Congresso pelo gabinete, assumindo cargos na Fazenda e na Defesa, respectivamente.

De 1977 a 1993, Rumsfeld voltou à vida corporativa, mas sem se distanciar do governo federal. Representou os EUA na ONU (Organização das Nações Unidas), participou dos Conselhos Presidenciais sobre Controle de Armas, Sistemas Estratégicos, Relações Bilaterais entre EUA e Japão e Serviços Públicos; foi membro da Comissão Econômica Nacional e ocupou o posto de Enviado Especial dos EUA ao Oriente Médio durante o governo Ronald Reagan (1981-1989).

Antes de reassumir a Secretaria da Defesa em 2001, Rumsfeld dirigiu a comissão bipartidária sobre mísseis balísticos.

TAMIFLU: Donald H. Rumsfeld Named Chairman of Gilead Sciences

Donald H. Rumsfeld Named Chairman of Gilead Sciences

Foster City, CA -- January 3, 1997

Gilead Sciences Inc. (Nasdaq: GILD) today announced that board member Donald H. Rumsfeld will assume the position of Chairman, effective immediately. Mr. Rumsfeld succeeds Michael L. Riordan, M.D., who founded Gilead in 1987 and has served as Chairman since 1993. Dr. Riordan will continue to serve as a director on the board.

"Gilead is fortunate to have had Don Rumsfeld as a stalwart board member since the company's earliest days, and we are very pleased that he has accepted the Chairmanship," Dr. Riordan said. "He has played an important role in helping to build and steer the company. His broad experience in leadership positions in both industry and government will serve us well as Gilead continues to build its commercial presence."

"In my years with Gilead, I have witnessed the evolution of one of the industry's premier biotechnology companies," Mr. Rumsfeld said. "Michael Riordan's founding vision and enormous accomplishments are evident in the VISTIDE® product approval, deep pipeline and talented team that will continue to move Gilead to develop novel treatments for viral diseases."

Mr. Rumsfeld, who joined Gilead as a director in 1988, is currently in private business and is distinguished for his accomplishments in both industry and government. Mr. Rumsfeld served as chief executive officer of G.D. Searle, a worldwide pharmaceutical company, from 1977 to 1985. During this time, his stewardship of Searle earned him awards as the Outstanding Chief Executive Officer in the pharmaceutical industry in 1980 and 1981. He also served as chairman and chief executive of General Instrument Corporation, a diversified electronics company and world leader in broadband and all digital high definition television technology.

A graduate of Princeton University, Mr. Rumsfeld has served in numerous positions of public service, including four terms in the U.S. Congress, U.S. Ambassador to NATO, White House Chief of Staff and as the 13th Secretary of Defense. In 1977, Mr. Rumsfeld was awarded the nation's highest civilian award, the Presidential Medal of Freedom.

In addition to Gilead, Mr. Rumsfeld presently serves as an advisor to several companies and as a member of the board of directors of ABB AB; Gulfstream Aerospace Corp.; Kellogg; Metricom, Inc.; Sears, Roebuck and Co. and Tribune Company. Mr. Rumsfeld's current civic activities include service on the board of trustees of the Eisenhower Exchange Fellowship, Freedom House and the RAND Corporation.

Dr. Riordan will continue to assist the company with strategic direction through his involvement on the board of directors. Since founding the company in 1987, Riordan has overseen Gilead's evolution to a leading biotechnology company with its first approved product and a diversified pipeline of antiviral therapies.

"Michael Riordan's vision and leadership have guided Gilead from a start-up to a commercial company, and we are pleased to rely on his continued counsel as an active board member," John C. Martin, Ph.D., President and Chief Executive Officer of Gilead said. "Over the past several years, I have enjoyed working with Don Rumsfeld as an active director and look forward to his new role as Chairman as we continue to build the Gilead business."

Gilead Sciences is a leader in the discovery and development of a new class of human therapeutics based on nucleotides, the building blocks of DNA and RNA. In 1996, Gilead's first product, VISTIDE (cidofovir injection), was cleared by the U.S. Food & Drug Administration for the treatment of cytomegalovirus (CMV) retinitis in patients with AIDS. Gilead has other nucleotide product candidates in human testing for the potential treatment of viral diseases caused by CMV, human immunodeficiency virus (HIV), hepatitis B virus, herpes simplex virus and human papillomavirus.

The Company's research and development efforts encompass three interrelated programs: small molecule antivirals, cardiovascular therapeutics and genetic code blockers for cancer and other diseases. Gilead's expertise in each of these areas has also resulted in the discovery and development of non-nucleotide product candidates, including neuraminidase inhibitors for the potential treatment and prevention of viral influenza and protease inhibitors for the potential treatment of HIV.

FONTE: http://www.gilead.com/wt/sec/pr_933190157/

Tamiflu Scandal: Gilead Sciences' Donald Rumsfeld Connection | The News is NowPublic.com

Tamiflu Scandal: Gilead Sciences' Donald Rumsfeld Connection | The News is NowPublic.com

Tamiflu Scandal: Gilead Sciences' Donald Rumsfeld Connection

by Tina Kells | May 1, 2009 at 02:02 pm

Tamiflu is being touted as the best way to combat the H1N1 Swine Flu virus which has communities around the world in a pandemic panic, but is there a hidden agenda behind the push? Tamiflu is only one of two readily available anti-viral medications, yet Relenza isn't getting the same cure-it attention.

Could the fact that former Defense Secretary Donald Rumsfeld has substantial interest in Gilead Sciences, the company that exclusively produces Tamiflu, be part of the reason that Relenza is taking a back seat in the H1N1 Swine Flu treatment plan?

The suggestion of a US government/Tamiflu conflict of interest is not new. It first surfaced in 2005 when then President George W. Bush pushed for and won $7.1 billion in emergency funding to prepare for an influenza pandemic that was not even yet on the horizon.

George W. Bush pushed for the emergency funding to develop a strategy against a Bird Flu type pandemic in the US, more than 14% of which went to one company, Gilead Sciences, producer of Tamiflu. Not so scandalous in and of itself until you learn that prior to becoming Defense Secretary Donald Rumsleld was Chairman of the Board of Gilead Sciences, a post he held from 1997 to 2001.

Prominent among the President’s (then George Bush) list of emergency measures was a call for Congress to appropriate another $1 billion explicitly for Tamiflu.

Conflict of interest or insider trading?

The saga of Tamiflu is just the tip of a big iceberg. As we noted in an earlier article, the real point of interest is the company in California who developed Tamiflu, Gilead Sciences, listed on the NASDAQ as (GILD). As we also noted, US Secretary of Defense, Donald H. Rumsfeld, was Chairman of the Board of Gilead Sciences from 1997 until early 2001 when he became Defense Secretary. Rumsfeld had been on the board of Gilead since 1988, some thirteen years.


Is U.S. Secretary of Defense Donald Rumsfeld personally profiting from fears that a worldwide bird flu pandemic may occur? Yes. Rumsfeld once served as chairman of Gilead Sciences, Inc., the company that holds the patent on the antiviral drug Tamiflu, currently regarded as the world's best hope for the prevention and treatment of avian influenza. He still owns Gilead stock valued at between $5 million and $25 million.


The Rumsfeld connection to Tamiflu and its parent company Gilead Sciences is an eyebrow raiser which has caused bloggers to raise suspicious alarm bells. But the push to use Tamiflu over Relenza begs the question, why is the Obama administration pushing that one drug over an alternative? It can't possibly have an interest in padding the pockets of George W. Bush loyalists.

The reasons for the Tamiflu push may have been established long before Obama was calling the shots. As part of George W. Bush's 381-page Pandemic Influenza Strategic Plan the US amassed a stockpile of anti-viral medications to combat a future H1N1 pandemic. Starting in 2006 the Strategic National Stockpile (SNS) collected Tamiflu and Relenza at a ratio of 80% Tamiflu, 20% Relenza. Total bill to the US taxpayer, $731 million (in 2006 dollars).

Q: What is the target ratio for SNS antivirals (Tamiflu/Relenza)?


A: SNS is currently purchasing antivirals in a ratio of 80% Tamiflu to 20% Relenza. The SNS also includes smaller quantities of rimantadine. Each State should purchase antivirals in a ratio that best fulfills their needs. HHS will be providing additional guidance to States to assist them in making this decision.

Q: What is the federal funding breakdown?


A: Congress appropriated $3.8 billion to help prepare the nation for a pandemic influenza event. Of this money, $3.3 billion was allocated to HHS for:
• $ 1.8 B – Vaccine production and development
• $731 M –Antiviral procurement (includes procurements and research)
• $162 M –Procurement of other medical supplies
• $350 M –State and local readiness
• $161 M –Domestic preparedness
• $ 94 M - International Activities
• $ 38 M – Communications

Sábado, Agosto 08, 2009

Por que uso Macintosh?

“Poderia dizer que é porque que meu trabalho está ligado à estética, mas não é só por isso. Poderia dizer que quero parecer diferente, mas não é só isso. Poderia dizer que acho o produto lindo, mas não é só isso. Usar Mac é pertencer à uma cultura de pessoas que se preocupam com os mínimos detalhes, onde perfeição e beleza têm um peso importante. Conviver diariamente com um Mac é estar inserido neste mundo ideal onde todas as coisas são mais belas e funcionam melhor. E se a gente quer melhorar o mundo, nada melhor do que começar idealizando.”
Michel Lent Schwartzman
Diretor 10’minutos Interactive

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Traidores

Como poderíamos conquistar esse país se não fossem os traidores?

(comentário de um oficial japonês sobre um rico chinês que traiu seu povo, no filme "A estirpe do dragão", de 1944)

Dinheiro e Felicidade

...."Tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que tudo que tem é dinheiro"

Sábado, Agosto 01, 2009

Carta do Índio aos Brancos

A chamada "Carta do Índio aos Brancos" foi escrita pelo Chefe Seatle, um índio americano, e depois distribuída pela ONU (Organização das Nações Unidas) para todo o mundo.

A razão dessa carta, é que, em 1854, o presidente dos Estados Unidos na época fez a uma tribo indígena a proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em troca, a concessão de uma outras, que seriam a nova "reserva indígena" daquela tribo. A resposta do Chefe Seatle, abaixo, tem sido considerada desde então um dos mais bonitos e profundos textos pela defesa do meio ambiente. Veja se você concorda:

"O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo."

"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho."

"Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família."

"Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais."

"Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão."

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda."

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros."

"O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados."

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos."

"Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos."

"O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo."

"Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos."

"Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todos as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios."

"Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo."

"Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos."

"Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam."

"Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o
início da sobrevivência."

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Tamiflu causa náuseas e pesadelos em crianças, aponta pesquisa

Remédio contra a gripe A provoca efeitos colaterais, segundo jornal britânico

Mais da metade das crianças que tomam o remédio utilizado no combate à gripe A, o Tamiflu, sofrem efeitos colaterais como náusea e pesadelos, aponta uma pesquisa da Agência britânica de Proteção à Saúde, publicada pelo site do jornal Times.

De acordo com o estudo, que contemplou crianças de três escolas de Londres e uma do sudoeste da Inglaterra mostraram que entre 51% e 53% tiveram um ou mais efeitos colaterais ao utilizar o medicamento, que é oferecido a todos que apresentam sintomas da gripe A na Inglaterra.

Um total de 103 crianças fizeram parte do estudo, em que 85 receberam a prescrição do Tamiflu como uma medida de precaução após um dos alunos ter sido diagnosticado com a nova gripe. Destes, 45 sentiram um ou mais efeitos colaterias. O mais comum foi a náusea (29%), seguido de dor no estômago ou cólicas (20%) e problemas para dormir (12%). Quase um em cada cinco tiveram efeitos como dificuldade de pensar claramente, pesadelos e "comportamento estranho", de acordo com a pesquisa.

ZEROHORA.COM

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Pensamento do dia

"Brilhantismo intelectual não garante a ninguém a certeza de estar sempre certo."
(Carl Sagan)

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Os reconhecimentos a FHC

Emir Sader - Sociólogo

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.
Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.

Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis”, que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completamente subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Lula premiado em prévia do Nobel

O FHC deve estar morrendo de inveja!

Em 20 anos, sete vencedores na Unesco ganharam também o prêmio sueco

Em visita à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condecorado ontem com o Prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Busca da Paz, oferecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A premiação coloca Lula como candidato a outra distinção, esta mais famosa: o Prêmio Nobel da Paz. Criada há 20 anos, a condecoração da Unesco se antecipou ao Nobel em sete oportunidades, homenageando personalidades como Jimmy Carter, Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Frederik de Klerk e Yasser Arafat. Em discurso de agradecimento, Lula lembrou que “a promoção da cultura de paz é um dos pilares da Unesco”.

– Recebo este prêmio como reconhecimento das recentes conquistas sociais do Brasil – disse o presidente.

Sua composição é um dos indícios do prestígio da homenagem, mas não o principal. O dado que mais chama a atenção é a história, que o torna a melhor “prévia do Nobel”.

O caso que melhor sintetiza a sintonia entre o Houphouët-Boigny e o Nobel é também o mais recente: Martti Ahtisaari, diplomata finlandês, foi vencedor do prêmio da Unesco em 2007 e da academia suecaem 2008.

Em Paris, Lula foi o centro das atenções dos convidados e do público, majoritariamente de origem africana, mas também de personalidades como o ex-presidente da França, Jacques Chirac. Uma enxurrada de elogios cobriu o presidente brasileiro. Koichiro Matsuura, diretor-geral da Unesco, apontou o brasileiro como responsável pela “ação em favor da paz, da justiça social e do combate à fome no Brasil”. José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, definiu-o como “um estadista”.

– O presidente Lula da Silva é hoje uma das personalidades mais admiradas e respeitadas do mundo. Sua obra não foi apenas retórica, mas concreta, de construção de mais justiça social e de prestígio internacional.

Antes da premiação, três militantes da organização ambientalista Greenpeace protestaram contra Lula, acusando-o de conivência com o desmatamento da Amazônia. Enquanto os líderes políticos confraternizavam, os três ativistas subiram ao palco. Dois desfraldaram banners nos quais se lia a mensagem “Lula, salve a Amazônia, salve o clima”. Os militantes permaneceram, em silêncio, alguns segundos ao lado dos líderes políticos sem serem importunados por seguranças e sem provocar nenhuma reação de repúdio ou de apoio da plateia ou dos homenageados. Ao término de um instante de expectativa, seguranças da Unesco aproximaram-se, pedindo-lhes as bandeiras. Dois dos manifestantes, os franceses Sylvain Pardy e Pascal Ewig, ambos de 36 anos, expressaram uma breve reação física – um dos quais se jogando ao chão. O terceiro, o brasileiro João Talocchi, biólogo de 25 anos, entregou um globo inflável ao presidente.

– Chamei o presidente duas vezes, ele me olhou mas não quis pegar o globo. Na terceira, ele o pegou, mas o pôs de lado na mesma hora – contou Talocchi.

Paris
O prêmio francês
- Leva o nome de Félix Houphouët-Boigny, ex-presidente da Costa do Marfim.
- É entregue anualmente, podendo não ser conferido.
- O presidente Lula é o primeiro brasileiro a receber a distinção.
ANTECIPANDO O NOBEL DA PAZ
Sete personalidades receberam o Félix Houphouët-Boigny e, posteriormente, o Nobel da Paz:
- Nelson Mandela
- Frederik de Klerk
- Yitzhak Rabin
- Shimon Peres
- Yasser Arafat
- Jimmy Carter
- Martti Ahtisaari

Sábado, Junho 27, 2009

Estratégias discursivas


A repetição da idéia de que a saúde está em crise no Brasil não corresponde à realidade e funciona como camuflagem para um modelo de viés mercadológico. Investimentos nacionais, comparativamente, chegam a superar montante de países desenvolvidos
por Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim
JULIE NICHOLLS/CORBIS/LatinStock; COM INTERVENÇÃO ARTÍSTICA SOBRE O

A saúde está em crise. Essa é uma afirmação ouvida quase diariamente e que, por isso mesmo, acaba por adquirir peso de verdade absoluta, ou de senso comum.

Devemos ter cuidado com conceitos generalizados. É preciso lembrar que, desde o século 16, com René Descartes, já se sabe que o senso comum confunde a compreensão da realidade. Isso significa dizer que, quando todo mundo pensa igual, ninguém realmente pensa.

Olhando bem de perto, veremos que os investimentos no setor de saúde são crescentes, e as taxas de lucro também. Além disso, os gastos brasileiros totais com saúde, tomados como porcentagem da renda nacional, são comparáveis, senão superiores, aos de diversos países desenvolvidos.

Contra os atuais mais de 8% do PIB gastos com saúde no Brasil, podemos comparar os gastos do Japão (7%), Reino Unido (8,1%), Itália (8,7%), Suécia (9,1%), França (9,5%), Austrália (9,6%), Canadá (9,8%), Alemanha (10,6%), e mais de 15% nos Estados Unidos. Na América Latina, os gastos com saúde alcançam cerca de 4% da renda nacional no Peru, 6% no Chile, 6,5% no México e Costa Rica, 8,2% no Uruguai e Nicarágua, e 9,6% na Argentina.
©ELZA FIÚZA/ABR
INVESTIMENTOS EM SAÚDE, são crescentes, e taxas de lucro também. No Brasil, investimentos totais, equivalentes à renda nacional, são comparáveis e, em alguns casos, até superiores a de muitos países desenvolvidos.
É claro que a renda nacional varia de país a país. Assim, 1% da renda nacional dos Estados Unidos é muito maior que 1% da renda nacional da Nicarágua ou Costa Rica, por exemplo. Mas a comparação é válida, pois mostra quanto do orçamento nacional é comprometido com saúde. Essa comparação é semelhante ao que ocorre com uma família, quando reparte o orçamento doméstico em alimentação, educação, plano de saúde e transporte.

No caso das comparações entre países, as despesas refletem principalmente o quanto é gasto com ações de assistência médico-hospitalar e farmacêutica – os gastos com saneamento e educação, essenciais para garantir qualidade de vida e saúde, não são computados. Despesas com ações de prevenção e promoção de saúde entram no cálculo, mas são muito menores que as com assistência médico-hospitalar e com medicamentos.

Os gastos com saúde têm sido crescentes, tanto nos países com economia já estabilizada quanto naqueles em desenvolvimento, variando entre um e três pontos percentuais na última década. No Brasil, as inversões governamentais em saúde também têm crescido para atender à população dependente do Sistema Único de Saúde (SUS) – embora, como mostrou recente estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os gastos privados tenham crescido ainda mais.

Discurso Repetitivo
Mesmo com gastos crescentes, não desapareceu o discurso de crise. Afinal, do que tratamos quando nos referimos à “crise”? Só é possível compreender as dificuldades do modelo brasileiro de atenção à saúde partindo de um princípio básico: o setor é muitíssimo heterogêneo, e para analisá-lo é preciso compreender o funcionamento e os interesses de cada elo de sua cadeia produtiva.
©ELZA FIÚZA/ABR
O MODELO BRASILEIRO de atenção à saúde tem raízes na época colonial, com transformações que chegaram com a corte portuguesa, no início do século 19, e impactos absorvidos de sucessivas crises políticas. Ausência de democracia estrutural se refl ete nitidamente na saúde pública./ NO ATUAL COMPLEXO médico-hospitalar, com conexões nos anos 40, o Estado é tanto controlador como controlado por grupos privados, além de produtor e comprador de serviços, entre outros papéis. A tendência é de concentração de poder na industria de materiais, equipamentos e medicamentos.
No campo das diferenças, separemos inicialmente a saúde privada ou complementar do SUS. A primeira depende dos recursos privados dos consumidores de planos de saúde e dos recursos governamentais diretos (compra de serviços e medicamentos) e indiretos (incentivos fiscais e tributários). A segunda depende apenas dos recursos estatais. Se a procura por planos de saúde varia em função da renda disponível para o consumo, a procura pelo SUS é infinitamente crescente. Quanto mais acessível e melhor for o serviço público gratuito, mais pessoas o procurarão – afinal, se for bom e barato, para que pagar o plano de saúde?

No segmento privado, as indústrias de materiais, equipamentos e medicamentos tiveram vendas e lucros crescentes nos últimos três anos. Por exemplo, os hospitais vinculados à Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) tiveram, em 2007, lucro 12% maior que o obtido em 2006, enquanto as operadoras de planos de saúde obtiveram, em 2008, crescimento de 6% comparado a 2007. Para comparar, a taxa média de crescimento da economia brasileira entre 2006-2008 foi de magros 2,5% ao ano. Assim, vários outros indicadores de desempenho do setor privado nos desautorizam a caracterizá-lo como “em crise”.

Talvez o leitor esteja se lembrando das muitíssimas dificuldades pelas quais passou quando precisou usar seu plano de saúde e, a partir de sua experiência pessoal, ainda esteja convencido da existência da “crise” na saúde.

É verdade que as operadoras de planos de saúde encontram-se há anos no topo das listas de reclamações dos consumidores, mas as companhias telefônicas e os bancos também estão incluídos nessa lista e, no entanto, o senso comum não faz juízos sobre a crise do sistema financeiro e telefônico. O sistema financeiro tem uma “crise” desde setembro de 2008, mas essa é uma história inteiramente diferente. As agruras dos usuários de planos de saúde encontram-se no campo das relações de consumo, do direito do consumidor, da capacidade de o Estado vigiar e punir empresas, e são, literalmente, um problema de outra natureza, não exclusivo dos serviços de saúde.
© FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR
DESCENTRALIZAR IMPLICA em distribuir tanto recursos financeiros como poder de decisão, por si só uma tarefa desafiadora, sempre sob crítica de interesses opostos.
No mundo do SUS, a realidade é outra. A queixa por mais recursos financeiros para saúde é unanimidade. Afinal, todas as organizações, estatais, públicas e privadas, seriam beneficiadas se o dinheiro repassado pelo governo fosse maior. Essa seria a solução, caso o Estado, como qualquer outra unidade orçamentária, não tivesse recursos finitos e vários outros setores tão importantes quanto a saúde. Mais dinheiro para a saúde? E por que não para a educação, saneamento, moradia, segurança...? Mais para a saúde, menos para quem?

Saúde e Democracia
Mas para absolutamente todos os agentes envolvidos na oferta de bens e serviços de atenção à saúde, os assuntos de eficácia e eficiência econômicas são muito mais espinhosos. Empreender ações necessárias para atingir os objetivos determinados, e fazê-las bem feitas e com economia de recursos, está no campo de aplicação dos instrumentos de gestão e controle das instituições e processos. No entanto, os conhecimentos econômico e administrativo não podem tudo quando eficácia e eficiência estão em jogo; aspectos culturais, legais e sobretudo relativos à disputa por poder e recursos econômicos em uma sociedade democrática pesam muito na escolha de prioridades e na forma de executá-las. É preciso levar em conta a existência de um permanente “cabode-guerra” entre as diversas instâncias envolvidas, e como no jogo real, ganha quem joga melhor.

Esse conjunto de aspectos econômicos, culturais, legais e políticos produz um problema sério: o acesso da população de baixa renda aos serviços de atenção à saúde. Discutir esse ponto é diferente de sair por aí em suposta ou verdadeira indignação contra a “crise na saúde”. Se a atividade tem sido crescentemente lucrativa para amplos segmentos, como comentamos antes, as dificuldades de uns constituem o modelo de operação de outros.

E discutir o modelo ou estrutura de atenção à saúde é, quase sempre, uma armadilha. Entre economistas, por exemplo, quando não se considera possível ou desejável levantar um determinado problema, costuma-se afirmar: “é estrutural”. Para bom entendedor significa que vai permanecer como está.
A constituição do modelo brasileiro de atenção à saúde vem ocorrendo desde os tempos coloniais, passando por transformações com a chegada da família real, em 1808, depois com a declaração de Independência, e os sucessivos golpes da República, do Governo Provisório, do Estado Novo e da ditadura militar. O país até hoje paga a conta da falta de estabilidade política e da rasa experiência democrática, e os reflexos no sistema de saúde são inevitáveis.

Não consideramos razoável, nos limites das sociedades democráticas, esperar ou promover mudanças drásticas de estruturas – nunca se viu lugar onde essa estratégia tenha dado certo. Recomendamos que o enfrentamento do grave problema da dificuldade de acesso ocorra de forma contínua e consistente, o que já seria muito em termos de concretizar a cidadania. Pensar soluções para problemas com um longo histórico nos remete justamente à história da implantação do complexo médico-hospitalar no Brasil. Vamos a ela.

Tanto em termos absolutos quanto relativos o Brasil gasta atualmente com assistência à saúde mais que países de renda média comparáveis. No entanto, consegue apenas resultados relativamente menores quanto ao montante despendido. Esses dados, apresentados no relatório do Banco Mundial “Desempenho Hospitalar no Brasil”, são acompanhados de outros: mesmo com 60% dos hospitais brasileiros oferecendo menos de 50 leitos, ainda assim respondem pelo emprego de 56% da mão-de-obra utilizada na saúde, representando 67% das despesas totais e 70% dos gastos públicos com saúde.

O estudo do IBGE “Economia da saúde – Uma perspectiva macroeconômica 2000-2005”, nos fornece mais dados interessantes. Mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro destinam-se aos gastos com saúde e 60% dessa despesa cabe às famílias; em 2005, isso correspondia a 8,2% de seus gastos totais. Nas economias desenvolvidas, a maior parte dos gastos com saúde, entre 70-85%, cabem ao governo; no Brasil, esse valor é menor que 40%, semelhante ao verificado nos Estados Unidos (45%). Mas lá, cerca de 50 milhões de habitantes não dispõem de cobertura de plano de saúde, e também não existe um sistema nacional de saúde.
Investimentos Superiores
Comparando o Brasil aos demais países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), os gastos brasileiros superaram os da Índia (19%) e China (39%), mas foram menores que os da Rússia (62%). Mesmo entre as famílias, o gasto com saúde não é uniforme, variando conforme a renda; enquanto o gasto médio mensal com saúde dos 40% mais pobres da população é R$ 28,00, a dos 10% mais ricos é R$ 376,00; mais de 13 vezes superior, concentrada nos planos de saúde, medicamentos e atenção odontológica.

Mais alguns dados interessantes: nos mais de sete mil hospitais brasileiros verifica-se tanto densidade de leitos como utilização de cuidados hospitalares em níveis superiores aos encontrados em economias de renda média semelhantes, mesmo tendo o Brasil uma população mais jovem que a dos demais países do Bric, com perfil epidemiológico menos dependente de hospitalização. A maior parte dos gastos estatais com saúde acaba destinada aos hospitais, e entender por que isso acontece é muito importante para o entendimento das dificuldades do sistema de atenção à saúde.

A história pode nos fornecer caminhos para a resposta. Entre 1942 e 1966, no contexto das modificações econômicas e políticas ocorridas no Brasil, ocorreu a implantação e consolidação do complexo médico-hospitalar de assistência à saúde, precursor do atual complexo médico-industrial. Acompanhando o desenrolar dos fatos históricos dessa fase, vamos compreender que parte significativa dos dilemas da saúde enfrentados atualmente já estava presente ao menos desde os anos 40, pressionando os tomadores de decisão e trazendo conseqüências para os cidadãos.

Complexo médico-hospitalar é o conjunto de estruturas de atenção à saúde orientado pelas demandas das organizações hospitalares, isto é, hospitais, clínicas e ambulatórios, laboratórios, entre outros, além das entidades médicas organizadas. Nesse conglomerado, o Estado é, simultaneamente, controlado por e controlador dos grupos privados, e também produtor e comprador de serviços, entre outros papéis.
Mesmo permanecendo atuante até hoje, o modelo progressivamente cede espaço e poder para seu sucessor, o complexo médico-industrial. Este modelo desloca os hospitais para posições de menor poder, conferindo hegemonia à indústria de materiais, equipamentos e medicamentos. Essa passagem de um complexo para outro é uma das causas, por exemplo, da perda de renda média da maioria dos médicos. O dinheiro antes destinado às consultas remunera hoje os produtores de exames, equipamentos e medicamentos. É ainda uma das causas dos conflitos e dificuldades atuais do sistema de saúde brasileiro, quando se tem em vista melhorar as condições de vida do cidadão e seu acesso aos serviços.

Com a Segunda Guerra Mundial já em andamento, e o alinhamento dos interesses políticos e econômicos do Brasil aos dos Estados Unidos, o modelo de saúde médico-hospitalar ganha impulso. Apresentando-se como “moderno” e “científico”, é progressivamente adotado em todo o país, tornando-se hegemônico. Baseado em “experimentação científica” e tecnologia, coloca o hospital no centro de atenção e integração de técnicas e equipamentos, tornados crescentemente indispensáveis para a atenção à saúde. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo foi instrumental na implantação do modelo: auxiliada pelos recursos da Fundação Rockefeller, americana, deu legitimidade e espaço para o exercício da medicina centralizada no hospital.

Conceber Alternativas
Quando se discutem outros meios de acesso à saúde, prevenção e promoção, por exemplo, o peso de décadas de cultura médica que entende como recurso fundamental o consumo de serviços centralizados no hospital, não facilita a tarefa de imaginar outros modelos. Além do que, reduzir a atuação da medicina estritamente curativa é redirecionar dinheiro e poder para outros atores.

Maior acesso à saúde em 2009, o que é? Mais dinheiro para os hospitais e centros de diagnósticos ou para o saneamento, educação e habitação?
A criação do SUS, em 1988, ocorre em um contexto de transição do padrão controlado pelo hospital para aquele pautado por um novo ator, a indústria de medicamentos.

Na primeira situação, a centralização física das atividades de prestação de serviços nos hospitais repete-se na centralização do modelo como um todo. Os períodos ditatoriais dos governos brasileiros, Vargas, de 1930 a 1945, e os militares, de 1964 a 1985, agem no mesmo sentido. E o SUS, no bojo dos anseios sociais pela redemocratização, defende e defenderá a descentralização como uma das condições para melhorar o atendimento.

Descentralizar é distribuir poder e dinheiro. Não é tarefa fácil. Foi e continua sendo alvo de críticas. O relatório “Desempenho Hospitalar no Brasil”, já mencionado e patrocinado pelo Banco Mundial, critica o modelo descentralizado do SUS, sobretudo a autonomia dos municípios, considerada excessiva, apontando-a, entre outras, como uma das causas da ineficiência (sic) do sistema de saúde brasileiro.

A partir do final da década de 70, dados os controles governamentais sobre o balanço de pagamentos e a restrição à importação de materiais de consumo e de tecnologia menos sofisticada, a tecnificação da medicina no Brasil permitiu a instalação de uma indústria local de materiais médicos. Em 2009, a produção de insumos nacionais encontra- se bastante desenvolvida, mas voltada para equipamentos de tecnologia já dominada pelo parque industrial nacional. Dependemos ainda da importação de equipamentos de tecnologia de ponta, visto que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são escassos, e as parcerias entre universidades e empresas permanecem embrionárias.
A crescente importância da incorporação de inovação tecnológica aos serviços de saúde é a base para a formação do complexo médico-industrial, significando que os interesses da indústria de materiais e medicamentos também contam nas decisões sobre a quantidade, características, qualidade e preço do acesso à saúde.

A inovação tecnológica é elemento vital no funcionamento do complexo médico-industrial. Os benefícios da inovação na saúde são inegáveis. Certa taxa de desperdício e erro na oferta de inovações são inevitáveis (o produto ou serviço, que parecia tão bom a princípio, pode revelar-se mais tarde um fiasco ou até mesmo mal-intencionado). Afinal, a ciência é parcialmente evolutiva, muitas vezes o novo é melhor, e os interesses econômicos também contam no lançamento de novidades. Nos anos 40/50, leite materno era considerado “cientificamente” fraco, recomendando-se dar leite em pó aos bebês. Hoje sabemos que a pesquisa sobre conveniência da substituição era patrocinada pelo fabricante de leite em pó. Mas, naturalmente, a inovação não é sempre a vilã. Novos procedimentos cirúrgicos, por exemplo, menos invasivos, até segunda ordem são um grande benefício para os pacientes.

A inovação custa mais caro, não necessariamente por causa do custo de produção: é da natureza das economias de mercado que seja assim. A questão é, portanto, quanto os contribuintes e consumidores pagarão pela inovação. Quanto vale o novo medicamento ou procedimento, em termos de custo comparado aos benefícios reais?

Em síntese, falar de “crise” na saúde, de forma genérica, não ajuda a compreender o problema – a dificuldade do acesso para as parcelas de baixa renda, entre outros – e muito menos a encontrar soluções.

E as soluções, como a história revela, terão de lidar com as características do modelo de atenção à saúde, construído há décadas, e considerar o quanto o modelo médico-industrial molda interesses, corações e mentes.
CONCEITOS-CHAVE
- O discurso de que a saúde está em crise no Brasil, ainda que não corresponda à realidade, camufla uma situação estrutural.

- Só é possível compreender as dificuldades do modelo brasileiro partir de um princípio básico: o setor é bastante heterogêneo.

- Hospitais vinculados à Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) tiveram, em 2007, lucro
PARA CONHECER MAIS
Dinâmica do segmento de saúde no Brasil: interesses, confl itos e perspectivas. Maria Cristina S. Amorim, in M. C. S. Amorim e E. B. F. Perillo (orgs.) Para entender a saúde no Brasil. São Paulo: LCTE, 2006.

Hospital performance in Brazil, the search for excellence. Gerard M. La Forgia e Bernard F. Couttolenc. Washington, The World Bank, 2008.

Importação e implantação do modelo médico-hospitalar no Brasil. Um esboço de história econômica do sistema de saúde 1942-1966. E. B. F. Perillo. Tese de doutorado, FFLCH, USP, 2008.
Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim Eduardo Bueno Fonseca Perillo é graduado em medicina e doutor em história da economia pela USP. Há mais de uma década trabalha com educação continuada para executivos em estudos econômicos e gestão de saúde pública e privada no Brasil. Maria Cristina Amorim, economista, é professora titular e coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Regulação Econômica e Estratégias Empresariais da PUC/SP.
Fonte: Sci Am Brasil

Diploma de jornalista

Ulisses Capozzoli

A discussão recente (na verdade ela se arrasta há anos) envolvendo exigência de diplomas para jornalismo é o tipo de questão em que não se pode, mecanicamente, se declarar a favor ou contra, sem outras considerações.

O ataque sistemático contra o diploma tem partido especialmente do jornal Folha de S. Paulo, com o argumento, entre outros, de que foi uma decisão da ditadura militar.

Mas a implantação do Fundo de Garantia também foi uma solução da ditadura militar. E por que a Folha não se coloca contra a adoção do Fundo de Garantia?

A resposta é óbvia, ainda que a argumentação, em casos como este, costume passar por discursos envolvendo a “modernização” das relações de trabalho entre outras considerações.

Suspeito também a Folha se apegar tanto ao argumento de “solução da ditadura” porque, à época do governo dos generais, a Folha não tinha editorial. Ou seja, não manifestava a sua opinião, corroborando a versão popular do “quem cala consente”.

E isso sem considerar que o grupo Folhas, a que a Folha de S. Paulo pertence, tinha duas publicações sintomáticas, no sentido freudiano do termo.

Uma delas era a simplesmente horrorosa Notícias Populares, a versão mais repugnante do chamado “mundo cão”.

A outra era a Folha da Tarde, jornal francamente identificado com a ditadura militar que, agora, a Folha de São Paulo pretende caracterizar como nefasta.

Se não convence leitores mais críticos, a Folha ao menos conquista a parcela do estilo “me engana que eu gosto”, um tipo de gente que escreve cartas aos jornais apoiando o que quer que seja, ou desaprovando, não faz diferença.

O que a Folha pretende, na verdade, é dispor do que no passado foi chamado de “exército industrial de reserva”, e que hoje pode se entender como abundância de mão-de-obra, a custo baixo e submissa ao autoritarismo que caracteriza sua redação, uma das mais perversas da história do jornalismo.

Nesta semana o Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de seu presidente, o “deixa que eu chuto” Gilmar Mendes, anunciou o fim da exigência de diploma para jornalistas.

E Mendes, como é de seu estilo, trombeteou que essa é a solução final no caso.

Os atritos, próximo ao estilo briga de rua, que têm caracterizado o STF, sem falar dos transbordamentos egóicos que caracterizam parte de seus membros, combina com o estilo falastrão do ministro.

Em artigo publicado na Folha de ontem, no entanto (esse é o estilo de venda da imagem de modernidade do jornal) o advogado José Paulo Cavalcanti Filho colocou o assunto em termos inteligíveis e civilizados.

Não cabe, deixou claro Cavalcanti Filho, ao STF definir a obrigatoriedade ou não de diplomas para jornalistas (ou se meter na regularização/desregularização) de qualquer outra profissão.

Esse é um papel do Congresso Nacional, ainda que esse mesmo Congresso também venha nos dando espetáculos repetidos de atos constrangedores.

O fato, no entanto, e esse parece ser o centro da questão, é que por trás do fim do diploma para jornalistas não há qualquer pretensão de se elevar a qualidade do jornalismo brasileiro.

O buraco aqui, para fazer uso de uma expressão popular “é mais embaixo” e não tem relação com qualquer tipo de altruísmo ou coisas dessa natureza.

O interesse por trás do fim do diploma é simplesmente o barateamento da mão-de-obra e a elevada rotatividade profissional e essa é a ameaça que acompanha as frases feitas como as utilizadas pela Folha.

Qualquer telespectador de canais por assinatura pode constatar, em emissoras de países desenvolvidos, a quantidade de jornalistas veteranos envolvidos em coberturas, comentários e avaliações de fatos merecedores de abordagem jornalística.

Não é o que acontece no Brasil, onde a experiência profissional, a partir de certo momento, é mais identificada como ameaça, no sentido de resistência a atitudes indignas, que qualidade e isenção crítica sobre o que está em debate.

Dizer que a defesa do diploma caracteriza corporativismo é palavra de ordem, lógica fácil, uma forma de jogar areia nos olhos da sociedade.

Até porque a legislação atual aceita determinado percentual de jornalistas sem, obrigatoriamente, a exigência de diploma.

Na verdade, a regulamentação/desregulamentação da profissão de jornalismo, acompanhada de várias outras atividades, mereceria uma discussão pragmática, articulada com uma realidade nacional mais ampla e crítica.

Mas isso denunciaria interesses imediatos camuflados por trás de palavras de ordem, a lógica fácil que, especialmente críticos menos exigentes, tendem a aceitar como o equivalente da verdade.

Fonte: Revista Scientific American Brasil

Sexta-feira, Junho 19, 2009

A cota de sucesso da turma do ProUni

Elio Gaspari - Escritor e jornalista

A DEMOFOBIA pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que, se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas, eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.

Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão).

O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".

A "Oração aos Moços" é de 1921, quando Rui já prevalecera com sua contribuição abolicionista. A discussão em torno do sistema de acesso dos afrodescendentes às universidades teve a virtude de chamar a atenção para o passado e para a esplêndida produção historiográfica sobre a situação do negro brasileiro no final do século 19. Acaba de sair um livro exemplar dessa qualidade, é "O jogo da Dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil", da professora Wlamyra de Albuquerque, da Federal da Bahia. Ela mostra o que foi o peso da cor. Dezesseis negros africanos que chegaram à Bahia em 1877 para comerciar foram deportados, apesar de serem súditos britânicos. Negros ingleses negros eram, e o Brasil não seria o lugar deles.

A professora Albuquerque transcreve em seu livro uma carta de escravos libertos endereçada a Rui Barbosa em 1889, um ano depois da Abolição. Nela havia um pleito, que demorou para começar a ser atendido, mas que o DEM e os donos de faculdades ainda lutam para derrubar: "Nossos filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução". A comissão pedia o cumprimento de uma lei de 1871 que prometia educação para os libertos. Mais de cem anos depois, iniciativas como o ProUni mostraram não só que isso era possível mas que, surgindo a oportunidade, a garotada faria bonito.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Sete "regras de ouro" do charlatanismo:

#1 - Escolha um filão inesgotável;
#2 - Seja revolucionário;
#3 - Percorra os atalhos batidos;
#4 - Nunca invente nada;
#5 - Cultive o segredo;
#6 - Encontre seu público;
#7 - Não desista nunca.

Fonte:
A Impostura Intelectual em Dez Lições, de Michel de Pracontal
Tradução de Álvaro Lorencini
São Paulo: Unesp, 2004, 453 pp.

Terça-feira, Junho 02, 2009

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DICA: Chat sobre Vestibular

Quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Chat com Professor Alberto, do Universitário

Aí galerinha! Rolou nesta quarta à tarde, no site do Kzuka, o chat com o professor de Física do Universitário, Alberto. No bate-papo, os internautas tiraram dúvidas sobre o vestibular, como por exemplo, qual a melhor maneira de evitar o estresse ou o famoso "branco" que dá na hora da prova.

O pessoal também pediu dicas de estudo para saber como se preparar melhor para a maratona do vestibular. Você confere logo abaixo a íntegra do chat.

Pergunta da internauta Pê: Professor Alberto. Eu gosto de Física e exatas em geral, mas simplesmente não tenho aptidão nenhuma! Como faço para melhorar?

Prof. Alberto: Olá Pê. Gostar é o primeiro passo. Aptidão é necessária, mas você vai desenvolvendo.

Pergunta da internauta Cris: Bom dia. Como evitar o estresse na reta final para as provas?

Prof. Alberto: Nem todo mundo concorda, mas digo que esse estresse é natural. É normal que exista estresse. Tem que aprender a conviver com ele, não tem como fugir (infelizmente). O ideal é transformar isso em uma grande vontade de estudar e vencer. Dizer que não vai ter estresse, só se drogando (risos).

Pergunta da internauta Pê: E o famoso BRANCO? O que fazer quando ele aparece?

Prof. Alberto: Pois é... O branco aparece geralmente com as fórmulas. A dica que damos é fazer um resumo para olhar antes da prova (especificamente em Física). Ao receber a prova, anote o máximo de informações desse resumo (as fórmulas) na própria.

Pergunta da internauta Pê: Tem algum daqueles macetes para decorar fórmulas?

Prof. Alberto: O macete para fórmulas é fazer resumos. Às vezes, de tanto fazer “colas”, a pessoa aprende, desenvolve uma boa memória visual.

Pergunta da internauta Pê: Não tenho estudado muito, o que devo revisar primeiro de Física para a prova? O que é essencial?

Prof. Alberto: A prova de Física da UFRGS e da maioria das Universidades é conceitual, ou seja, você precisa saber o conceito antes de pensar em fórmulas. Neste momento, já que você não tem estudado muito, pegue o que você já estudou (até vale pegar uma prova de um vestibular passado) e entenda que existe 40% de questões “fáceis”. Uma boa leitura (com calma) facilita muito.

Pergunta da internauta lluly _:: Olá, que dica a respeito da concentração o sr daria?

Prof. Alberto: (nem eu tenho concentração, me disperso fácil) A gente tem que ordenar as idéias. É claro que não é fácil, mas não dá pra ler as 25 questões de uma vez só. A minha dica é que leia e tente resolver uma de cada vez. Outra dica que funciona é que fique um tempo exagerado na mesma. Se não entendeu, passe adiante.

Pergunta do internauta samir: Como deve ser a rotina de estudos durante o ano e no período que antecede as provas? Devo seguir no mesmo ritmo? Quantas horas por dia devo me dedicar?

Prof. Alberto: Ao longo do ano, o ideal é resolver questões (de provas, principalmente), procurando entender a lógica da prova, ou seja, o que a Universidade está querendo. Mais perto da prova, pegar o que já se estudou, organizar o material e ver o que está faltando. Dá mais uma olhadinha. Sempre funciona.

Pergunta da internauta Pê: Física ainda é muito difícil pra mim. Se eu for mal na prova, tenho condição de passar na UFRGS ou não?

Prof. Alberto: Vamos complementar o raciocínio que foi feito anteriormente: No mínimo 40% da prova, desde que tenha estudado e tenha calma na hora, o estudante consegue resolver. Depende muito do curso que você escolheu. Na maioria dos cursos, não é a física que vai comprometer, mas lembre-se que a média na Ufrgs é harmônica (você não pode ir muito mal em uma matéria).

Internauta Pê: boa dica, professor! obrigada

Pergunta da internauta Cris: Qual o assunto da Física que costuma ser mais cobrado nas provas da UFRGS?

Prof. Alberto: A UFRGS é muito previsível. Não há uma mudança significativa de um ano para outro na distribuição dos conteúdos. Por isso, é interessante analisar as últimas provas. Mas, de uma forma geral, mecânica é 40% da prova. Ondas 10%, calor 10%, ótica 10%, eletricidade 10%, física moderna 10% e o restante em questões variadas.

Pergunta da internauta isi08: boa tarde.tenho que desabafar. nao estava muito certa na minha escolha e nem se realmente queria fazer vestibular,mas meu chefe insistiu e eu me inscrevi.mas estou muito insegura,pois quase nao tenho tempo de estudar e fikei sabedo do vestubular a pouco.minha verdadeira intenção era de fazer um tecnico para ter tempo de pensar o q eu realmente keria fazer

Prof. Alberto: Eu diria que você deve fazer o curso técnico. O importante é a pessoa ser feliz! Vá pensando e deixe pra decidir depois se quer fazer vestibular ou não.

Pergunta da internauta lluly _:: O que o sr diz para um candidato a medicina? (além de estudar mt), quais são as materias que valem mais?

Prof. Alberto: Para Medicina é tudo. Não tem restrição. Faça o oposto: descubra o que NÃO estudar. Se uma questão caiu somente uma vez na prova nos últimos 10 anos, ignore. Por isso é importante ter idéia da prova (o assunto cai, mas de que maneira cai?).

isi08 fala para todos: vau fazer sim o vestibular, mas meu grande medo e a fisica e a matemática. chego tão cansada que nao tenho tempo de estudar

Prof. Alberto: Você não está sozinha. No final das contas, todo mundo está empatado com esse medo. Todo mundo tem a mesma dificuldade e preocupação.

Pergunta da internauta Juh: referete a prova de matematica,quais os assuntos mais cobrados?

Prof. Alberto: Você pode acessar http://www.universitario.com.br/professores e entrar em contato com um professor de Matemática.

Pergunta da internauta lluly _:: Ha qto tempo o sr eh professor?

Prof. Alberto: No Universitário, fiz 15 anos como professor nessa semana.


Fonte: KZUKA

Domingo, Maio 17, 2009

Pensamento do dia

Como poderia alguém achar maçante o estudo de Ciência!
Haveria alguma coisa mais emocionante do que as leis que regem o Universo,
ou mais maravilhosa do que a inteligência humana que as descobre?
(Marie Curie)

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Rio Grande do Sul é incapaz de reter os acervos de Mário Quintana e Erico Verissimo

Reproduzo texto do qual concordo em grande parte:


Vergonha, suprema vergonha para os gaúchos, que se auto-intitulam dos mais cultos e politizados do Brasil. Pois não é que estão indo embora do Estado os acervos do escritor Érico Veríssimo e do poeta Mário Quintana? É melhor que seja assim, porque estão sendo levados para o Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, onde serão bem cuidados. O acervo de Érico Veríssimo estava na PUC do Rio Grande do Sul. Seu filho autorizou a ida para o Rio de Janeiro.

Podia ele ir junto e ficar no museu. A pretensão cultural do Rio Grande do Sul se resume à criação de casas de cultura. Ninguém dá dois passos na área do grande centro de Porto Alegre sem topar com um centro de cultura a cada dois metros. Mas os acervos são grandes porcarias, muito limitados. Uma das maiores preciosidades está localizada em uma maravilhosa casa colonial, na rua João Alfredo, o Museu Joaquim Felizardo. Pois lá existe o único retrato pintado a óleo do fundador de Porto Alegre. Trata-se do militar português Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda, mandado para o Brasil, em fuga, com o nome falso de José Marcelino de Figueiredo, por ter matado em duelo um capitão escocês, John McDonald, em Lisboa. O rei Dom José 1º mandou por escrito que seu nome verdadeiro fosse preservado como alto segredo de Estado. Esse homem, que fundou Porto Alegre, em um ponto estratégico, que impedia o ingresso dos espanhóis no território gaúcho, é responsável pela constituição geográfica atual do território do Brasil. Pois Porto Alegre lhe dedicou em homenagem apenas uma ruela de duas quadras, entre o portão central do porto e a Praça da Alfândega. Para essa ruela não dá a porta de nenhum edifício. Não há numeração nessa ruela, portanto. Também não há nenhum telefone registrado nesse endereço. Ninguém sabe quem foi Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda, ou seu pseudônimo, José Marcelino de Figueiredo. Se Porto Alegre e os porto-alegrenses não têm o mínimo apreço por seu fundador, por que deveriam ter pelos acervos de Érico Veríssimo e Mário Quintana? Érico Veríssimo costumava se orgulhar dizendo que era de uma cidade que tinha uma orquestra sinfônica. Agora os porto-alegrenses poderão se orgulhar dizendo que mandaram para o Rio de Janeiro o seu acervo. Êta gente culta, sô.....

Fonte: VideVersus

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Veja as 10 lições para se aprender com o Capitão Kirk

Uma das grandes questões para os fãs da série será o desempenho do ator Chris Pine no papel do lendário capitão Kirk, antes de ganhar a patente militar. Até hoje, só o deliciosamente canastrão William Shatner pôde ostentar esse título e é sua versão do personagem na série clássica dos anos 60 e nos filmes que se seguiram, atualmente parte de uma mitologia moderna, que inspira as 10 lições abaixo.

1) Nada é mais importante do que sua nave
De todas as suas características, a mais marcante era a paixão que o Capitão Kirk sentia pela Enterprise e sua tripulação e isso, sem trocadilhos idiotas, nunca o tirava da rota. Se você tem uma missão, pegue-a com as duas mãos, proteja sua equipe, cobre por resultados e faça por merecer a responsabilidade que depositaram em você.

2) Tenha amigos com opiniões diferentes
Kirk formava com o frio Sr. Spock e o emotivo Dr. MacCoy um trio de primeira qualidade. Grande parte das decisões tomadas era avaliada pelos dois consultores, obviamente com visões totalmente ímpares. Isso é ótimo para poder pesar os prós e contras de questões importantes e enxergar diferentes aspectos de uma mesma questão. Arrume os seus.

3) Só que quem manda na nave é você
Se seu cargo é de chefia, espelhe-se em James Tiberius Kirk. Ele até podia pegar opiniões diversas, mas a palavra final era sua. A responsabilidade da decisão também.

4) Respeite seu inimigo
O Capitão podia ser terrível com seus inimigos, fossem eles Klingons, Romulanos ou terráqueos poderosos como Khan, mas nunca os subestimava ou os considerava menos que ele. Na realidade seu senso de justiça acabava até fazendo com que até o mais feroz nêmeses o admirasse.

5) Pôqueer, às vezes, é melhor do que xadrez
Em um episódio clássico da série antiga, Kirk blefa ter uma potente arma destrutiva para escapar de um ser alienígena poderosíssimo. Até o momento da falácia, Kirk tentava escapar usando técnicas de xadrez, um movimento seu contra um do adversário, sem nenhum resultado e resolve, enfim, aplicar a estratégia do jogo de cartas. Assim é na vida real, muitas vezes o que você parece ter na mão é mais importante do que o que você realmente tem.

6) Trapaceie com estilo
No segundo filme da série no cinema, somos apresentados a um teste sem solução promovido pela Academia da Frota Estelar aos cadetes que pretendem ser capitães. Somente Kirk passou nessa prova e mais para frente sabemos o por quê: ele invadiu o sistema e mudou as condições a seu favor. Isso não significa que você deve ser desonesto nas suas escolhas, mas um pouco de audácia sempre vale a pena, especialmente se seu lema for o mesmo do personagem: "eu não gosto de perder".

7) Temperança e agressividade fazem um bom líder
Em um dos melhores episódios da série clássica, O Inimigo Interior, Kirk é dividido em duas partes, seu lado calmo e passivo e o lado agressivo e emocional. Nenhum dos dois consegue tomar uma decisão importante porque o primeiro quer agradar a todos e o segundo só se descontrola. O que leva Spock a compreender que um líder de verdade sabe pesar e combinar essas duas facetas: compreensão e firmeza.

8) Se tiver que fazer algo bem feito, faça você mesmo
O cara podia ser o capitão da nave mas não hesitava em descer em planetas com uma arma phaser na mão, se enfiar em tubos Jefferies (aqueles tubos internos para os engenheiros da nave) ou programar ele mesmo um computador. Não é porque você tem a direção das coisas que deve ficar apenas sentado dando ordens. Mostre á equipe que você faz parte dela.

9) Tenha fama de bom beijador
Kirk beijou 19 moças nos 77 episódios das três temporadas da série antiga, inclusive a Tenente Uhura, no primeiro beijo inter-racial da TV. Bem menos do que você esperava, mas ficou com a fama de garanhão e, segundo entrevistas com algumas mulheres que foram agraciadas com os lábios do galã, Shatner beijava bem pacas.

10) Transforme seus defeitos em qualidade
Todos hão de convir que William Shatner era um ator ruim de doer com seu jeito pausado e dramático de interpretar, sendo zombado até hoje por inúmeros comediantes. Mas foram essas deficiências que imprimiram a marca no ator e em seu personagem e os tornaram tão famosos. Só não faça como ele e tente dirigir um filme ou gravar um disco com sucessos como Mr. Tambourine Man pois aí seus defeitos podem realmente aparecer por completo.

FONTE: Claudio R. S. Pucci - Especial para Terra

Lula vai receber prêmio da Unesco por incentivo à paz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai receber da Unesco um prêmio por incentivo à paz. A cerimônia de premiação está marcada para julho. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo ex-presidente de Portugal Mario Soares, que integra o júri do prêmio "Paz Félix Houphouët-Boigny 2008".

Segundo Soares, o presidente Lula foi escolhido pelas ações que tem promovido em defesa da paz. "Decidimos conceder ao presidente Lula, por suas ações em busca da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos, assim como por sua valiosa contribuição para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos das minorias".

Entre as personalidade que já receberam este prêmio estão Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Yasser Arafat, rei Juan Carlos da Espanha, o presidente senegalês Abdoulaye Wade e os ex-presidentes dos EUA Jimmy Carter e da Finlândia Martti Ahtisaari. Alguns agraciados receberam, posteriormente, o Nobel da Paz.

Segundo o órgão, o prêmio foi criado em 1989 e homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da Unesco.

Fonte: UOL

Domingo, Maio 10, 2009

Pensamento do dia

... Acontece, porém, que não há no mundo tantos homens ricos quantas mulheres bonitas que os mereçam....

FONTE: AUSTEN, JANE. Mansfield Park, 1812/1814

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Para quem acredita em possessão do demônio e outras tolices

O demônio que você tem depende do demônio que você conhece.

Quarta-feira, Abril 29, 2009

A RBS no banco dos réus

Por Elaine Tavares – jornalista

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina realizou no dia 28 de abril de 2009 uma discussão histórica, colocando no banco dos réus o oligopólio da Rede Brasil Sul, a RBS. Mas, esta proposta de transformar a maior rede de comunicação do sul do país em ré comum não foi privilégio da direção do sindicato, portanto a ela não se pode reputar nenhuma intenção ideológica. O responsável por esta façanha é o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em Santa Catarina, Celso Antônio Três, que apresentou uma ação civil pública ao Ministério Público Federal contra a empresa dos Sirotski, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e a União.

Baseado exclusivamente na letra fria da lei, o procurador apela para a tutela dos direitos de informação e expressão do cidadão, a pluralidade, que é premissa básica do Estado democrático e de Direito. Com base nisso ele denuncia e exige providências contra o oligopólio da mídia sustentado pela RBS no Estado de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Segundo Três, é comprovada documentalmente a posse de 18 emissoras de televisão aberta, duas emissoras por cabo, oito jornais diários, 26 emissoras de rádio, dois portais na internet, uma editora e uma gravadora. Ele lembra ainda que o faturamento do grupo em 2006 chegou a 825 milhões de reais, com um lucro líquido de 93 milhões, tudo isso baseado no domínio da mente das populações do sul que atualmente não tem possibilidade de receber uma informação plural. Praticamente tudo o que se vê, ouve ou lê nos dois estados do sul vem da RBS.

No debate realizado pelo SJSC o procurador insistiu que filosoficamente ser é ser percebido e isso é o que faz a mídia, torna visível aqueles que ela considera “ser”. Os pobres, os excluídos do sistema, os lutadores sociais, toda essa gente fica de fora porque não pode ser mostrada como ser construtor de mundos. Celso Três afirma que na atualidade o estado é puro espetáculo enquanto o cidadão assume o posto de espectador. Nesse contexto a mídia passa a ser o receptor deste espetáculo diário, ainda que não tenha a menor consistência. “Nós vivemos uma histeria diária provocada pela mídia e o país atua sob a batuta desta histeria”.

No caso de Santa Catarina o mais grave é que esta histeria é provocada por um único grupo, que detém o controle das emissoras de TV e dos jornais de circulação estadual. Não há concorrência para a RBS e quando ela aparece é sumariamente derrotada através de ações ilegais como o “dumping”, como o que aconteceu na capital, Florianópolis, quando da abertura do jornal Notícias do Dia, um periódico de formato popular com um preço de 0,50 centavos. Imediatamente a RBS reagiu colocando nas bancas um jornal igual, ao preço de 0,25 centavos. Não bastasse isso a RBS mantêm cativas empresas de toda a ordem exigindo delas exclusividade nos anúncios, incorrendo assim em crime contra a ordem econômica.

Sobre isso a lei é muito clara. Desde 1967 que é terminantemente proibido um empresa ter mais que duas emissoras de TV por estado. A RBS tem mais de uma dezena. A Constituição de 1988 determina que a comunicação não pode ser objeto de oligopólio. Pois em Santa Catarina é. Segundo Três, na formação acionária das empresas existem “mais de 300 Sirotski” , portanto não há como negar que esta família controle as empresas como quis fazer crer o Ministério das Comunicações, também réu na ação. “Eles alegaram que a RBS não existe, é um nome de fantasia para empresas de vários donos. Ora, isso é mentira. Os donos são os mesmos: os Sirotski”.

O procurador alega que a lei no Brasil, no que diz respeito a porcentagem de produção local que deve ter um empresa, nunca foi regulamentada, mas não é por conta da inoperância do legislativo que a Justiça não pode agir. “Nós acabamos utilizando a lei que trata do mercado de chocolate, cerveja, etc. Nesta lei, uma empresa não pode controlar mais que 20% do mercado. Ora, em Santa Catarina, a RBS controla quase 100% da informação”.

Aprofundando o debate sobre a ação oligopólica da RBS, Danilo Carneiro, estudioso do sistema capitalista e membro do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, deu uma aula sobre a formação do sistema capitalista e mostrou como atualmente o capitalismo já não consegue mais reproduzir a vida, tamanha a sua dominação sobre a vida das pessoas e sua sanha por lucros. Desde as cidades-estado italianas, onde o comércio impulsiona a acumulação de lucros, até os dias de hoje a consolidação do capitalismo está ligada à exploração dos trabalhadores e da natureza. Para que isso aconteça é necessário manter as gentes em estado permanente de alienação e aí entram os Meios de Comunicação de Massa. Não é à toa, portanto, que instituições governamentais como o CADE e o Ministério das Comunicações façam vistas grossas ao oligopólio da RBS assim como da Globo. Tudo faz parte da manutenção do sistema.

Sobre a ação na Justiça contra a RBS, Danilo lembrou que hoje no Brasil existem mais de 60 milhões de ações em andamento e isso por si só já dá um panorama do que pode acontecer. Sem uma mobilização política efetiva das entidades e do povo catarinense, essa ação pode se perder no sumidouro da Justiça brasileira.

Na platéia do debate um público muito representativo do movimento social de Florianópolis, tais como representantes do Diretório Central dos Estudantes da UFSC, da União Florianopolitana de Entidades Comunitárias (UFECO), Sindicato dos Previdenciários (SINDPREVS), Sindicato dos Eletricitários (SINERGIA), jornalistas, estudantes, professores. Cada um deles compreendeu que à corajosa atitude do procurador Celso Três, devem se somar ações políticas e de acompanhamento da ação. O Sindicato dos Jornalistas deve se colocar como assistente do Ministério Público, abastecendo-o com informações e as demais entidades vão difundir as notícias e fazer a pressão necessária para o andamento da ação.

Conforme bem lembra Celso Três, esta não é uma ação voluntarista ou ideológica, ela é objetiva e se fundamente na lei maior. Oligopólios são proibidos e as populações de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul tem direitos a uma informação plural e diversificada. Não há amparo legal para a propriedade cruzada, o pensamento único e muito menos para a dominação econômica.

Na senda da fala de Danilo Carneiro, que deixou claro que sob a ditadura do capital é impossível a democratização da comunicação, também assomou entre os presentes a necessidade da discussão e da luta por outra comunicação e outro estado que não esse no qual imperam as relações de dominação. Agora é ficar atento e aprofundar a luta. Sem isso, não anda a ação, e tampouco acontecem mudanças estruturais.

Fonte: NovaE

Virei cientista, apesar dos meus professores

Gostaria de poder lhes contar sobre professores de ciência inspiradores nos meus tempos de escola primária e secundária.

Mas, quando penso no passado, não encontro nenhum.

Lembro-me da memorização automática da tabela periódica dos elementos, das alavancas e dos planos inclinados, da fotossíntese das plantas verdes, e da diferença entre antracito e carvão betuminoso.

Mas não me lembro de nenhum sentimento sublime de deslumbramento, de nenhum indício de uma perspectiva evolutiva, nem de coisa alguma sobre idéias errôneas em que outrora todos acreditavam.

Nos cursos de laboratório na escola secundária, havia uma resposta que devíamos obter.
Ficávamos marcados, se não a conseguíamos.

Não havia nenhum encorajamento para seguir nossos interesses, intuições ou erros conceituais.

Nas páginas finais dos livros didáticos, havia material visivelmente interessante.

O ano escolar acabava sempre antes de chegarmos até aquele ponto.

Podiam-se encontrar livros maravilhosos sobre astronomia nas bibliotecas, por exemplo, mas não na sala de aula.

A divisão pormenorizada era ensinada como uma receita culinária, sem nenhuma explicação sobre como essa seqüência específica de pequenas divisões, multiplicações e subtrações conseguia conduzir à resposta certa.

Na escola secundária, a extração da raiz quadrada era dada com reverência, como se fosse um método entregue outrora no monte Sinai.

A nossa tarefa era simplesmente lembrar os mandamentos. Obtenha a resposta correta, e esqueça se você não compreende o que está fazendo.

Tive um professor de álgebra muito competente, no segundo ano, com quem aprendi muita matemática; mas ele era também um valentão que gostava de fazer as meninas chorarem.

Meu interesse pela ciência foi mantido durante todos esses anos escolares pela leitura de livros e revistas sobre a realidade e a ficção científicas.

A escola superior foi a realização de meus sonhos: encontrei professores que não só compreendiam a ciência, mas eram realmente capazes de explicá-la.

Fonte:
Sagan, C. O Mundo Assombrado pelos Demônios: a Ciência vista como uma vela no escuro, Companhia das Letras, São Paulo, 1996.

Os pais de um cientista

Meus pais não eram cientistas.

Não sabiam quase nada sobre ciência.

Mas, ao me apresentar simultaneamente ao ceticismo e à admiração, me ensinaram as duas formas de pensar, de tão difícil convivência, centrais para o método científico.

Estavam a apenas um passo da pobreza.

Mas quando anunciei que queria ser astrônomo, recebi apoio incondicional - mesmo que eles (como eu) só tivessem uma idéia muito rudimentar da profissão de astrônomo.

Nunca sugeriram que, consideradas as circunstâncias, talvez fosse melhor eu ser médico ou advogado.


Fonte:
Sagan, C. O Mundo Assombrado pelos Demônios: a Ciência vista como uma vela no escuro, Companhia das Letras, São Paulo, 1996.

Sábado, Abril 25, 2009

LÚPUS ERITEMATOSO SISTÉMICO


O que é?
O Lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença crónica auto-imune que pode afectar vários órgãos do corpo, em especial a pele, as articulações, o sangue e os rins. O LES é uma doença crónica, o que significa que pode prolongar-se durante muito tempo. Auto-imune significa que é uma doença do sistema imunitário que, em vez de proteger o corpo das bactérias e dos vírus, ataca os tecidos do doente.

O nome lúpus eritematoso sistémico data do início do século XX. Sistémico significa que afecta muitos órgãos do corpo. A palavra lúpus deriva da palavra latina para lobo e refere-se à característica erupção cutânea semelhante a uma borboleta que surge no rosto, recordando aos médicos as marcas brancas que existem no focinho de um lobo. Em grego, eritematoso significa vermelho, pelo que se refere à vermelhidão da erupção cutânea.

É uma doença vulgar?
O LES é uma doença rara que afecta cerca de 5 crianças em cada milhão, por ano. O início do LES antes dos 5 anos de idade é raro e antes da adolescência é pouco comum.
As mulheres em idade fértil (dos 15 aos 45) são as que com maior frequência são afectadas e, nesse grupo etário em particular, a proporção de mulheres afectadas em relação aos homens é de nove para um. Nas crianças mais novas, antes da puberdade, a proporção de rapazes afectados é superior.
O LES é reconhecido em todo o mundo, sendo aparentemente mais comum em crianças de origem afro-americana, latina, asiática e índia.

Quais as causas da doença?
Não é conhecida a causa exacta do LES . O que se sabe é que o LES é uma doença auto-imune, em que o sistema imunitário perde a sua capacidade de distinguir entre um corpo estranho e os tecidos e células da própria pessoa. O sistema imunitário erra e produz auto-anticorpos que identificam as células normais da pessoa como corpos estranhos, eliminando-as de seguida. O resultado é uma reacção auto-imune que provoca a inflamação que afecta órgãos específicos (articulações, rins, pele, etc.) no LES. Inflamado significa que as partes afectadas do corpo ficam quentes, vermelhas, inchadas e por vezes doloridas. Se os sinais de inflamação forem duradouros, como pode acontecer no LES, nesse caso os tecidos poderão ficar danificados e as funções normais diminuídas. É por este motivo que o tratamento do LES tem como objectivo a redução da inflamação.

Pensa-se que a responsabilidade pela resposta imunitária anormal se deve a múltiplos factores de risco hereditários em combinação com factores ambientais aleatórios. Sabe-se que o LES pode ser desencadeado por uma série de factores, inclusivamente por desequilíbrio hormonal na puberdade e factores ambientais como a exposição solar, algumas infecções virais e determinados medicamentos.

É hereditário? Pode prevenir-se o seu aparecimento?
O LES não é uma doença hereditária, uma vez que não pode ser transmitida directamente de pais para filhos. No entanto, há crianças que herdam dos pais alguns factores genéticos ainda desconhecidos que podem fazer com que tenham predisposição a ter LES. Não estão necessariamente predestinados a ter LES, embora possam ser mais susceptíveis a que isso aconteça.
Não é pouco frequente que uma criança com LES tenha na sua família um parente com uma doença auto-imune. Contudo, é muito raro que na mesma família haja duas crianças com lúpus eritematoso sistémico.

Por que razão tem o meu filho/a esta doença? Há prevenção para ela?
A causa do LES é desconhecida, mas é provável que uma combinação de predisposição genética e exposição a determinados factores ambientais activadores da doença sejam necessários para que a doença surja. Os respectivos papéis dos factores genéticos e ambientais no desencadeamento do LES ainda está por determinar.
Não existe forma de prevenção para o LES, mas uma criança afectada pela doença deve evitar o contactos com certas situações que podem fazer despoletar a doença ou provocar uma crise (por exemplo, exposição solar sem utilização de protectores solares, algumas infecções virais, stresse, hormonas e determinados medicamentos).

É contagioso?
O LES não é contagioso, não podendo passar de uma pessoa para outra como se fosse uma infecção.

Quais são os principais sintomas?
Em geral, a doença costuma ter um começo lento, com novos sintomas que aparecem durante um período de várias semanas, meses ou até mesmo anos. Nas crianças, os sintomas iniciais mais comuns de LES são queixas não específicas de fadiga e mal-estar. Muitas crianças com LES têm febre intermitente ou contínua, perdem peso e não têm apetite.

Com o tempo, muitas crianças apresentam sintomas específicos causados pelo envolvimento de um ou mais órgãos do corpo. O envolvimento dermatológico e das mucosas é muito comum e pode incluir uma variedade de erupções cutâneas com aspectos diferentes, fotosensibilidade (quando a exposição à luz do sol desencadeia uma erupção cutânea) e úlceras no interior do nariz e da boca. A típica erupção cutânea em «borboleta» no nariz e nas maças do rosto ocorre entre 1/3 a 1/5 das crianças afectadas. Por vezes, cai mais cabelo do que o normal (alopecia) ou as mãos ficam vermelhas, brancas e azuis quando expostas ao frio (doença de Raynaud). Os sintomas podem ainda incluir inchaço e rigidez articular, dores musculares, anemia, facilidade no aparecimento de hematomas, dores de cabeça, convulsões e dores torácicas. O envolvimento dos rins encontra-se presente até certo ponto na maioria das crianças com LES e é um dos principais factores determinantes para o resultado desta doença a longo prazo.

Os sintomas mais comuns de grande envolvimento renal são tensão alta, sangue na urina e inchaço, em especial nos pés, pernas e pálpebras.

A doença é igual em todas as crianças?
Os sintomas de lúpus podem variar muito de acordo com cada caso individual. Assim sendo, o perfil de cada criança ou a lista dos sintomas de que padece é diferente. Todos os sintomas que anteriormente foram descritos podem ocorrer quer no início do lúpus quer em qualquer altura, ao longo da doença.

A doença nas crianças é diferente da dos adultos?
Em geral, o lúpus eritematoso nas crianças e adolescentes é semelhante ao dos adultos. No entanto, a doença modifica-se mais rapidamente nas crianças e, em geral, parece mais grave do que em relação aos adultos.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de LES é efectuado com base numa combinação de sintomas (tais como a dor), sinais (tais como a febre), resultados de exames e após outras doenças terem sido excluídas. Para ajudar a distinguir o lúpus das outras doenças, os médicos da Associação Americana de Reumatismo estabeleceram uma lista de 11 critérios que, quando em conjunto, apontam para LES.
Estes critérios representam alguns dos sintomas/anormalidades mais comuns que podem ser observados em doentes com lúpus eritematoso. Para efectuar um diagnóstico formal de LES, o doente deve ter o mínimo de 4 destas 11 características, em qualquer momento, deste o início da doença. Contudo, os médicos experientes também conseguem efectuar um diagnóstico de LES se menos de 4 dos critérios estiverem presentes. Os critérios são:

1) A erupção cutânea em «borboleta» que é uma erupção cutânea vermelha que ocorre sobre a face e a cana do nariz.
2) Fotossensibilidade é uma reacção dermatológica excessiva à luz solar. Em geral, só a pele exposta é atingida, ao passo que nada acontece à pele coberta pela roupa.
3) O lúpus discóide é uma erupção cutânea escamosa, saída, em forma de moeda que surge na face, no couro cabeludo, nas orelhas, no peito e nos braços. Quando estas lesões curam pode ficar uma cicatriz. As lesões discóides são mais comuns nas crianças negras do que nos outros grupos raciais.
4) As úlceras mucosas são pequenas feridas que ocorrem na boca e no nariz. Em geral não são dolorosas, mas as úlceras no nariz podem provocar hemorragias nasais.
5) A artrite afecta a maioria das crianças com LES. É uma doença que provoca dor e inchaço das articulações das mãos, dos pulsos, dos cotovelos, dos joelhos ou de outras articulações dos braços e das pernas. A dor pode ser migratória, o que significa que pode passar de uma articulação para outra e pode ocorrer na mesma articulação em ambos os lados do corpo. A artrite no LES não tem, em geral, como resultado alterações permanentes (deformações).
6) A pleurite é uma inflamação da pleura, o revestimento dos pulmões e pericardite é uma inflamação do pericárdio, o revestimento do coração. A inflamação destes tecidos delicados pode fazer com que fluídos se reúnem à volta do coração e dos pulmões. A pleurite provoca um tipo especial de dores torácicas que pioram com a respiração.
7) O envolvimento renal encontra-se presente em aproximadamente todas as crianças com lúpus e varia entre o muito ligeiro a muito grave. No início, em geral, não tem sintomas e pode ser detectado apenas em análises de urina e análises clínicas à função renal. As crianças com significativos danos renais podem ter sangue na urina e sofrer de inchaço, em especial nos pés e nas pernas.
8) O envolvimento do Sistema nervoso central inclui dores de cabeça, convulsões e manifestações neuro-psiquiátricas como dificuldade em concentrar-se e lembrar-se, alterações de humor, depressão e psicose (uma doença mental grave em que o pensamento e o comportamento estão perturbados).
9) Os distúrbios das células sanguíneas são provocados por auto-anticorpos que atacam as células sanguíneas. O processo de destruição das glóbulos vermelhos (que transportam oxigénio dos pulmões para outras partes do corpo) chama-se hemólise e pode provocar anemia hemolítica. Esta destruição pode ser lenta e relativamente ligeira ou pode ser muito rápida e provocar uma emergência.
Um decréscimo dos glóbulos brancos chama-se leucopenia e não é, em geral, perigosa no lúpus eritematoso.
Um decréscimo da contagem de plaquetas é denominado trombocitopenia. As crianças com um decréscimo na contagem de plaquetas podem ficar facilmente com hematomas na pele e sangrar de diversas partes do corpo, por exemplo, do tracto digestivo, do tracto urinário, do útero ou do cérebro.
10) As doenças imunológicas referem-se a auto-anticorpos que se encontram no sangue e que apontam para a existência de lúpus eritematoso:
a) Os anticorpos anti-ADN nativo são auto-anticorpos que atacam o material genético da célula. Encontram-se fundamentalmente no LES. Este exame é repetido com frequência, uma vez que a quantidade de anticorpos anti-ADN nativo parece aumentar quando a doença está activa e os exames podem ajudar o médico a avaliar o grau de actividade da doença.
b) Os anticorpos anti-Sm referem-se ao nome do primeiro doente em cujo sangue foram encontrados (o apelido da doente era Smith). Estes auto-anticorpos existem quase exclusivamente no LES, ajudando com frequência a confirmar o diagnóstico.
c) Resultados positivos de anti-corpos antifosfolipidos (anexo 1)
11) Os anticorpos antinucleares (ANA) são auto-anticorpos que atacam o núcleo das células. Existem no sangue da maioria dos doentes com lúpus. No entanto, um resultado positivo num exame ANA, por si só, não constitui prova de LES, uma vez que o teste também pode ser positivo em doenças que não o lúpus eritematoso e pode dar resultados positivos muito fracos em cerca de 5% das crianças saudáveis.

Qual a importância dos exames médicos?
Os exames laboratoriais podem ajudar a diagnosticar o lúpus eritematoso sistémico e a decidir que órgãos internos estão afectados, se for caso disso. É importante efectuar análises regulares ao sangue e à urina para monitorizar a actividade e gravidade da doença, assim como para determinar a tolerância que o doente tem face aos medicamentos. Existem diversos exames laboratoriais que têm de ser efectuados no LES:
1) Exames clínicos de rotina que indicam a presença de uma doença sistémica activa com envolvimento de vários órgãos:
Tanto a velocidade de sedimentação (VS) como a Proteína C reactiva (PCR) sobem com a inflamação. A PCR pode ser normal no lúpus, enquanto que a VS é elevada. Um aumento da PCR pode indicar mais complicações infecciosas.
A contagem sanguínea completa, que pode revelar anemia e níveis baixos de contagem de plaquetas e glóbulos brancos
A proteína sérica, electroforese, que podem revelar uma aumento da gamaglobulina (aumento da inflamação) e decréscimo de albumina (envolvimento renal).
Análises químicas de rotina que podem revelar envolvimento renal (aumentos do azoto na ureia do soro sanguíneo e da creatinina, alterações na concentração de electrólitos), anormalidades nos testes de função renal e aumento das enzimas musculares se existir envolvimento muscular.
As análises à urina são muito importantes na altura do diagnóstico de lúpus eritematoso sistémico e durante o acompanhamento, para determinar o envolvimento renal. A melhor forma de as efectuar é a intervalos de tempo regulares, mesmo quando a doença pareça estar em remissão. As análises à urina podem apresentar diversos sinais de inflamação nos rins, por exemplo glóbulos vermelhos ou a presença de uma quantidade excessiva de proteína. Por vezes, é possível que as crianças com LES tenham de fazer a colecta de urina ao longo de 24 horas. Deste modo, o envolvimento precoce dos rins pode ser descoberto.
2) Exames imunológicos:
Anticorpos antinucleares (ANA) (ver diagnóstico)
Anticorpos anti-ADN (ver diagnóstico)
Anticorpos anti-Sm (ver diagnóstico)
Anticorpos antifosfolípidos (anexo 1)
As análises laboratoriais que medem os níveis dos complementos sanguíneos. Complemento é um termo colectivo para denominar um grupo de proteínas sanguíneas que destroiem bactérias e regulam as respostas inflamatória e imune. Determinados complementos proteicos (C3 e C4) podem ser consumidos em reacções imunes e a existência de níveis baixos destas proteínas implica a presença de doença activa, em especial doença renal.

Estão actualmente disponíveis muitos outros exames que analisam os efeitos do LES em diferentes partes do corpo. Efectua-se frequentemente uma biópsia (a remoção de um pequeno pedaço de tecido) do rim. Uma biópsia renal fornece informação valiosa quanto ao tipo, ao grau e tempo de existência das lesões do LES, sendo muito útil na escolha do tratamento correcto. Uma biópsia cutânea pode às vezes ajudar a efectuar o diagnóstico de vasculite cutânea, de lúpus discóide ou da natureza de diversas erupções cutâneas. Entre os outros exames existentes incluem-se os raios-x torácicos (ao coração e aos pulmões), electrocardiogramas (ECG) e ecogramas ao coração, funções pulmonares para os pulmões, electroencefalogramas (EEG), ressonâncias magnéticas (RM) ou outros exames ao cérebro, assim como possivelmente diversas biópsias cutâneas.

Há tratamento/cura para a doença?
Actualmente não existe cura para o LES, mas a vasta maioria das crianças com lúpus podem ser tratadas com sucesso. O tratamento tem como objectivo a prevenção de complicações, bem como o tratamento dos sintomas e sinais da doença.

Quando o LES é diagnosticado, em geral é muito activo. Nesta fase pode ser necessário ministrar doses elevadas de medicamentos para controlar a doença e impedir a danificação de órgãos. Em muitas crianças, o tratamento controla as crises de lúpus e a doença pode entrar em remissão, altura em que pouco ou nenhum tratamento é necessário.

Quais são os tratamentos?
A maior parte dos sintomas de lúpus eritematoso sistémico deve-se à inflamação e, assim sendo, o tratamento destina-se a reduzir essa inflamação. Quatro grupos de medicamentos são usados quase em todo o mundo para tratar crianças com LES:

Os Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) são utilizados para controlar a dor provocada pela artrite. Em geral, estes medicamentos são prescritos apenas por pequenos períodos de tempo, com instruções para diminuição da dosagem conforme ocorram melhoras na artrite. Existem muitos medicamentos diferentes dentro desta família de medicamentos, entre os quais a aspirina. A aspirina é, hoje em dia, pouco usada pelo seu efeito anti-inflamatório. No entanto, é amplamente utilizada em crianças com elevados anticorpos antifosfolípidos para impedir a coagulação do sangue.

Os medicamentos anti-malários como a hidroxicloroquina são muito úteis no tratamento de erupções cutâneas sensíveis ao sol , tais como os tipos discóide ou de outras erupções cutâneas de tipo subagudas, do LES. É possível que passem muitos meses antes que estes medicamentos demonstrem ter um efeito benéfico. Não existe qualquer relação conhecida entre o LES e a malária.

Os glucocorticosteróides como a prednisona ou a prednisolona são utilizados para reduzir a inflamação e para suprimir a actividade do sistema imunitário. São a principal terapia para o lúpus eritematoso. Em geral, o controlo inicial da doença não pode ser alcançado sem a administração diária de glucocorticosteróides por um período de várias semanas ou meses, requerendo a maioria das crianças a manutenção destes medicamentos durante muitos anos. A dose inicial de glucocorticosteróides e a frequência da sua administração dependem da gravidade da doença e dos sistemas orgânicos afectados. Emprega-se normalmente elevadas doses orais ou intravenosas de glucocorticosteróides no tratamento de anemia hemolítica grave, de doença do sistema nervoso central e dos tipos mais graves de envolvimento renal. As crianças têm uma sensação evidente de bem-estar e aumento de energia no espaço de dias após o início da toma de glucocorticosteróides.

Depois das manifestações iniciais da doença estarem controladas, os glucocorticosteróides são reduzidos até ao nível mais baixo possível que manterá o bem-estar da criança. A redução da dose de glucocorticosteróides tem de ser gradual, com frequente monitorização para garantir que as medidas clínicas e laboratoriais da actividade da doença são suprimidas.

Por vezes, os adolescentes podem sentir-se tentados a parar de tomar glucocorticosteróides ou a reduzir ou aumentar a dose. Pode ser por estarem fartos dos efeitos secundários ou por se sentirem melhores ou piores. É importante que as crianças e os pais percebam de que modo funcionam os glucocorticosteróides e por que motivo é perigoso parar ou alterar a medicação sem supervisão médica .
Certos glucocorticosteróides (cortisona) são normalmente produzidos pelo corpo. Quando o tratamento é iniciado, o corpo responde parando com a sua própria produção de cortisona e as glândulas supra-renais que a produzem começam a ficar lentas e preguiçosas. Se os glucocorticosteróides forem utilizados durante um período de tempo e depois postos repentinamente de lado, o corpo pode não ser capaz de começar a produzir cortisona suficiente durante algum tempo. O resultado poderá ser uma falta de cortisona que ponha a vida em perigo (insuficiência supra-renal). Além disso, a redução demasiado rápida da dose de glucocorticosteróides poderá provocar uma crise.

Os agentes imunosupressores como a azatioprina e a ciclofosfamida agem de modo diferente dos medicamentos glucocorticosteróides. Suprimem a inflamação e tendem ainda a diminuir a resposta do sistema imunitário. Estes medicamentos podem ser utilizados quando os glucocorticosteróides por si só não conseguem controlar o LES, quando os glucocorticosteróides causam demasiados efeitos secundários graves ou quando se pensa que combinar os medicamentos pode ser melhor do que utilizar apenas os glucocorticosteróides
Os agentes imunosupressores não substituem os glucocorticosteróides. A ciclofosfamida e a azatioprina podem ser tomados em comprimidos e geralmente não são utilizadas em conjunto. A terapia intravenosa de ciclofosfamida pulsoterapia com ciclofosfamida intravenosa é utilizada em crianças com envolvimento renal grave, bem como em problemas graves de certos tipos de LES. Nesta forma de tratamento, é dada uma dose elevada de ciclofosfamida através da veia (aproximadamente 10 a 15 vezes superior do que a dose diária em comprimidos). Este processo pode ser efectuado enquanto doente externo ou durante uma breve estadia no hospital.

Os medicamentos biológicos incluem os agentes que bloqueiam a produção de auto-anticorpos ou efeito de uma molécula específica. A sua utilização no lúpus eritematoso sistémico ainda é experimental. São administrados apenas em protocolos para investigação.

A investigação no campo das doenças auto-imunes e em particular no LES é muito intensa. O objectivo futuro é determinar os mecanismos específicos da inflamação e da auto-imunidade, de modo a direccionar melhor as terapias, sem suprimir todo o sistema imunitário. Actualmente, há muitos estudos clínicos continuados que envolvem o LES. Entre eles incluem-se a experimentação de novas terapias e a investigação para expandir o entendimento quanto a diferentes aspectos do lúpus na infância.

Esta investigação continuada e activa torna o futuro cada vez mais luminoso para as crianças com lúpus eritematoso sistémico.

Quais são os efeitos secundários dos medicamentos?
Os medicamentos utilizados no tratamento do LES são muito eficazes. Porém, podem causar diversos efeitos secundários. (Para uma descrição pormenorizada dos efeitos secundários, consulte a secção sobre terapia medicamentosa).
Os AINEs podem provocar efeitos secundários como mal-estar gástrico (devem ser tomados depois das refeições), facilidade no aparecimento de hematomas e, raramente, alterações nas funções renais ou hepáticas.

Os medicamentos anti-malários podem provocar alterações na retina ocular e, portanto, os doentes devem fazer check-ups regulares no especialista dos olhos (oftalmologista).

Os glucocorticosteróides podem causar uma ampla variedade de efeitos secundários, tanto a curto como a longo prazo. Os riscos destes efeitos secundários aumentam quando doses elevadas de glucocorticosteróides são necessárias e utilizadas durante um período extenso de tempo.
Os principais efeitos secundários dos glucocorticosteróides são:

Alterações na aparência física (por exemplo, aumento de peso, inchaço nas faces, crescimento excessivo de pilosidade corporal, alterações cutâneas com estrias púrpuras, acne e facilidade em ficar com hematomas). O aumento de peso pode ser controlado com uma dieta baixa em calorias e exercício físico.

Risco aumentado de infecções, em especial tuberculose e varicela. Uma criança que tome glucocorticosteróides e seja exposta a varicela deve consultar um médico assim que possível. A protecção imediata contra a varicela pode ser obtida através da administração de anticorpos preformados (imunização passiva).

Problemas de estômago como a dispepsia (indigestão) ou azia. Para resolver este problema pode ser necessária medicação anti-ulcerosa.

Tensão alta.
Fraqueza muscular (as crianças podem ter dificuldade em subir escadas ou a levantar-se de uma cadeira).

Perturbações no metabolismo da glucose, em especial se existir predisposição genética para diabetes.
Modifiçações do humor, incluindo depressão e variações de humor.
Problemas oftalmológicos como turvação da lente ocular (catarata) e glaucoma.
Enfraquecimento ósseo (osteoporose). Este efeito secundário pode ser minorado através do exercício físico, da ingestão de alimentos ricos em cálcio e da administração de doses adicionais de cálcio e vitamina D. Estas medidas de prevenção devem ser iniciadas assim que a administração de doses elevadas de glucocorticosteróides seja implementada.
Paragem do crescimento.

É importante assinalar que a maior parte dos efeitos secundários dos glucocorticosteróides é reversível e passará quando a dose for diminuída ou quando se deixar de tomar o medicamento.
Os agentes imunosupressores também têm potenciais efeitos secundários graves, sendo que as crianças que estejam a tomar estes medicamentos devem ser cuidadosamente seguidas pelo seu médico.
Na «Secção de Medicamentos» poderá encontrar uma descrição dos efeitos secundários causados pelos agentes imunosupressores.

Qual deve ser a duração do tratamento?
O tratamento deve durar enquanto a doença persistir. É opinião generalizada, de que a maior parte das crianças com LES muito dificilmente deixam de tomar medicamentos glucocorticosteróides por completo nos primeiros anos após o diagnóstico. Até a manutenção de uma dose baixa de glucocorticosteróides a longo prazo pode minimizar a tendência da propensão de crises e manter a doença sob controlo. Para muitos doentes poderá ser melhor manter uma dose baixa de glucocorticosteróides em vez de arriscar a ocorrência de uma crise.

E as terapias não convencionais/complementares?
Não existem curas miraculosas para o lúpus. Actualmente, são propostas aos doentes muitas terapias complementares e é preciso que se pense muito bem sobre o aconselhamento médico não qualificado e as suas implicações. Se quiser fazer terapia complementar, consulte o seu reumatologista pediátrico antes. A maioria dos médicos não se oporá a experimentar algo inofensivo, desde que se siga igualmente os conselhos do médico. O problema põe-se porque muitas terapias complementares requerem que os doentes deixem de tomar a medicação para "limpar o corpo ". Quando medicamentos como os glucocorticosteróides são necessários para manter o lúpus controlado, é muito perigoso parar de os tomar se a doença ainda persistir.

Que tipo de check-ups periódicos são necessários?
É importante consultar frequentemente o médico, pois muitas doenças que podem surgir com no lúpus eritematoso sistémico podem ser prevenidas ou tratadas mais facilmente, se detectadas precocemente. As crianças com LES devem medir a tensão regularmente , fazer análises à urina, fazer análises completas aos constituintes do sangue, fazer análises aos níveis de açúcar no sangue, exames de coagulação e verificação dos níveis de complementos e anticorpos anti-ADN. É também imprescindível efectuar análises ao sangue enquanto se estiver a fazer terapia com agentes imunosupressores para garantir que os níveis de células sanguíneas produzidas pela medula óssea não atingem um nível muito baixo. Em termos ideiais, apenas um médico deve estar encarregue de supervisionar cada criança com lúpus, um reumatologista pediátrico. Conforme seja necessário, deve marcar-se consultas com outros especialistas: tratamento dermatológico (dermatologistas pediátricos), doenças do sangue (hematologistas pediátricos) ou doenças renal (nefrologistas pediátricos). Também se conta com a participação de assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais da área da saúde no tratamento de crianças com LES.

Por quanto tempo se manterá a doença?
O lúpus eritematoso sistémico caracteriza-se por um percurso alargado pelo período de muitos anos que é pontuado por surtos e remissões. Com frequência é muito difícil prever qual será o curso da doença num doente específico. Pode ocorrer um surto da doença a qualquer altura, seja espontaneamente ou como reacção a uma infecção ou a algum outro acontecimento que é possível identificar. Além disso, poderão ocorrer remissões espontâneas. Não há forma de prever a duração de uma crise quando esta surge, nem há qualquer outro modo de prever por quanto tempo se manterá a remissão.

Qual é a evolução da doença a longo prazo (prognóstico)?
O lúpus melhora significativamente com a utilização precoce e criteriosa de glucocorticosteróides e agentes imunossupressores. Muitos doentes com lúpus desde a infância passam muito bem. No entanto, a doença pode ser muito grave e pôr a vida em perigo, podendo acontecer que permaneça activa ao longo da adolescência e início da idade adulta.
O prognóstico de LES na infância depende da gravidade do envolvimento de órgãos internos. As crianças que tenham uma doença renal ou um envolvimento do sistema nervoso central significativos precisam de um tratamento agressivo. Em contraste, as erupções cutâneas ligeiras e a artrite podem ser controladas com facilidade. No entanto, o prognóstico para cada criança em particular é relativamente imprevisível.

É possível recuperar totalmente?
Se diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada numa fase inicial, a doença costuma acalmar e por fim entrar em remissão. Contudo, conforme já foi dito, o lúpus é uma doença crónica imprevisível e as crianças com um diagnóstico de LES normalmente continuam sob tratamento médico com medicação continuada. Com frequência, o lúpus eritematoso sistémico tem de ser seguido por um especialista para adultos quando o doente atinge a idade adulta.

De que forma pode a doença afectar o dia a dia da criança e da família?
Uma vez que a criança com lúpus esteja a ser tratada, poderá ter uma vida razoavelmente normal. Uma excepção será a exposição excessiva à luz do sol, que poderá despoletar ou fazer piorar o LES. Uma criança com lúpus não poderá ir à praia durante o dia nem sentar-se ao sol junto a uma piscina.
No caso das crianças com 10 anos e idades superiores, é importante que assumam um papel progressivamente maior na administração dos medicamentos e nas escolhas a efectuar no seu tratamento. As crianças e os pais devem ter consciência dos sintomas do LES para poderem identificar uma possível crise. Determinados sintomas como a fadiga crónica ou a falta de energia podem durar diversos meses após a ocorrência de um surto ou parecer que nunca deixam de existir.
Apesar destes factores debilitantes deverem ser tidos em conta, a criança deve ser encorajada a partilhar o mais possível das actividades dos seus pares.

E a escola?
As crianças com lúpus podem e devem frequentar a escola, salvo em períodos de actividade grave da doença. Se não existir envolvimento do sistema nervoso central, em geral, o lúpus não tem efeitos sobre a capacidade que a criança tem de aprender ou pensar. Com problemas de envolvimento do sistema nervoso central podem ocorrer situações de dificuldade de concentração e de memória, dores de cabeça e variações de humor. Nestes casos, têm de ser efectuados planos educativos.
No geral, a criança deve ser encorajada a participar em actividades extracurriculares compatíveis ao nível do que a doença permita que faça.

E o desporto?
Normalmente, as restrições à actividade geral são desnecessárias e indesejáveis. Deve encorajar-se as crianças a praticar exercício físico com regularidade, durante os períodos de remissão da doença. Andar, nadar, andar de bicicleta e outras actividades aeróbicas encontram-se entre os exercícios recomendados. Deve evitar-se o exercício exagerado. Durante as crises deve restringir-se o exercício físico.

E quanto à dieta?
Não há uma dieta especial que possa curar o lúpus eritematoso sistémico. As crianças com lúpus dever ter uma dieta saudável e equilibrada. Se tomarem glucocorticosteróides, devem ingerir comida com baixo teor de sal para ajudar a prevenir as subidas de tensão e com pouco açúcar para ajudar a prevenir o aparecimento de diabetes e o aumento de peso. Além disso, devem tomar suplementos de cálcio e vitamina D para ajudar a prevenir a osteoporose. Não está cientificamente provado que algum outro suplemento vitamínico seja útil no caso do LES.

O clima pode influenciar a evolução da doença?
É do conhecimento geral que a exposição ao sol pode levar ao surgimento de novas lesões cutâneas e a surtos de actividade da doença, no LES. Para impedir a ocorrência deste problema recomenda-se a utilização de protectores solares tópicos de protecção elevada em todas as partes expostas do corpo, sempre que a criança estiver ao ar livre. Lembre-se de aplicar o protector solar no mínimo 30 minutos antes de sair para que tenha tempo de penetrar na pele e secar. Num dia de sol, o protector solar tem de ser aplicado de 3 em 3 horas. Alguns protectores solares são resistentes à água, embora seja aconselhável voltar a aplicá-los depois de tomar banho ou ir nadar. Também é importante vestir roupa que proteja do sol, por exemplo, chapéus de aba larga e roupas de manga comprida quando ao ar livre, mesmo em dias nublados, uma vez que os raios UV conseguem penetrar com facilidade através das nuvens. Algumas crianças com lúpus têm problemas depois de estarem expostas a luz UV proveniente de lâmpadas fluorescentes, lâmpadas de alogénio ou ecrãs de computador. Os ecrãs com filtros UV são úteis no caso de crianças com problemas, quando utilizam um monitor.

A criança pode ser vacinada?
O risco de infecção aumenta no caso de uma criança com lúpus e a prevenção de infecções através da vacinação é especialmente importante. Se possível, a criança deve ter um plano regular de vacinação. Existe, no entanto, algumas excepções:
- As crianças com doença activa grave não devem receber quaisquer vacinas.
- As crianças que estejam a fazer terapia com imunosupressores e glucocorticosteróides não devem receber qualquer vacina com vírus vivos (p. ex. vacina contra o sarampo, a papeira e a rubéola, vacinas orais contra o poliovirus e a vacina contra a varicela). A vacina oral contra a poliomielite é contra-indicada igualmente para os familiares que vivam com uma criança que faça terapia com imunosupressores.
- Recomenda-se a administração da vacina antipneumocócita em crianças com lúpus e diminuição da função do baço.

E quanto à vida sexual, à gravidez e ao controlo de natalidade?
A maioria das mulheres com lúpus eritematoso sistémico pode ter uma gravidez segura e um bebé saudável. A altura ideal para engravidar seria quando a doença estivesse em remissão, sem qualquer medicação a não ser uma pequena dose de glucocorticosteróides (os outros medicamentos podem fazer mal ao bebé). As mulheres com LES podem ter dificuldade em engravidar devido à actividade da doença ou à medicação. O lúpus está também associado a um elevado risco de aborto espontâneo, parto prematuro e a uma anomalia congénita no bebé, conhecida como lúpus neonatal (anexo 2). As mulheres com um alto nível de anticorpos antifosfolípidos (anexo 1) são consideradas como tendo elevados riscos de uma gravidez problemática.
A própria gravidez pode fazer piorar os sintomas ou desencadear uma crise de lúpus, por isso todas as mulheres grávidas com LES devem ser cuidadosamente acompanhadas por um obstetra que esteja dentro do tema das gravidezes de alto risco e que trabalhe em conjunto com o reumatologista.
Os métodos de contracepção mais seguros em doentes com LES são os métodos de barreira (preservativos ou diafragmas) e os agentes espermicidas. As pílulas contraceptivas com estrogénio podem aumentar o risco de surtos em mulheres com lúpus eritematoso sistémico.

ANEXO 1.
Anticorpos antifosfolípidos

Os anticorpos antifosfolípidos são auto-anticorpos que agem contra os fosfolípidos (parte da membrana de uma célula) do próprio corpo ou proteínas que ligam o fosfolípidos. Os dois anticorpos antifosfolípidos mais utilizados são os anticorpos anti-cardiolipina e o lúpus anticoagulante. 50 % das crianças com lúpus têm anticorpos antifosfolípidos, mas a sua existência também se verifica em algumas outras doenças auto-imunes, em diversas infecções, bem como em crianças sem doenças que se conheça numa pequena percentagem.
Este anticorpos aumentam a tendência para a coagulação nos vasos sanguíneos e tem sido associado a uma série de doenças, incluindo trombose das artérias e/ou veias, contagens dos níveis de plaquetas anormalmente baixas (trombocitopenia), enxaquecas, epilepsia e veios de cor arroxeada na pele (livedo reticular). Um local comum de coagulação é o cérebro, o que poderá conduzir a uma trombose (acidente vascular cerebral). Entre os outros locais comuns dos coágulos incluem-se as veias das pernas e os rins. A síndroma antifosfolipídica é o nome dado a uma doença quando ocorreu uma trombose e há um exame positivo aos anticorpos antifosfolípidos.
Os anticorpos antifosfolípidos são especialmente importantes nas mulheres grávidas, pois interferem com a função da placenta. Os coágulos sanguíneos que surgem nos vasos placentários podem provocar aborto espontâneo prematuro, um baixo nível de crescimento fetal, preeclampsia (tensão alta durante a gravidez) e a existência de nados-mortos. Algumas mulheres com anticorpos antifosfolípidos podem também ter dificuldade em engravidar.
A maior parte das crianças com testes positivos de anticorpos antifosfolípidos nunca sofreu uma trombose. Actualmente, está a ser levada a cabo investigação quanto aos melhores tratamentos de prevenção para essas crianças. Hoje em dia, as crianças com anticorpos antifosfolípidos positivos e doença auto imune subjacente, tomam frequentemente baixas doses de aspirina. A aspirina age sobre as plaquetas de forma a torná-las menos agregáveis, reduzindo dessa forma a capacidade de coagulação do sangue. A gestão da doença mais adequada, nos adolescentes com anticorpos antifosfolípidos, inclui também evitar factores de risco como o consumo de tabaco e contracepção oral.
Quando é efectuado um diagnóstico de síndroma antifosfolípidos ( em crianças depois da ocorrência de trombose) o tratamento principal consiste em tornar o sangue mais diluído, o que em geral se obtém com um comprimido de nome varfarina, um anticoagulante. Este medicamento é tomado diariamente, sendo necessário análises sanguíneas regulares para garantir que a warfarina está a diluir o sangue a um nível adequado. A duração do tratamento com anticoagulante depende muito da gravidade da doença e do tipo de coagulação do sangue.
As mulheres com anticorpos antifosfolípidos que sofrem de abortos espontâneos recorrentes podem também receber tratamento, embora não com warfarina, pois esta possui o potencial de causar anomalias fetais, se tomada durante a gravidez. O tratamento das mulheres grávidas com anticorpos antifosfolípidos é efectuado com aspirina e heparina. A heparina tem de ser administrada todos os dias durante a gravidez, através de injecção subcutânea. Com a utilização destes medicamentos e com a supervisão atenta de obstetras, cerca de 80% das mulheres terão uma gravidez bem sucedida.

ANEXO 2.
Lupus neonatal
O lúpus neonatal é uma doença rara do feto, adquirida durante a gestação, através da passagem através da placenta, de auto-anticorpos específicos da mãe. Os auto-anticorpos específicos associados ao lúpus neonatal são conhecidos como os anticorpos anti-Ro e anti-La, que estão presentes em cerca de um terço dos doentes com LÚPUS ERITEMATOSO SISTÉMICO, embora muitas mães com estes anticorpos não tenham filhos com lúpus neonatal. Por outro lado, o lúpus neonatal existe nos filhos de grávidas sem lúpus.

O lúpus neonatal é diferente do LES. Na maioria dos casos, os sintomas de lúpus neonatal desaparecem espontâneamente quando a criança atinge os 3 a 6 meses de idade, não deixando quais quer sequelas. O sintoma mais comum é a existência de erupção cutânea, que surge alguns dias ou semanas após o nascimento, em especial depois de haver exposição à luz solar. A erupção cutânea do lúpus neonatal é transitória e, em geral, cura sem deixar cicratizes. O segundo sintoma mais comum é uma contagem anormal dos componentes do sangue, que raras vezes é grave e tende a resolver-se ao longo de diversas semanas, sem necessidade de tratamento.
Só muito raramente ocorre um tipo especial de anomalia do bater do coração, conhecida como bloqueio cardíaco congénito. Neste, o bébé tem uma pulsação anormalmente lenta. Esta anomalia é permanente e pode muitas vezes ser diagnosticada entre a 15ª e a 25ª semanas de gravidez, através do ultra-som cardíaco. Em alguns casos, é possivel tratar a doença no bébé ainda não nascido. Depois do nascimento, muitas crianças com bloqueio cardíaco congénito requerem a inserção de um pacemaker. Se uma mãe já teve um filho com este problema, há aproximadamente 10 a 15% de risco de ter outra criança com o mesmo problema.
As crianças com lúpus neonatal crescem e desenvolvem-se normalmente. Há apenas uma pequena possibilidade de virem a ter LÚPUS ERITEMATOSO SISTÉMICO numa fase mais avançada da vida.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Lula está construindo um gigante regional único, diz 'Newsweek'

Terra.com.br - 22 de abril de 2009


O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek.

"Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo.

Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente".

O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.

Poderio militar

A Newsweek observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre".

A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques".

O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos.

"Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a Newsweek.

Influência americana

A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana".

"Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."A

A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade".

"Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a Newsweek.

BBC Brasil - BBC BRASIL.com

Dilma Rousseff é a dama de ferro com os pés no barro

Le Monde
Jean-Pierre Langellier

Sobrenome: Rousseff; nome: Dilma; idade: 61 anos. Você não a conhece? Mas ouvirá falar dela, cada vez mais, até o fim de 2010, quando acontecerá a eleição presidencial no Brasil.

Há quatro anos ela detém o segundo cargo político mais importante do país: chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma espécie de primeiro-ministro não oficial. É uma função exaustiva ("Um Paris-Dacar a cada dia", ela diz), mas discreta, longe dos holofotes que se focam em Lula.

Uma discrição relativa, que já deveria ser tratada quase no passado. Pois Dilma, como muitos de seus compatriotas a chamam - evitemos "Dilminha", uma familiaridade que ela não aprecia muito - está se tornando a estrela política do Brasil.

Alan Marques / Folha imagem - 25.mar.2009
Dilma acena aos jornalistas ao chegar ao Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília

E isso, por uma razão muito importante. O presidente Lula, a quem a Constituição proíbe de disputar um terceiro mandato de quatro anos, a escolheu como sua princesa herdeira. A menos que aconteça algo inesperado, ela será a candidata em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980, e no poder graças a ele desde 2002. Imaginemos que Dilma seja eleita: uma mulher, pela primeira vez presidente, oito anos após a eleição de um operário. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só, e bom para a imagem da democracia brasileira.

Lula não possui herdeiro natural em um partido que ele domina com sua forte personalidade. A escolha de Dilma se impôs a ele aos poucos. É uma aposta segura. A futura candidata está na política desde sempre, e como! Ela é filha de um advogado comunista de origem búlgara. Esse intelectual bon vivant lhe transmitiu o gosto pela leitura e pelos cigarros. Ela tinha 15 anos quando ele morreu.

O golpe de Estado pelos militares em 1964 levou essa estudante idealista e determinada para o militantismo radical. Ela se juntou a uma organização que pregava a luta armada, casou com outro militante, de quem logo se divorciou, passou a estudar economia e mergulhou na clandestinidade após o endurecimento da ditadura no fim de 1968. Ela admirava Jean-Paul Sartre, os guerrilheiros vietnamitas e Fidel Castro. O encontro com um "velho" comunista de 31 anos, Carlos Araújo, que se tornaria seu segundo marido, a envolveu um pouco mais no combate.

Ela adotou nomes falsos, dos quais sua ficha de polícia ainda tem registro: Luiza, Estella, Marina. Aprendeu a manejar um fuzil, a fabricar explosivos ao mesmo tempo em que pregava a prioridade do trabalho político, da "luta de massa" sobre a ação militar. Ela não participou diretamente de nenhuma operação armada, mas esteve estreitamente associada à mais famosa delas: o roubo, no Rio de Janeiro em 1969, de US$ 2,5 milhões do cofre da amante de um ex-governador. Quando a polícia a deteve, em janeiro de 1970 em São Paulo, ela tinha uma arma em seu poder.

"Você não pode imaginar a quantidade de segredos que pode sair de um ser humano que é maltratado", ela confessou recentemente. Será que ela se referia a ela mesma? As testemunhas de então se lembram que, depois de sua detenção, ela enfrentou com coragem 22 dias de torturas. Ela só saiu da prisão quase quatro anos mais tarde: "Tive tempo suficiente para aprender a tricotar e fazer crochê".

Sua juventude agitada não causou nenhum arrependimento na ex-guerrilheira: "Nós éramos ingênuos e generosos. Queríamos salvar o mundo". Ela certamente mudou sua visão e seus métodos: "Aprendi a importância da democracia. Mas tenho orgulho de não ter mudado de lado".

Ela teve uma filha, Paula, se divorciou novamente em 2000, e no meio tempo teve uma brilhante carreira político-administrativa, especialmente como secretária de Minas e Energia em Porto Alegre. Lula, a cujo partido ela filiou-se tardiamente, lhe ofereceu o mesmo posto em nível federal antes de lhe confiar em 2005 a "Casa Civil", onde ela rapidamente adquiriu a reputação de uma "dama de ferro".

Seus trunfos? A inteligência, a força de trabalho, as qualidades como administradora. Seu defeito? Ela nunca passou pela prova das urnas. Sob aconselhamento e auxílio de Lula, seu principal defensor, Dilma Rousseff tenta se tornar conhecida. Ela põe "o pé no barro", como se diz aqui. Há vários meses ela está em formação pré-eleitoral acelerada. Ela acompanha com frequência o presidente em suas atividades oficiais, divide os palanques com ele, cede entrevistas à imprensa. Várias vozes do PT se puseram à sua disposição para tecer uma teia nacional.

Apesar da imensa popularidade de seu principal defensor, sua vitória em 2010 não é garantida. Ela terá como provável adversário um homem de peso, José Serra, governador de São Paulo e ex-rival de Lula nas urnas, derrotado em 2002.

Como é de se esperar no Brasil, paraíso da cirurgia estética, Dilma já mudou de visual. Alguns golpes estratégicos de bisturi rejuvenesceram e suavizaram seus traços. Ela perdeu 10 kg, adotou um penteado mais moderno e mais ruivo, substituiu seus óculos de míope por lentes de contato. Ela cuida de sua maquiagem, sorri com mais frequência e usa palavras mais simples em público.

O "produto" Dilma logo estará pronto para venda. Lula lhe deixou de herança seu velho slogan de campanha, que já se ouve nos comícios do PT: "Brasil! Urgente! Dilma presidente!"

Tradução: Lana Lim
Fonte: UOL

Quarta-feira, Abril 22, 2009

The Crafty Superpower

By turns charming and cagey, cool to America and close to Obama, Lula is building a unique regional giant.

Terça-feira, Abril 21, 2009

Sálvia, a nova maconha que vem preocupando políticos nos EUA

Publicada em 12/03/2008 às 09h06m
O Globo Online

RIO - Especialistas alertam: a sálvia está prestes a se tornar a nova maconha. De acordo com reportagem do jornal O Globo, a erva vem sendo consumida por jovens americanos como droga e revelou-se um potente alucinógeno. Já existem, inclusive, diversos projetos de lei em vários estados americanos que visam a proibir o seu uso. Em alguns lugares já há restrições ao porte previstas em lei.

A salvia divinorum, cultivada no México, em geral é fumada como a maconha, mas também pode ser mascada ou bebida como infusão. Também chamada Sally-D, a erva é um alucinógeno que provoca sensação de estar fora do corpo, viajar pelo tempo e o espaço e de interação com objetos inanimados. Mas, diferente de outros alucinógenos, como o LSD, os efeitos da sálvia duram menos tempo, geralmente não mais de uma hora.

As propriedades alucinógenas da aparentemente inofensiva erva vem sendo compartilhadas pelos usuários em sites na internet. Cientes de que as autoridades estão de olho no movimento, vários sites dedicados a alardear as propriedades não culinárias da sálvia estão alertando os consumidores: "Resta muito pouco tempo, façam seus estoques enquanto é possível."

Os legisladores se mostram preocupados que essa erva barata e fácil de ser encontrada se converta, rapidamente, numa nova maconha. Em oito estados americanos já há restrições à sálvia e outros 16, entre eles a Flórida, consideram a hipótese de proibí-la.

- Enquanto tornamos uma droga ilegal, os jovens imediatamente começam a buscar por outras que possam comprar legalmente. Esta (a sálvia) é claramente a próxima - afirmou a deputada estadual pela Flórida Mary Brandenburg, que apresentou um projeto de lei para penalizar a posse de Sálvia com até cinco anos de prisão.

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/03/12/salvia_nova_maconha_que_vem_preocupando_politicos_nos_eua-426191436.asp


http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/6250316.jpg

Sexta-feira, Abril 17, 2009

O tapa coletivo nos professores, por Rene Luiz Göellner*

Ultimamente, a violência no sistema escolar tem chocado a sociedade. O que parecia ser simples espasmos decorrentes de fatos extraordinários, hoje é tema das conversas cotidianas. Quando o discurso corrente levanta a máxima de que apenas a educação pode salvar o mundo, a agressão aos professores figura como uma estaca no coração da esperança coletiva.

O aluno “agressor” constitui a exceção perto dos alunos não agressores. O problema que as exceções se repetem com mais frequência e as mesmas exceções se prestam para generalizações infundadas tipo “os alunos de hoje são violentos”.

Outro risco é o de que a disseminação do tema se banalize e não surpreenda mais, deixando de abrir um debate que viabilize planos de ação.

A temática parece ficar circunscrita às agressões físicas e aos traumas psicológicos decorrentes dela. Entre socos, pontapés, ocorrências policiais e tratamentos psiquiátricos apenas a relação professor/aluno é desvelada.

A educação passa por uma séria crise de legitimação em que as batalhas viscerais entre alunos violentos e professores mal pagos são uma consequência. Entre os vários fatores responsáveis pela origem da guerra, encontram-se a falta de perspectivas futuras dos alunos e o aumento da violência urbana. A emergência de outras fontes de informação, entre as quais a TV e a internet, que destitui a escola (e o professor) do papel enquanto o mais importante “templo” do saber, também influencia.

Não é possível esquecer que a educação, para alguns governos e instituições privadas, converteu-se em um “meio” e não um “fim”. Significa que educar pode ser menos importante do que os números de votos ou do que os lucros que uma instituição pode ter. Cria-se uma relação que transforma o professor em refém, desvalorizando-o. Até que ponto o professor pode recriminar o aluno que se excede, reprovar aquele que não estudou e se impor diante uma turma “fora de controle”?

As questões são provocativas e devem ser lidas como uma mudança de foco de atenção no aluno agressor. Mesmo que este seja o responsável, talvez ele não seja o único culpado, pois, afinal, os professores estão recebendo um grande tapa coletivo em que nós somos autores.

Você concorda com o fato de que um aluno deve ser reprovado por ter sido pego colando na prova? E se este aluno fosse o seu filho? E, se seu filho tivesse que repetir o ano letivo e você tivesse que sustentá-lo por mais um ano? Você manteria o seu filho na mesma instituição de ensino? O que você falaria do professor que fez esta “maldade” com ele? Você enviaria para ele uma maçã no dia dos professores?

* Diretor acadêmico da ESPM-RS e doutor em comunicação
Fonte: ZeroHora

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Mais uma Disciplina? E Como fica a Aprendizagem?

Após os 13 anos da promulgação e vigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei n.º 394/96, o texto ainda continua em discussão pelos diversos órgãos governamentais, conselhos profissionais e entidades de ensino. O que é de se esperar, pois a educação é dinâmica, está sempre conectada com as exigências das evoluções e transformações sociais, que a cada dia são mais e mais rápidas. E essas discussões trazem em seu bojo o sempre argumento da importância do assunto para o desenvolvimento da formação cidadã.


Temos no Brasil uma infinidade de legisladores com a responsabilidade de fazer as leis (senadores, deputados federais e estaduais, vereadores); os que devem regulamentá-las (Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais de Educação); Ministério da Educação, Secretarias Estaduais e Municipais de Educação responsáveis pela execução e cumprimento do texto legal. E na ponta, os braços das Secretarias Estadual e Municipal de Educação, os Núcleos de Ensino (no Estado do Paraná), responsáveis para orientar e fiscalizar se as leis estão sendo cumpridas.


Pelo número de pessoas e interesses envolvidos nesses diversos níveis, pode-se imaginar a escola, na ponta, ou ainda o diretor da escola responsável pelo fiel cumprimento do que foi homologado e sancionado pelo poder executivo. Na verdade, os políticos, e aí podemos incluir todos os envolvidos nesse processo, pois ou são eleitos pelo voto ou são indicações políticas, acreditam que com a edição de novas leis, regulamentos, normas e exigências a qualidade da educação vai melhorar e estarão atendendo adequadamente esse dinamismo, característico do século XXI.


A inclusão de novas disciplinas vem nesse caminho, em função de pressões políticas dos grupos interessados em priorizar o que acreditam importante para a formação de nosso aluno cidadão. De tempos em tempos alguma nova disciplina ou novos conteúdos devem ser contemplados como obrigatórios nos currículos escolares, com os mais variados argumentos e sempre muito bem embasados da importância para o desenvolvimento dos alunos e futuros adultos.


Nessa linha vem as disciplinas incluídas como obrigatórias na educação básica, como Sociologia, Filosofia, Espanhol, e conteúdos específicos como: Música, Direitos da Mulher, História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena. Evidencia-se a importância desse novo olhar para conquistas bravamente defendidas e a coerência em contemplá-las no novo currículo escolar.


Está posto na LDBEN e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) que a escola ao elaborar sua proposta pedagógica inclua esses conteúdos no seu currículo e ainda a legislação apregoa a autonomia da escola na elaboração de sua proposta pedagógica desde que seguindo a legislação vigente supra citada.


Nada impede uma escola de educação básica incluir em sua proposta pedagógica como atividade de produção de texto, o conteúdo de filosofia, que de forma direta estaria ensinando o aluno a ler, escrever e transversalmente o conteúdo de Filosofia ou Sociologia; essa mesma dinâmica pode ser aplicada para os outros conteúdos como Música, Direitos da Mulher, História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena, como o texto legal assim dispõe.


Mas aqui vai um ponto que deve ser considerado: o chão da escola, a realidade do dia a dia da escola do Sul ao Norte, desse grande país chamado Brasil. O que temos enquanto realidade são os resultados do IDEB, que refletem que o trabalho ainda é muito árduo para que sejam alcançados índices satisfatórios na Educação Básica.


É urgente que o básico seja concretizado, que o aluno saiba ler, escrever, raciocinar, resolver problemas, seja literalmente alfabetizado. E são raras as escolas de tempo integral que possam dar a tão sonhada educação integral. Com a inclusão dessas disciplinas ou conteúdos específicos nossos legisladores criaram muitas dificuldades para os mantenedores, sejam eles particulares ou públicos, por não existirem profissionais graduados em número suficiente para atender essa demanda, pois ao se incluir uma nova disciplina, a lei exige que o professor tenha graduação específica para a área de atuação.


A disciplina de Espanhol, por exemplo, obrigatória a partir de 2010; a dificuldade é grande na sua implementação por falta de profissionais licenciados para atender a demanda. Por outro lado, para incluir uma disciplina a escola é obrigada a retirar outra por questão de tempo de duração das aulas e número de aulas semanais traduzido pela grade curricular (o número de aulas que são possíveis ministrar num turno, por exemplo: das 07h30 às 12h00, são ministradas 5 aulas que multiplicadas por 5 dias somam-se as 25 aulas semanais). E qual resultado teremos com uma aula semanal? E essas muitas vezes fragmentadas. Na disciplina de Artes, duas vezes por semana, várias linguagens artísticas são trabalhadas. O conteúdo de música estará diluído entre os outros conteúdos, e será trabalhado de forma tão diluído e fragmentado, que simplesmente constará. Veja o caso da Língua Inglesa, obrigatória em toda a educação básica; que tal tentar estabelecer um diálogo mínimo com nossos jovens de 13 anos?


Para finalizar, pois o assunto é polêmico e merece um Fórum de discussão, gostaria que os legisladores tentassem entender como funciona uma escola. Vale uma visita pelo menos uma vez por mês em uma escola passando o dia todo, acompanhando o andamento de uma escola de educação básica em qualquer lugar do Brasil. Tenho certeza, farão leis mais reais e talvez consigam entender: o que é importante para a qualidade da educação do Brasil não são novas leis, mas realmente fazer cumprir o que já existe.


Ademar Batista Pereira

Presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná - SINEPE/PR

Quinta-feira, Abril 09, 2009

Lógica? por Sírio Possenti De Campinas (SP)

Uma repórter que entrevistou Lula em Londres começou pedindo desculpas por ter olhos azuis. Foi sem dúvida uma boa sacada para provocar o presidente ou para fazer rir, mais precisamente, rir dele, talvez acuado. Mas a pergunta revelou também um erro de lógica. Exatamente como o do "ítalo-descendente de pele branca e olhos claros" que entrou com um pedido de explicação no STF "contra" o presidente, por causa de sua declaração culpando a "gente branca de olhos azuis" pela crise. Clóvis Victorio Mezzomo afirma que se sentiu pessoalmente ofendido... (Folha de S. Paulo, 4/4/2009, p. B10).


Freud não disse que toda frase curta é um chiste.

Alguns leitores cometeram a mesma falácia em mensagens que me mandaram pelo e-mail que Terra Magazine fornece para os que querem me desancar ou, eventualmente, manifestar concordância. Diziam que eram brancos etc. e que se sentiram ofendidos. Como se Lula tivesse se referido a eles.

Uma das "técnicas" que se aprendem já no segundo dia das aulas de lógica é que uma coisa é dizer, por exemplo, que "todos os cariocas são brasileiros" e outra que "todos os brasileiros são cariocas". A segunda sentença ou proposição não se deduz da primeira, porque não se pode concluir mais de menos. É que o predicado de uma afirmativa não é universal, ou distribuído, mas sim particular. Portanto, quando a sentença é convertida e ele vai para a posição de sujeito, não pode ser universal (todos); só pode ser particular (alguns). "Os cariocas são brasileiros" significa "todos os cariocas são alguns dos brasileiros". Depois, aprende-se que isso se chama de falácia do consequente ("se o carioca é brasileiro, então o brasileiro é carioca" seria um exemplo dessa falácia).

Voltando à declaração de Lula: convertida em uma sentença com formato das que estão nos silogismos, ele teria dito que "todos os responsáveis por essa crise são brancos de olhos azuis", e não que "todos os brancos de olhos azuis são responsáveis por essa crise". Ou seja, que alguns brancos de olhos azuis são responsáveis - os banqueiros, os Madoffs etc. Pretender fazer parte desse grupelho é erro de lógica ou pura pretensão? Não sei o que é pior.

Aparentemente, ninguém mais estuda isso na escola, uma lástima. Um dia tive que fazer longo exercício de paciência diante de um interlocutor que lera em Freud que os chistes são breves e insistia em achar que todas as suas frases curtas (breves) deveriam ser chistes, como se Freud tivesse escrito que tudo o que é breve é chiste. Uma boa piada.

Ah, sim, como Lula também não deve ter estudado lógica, já que foi por pouco tempo à escola e a que mais frequentou era uma que formava torneiros mecânicos, embora tenha se dado melhor como orador (os oradores são cheios de falácias), respondeu à moça gentil e sorridente, sem esculachar sua falta de lógica. Talvez por não saber nada disso. Talvez por causa dos olhos dela.

Alguns leitores acharam que defendi Lula quando disse que a expressão que empregou não é racista. O texto pode ter soado assim a certos leitores, mas não é o que está escrito. Pelo menos, se o texto for lido logicamente. O que eu disse é que se costuma analisar de forma equivocada muitas das falas de Lula, como se não fosse ele o pouco escolarizado, mas sim os analistas. Diz-se que fala por metáforas quando se vale de comparações ou de metonímias, que acusou todos os brancos, quando não foi o caso etc.

E assim se comete outro erro de lógica, outra falácia: toma-se a crítica das análises erradas como se fosse uma defesa das declarações de Lula e até de suas ações de governo. Um leitor, para mostrar que eu estava errado defendendo o Lula apelou para as manifestações do MST, que o presidente deveria reprimir... E eu falei disso?

Deveríamos ler pelo menos o velho Aristóteles. Também sua Retórica, é claro. Ou mesmo algum manual com a lista das falácias mais comuns. Seria bem mais útil do que uma lista de regras gramaticais.

Fonte:Sírio Possenti De Campinas (SP), Terra

Quarta-feira, Abril 08, 2009

"Olhe para Brasília, não para Pequim", diz artigo no 'WSJ'

Um artigo de opinião publicado na edição desta quarta-feira no jornal americano Wall Street Journal destaca que o maior desafio imposto à atual ordem econômica mundial está emergindo do Brasil, Índia e África do Sul, o trio de países que integram o grupo Ibas, e não da China como muitos pensam.

O texto intitulado "Olhe para Brasília e não para Pequim", de autoria do cientista político Bruce Gilley, ressalta que, ao contrário do que se pensa, as ameaças ao liberalismo global não estão surgindo de regimes repressivos, como a China, mas dos países do Ibas, "ostentadores de credenciais democráticas impecáveis e de grande peso no cenário internacional".

Gilley lembra que estes três países, através da coordenação de suas políticas externas, têm conseguido formar uma "quase aliança" que poderá ter sérias implicações para o sistema internacional e para o seu principal financiador, os Estados Unidos.

Ele acrescenta que um das consequências involuntárias da ação coordenada do Ibas é criar um obstáculo às pretensões da China de se tornar uma potência global. Para ele, a atuação conjunta destes três países nos grandes fóruns internacionais tem impedido que a China se projete como representante dos países em desenvolvimento.

Segundo o artigo, o Ibas afirmou sua presença no cenário internacional ao conseguir, em 2003, convencer 21 países em desenvolvimento a impedirem um acordo na cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancun, que previa a concessão de subsídios agrícolas para produtores de países ricos.

"Isto pode trazer benefícios para reformas domésticas na China, que têm sido atrofiadas pelas ambições de poder do país", completa Gilley.

Após muito relutar, a China aderiu à coalizão de países em desenvolvimento encabeçada pelo Ibas, mas desde então manteve-se afastada do grupo, afirma Gilley.

Ideais democráticos


Para o autor, algumas razões mantêm a China de fora do Ibas. Uma delas é que o país é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, o que o coloca em rota de colisão com as aspirações do Brasil, Índia e África do Sul, defensores de uma reforma que amplie a instituição para melhor refletir as posições dos países mais pobres.

Mas, segundo o artigo, o principal motivo que deixará a China à margem do grupo reside no fator "imutável" de que o país não é uma democracia.

"A democracia está no centro de todos os propósitos do Ibas", afirma o artigo. "Trata-se de uma aliança que procura usar idéias democráticas para reformar a ONU e outras instituições internacionais para possam melhor atender aos países pobres".

Na avaliação do autor, a razão pela qual isto deve funcionar é que, enquanto democracias, estes países tem "a estatura moral no sistema internacional para atingir seus objetivos".

"E onde a China se encaixa neste contexto?", indaga o autor. "Provavelmente se perguntando por que mais uma vez um século que se anunciava como seu tenha ficado para trás".

Para os reformadores chineses, "isto pode ser uma boa notícia porque poderão apontar a democracia como uma pré condição para respeitabilidade internacional", diz o artigo.


Fonte: TERRA


Sábado, Abril 04, 2009

Internacional comemora 100 anos de glórias e títulos

Diretoria planeja eventos até o fim do ano para celebrar trajetória vitoriosa dentre os clubes brasileiros

Giuliander Carpes - O Estado de S. Paulo



Toru Hanai/Reuters
Meia Fernandão segura o troféu de campeão do Mundial de Clubes da Fifa, em 2006, no Japão

PORTO ALEGRE - Na noite de sexta, milhares de torcedores do Internacional se reuniram no Estádio Beira-Rio para esperar o primeiro minuto deste sábado, 4 de abril de 2009. Hoje, o colorado gaúcho comemora sua entrada no seleto grupo dos clubes centenários do Brasil. Sobram motivos a celebrar. A própria torcida estufa o peito para dizer: "O Inter é campeão de tudo."

O título da Copa Sul-Americana do ano passado era o único que faltava para garantir ao colorado tal distinção. Desde 4 de abril de 1909, o Inter conquistou todos os troféus que um clube de futebol pode almejar. Foram anos de espera, com algumas tentativas frustradas, até fazer jus ao próprio nome e conquistar um Mundial, em 2006.

"Os colorados jamais vão esquecer dessa conquista e, com certeza, lembram do jogo assim como eu", afirma Fernando Carvalho, presidente do clube naquele ano. Além dessas duas taças, o Inter venceu 38 Estaduais, 3 Brasileiros, 1 Copa do Brasil e 1 Copa Libertadores.

A contagem regressiva para o centenário foi apenas o primeiro passo da festa que vai durar o ano inteiro. Está programado, entre outros eventos, um jantar hoje à noite para 3 mil convidados e shows com Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila para dezembro.

Mas toda a celebração não deve atrapalhar o futebol. Ao menos é isso o que a direção colorada planeja. Nada de investimentos exacerbados pelos 100 anos. O que o Inter quer, de verdade, é outro título nacional e voltar à Libertadores no ano que vem. "No Brasil, há o estigma do mal do centenário. Muitos clubes caem ou quase caem para a Segunda Divisão nesse ano. Estamos atentos a isso e não vamos tirar recursos do futebol para as comemorações", garante o vice-presidente de marketing, Jorge Avancini.

O torcedor não há de se importar em poupar energia para voltas olímpicas. Depois da conquista do Mundial, 2007 e 2008 foram anos de intenso júbilo e orgulho para a metade vermelha do Rio Grande do Sul.

Tanto que o Inter é hoje o clube com mais associados na América Latina - cerca de 80 mil. A alegria incontida chegou a prejudicar o futebol. A temporada seguinte ao maior título da galeria colorada foi um rotundo fracasso, mesmo com a manutenção da equipe-base que trouxe o troféu de Yokohama.

Depois de uma reformulação do elenco - em que saíram ídolos campeões mundiais, como Fernandão, Iarley e Pato -, o Inter aposta agora na técnica do argentino D’Alessandro ao lado de Nilmar, Taison, Guiñazu e companhia para voltar a vencer um Campeonato Brasileiro, o que não consegue desde os tempos de Falcão, em 1979.

PORTO ALEGRE
A rivalidade com o Grêmio explica desde o surgimento até o sucesso do Colorado. O Internacional não existiria hoje se não houvesse o arquirrival. Isso porque os fundadores do clube vermelho, os irmãos italianos José e Henrique Poppe, recém-chegados de São Paulo, não foram aceitos no tricolor, um clube mantido por e para alemães.

Resolveram, então, fundar seu próprio time, o mais democrático que uma agremiação da época poderia ser. Para provocar - a prática vem de longe - o lado azul, dois negros, que não poderiam se filiar ao Grêmio, ainda assinaram a ata de fundação do Sport Club Internacional no dia 4 de abril de 1909.

Mas a pretensão de se contrapor ao Grêmio só tomaria corpo muitos anos depois. O Inter só tomaria a dianteira do clássico Gre-Nal 36 anos mais tarde, com um time apelidado pela torcida como "Rolo Compressor". No clássico de número 89, em 30 de setembro de 1945, venceu o jogo por 4 a 2 e superou o adversário: 38 vitórias contra 37.

Dali em diante o lado azul do Rio Grande penaria em segundo plano na história dos clássicos. A estatística atual comprova. O Inter venceu 140 jogos contra os arquirrivais, enquanto o Grêmio conquistou 118 vitórias.

Tal vantagem foi construída em boa medida nos anos 70. O Inter acabara de levantar seu estádio e tinha um time cujo maestro havia ajudado a colocar os tijolos no Beira-Rio: Paulo Roberto Falcão. Ao lado de Figueroa, Carpegiani e outros craques, o camisa 5 levantou os três primeiros títulos nacionais do Rio Grande do Sul, em 1975, 76 e 79 - este último invicto. "É uma conquista que poderá ser igualada, mas nunca superada", disse o volante à época.

Falcão foi embora no final de 1980 e os colorados viram, com desgosto, a gangorra virar para o lado gremista - comenta-se, no Estado, que quando um dos times vai bem, o outro amarga maus resultados.

Durante os anos 80 e 90, o Inter mostrou resistência apenas com o vice do Brasileiro, em 1988 (bateu o Grêmio na semifinal, no "Gre-Nal do Século") e o título da Copa do Brasil em 1992. E recuperou a hegemonia nos anos 2000, culminando com o Mundial de 2006.

ASCENSÃO DO CLUBE DO POVO
Não faltam glórias ao colorado gaúcho. E, claro, jogos marcantes, com gols que ainda hoje são capazes de arrepiar o torcedor do Inter - mesmo que não tenha presenciado a jogada.

Como não se emocionar ao reviver o gol do zagueiro Figueroa na final do Campeonato Brasileiro de 1975 contra o Cruzeiro? Os mais de 82 mil torcedores que estavam no Beira-Rio naquele 14 de dezembro não podiam acreditar no que viam. Dom Elias, como era chamado, subiu em meio aos defensores mineiros e tocou a bola no único ponto iluminado do estádio naquele fim de tarde: 1 a 0, e o 1º título nacional do Clube do Povo.

Um ano mais tarde viria o bicampeonato. Mas o jogo mais marcante foi na semifinal, contra o Atlético-MG. Os mineiros marcaram primeiro, mas sofreram o empate no segundo tempo. Quando o jogo se encaminhava para a prorrogação, Escurinho e Falcão trocaram passes de cabeça desde a intermediária até o volante concluir para as redes: um dos gols mais bonitos da história do Brasileiro. Na final, o Inter bateu o Corinthians, por 2 a 0, e coroou a campanha.

Em 1979, depois de ser preterido por Brandão na convocação do Brasil para a Copa do Mundo de 78, Falcão arrasou. Na semifinal contra o Palmeiras marcou dois gols na vitória por 3 a 2. Os palmeirenses disseram: "Não perdemos para um time, perdemos para o melhor jogador do mundo."

Em fevereiro de 1989, Inter e Grêmio fizeram o Gre-Nal do Século, pela semifinal do Brasileiro de 88. O Colorado venceu por 2 a 1 num clássico memorável, cheio de brigas e provocações. Os azuis saíram na frente, mas os donos do Beira-Rio viraram com Nilson.

Em 2006, o colorado mais otimista ainda duvidava que o Inter pudesse ser campeão mundial sobre o estelar Barcelona. Mas Adriano Gabiru marcou o gol do jogo e trouxe para Porto Alegre a taça mais valorizada pelo lado vermelho do Rio Grande do Sul.

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Inter centenário!



Amanhã, o Inter completa seus primeiros 100 anos.

Para muitos pelo Brasil afora, o Colorado nasceu em 1975, dos pés de um Falcão.

Mas é claro que já existia antes, e como!

Só que aquele time, campeão brasileiro, chamou a atenção do país inteiro.

Aquele time, que foi bi no ano seguinte e tri, invicto, em 1979.

Mas Falcão voou para ser Rei de Roma.

E o belo Gigante da Beira-Rio deu uma adormecida.

O sono dos justos, talvez.

Afinal, a tarefa no Século 20 já estava bem cumprida.

Além de chamar a atenção para si, o Inter avisou que o futebol do Rio Grande não perdia para o de nenhuma região do país.

Neste Século 21, porém, o Inter resolveu voltar a dar, plenamente, o ar de sua graça.

O tetra brasileiro de 2005 só não veio por causa do escândalo do apito, mas, melhor que isso, a Libertadores veio no ano seguinte.

A Libertadores?

Não só, não só!

O poderoso Barcelona sentiu na pele o que é decidir um Mundial da Fifa com o Colorado, aqui ou no Japão.

Porque este clube centenário, que implantou para valer o sócio-torcedor, é também do mundo campeão.

Parabéns, Inter, vermelho como nosso coração.

Fonte: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/