Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Ranking das cassações do TSE, partido por partido (2009)


DEM = 69 (20,4%)
PMDB = 66 (19,5%)
PSDB = 58 (17,1%)
PP = 32 (10,1%)
PTB = 24 (7,1%)
PDT = 23 (6,8%)
PR = 17 (5%)
PPS = 14 (4,7%)
PT = 10 (2,9%)
PSB = 7 (2,1%)

Lula: ESTADISTA GLOBAL

 Kofi Annan, ex secretario general de las Naciones Unidas (entregó el galardón de "estadista global" al presidente de Brasil)

"Su camino desde una infancia de pobreza hasta ser un estadista respetado en todo el mundo es destacable y debe inspirarnos a todos, porque además lo ha hecho con su lucha contra las desigualdades de su país y del mundo", afirmó Annan, quien agregó: "Bajo la égida de Lula, Brasil se ha convertido en un país más próspero, más igualitario y más saludable" 

Fonte: CLARIN

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

A mídia novamente ...

Piada antiga, sempre atual, com personagens do dia: 

Fidel Castro e o Papa passeiam de iate no mar em frente a Havana. De repente, o solidéu do Papa cai no mar, arrastado pelo vento. Sem pensar duas vezes, Castro se lança à água para resgatá-lo e comprova, surpreso, que pode caminhar sobre as ondas sem afundar. Versões jornalísticas do fato:

Manchete do GRAMMA: Fidel es Diós

Manchete do L´OSSERVATORE ROMANO: Milagro del Papa

Manchete de EL NUEVO HERALD / THE MIAMI HERALD: Castro no sabe nadar




Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Pensamento do dia

"Deixem a China dormir, pois se ela acordar, o mundo vai tremer."
(Napoleão, 1808)

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Davos chama Lula de “Estadista Global”. FHC é “estadista da Globo”

Davos chama Lula de “Estadista Global”. FHC é “estadista da Globo”


Da série “Agora ele corta os pulsos”
Da série “Agora ele corta os pulsos”

Fonte: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=25882
O Conversa Afiada reproduz o comentário do amigo navegante Orlando:

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

O neoliberal anti-Lula da "Newsweek"


Mac Margolis, correspondente de "Newsweek" no Brasil há mais de 25 anos, é tido como competente mas seu trabalho talvez seja afetado por ligações próximas com a oposição do PSDB. Mesmo com o mérito de nunca ter descido ao nível de um Larry Rohter, deixou-se conquistar pela rendição do governo FHC ao neoliberalismo econômico, ainda hoje a referência maior do jornalismo dele. Agora, no entanto, um ativo crítico de mídia dos EUA, Peter Hart, da revista "Extra!" submeteu o trabalho de Margoris a uma análise séria e rigorosa. O resultado foi uma crítica demolidora. O artigo é de Argemiro Ferreira.

Data: 08/01/2010
 
Como profissional experiente da mídia corporativa, Margolis frequenta nossa elite branca e teve acesso privilegiado ao governo anterior e seus ministros. Um destes, Roberto Muylaert, à época em que deixou a Secretaria de Comunicação da presidência passou a tê-lo como colaborador fixo em publicação largamente contemplada pela publicidade oficial. Além dessas relações, identificava-se com a política de privatizações e seu patrocinador FHC.

Agora, no entanto, um ativo crítico de mídia dos EUA – Peter Hart, da revista "Extra!", publicada pela organização FAIR (Fairness & Accuracy in Media, Honestidade e Precisão na Mídia) – submeteu o trabalho de Margolis, tão prodigamente premiado aqui pelo alinhamento ao neoliberalismo e até ao Consenso de Washington, a análise séria e rigorosa. E com uma visão de esquerda.

O resultado foi uma crítica demolidora – apesar de Hart, aparentemente, nada saber sobre a intimidade promíscua de Margolis com os ressentidos ex-detentores do poder no Brasil, alijados pelo voto popular depois da compra de votos no Congresso que permitiu a reeleição em 1998. A análise na "Extra!" deu-se ao trabalho de cotejar os textos do correspondente nos últimos anos.

Consenso de Washington salvou o Brasil?
Se a crítica ao menos tornar o jornalista de "Newsweek" mais cuidadoso já terá valido a pena: ele estava acostumado demais aos encômios ouvidos dos tucanos. Ao contrário de Merval Pereira, que recebeu o prêmio Moors Cabot em 2009 (a pretexto de ter “combatido valentemente a ditadura militar”, coisa que seu jornal na verdade nunca fez), Margolis pode até ter merecido o mesmo prêmio em 2003 por razões sólidas.

O correspondente tiraria proveito das críticas se tentasse distanciar-se mais dos aduladores tucanos – sempre à procura de jornalistas estrangeiros para convencê-los (em inglês: odeiam falar português) sobre méritos do governo FHC, que encaram como injustiçado. Ao exaltarem, por exemplo, a onda de privatizações selvagens, só teriam um ponto: foi ruim para o país, mas as comissões eram polpudas.

Na reportagem de capa de "Extra!", Hart é minucioso na análise dos textos de Margolis no período dos dois mandatos do presidente Lula. Expõe seu caráter tendencioso e preconceituoso – sempre na linha neoliberal que certamente soava como música aos ouvidos dos editores em Nova York. Chega ao extremo de afirmar, com todas as letras, que o Brasil foi salvo pelo Consenso de Washington.

O antetítulo do texto (“Meet Mac Margolis, their man in Latin America”, Conheça Mac Margolis, o homem deles na América Latina), é seguído pelo título em corpo maior, “Newsweek’s Name-Calling Neoliberal”, O neoliberal desbocado da Newsweek. A ilustração principal é uma capa-paródia da revista com a caricatura de Hugo Chávez à frente dos três que seriam seus inspiradores: Hitler, Mussolini e Stalin. Título: “Difamando a esquerda da América Latina”.

Será Oliver Stone a Riefenstahl de Chávez?
Quem comparou Chávez a três ditadores de uma vez foi Margolis, induzido pela própria inclinação ideológica, numa reportagem leviana publicada a 2 de novembro. Ali fazia piadas sobre a criação na Venezuela de uma produtora pública de cinema, com estúdio e tudo: “Como Mussolini e Stalin antes, o presidente Chávez criou seu próprio estúdio de cinema”. O objetivo, sugeriu, é a propaganda deslavada.

Escreveu ainda o corresponente em novembro: “Como os autocratas do século 20 que procura imitar, Chávez é fascinado pelo poder do cinema. Desde que Hitler voltou-se para Leni Riefenstahl os ditadores têm sonhado em ganhar a força épica da tela grande para seu script político. Com a Villa del Cine, posicionou-se, conscientemente ou não, como herdeiro dos totalitários maiores do século 20”.

Para Hart, não há muitas evidências de que as instalações de edição e os estúdios da Villa del Cine são passos iniciais rumo ao fascismo. Se fossem, observou ainda, o National Film Board do Canadá já teria há muito tempo empurrado esse país vizinho dos EUA para o Gulag. Mas Margolis prefere carregar nas tintas contra Chávez, crítico feroz do neoliberalismo e da retórica submissa ao poder das corporações.

Em plena crise financeira que golpeou o mundo graças à irresponsabilidade de Wall Street e dos bancos que criaram a bolha imobiliária, Margolis continuava fiel, em julho de 2009, ao desastroso rumo neoliberal. Escreveu: “Apesar do Consenso de Washington ter salvado sua economia, o Brasil hoje tenta enterrar a agenda ‘neoliberal’ das reformas de mercado, que nos anos 1990 impulsionaram os países em desenvolvimento.”

A afirmação é ainda mais insólita se for levado em conta o sucesso do governo Lula naqueles dias, a ponto de tornar o Brasil o primeiro país a sair da crise. Mas Margolis reclama mais privatizações. E acrescenta: “Não é a América Latina que precisa ser resgatada nos destroços das reformas de mercado. São as reformas que precisam ser resgatadas na América Latina”.

“Esses latinos contra o livre comércio?”
Hart registra com sarcasmo a enorme arrogância do comentário, que beira a desfaçatez. E sugere o que passa pela cabeça de Margolis – “Esses latinos babacas acham que vão desacreditar o livre mercado?” Na tentativa de explicar que o Consenso de Washington funcionou, disse Hart, não eram as reformas de mercado que tinham precisado de socorro. Assim o próprio Margolis escrevera em junho:

“Uma das explicações (…) para a atual trapalhada na América Latina tem como alvo o evangelho das reformas de livre mercado pregadas na década de 1990 pelos ‘pundits’ em Washington e ‘magos’ em Wall Street. Críticos do chamado Consenso de Washington argumentam que os frutos da estabilidade deixaram de alcançar as massas. Ao arranharem a superfície, o quadro pareceu mais complexo.

Através da América Latina, a mortalidade infantil tinha caído drasticamente, enquanto a alfabetização e a expectativa de vida tinham chegado às alturas, até na empobrecida Bolívia. Matrículas em escolas primárias e acesso à água potável e à eletricidade estão subindo. Mais cidadãos envolvem-se agora na política do que em qualquer época: indígenas já constituem 30% do Congresso boliviano”.

Para Hart, Margolis não viu necessidade de explicar a relação de causa e efeito entre as políticas econômicas neoliberais que ele apóia e a melhoria das condições de vida. Isso por achar a conexão auto-explicativa. Um sociólogo que tinha trabalhado na Bolívia, no entanto, discordou. Disse em carta à revista que muitos avanços resultaram de ações do governo – o oposto do que prega o “Consenso”, que exige austeridade orçamentária e mais privatizações.

Um populismo de talão de cheque?
No caso particular do Brasil, as avaliações equivocadas de Margolis parecem até tradução para o inglês daquilo que nossa grande mídia obstina-se em repetir em português. Às vezes Lula ganha elogio dele – mas só quando suas políticas parecem, por exemplo, favorecer os investidores de petróleo e o capitalismo global. “Lula não é Hugo Chávez”, chegou a dizer. Mas, de repente, ele volta ao ataque: “Lula dá guinada à esquerda”.

A suspeita de “populismo”, tão cara a FHC e seu Cebrap, sempre reaparece. “Com um olho na posteridade e outro na urna”, provocou. “Exatamente o tipo de armadilha populista que Lula tinha evitado até agora”, escreveu. O repúdio aos programas sociais que o neoliberalismo odeia também é recorrente. “Populismo de talão de cheque”, sentenciou. Hart estranhou tudo isso, lembrando como o Brasil saiu bem da crise.

Números e dados de Margolis nem sempre são confiáveis. “Quase 63% de jovens latinos dizem agora que o livre mercado beneficia todas as pessoas”, escreveu. Mas Hart explicou e corrigiu: “a pesquisa foi pela internet, a que só tinham acesso 31% da população; e mesmo assim Margolis não notou que nela sua tese era desmentida por 90%, favoráveis a que os governos façam mais para ajudar os pobres”.

No final, mais um escorregão de Margolis. Ele vê o continente às vésperas de uma virada à direita com as eleições dos próximos 17 meses no Brasil, Uruguai e Chile: “Em nenhum dos três países o partido de esquerda no poder é cotado para ganhar”. A realidade já o desmente. A esquerda ganhou no Uruguai e foi para o segundo turno no Chile, enquanto no Brasil Serra hesita em ser candidato, com medo de perder outra vez para a esquerda.

Restaria, enfim, lembrar que "Newsweek" incluiu Lula, há um ano, no 18° lugar da lista (encabeçada por Barack Obama) das 50 pessoas mais poderosas do mundo, o que chamou de “Elite Global”. Só não entendo porque os editores encomendam a Margolis textos sobre Lula: ele sempre dá um jeito de enfiar FHC, que quebrou o Brasil três vezes, como “o grande reformista”. Quanto à "Extra!", esse número de janeiro está à venda há apenas dois dias. O site da FAIR inclui algumas matérias, mas não a da capa, escrita por Hart. A assinatura anual (12 números de 16 páginas) da edição eletrônica em pdf custa US$15.

Blog de Argemiro Ferreira
Fonte: Carta Maior

As ideias demoníacas dos direitos humanos

Poucas vezes na história desse país uma iniciativa de um governo foi tão bombardeada pela mídia, tanto em intensidade quanto na sua duração. Há pelo menos 15 dias rádios, jornais e tvs de todo o país partem para o ataque escancarado contra a criação da Comissão da Verdade.

Marcelo Salles

Poucas vezes uma iniciativa foi tão atacada pela direita e suas corporações de mídia quanto o Programa Nacional de Direitos Humanos. Mas não sem razão. Uma proposta como, por exemplo, a cobrança de impostos sobre grandes fortunas é realmente de arrepiar os cabelos de quem sempre os deitou sobre a riqueza nacional – ainda que esta medida esteja prevista na Constituição Federal e seja adotada pelos países que mais progrediram no mundo.

Propor um maior controle sobre a esculhambação e as mutretas que envolvem as concessões de rádio e tv só pode ser um escândalo para aqueles que fazem fortuna ao se arvorarem proprietários do espectro eletromagnético que pertence a todo o povo brasileiro.

Fiscalizar os latifúndios num país em que 1% de senhores feudais controla quase metade das terras só pode ser comparado à criação de um “demônio”, no dizer da senadora Kátia Abreu, do DEM, partido que tem suas raízes na golpista UDN.

Deve mesmo ser demoníaca a ideia de garantir direitos aos gays, lésbicas, travestis e toda essa gente que ofende pelo único pecado de ser diferente. Assim como só pode ser obra do capeta a proposta de ampliar a participação direta do povo via plebiscitos, referendos, leis e vetos populares. Por que as massas deveriam decidir diretamente os seus destinos, se sempre, desde o genocídio inaugural, são vistas como mão-de-obra barata e mal qualificada?

Poucas vezes na história desse país uma iniciativa de um governo foi tão bombardeada pela mídia, tanto em intensidade quanto na sua duração. Há pelo menos 15 dias rádios, jornais e tvs de todo o país partem para o ataque escancarado daqueles que defendem uma proposta democrática para o Brasil.

Para isso, omitem informações, descontextualizam fatos e até mesmo mentem. Um bom exemplo é a surrada versão de que o que se pretende com a Comissão da Verdade é rever a Lei de Anistia. Mentira. O que existe é uma solicitação da OAB ao Supremo Tribunal Federal sobre dispositivos de interpretação contraditória. A Constituição Federal, por exemplo, considera que a prática da tortura não pode ser objeto de graça ou anistia. Tratados internacionais estabelecem que crimes de lesa-humanidade, como a tortura, são imprescritíveis. Comissões de Verdade funcionaram ou funcionam muito bem em outros países, e isto é sistematicamente escondido por meios de comunicação.

Mas não é só isso. O fato de a Secretaria de Direitos Humanos só aparecer nas corporações de mídia nesse contexto é, por si só, bastante revelador dos propósitos das corporações de mídia. É como se não houvesse políticas públicas de defesa dos direitos das crianças e adolescentes, de pessoas com deficiência, idosos, LGBT, além dos programas de proteção a pessoas ameaçadas, combate ao trabalho escravo e até uma Ouvidoria-geral da cidadania. Iniciativas que poderiam ser potencializadas pela visibilidade que lhe negam.

E assim funciona a velha lógica do sistema: os ataques da direita identificam os demônios para que sejam esconjurados por sua mídia. Mas até que isso tem sua serventia. Revela a urgência da democratização dos meios de comunicação de massa e deixa os inimigos da democracia completamente expostos – todos com cara de santo, naturalmente.

Marcelo Salles, jornalista, é coordenador da Caros Amigos no Rio de Janeiro e editor do www.fazendomedia.com.
Fonte: Carta Maior


Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

VERDADE NÃO É REVANCHISMO

A anunciação do Plano de Direitos Humanos, publicado no Diário Oficial da União no dia 22 de dezembro, causou alvoroço na caserna. Comandantes do exército e da aeronáutica ameaçam pedir demissão, caso não sejam retirados alguns trechos do plano. Previsível demais! Toda vez que se propõe um debate no Brasil, questionando-se os crimes cometidos pelo Estado durante o regime de exceção, rapidamente surgem os saudosistas da ditadura militar para taxar tais atos de “revanchismo”.
É a velha política dos rótulos inconseqüentes, com a intenção de ludibriar boa parte da sociedade brasileira. Foi assim na década de 60, quando taxavam o Presidente Goulart de comunista, na busca desesperada de um falso argumento para justificar o desrespeito à Constituição Federal. Eram tempos de radicalismos. Preto ou branco. Capitalista ou comunista. Vida ou morte. Durante os longos 21 anos de repressão, após a derrocada inconstitucional de Jango, a Doutrina de Segurança Nacional e os Atos Institucionais encarregaram-se de consolidar a política da censura, do medo e da violência. Como se vê, falar sobre verdades não é revanchismo.
O agravante destes crimes, praticados contra cidadãos que tinham convicções políticas divergentes dos Generais Presidentes, reside justamente no fato de serem estes agressores representantes do Estado brasileiro. Ou seja, ao invés da obrigação constitucional do Estado zelar pela integridade física dos cidadãos, torturadores demonstravam habilidades com o pau de arara, choque elétrico, violação sexual, e tantas outras repugnantes formas de agressões aos direitos humanos.

Contudo, não faltarão aqueles a recordar que setores de esquerda empenharam-se na luta armada contra o governo. Lembrarão de David Capistrano, de Marighela, de Lamarca, ou até mesmo de Dilma Roussef. Estes, não querem assimilar jamais que violência gera violência. E o golpe de 64 foi uma violência contra o povo brasileiro. 
Em decorrência alguns frágeis argumentos que amparam a impunidade, acompanhamos pacificamente a postergação da solução para uma ferida não cicatrizada deixada pela ditadura. O fato é que, ao desvendar estes crimes obscuros, não é o revanchismo a palavra de ordem, mas sim justiça.
Porque não conhecer os nomes de pessoas que praticaram crimes na ditadura, representando ao Estado brasileiro? Porque não identificar e tornar públicas as “estruturas” utilizadas para violações de direitos humanos? Num Estado Democrático de Direito e numa nação civilizada, espera-se o compromisso com o respeito aos direitos da pessoa humana, e principalmente, a busca da verdade. 


Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart

A "campanha presidencial da paz" na América Latina

Noam Chomsky
Do The New York Times

Barack Obama, o quarto presidente dos Estados Unidos a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, mantém a tradição de seus antecessores para promover a paz, desde que, é claro, seja conveniente para seu país.

Todos os quatro presidentes deixaram sua marca na "região que nunca incomodou ninguém", como descreveu a América Latina o Secretário da Guerra norte-americano Henry L. Stimson, em 1945.

Levando em conta a postura da administração Obama com relação às eleições de Honduras em Novembro, pode ser interessante rever a história.

THEODORE ROOSEVELT 
 
Em seu segundo mandato na presidência dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt declarou que "a expansão dos povos brancos ou de origem europeia nos últimos séculos resultou em benefícios para a maioria dos países por eles colonizados", apesar dos africanos, Índios norte-americanos, filipinos e outros supostos beneficiários discordarem redondamente.

Foi então "inevitável e altamente desejável para o bem da humanidade em geral, que o povo americano derrotasse os mexicanos", conquistando metade do México, já que "estava fora de questão esperar que os texanos se submetessem à autoridade de uma raça inferior".

Usar a chamada "diplomacia de canhoneiras" para roubar o Panamá da Colômbia para construir o canal também foi considerado um bem para a humanidade.

WOODROW WILSON 

Woodrow Wilson foi o mais laureado dos presidentes e talvez o pior para a América Latina.

A invasão do Haiti orquestrada por Wilson em 1915 matou milhares de pessoas, restaurou a escravidão e deixou boa parte do país em ruínas.

Demonstrando seu amor pela democracia, Wilson ordenou a seus fuzileiros que dissolvessem o parlamento haitiano à mão armada, pois o mesmo se negou a aprovar uma lei "progressista" que permitia às empresas dos EUA praticamente comprar o país. O problema foi remediado quando os haitianos adotaram à força uma constituição redigida pelos EUA. O Departamento de Estado, inclusive, garantiu ao povo que o feito seria "bom para o Haiti".

Wilson também invadiu a República Dominicana para garantir o bem estar da nação. Os dois países foram colocados sob a custódia de guardas nacionais perversas. Décadas de tortura, violência e miséria foram o legado do "idealismo de Wilson", um princípio que norteou fundamentalmente a política diplomática dos Estados Unidos.

JIMMY CARTER
 
Para o presidente Jimmy Carter, os direitos humanos eram "a alma da política de relações internacionais".

Robert Pastor, conselheiro de segurança nacional para a América Latina, explicou algumas diferenças importantes entre direitos e políticas: Infelizmente, a administração precisava apoiar o regime do ditador Nicaraguense Anastasio Somoza e, mesmo quando isso se tornou impraticável, era preciso manter a Guarda Nacional treinada pelos americanos, ainda que ela tenha massacrado a população "com uma brutalidade que as nações normalmente reservam a seus inimigos", matando quase 40.000 pessoas.


Para Pastor, a razão é óbvia: "Os Estados Unidos não queriam controlar a Nicarágua ou qualquer outro país da região, mas também era preciso manter um certo controle sobre seu desenvolvimento. Os norte-americanos queriam que os nicaraguenses agissem de forma independente, a não ser quando isso afetasse os interesses dos Estados Unidos".

BARACK OBAMA
 
O presidente Barack Obama isolou os Estados Unidos de quase toda a América Latina e Europa quando aceitou o golpe militar que derrubou a democracia hondurenha em junho.

O golpe refletiu uma "separação política e socioeconômica", como relatou o New York Times. Para a "pouco representativa classe alta", o presidente hondurenho Manuel Zelaya estava se tornando uma ameaça ao que eles chamam de "democracia", especialmente para "as mais poderosas forças políticas e corporativas do país".

Zelaya estava levando a cabo medidas perigosas, como o aumento do salário mínimo - isso em um país em que 60% da população vive na pobreza. É claro que ele precisava ser deposto.

Quase sem o apoio de mais ninguém, os Estados Unidos reconheceram as eleições de novembro (em que Pepe Lobo saiu vitorioso), realizadas sob a ditadura militar: "uma grande festa da democracia", como descreveu o embaixador de Obama, Hugo Llorens.

O apoio também preservou o direito de uso da base aérea de Palmerola, mais valiosa do que nunca, já que as forças armadas norte-americanas têm se tornado cada vez menos bem-vindas na América Latina.

Depois das eleições, Lewis Anselem, o representante de Obama na OEA, sugeriu que os países latinos contrários deveriam reconhecer a legitimidade do golpe militar e juntar-se aos Estados Unidos, "no mundo real e não no mundo de realismo fantástico".

O apoio de Obama ao golpe militar foi realmente inédito. O governo dos Estados Unidos financia o Instituto Internacional Republicano e o Instituto Nacional Democrata, duas instituições que teoricamente deveriam promover a democracia.
O Instituto Republicano costuma apoiar golpes militares para depor governos eleitos, como aconteceu na Venezuela em 2002 e no Haiti em 2004.

Mas o Instituto Democrata permanecia em silêncio. Em Honduras, pela primeira vez, o Instituto Democrata concordou em observar as eleições sob o comando militar, ao contrário da OEA e da ONU, que continuavam em um mundo de realismo fantástico.

Levando em conta as ligações entre o Pentágono e o exército hondurenho e as vantagens econômicas descomunais que os EUA têm no país, seria muito mais simples que Obama aderisse à América Latina e Europa na luta para proteger a democracia em Honduras.

Mas Obama preferiu a política tradicional.

Em sua história de relações internacionais com o hemisfério sul, o acadêmico Gordon Connell-Smith escreve que "apesar do discurso pró-democracia na América Latina, os interesses dos Estados Unidos estão justamente direcionados ao oposto", a não ser por "uma democracia artificial, com eleições que na maioria das vezes não passam de puro teatro".

Uma democracia funcional precisa reagir às questões populares, ao passo que "os Estados Unidos estão mais preocupados em estabelecer as melhores condições para realizar seus investimentos".

É preciso muito da chamada "ignorância intencional" para deixar de perceber a realidade.

Essa cegueira deve ser sustentada cuidadosamente se o estado violento pretende manter-se no poder - sempre para o bem da humanidade como declarou Obama no discurso de agradecimento pelo Nobel da Paz.

 Fonte: Terra

Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Lula é uma das 50 pessoas que moldaram a década, diz 'FT'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido pelo jornal britânico Financial Times como uma das 50 personalidades que moldaram a última década. Segundo o diário, Lula entrou na lista porque "é o líder mais popular da história do Brasil".

"Charme e habilidade política sem dúvida contribuem (para sua popularidade), assim como a baixa inflação e programas de transferência de renda baratos, mas eficientes", diz o jornal.

"Muitos, inclusive o FMI, esperam que o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo até 2020, trazendo uma mudança duradoura na ordem mundial."

Vilões
Ainda no campo da política, o FT também destaca como as personalidades mais influentes da década o presidente do Irã, Mahmoud Ahamadinejad; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã Angela Merkel; o ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin; e o presidente da China, Hu Jintao.

O jornal selecionou também o que chamou de "alguns vilões" que acabaram por determinar o curso da história destes últimos dez anos, como o líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e o ex-presidente americano George W. Bush.

A lista do FT também inclui personalidades das áreas de negócios, economia e cultura. Muitas delas refletem o crescimento e o fortalecimento da internet e das novas tecnologias, como os empresários Jeff Bezos, da loja virtual Amazon; Meg Whitman, do eBay; Larry Page e Sergey Brin, do Google; Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, do Twitter; Mark Zuckerberg, do Facebook; e Steve Jobs, da Apple.

Outras figuras foram eleitas pelo jornal britânico pelo mérito pessoal de terem se tornado ícones mundiais em suas áreas, como a escritora JK Rowling, autora dos livros do personagem Harry Potter; o jogador de golfe Tiger Woods; a apresentadora americana Oprah Winfrey; o diretor japonês de desenhos animados Hayao Miyazaki; o produtor de TV John De Mol, criador da fórmula do Big Brother; e os astros da música Beyoncé e Jay-Z.

"Listas como estas são subjetivas e, de certa maneira, arbitrárias, mas tentamos capturar indivíduos que tiveram um grande impacto no mundo ou em sua região - para o bem ou para o mal", explicou o jornal.

 Fonte: Terra

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

Lula Da Silva: El hombre que asombra al mundo

El presidente de Brasil se ha convertido en el líder indiscutible de América Latina y una referencia para todos los políticos. Brasil ha pagado este año toda su deuda, crece a buen ritmo y se ha llevado los juegos 2016.

Por José Luis Rodríguez Zapatero
Este es un hombre cabal y tenaz, por el que siento una profunda admiración. Lo conocí en septiembre de 2004, tras la incorporación de España a la Alianza contra el Hambre que él lideraba, en una cumbre organizada por Naciones Unidas en Nueva York. No podía haber sido mejor la ocasión.

Luiz Inácio Lula da Silva es el séptimo de los ocho hijos de una pareja de labradores analfabetos, que vivieron el hambre y la miseria en la zona más pobre del estado brasileño nororiental de Pernambuco.

Tuvo que simultanear sus estudios con el desempeño de los más variopintos trabajos y se vio obligado a dejar la escuela, con tan solo 14 años, para trabajar en la planta de una empresa siderometalúrgica dedicada a la producción de tornillos. En 1968, en plena dictadura militar, dio un paso que marcó su vida: afiliarse al Sindicato de Metalúrgicos de Sao Bernardo do Campo y Diadema.

De la mano de este hombre, siguiendo el sendero abierto por su predecesor en la Presidencia, Fernando Henrique Cardoso, Brasil, en apenas 16 años, ha dejado de ser el país de un futuro que nunca llegaba para convertirse en una formidable realidad, con un brillante porvenir, y una proyección global y regional cada vez más relevante. Por fin, el mundo se ha dado cuenta de que Brasil es muchísimo más que carnaval, fútbol y playas. Es uno de los países emergentes que cuenta con una democracia consolidada, y está llamado a desempeñar en las décadas siguientes un creciente liderazgo político y económico en el mundo, tal y como ya viene haciendo en América Latina, con notable acierto.

Lula tiene el inmenso mérito de haber unido a la sociedad brasileña en torno a una reforma tan ambiciosa como tranquila. Está sabiendo, sobre todo, afrontar, con determinación y eficacia, los retos de la desigualdad, la pobreza y la violencia, que tanto han lastrado la historia reciente del país. Como consecuencia de ello, su liderazgo goza hoy en Brasil del respaldo y del aprecio mayoritarios, pero mucho más importante aún es la irreversible aceptación social de que todos los brasileños tienen derecho a la dignidad y la autoestima, por medio del trabajo, la educación y la salud.

Superando adversidades de todo orden, Lula ha recorrido con éxito ese largo y difícil camino, que va desde el interés particular, en defensa de los derechos sindicales de los trabajadores, al interés general del país más poblado y extenso del continente suramericano. Sin dejar de ser Lula, en esa larga marcha ha conseguido, además, ilusionar a muchos millones de sus conciudadanos, en especial aquellos más humillados y ofendidos por el azote secular de la miseria, proporcionándoles los medios materiales para empezar a escapar de las secuelas de ese círculo vicioso.

Al mismo tiempo, en los siete años de su presidencia, Brasil se ha ganado la confianza de los mercados financieros internacionales, que valoran la solvencia de su gestión, la capacidad creciente de atraer inversiones directas, como las efectuadas por varias compañías españolas, y el rigor con que ha gestionado las cuentas públicas. El resultado es una economía que crece a un ritmo del 5% anual, que ha resistido los embates de la recesión mundial y está saliendo más fortalecida de la crisis.

Tras convertirse en el presidente que accedía al cargo con un mayor respaldo electoral, en su cuarto intento por lograrlo, Lula manifestó que es inaceptable un orden económico en el que pocos pueden comer cinco veces al día y muchos quedan sin saber si lograrán comer al menos una. Y apostilló, “si al final de su mandato los brasileños pueden desayunar, almorzar y cenar cada día, entonces habré realizado la misión de mi vida”.

En ese empeño sigue este hombre honesto, integro, voluntarioso y admirable, convertido en una referencia inexcusable para la izquierda del continente americano al sur de Río Grande. Tiene una visión del socialismo democrático que pone el acento en la inclusión social y en la justicia medioambiental para hacer posible una sociedad más justa, decente, fraterna y solidaria.

Brasil ocupará pronto un lugar en el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas, está a punto de convertirse en toda una potencia energética y en 2014 albergará el Campeonato Mundial de Fútbol. La última vez que nos vimos fue en Copenhague. Lula lloraba de felicidad, como un niño grande, porque Río de Janeiro acababa de ser elegida ciudad organizadora de los Juegos Olímpicos de 2016. La euforia que le inundaba no le impidió tener el temple necesario para venir a consolarme porque Madrid no había sido elegida y fundirnos en un abrazo.

A mí no me extraña nada que este hombre asombre al mundo.
José Luis Rodríguez Zapatero es presidente del Gobierno español. Fotografía de Alex Majoli

Icono nacional

Por Julio María Sanguinetti

Brasil ha sido históricamente formado y conducido desde una lúcida élite, primero portuguesa, que logra mantener unido su vasto territorio en el momento de la independencia, y más tarde brasileña, que gobernó los últimos 200 años. A ella pertenecen aún los gobernantes más populares como Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek o Fernando Henrique Cardoso. El primero ajeno a esos núcleos de poder económico o intelectual es el presidente Lula, quien –al tener éxito en su gestión– termina transformándose en un icono nacional, como lo es Pelé en el deporte. Su figura trasciende el debate y la competencia política; se ubica más allá de la coyuntura.

El concepto anterior no arrastra un juicio tan laudatorio para con su Gobierno. No hay duda de que Brasil ha crecido y ha mejorado sus indicadores básicos. Del mismo modo, el mundo entero considera a Brasil el referente latinoamericano por excelencia, y en ello el aporte presidencial ha sido decisivo. Sin embargo, no puede ignorarse el nivel de desigualdad social persistente, las vastas zonas de marginación y violencia que afectan sus grandes ciudades o el insuficiente rendimiento de su sistema educativo. Hay mejoras, pero no en el nivel deseable tras los cinco años fabulosos del comercio internacional (2003-2008). Ni aun la corrupción administrativa podría afirmarse que haya disminuido de verdad.

La cuestión es que Lula trasciende esas discusiones. Está más allá de ellas. Lo negativo ni le roza. En cambio, su presencia le ha dado optimismo al país, le ha fortalecido en la convicción de que ya no es el siempre prometido “país del futuro”, sino una gran potencia del hoy. Este obrero metalúrgico paulista venido del pobre y lejano noreste ha marcado un antes y un después.
Cualquiera que sea su futuro, ya ha hecho historia.
Julio María Sanguinetti fue presidente de la República de Uruguay.

Fonte: El Pais

Lula é o homem do ano para o jornal francês Le Monde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido o "homem do ano" pela redação do jornal francês Le Monde porque, segundo a publicação, "aos olhos de todos encarna o renascimento de um gigante".

"Embandeirado dos países emergentes, mas também do mundo em desenvolvimento do qual se sente solidário, o presidente brasileiro, de 64 anos, colocou decididamente seu país em uma dinâmica de desenvolvimento", afirma a revista semanal do Le Monde na edição desta quinta-feira.

"O presidente brasileiro, que no fim de 2010 deixará a presidência sem ter tentado modificar a Constituição para concorrer a um terceiro mandato, soube continuar sendo um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso dos equilíbrios naturais", acrescenta.


Brasil em alta

  • Reprodução No ano da França no Brasil, presidente brasileiro é eleito pelo jornal Le Monde o homem do ano
"Presidente do Brasil desde 1º de janeiro de 2003, ao fim de dois mandatos terá dado uma nova imagem a América Latina", afirma a revista ao explicar a escolha de Lula como "personalidade do ano 2009".

"A consagração de Lula acompanha a renovação do Brasil", afirma a reportagem assinada por Jean Pierre Langellier, correspondente do jornal no Rio de Janeiro.

Brasil decola

  • Reprodução Capa da revista inglesa Economist, publicada em novembro, diz que o Brasil decola
"Carismático, de sorriso fácil e jovial, Lula, nascido em 27 de outubro de 1945 no estado de Pernambuco, ex-torneiro mecânico e sindicalista, transformou o Brasil em ator essencial do cenário internacional".

"Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo lhe interessa e diz respeito", afirma o artigo, acompanhado por fotografias de Lula no Brasil e no exterior, incluindo uma ao lado do presidente americano.

Lula foi o primeiro presidente da América Latina recebido por Barack Obama na Casa Branca.

Líder dentro do G20, aspirante a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU e primeiro sócio comercial da China são algumas conquistas na política externa, lembra o jornal francês.

"Longe ficou a época em que o sindicatista Lula com gorro proletário e microfone na mão gritava: 'Fora FMI'. Hoje não é mais o FMI que ajuda o Brasil, e sim o contrário", acrescenta.

Mas o balanço também revela um "lado obscuro".

Lula reduziu a pobreza e milhões de brasileiros passaram à classe média, "mas o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo (...) dividido entre um sul rico e dinâmico e um norte arcaico e deserdado".

E entre os temas pendentes são citados uma educação primária e secundária "medíocres", um sistema de saúde "deficiente", uma burocracia "pesada", a polícia "ineficaz" e uma justiça "preguiçosa".

O jornal espanhol El País declarou há algumas semanas Lula como a "personalidade do ano" e a revista britânica The Economist dedicou um número especial ao Brasil, com uma capa mais que eloquente: o Cristo Redentor, uma das imagens emblemáticas do Rio de Janeiro, decolando como um foguete rumo ao espaço.

Fonte: UOL

Lula é eleito homem do ano por jornal francês

Pela primeira vez em seus 65 anos de história, o jornal francês Le Monde elegeu a "personalidade do ano" e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o escolhido. A edição desta quinta do jornal dedica sua fotografia de capa a Lula, acompanhada por um editorial incluindo as razões que levaram o Le Monde a ressaltar a personalidade de Lula.

Entre os motivos que levaram o Le Monde a eleger Lula destacam-se "seu singular percurso, de antigo sindicalista até o sucesso à frente de um país tão complexo quanto o Brasil", segundo o editorial. "Sua preocupação com o desenvolvimento econômico, a luta contra as desigualdades e a defesa do meio ambiente" são outras das razões ressaltadas pelo jornal.

Fonte: Zero Hora

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Pensamento do dia

O século XXI deveria ser a era da razão, porém a fé militante irracional está marchando novamente.

É chegada a hora de pessoas racionais darem um basta nisso.

A crença religiosa desencoraja o pensamento independente, é manipuladora e perigosa.

Richard Dawkins

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

A MERDA

A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra MERDA . Esta palavra de origem francesa MERD pode mesmo ser considerada um coringa da língua portuguesa. Vejam porque com os exemplos a seguir:

1) Como indicação geográfica 1: Onde fica essa MERDA ?

2) Como indicação geográfica 2: Vá a MERDA !

3) Como indicação geográfica 3: 18:00h – vou embora dessa MERDA .

4) Como substantivo qualificativo: Você é um MERDA!

5) Como auxiliar quantitativo: Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!

6) Como indicador de especialização profissional: Ele só faz MERDA.

7) Como indicativo de MBA: Ele faz muita MERDA .

 Como sinônimo de covarde: Seu MERDA !

9) Como questionamento dirigido: Fez MERDA , né?

10) Como indicador visual: Não se enxerga MERDA nenhuma!

11) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido: Por que você não vai a MERDA?

12) Como especulação de conhecimento e surpresa: Que MERDA é essa?

13) Como constatação da situação financeira de um indivíduo: Ele está na MERDA…

14) Como indicador de ressentimento natalino: Não ganhei MERDA nenhuma de presente!

15) Como indicador de admiração: Puta MERDA !

16) Como indicador de rejeição: Puta MERDA!

17) Como indicador de espécie: O que esse MERDA pensa que é?

18) Como indicador de continuidade: Tô na mesma MERDA de sempre.

19) Como indicador de desordem: Tá tudo uma MERDA !

20) Como constatação científica dos resultados da alquimia: Tudo o que ele toca vira MERDA !

21) Como resultado aplicativo: Deu MERDA .

22) Como indicador de performance esportiva: O Framengo e os Vascainos não

estão jogando MERDA nenhuma!!!

23) Como constatação negativa: Que MERDA!

24) Como classificação literária: Êita textinho de MERDA sô!!!

25) Como qualificação de governo: O governo LULA só faz MERDA !

26) Como situação de “orgulho/metidez” : Ela se acha e não tem “MERDA nenhuma! ”

27) Como indicativo de ocupação: Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!

Retificando

25) Como avaliação de governo: FHC só fez MERDA!

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Lula é escolhido personagem do ano pelo 'El País'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido personagem do ano pelo jornal espanhol El País e qualificado pelo líder do governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, como "um homem cabal e tenaz", em um artigo publicado na quinta-feira no site da publicação.

O perfil de Lula fará parte de um suplemento especial elegendo "Os 100 do Ano" entre homens e mulheres ibero-americanos que marcaram 2009. O artigo será publicado pelo El País no domingo, mas foi antecipado por sua versão digital.

O encarregado de traçar o perfil do presidente brasileiro foi Zapatero, que lembra que o conheceu em setembro de 2004, após a incorporação da Espanha à Aliança Contra a Fome, liderada pelo presidente brasileiro, em uma cúpula organizada pelas Nações Unidas em Nova York. "A ocasião não podia ter sido melhor", disse.

O presidente espanhol considera que o Brasil "é um dos países emergentes que conta com uma democracia consolidada e está chamado a desempenhar nas décadas seguintes uma crescente liderança política e econômica no mundo, como já vem fazendo na América Latina com notável acerto".

O artigo de Zapatero afirma que "Lula tem o imenso mérito de ter unido a sociedade brasileira em torno de uma reforma tanto ambiciosa quanto tranquila. Está sabendo, sobretudo, enfrentar, com determinação e eficácia, os desafios da desigualdade, da pobreza e da violência, que tanto lastreou a história recente do País".

Ele diz que, "como consequência disso, sua liderança goza hoje no Brasil do respaldo e do apreço majoritários, mas mais importante ainda é a irreversível aceitação social de que todos os brasileiros têm direito à dignidade e à autoestima, por meio do trabalho, da educação e da saúde".

No plano internacional, o presidente espanhol afirma que nos sete anos da presidência de Lula, o Brasil "ganhou a confiança dos mercados financeiros internacionais, que avaliam a solvência de sua gestão, a capacidade crescente de atrair investimentos diretos, como as efetuadas por várias companhias espanholas, e o rigor com que administrou as contas públicas".

Zapatero define Lula como um "homem honesto, íntegro, voluntarioso e admirável". Após dizer que o Brasil ocupará em breve um lugar no Conselho de Segurança da ONU, que está a ponto de se transformar em uma potência energética e que em 2014 receberá a Copa do Mundo, Zapatero faz referência à reunião de outubro, em Copenhague, quando o Rio de Janeiro foi eleita cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

"Lula chorava de felicidade, como uma criança grande, porque o Rio de Janeiro acabava de ser escolhida cidade organizadora dos Jogos Olímpicos de 2016. A euforia que o inundava não o impediu de ter o valor necessário para vir me consolar porque Madri não tinha sido escolhida", afirma. "Não me estranha que este homem impressione o mundo."



Fonte: Terra

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

O novo Getúlio

É o cara.
Disso ninguém mais duvida.
Luiz Inácio é o
      cara.
O conservador Financial Times já havia aderido.
Agora foi a
      vez da revista alemã Der Spiegel.
Não tem pra ninguém.
Só dá Luiz
      Inácio, o filho do Brasil.
Der Spiegel o chama de "Pai dos
      Pobres".
E fala em "milagre econômico".
Aí está: Luiz Inácio
      consegue misturar Getúlio e a ditadura militar. Faz o mesmo, ou mais, sem   ditadura.
Getúlio virou "pai dos pobres" por força do seu Departamento
      de Imprensa e Propaganda. Na marra.
Luiz Inácio é o novo Getúlio.
Na  lábia, no markegint e nas ações.
O homem faz.
Azar da direita, que    morre de inveja.
Azar do FHC, que era a mãe dos ricos.
Azar dos   tucanos com sua conversa racionalizadora.
O mundo está de joelhos. Luiz
      Inácio é o heroi dos banqueiros, o pai dos pobres, o rei da
      comunicação...
Só a direita brasileira ainda prefere se lembrar que ele
      não tem um dedo, que não tem diploma universitário, que, volta a meia, diz
      "menas" ou "a nível de".
"Menas", "menas", bravos
      reacionários...
Luiz Inácio avisou que a crise no Brasil era uma
      marolinha. Virou motivo de chacota. Foi chicoteado.
Não deu outra.
      Mesmo o jornal francês de direita Le Figaro precisou reconhecer que foi
      uma "vaguelette".
Pois é, Luiz Inácio agora diz "vaguelette", "en
      passant" e "bijou". Faz biquinho e tudo.
Janta com a rainha da
      Inglaterra, dá beijinho na Carla Bruni, tapinha nas costas do Obama.
     
Recebe o Ahamadinejad. E "tant pis" para os doutos.
E é por isso
      que Luiz Inácio fará o seu sucessor. Ele está tão popular que seria capaz
      de eleger até:
1) Poste
2) Uma ex-assaltante de bancos
3) Um
      banqueiro
4) Os dois juntos
5) Tarso Genro
6) Wanderley
      Luxemburgo
7) José Sarney
8) Dona Marisa
9) José Dirceu
10)
      Ele mesmo.
Ele pode tudo. Mas não quer. É malandro velho. Vai tirar
      férias de quatro anos, dar palestras, forrar o poncho e voltar para mais
      oito anos de piadas e feitos.
E não adianta gritar: Menos,
      menos...
É mais, mais... Que não tem erro.
Postado por
      Juremir Machado da Silva - 25/11/2009 10:53

Sábado, Novembro 28, 2009

ECOTURISMO

Visite a floresta tropical antes que vire um shopping.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Ambição na Vida


Sábado, Outubro 17, 2009

A improbabilidade de Deus

Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Os irlandeses mandam-se uns aos outros pelo ar em nome de Deus. Os árabes mandam-se a si próprios pelo ar em nome de Deus. Os imãs e os aiatolas oprimem as mulheres em nome de Deus. Os papas e os padres celibatários destroçam a vida sexual das pessoas em nome de Deus. Os shohets judeus cortam a garganta de animais vivos em nome de Deus.

As proezas da religião no passado ― cruzadas sangrentas, inquisições que praticavam a tortura, conquistadores que assassinavam em massa, missionários que destruiam culturas, resistência reforçada legalmente e até ao último momento possível a cada nova verdade científica ― são ainda mais impressionantes. E tudo isto para quê? Creio que se torna cada vez mais claro que a resposta é absolutamente para nada. Não há nenhuma razão para que acreditemos que existam quaisquer espécies de deuses e há muito boas razões para que acreditemos que não existem e nunca existiram. Foi tudo um gigantesco desperdício de tempo e de vida. Seria uma anedota de proporções cósmicas se não fosse tão trágico.

Porque é que as pessoas acreditam em Deus? Para a maior parte das pessoas a resposta é ainda uma qualquer versão do antigo Argumento do Desígnio. Olhamos em volta para a beleza e complexidade do mundo ― para o movimento aerodinâmico de uma asa de andorinha, para a delicadeza das flores e das borboletas que as fertilizam; por intermédio de um microscópio para a vida luxuriante existente em cada gota de água de um tanque; por intermédio de um telescópio para a copa de uma sequóia gigante. Reflectimos na complexidade electrónica e na perfeição óptica dos nossos olhos que vêem tudo isto. Se temos alguma imaginação, estas coisas conduzem-nos a um sentimento de temor e reverência. Além disso, não podemos deixar de nos impressionar com a semelhança óbvia dos órgãos vivos com os projectos cuidadosamente planeados dos engenheiros humanos. A expressão mais famosa deste argumento é a analogia do relojoeiro de William Paley, padre do século dezoito. Mesmo que não soubéssemos o que é um relógio, o carácter obviamente concebido dos seus dentes e molas e de como engrenam uns nos outros para um propósito, forçar-nos-ia a concluir «que o relógio teve de ter um autor: que teve de ter existido, nalguma altura, num lugar ou noutro, um artífice ou artífices, que o concebeu com o propósito a que o vemos agora responder; que compreendeu a sua construção e concebeu o seu uso.» Se isto é verdade de um relógio relativamente simples, não é muito mais verdade do olho, do ouvido, do rim, da articulação do cotovelo e do cérebro? Estas belas, complexas e intrincadas estruturas, que foram evidentemente construídas com um propósito, tiveram de ter o seu próprio autor, o seu próprio relojoeiro ― Deus.

Tal é o argumento de Paley, e é um argumento que praticamente todas as pessoas que reflectem e têm sensibilidade descobrem por elas próprias em certa altura da sua infância. Durante a maior parte da história deve ter parecido absolutamente convincente e de uma verdade auto-evidente. E contudo, como resultado de uma das mais espantosas revoluções intelectuais da história, sabemos agora que é errado ou pelo menos supérfluo. Sabemos agora que a ordem e a aparente intencionalidade do mundo vivo aconteceu por intermédio de um processo completamente diferente, um processo que funciona sem a necessidade de qualquer autor e que é uma consequência de leis físicas basicamente muito simples. Este é o processo de evolução por selecção natural, descoberto por Charles Darwin e, independentemente, por Alfred Russel Wallace.

O que têm em comum todos os objectos que parecem ter de ter tido um autor? A resposta é improbabilidade estatística. Se encontramos um seixo transparente a que o mar deu a forma de uma lente imperfeita, não concluímos que teve de ser concebido por um oculista: as leis da física por si sós são capazes de alcançar este resultado; não é muito improvável que tenha meramente «acontecido». Mas se encontramos uma lente composta trabalhada, cuidadosamente corrigida contra a aberração esférica e cromática, revestida contra o brilho e com «Carl Zeiss» gravado no rebordo, sabemos que não poderia ter acontecido meramente por acaso. Se pegarmos em todos os átomos de uma tal lente composta e os lançarmos juntos ao acaso sob a impulsionante influência das leis vulgares da física na natureza é teoricamente possível que, por puro acaso, os átomos se agrupem segundo o padrão da lente composta da Zeiss e até que os átomos em redor da orla se agrupem de modo a que o nome Carl Zeiss seja gravado. Mas o número de outras formas segundo as quais os átomos poderiam, com idêntica probabilidade, ter-se agrupado é tão extremamente, imensamente, incomensuravelmente elevado, que podemos pôr completamente de lado a hipótese do acaso. Como explicação o acaso está fora de questão.

A propósito, este argumento não é circular. Pode parecer circular porque, depois da ocorrência, podemos dizer que qualquer organização particular de átomos é muito improvável. Como já alguém disse, quando uma bola cai num determinado pedaço de relva no campo de golfo, seria loucura exclamar: «De todos os biliões de pedaços de relva em que a bola poderia ter caído, caiu efectivamente neste. Quão admiravelmente e miraculosamente improvável!» Claro que a falácia aqui é que a bola tinha de cair nalgum lado. Só podemos ficar admirados com a improbabilidade do acontecimento real se o determinarmos a priori: por exemplo, se uma pessoa de olhos vendados girasse sobre si no tee, acertasse na bola ao acaso e conseguisse um hole in one. Isso seria verdadeiramente espantoso, porque o destino alvo da bola tinha sido estabelecido previamente.

De todas as triliões de formas diferentes de juntar os átomos de um telescópio, apenas uma minoria poderia na realidade funcionar de forma útil. Apenas uma pequena minoria teria Carl Zeiss gravado ou, na verdade, quaisquer palavras reconhecíveis de qualquer linguagem humana. O mesmo é verdade para as partes de um relógio: de todos os biliões de modos possíveis de os juntar, apenas uma pequena minoria dirão as horas ou farão qualquer coisa útil. E, claro, o mesmo é verdade, a fortiori, para as partes dos corpos vivos. De todos os triliões de triliões de modos de juntar as partes de um corpo, apenas uma minoria infinitesimal viverão, procurarão comida, comerão e se reproduzirão. É verdade que há muitas formas diferentes de estar vivo ― pelo menos dez milhões de formas diferentes, se contarmos o número de espécies diferentes que estão actualmente vivas ― mas, por mais formas que possam existir de estar vivo, de certeza que há muito mais de estar morto!

Podemos com segurança concluir que os corpos vivos são biliões de vezes demasiado complicados ― demasiado estatisticamente improváveis ― para terem surgido por puro acaso. Como é que surgiram, então? A resposta é que o acaso entra na história, mas não um único e monolítico acto de acaso. Em vez disso, toda uma série de pequenos passos ocasionais, cada um suficientemente pequeno para ser um resultado credível do seu predecessor, ocorreram uns atrás dos outros em sequência. Estes pequenos passos do acaso são causados por mutações genéticas, mudanças fortuitas ― erros de facto ― no material genético. Originam mudanças na estrutura corporal existente. A maior parte dessas mudanças são perniciosas e levam à morte. Uma minoria revelam-se pequenas melhorias, que conduzem a um aumento da sobrevivência e da reprodução. Por este processo de selecção natural, as mudanças ao acaso que se revelam no fim de contas benéficas espalham-se pela espécie e tornam-se a norma. O cenário está agora montado para a próxima pequena mudança no processo evolutivo. Depois de, digamos, um milhar destas pequenas mudanças em série, cada mudança fornecendo a base para a próxima,  o resultado final tornou-se, por um processo de acumulação, demasiado complexo para ter surgido num único acto de acaso.

Por exemplo, é teoricamente possível que um olho se forme do nada, num único passo de acaso: digamos que a partir apenas da pele. É teoricamente possível no sentido em que poderíamos escrever uma receita com a forma de um grande número de mutações. Se todas estas mutações acontecessem simultaneamente, poderia mesmo surgir do nada um olho completo. Mas embora seja teoricamente possível, é na prática inconcebível. A quantidade de acaso que envolve é demasiada. A receita «correcta» envolve mudanças num enorme número de genes simultaneamente. A receita correcta é uma combinação particular de mudanças em triliões de combinações de acasos igualmente prováveis. Podemos certamente excluir uma tal miraculosa coincidência. Mas é perfeitamente plausível que o olho moderno se tenha formado a partir de algo que fosse quase igual ao olho moderno mas não exactamente igual: um olho ligeiramente menos elaborado. Pelo mesmo argumento, este olho ligeiramente menos elaborado formou-se a partir de um ainda menos elaborado, etc. Se assumirmos um número suficientemente grande de pequenas diferenças entre cada estádio evolutivo e o seu predecessor, somos capazes de derivar um olho completo, complexo, a funcionar, a partir apenas da pele. Quantos estádios intermédios podemos postular? Isso depende do tempo de que dispusermos. Houve tempo suficiente para os olhos evoluírem por pequenos passos a partir do nada?

Os fósseis dizem-nos que a vida evolui na Terra há mais de 3 000 milhões de anos. Para a mente humana é quase impossível apreender uma tal imensidão de tempo. Nós, naturalmente e felizmente, tendemos a ver a nossa própria expectativa de vida como razoavelmente longa, mas não podemos esperar viver nem sequer um século. Passaram 2 000 anos desde que Jesus viveu, tempo suficiente para esbater a distinção entre história e mito. Podemos imaginar um milhão de períodos desses colocados lado a lado? Suponhamos que queremos escrever toda a história num longo e único rolo. Se amontoássemos toda a história da Era Comum num metro de rolo, que tamanho teria a parte do rolo da Era pré-Comum até ao começo da evolução? A resposta é que a parte do rolo da Era pré-Comum estender-se-ia de Milão a Moscovo. Pensemos nas implicações disto para a quantidade de mudanças evolutivas que podem ser incluídas. Todos as raças de cães domésticos ― pequineses, poodles, spaniels, São Bernardos e chihuahuas ― provieram de lobos num espaço de tempo medido em centenas ou no máximo milhares de anos: não mais que dois metros ao longo da estrada de Milão para Moscovo. Pensemos na quantidade de mudança envolvida na passagem de lobo a pequinês; agora multipliquemos essa quantidade de mudança por um milhão. Quando olhamos para isto dessa maneira, torna-se fácil acreditar que um olho pode ter evoluído por pequenos passos a partir do nada.

É preciso ainda convencermo-nos de que cada um dos mediadores na rota da evolução, digamos da mera pele para um olho moderno, teria sido favorecido pela selecção natural; teria sido um progresso em relação ao seu predecessor na sequência ou pelo menos teria sobrevivido. Não serviria de nada provarmos a nós próprios que existe teoricamente uma cadeia de mediadores quase perceptivelmente diferentes levando a um olho se muitos desses mediadores tivessem morrido. Afirma-se às vezes que as partes de um olho têm de estar todas reunidas ou o olho não funcionará. Metade de um olho, diz o argumento, não é melhor que nenhum olho. Não podemos voar com metade de uma asa; não podemos ouvir com metade de um ouvido. Portanto, não pode ter existido uma série de passos intermédios conduzindo ao olho, asa ou ouvido modernos.

Este tipo de argumento é tão ingénuo que podemos apenas perguntar-nos quais os motivos subconscientes para acreditar nele. É obviamente falso que meio olho seja inútil. As pessoas que sofrem de cataratas a quem removeram cirurgicamente os cristalinos não podem ver muito bem sem óculos, mas ainda assim estão muito melhor do que as pessoas que não têm quaisquer olhos. Sem o cristalino não é possível focar uma imagem detalhada, mas é possível evitar chocar com obstáculos e seria possível detectar a sombra vaga de um predador.

Quanto ao argumento segundo o qual não podemos voar com apenas metade de uma asa, é refutado por um grande número de animais planantes bem sucedidos, incluindo mamíferos de géneros muito diferentes, lagartos, rãs, cobras e chocos. Muitos géneros diferentes de animais que vivem nas árvores têm abas de pele entre as suas articulações que são de facto asas fraccionadas. Se cairmos de uma árvore, qualquer aba de pele ou alisamento do corpo que aumente a nossa área de superfície pode salvar-nos a vida. E, por muito pequenas ou grandes que as nossas abas possam ser, haverá sempre uma altura crítica tal que, se cairmos de uma árvore dessa altura, a nossa vida poderia ter sido salva por precisamente um pouco mais de área de superfície. Portanto, quando os nossos descendentes desenvolverem essa área de superfície extra, as suas vidas serão salvas precisamente por um pouco mais, mesmo que caiam de árvores de uma altura ligeiramente maior. E assim sucessivamente, por passos imperceptivelmente graduados até que, centenas de gerações depois, chegamos a asas completas.

Os olhos e as asas não podem surgir num passo único. Isso seria como ter a sorte quase infinita de acertar na combinação que abre a caixa-forte de um grande banco. Mas se girarmos os discos da fechadura ao acaso e, de cada vez que nos aproximarmos um pouco mais do número da sorte, a porta da caixa-forte rangendo abrir outra ranhura, em breve teremos a porta aberta! Na essência, é esse o segredo de como a evolução por selecção natural realiza o que pareceu impossível. Coisas que não podem plausivelmente ser derivadas de predecessores muito diferentes podem plausivelmente ser derivados de predecessores apenas ligeiramente diferentes. Contanto que haja uma série suficientemente longa de predecessores ligeiramente diferentes, podemos derivar qualquer coisa de qualquer outra coisa.

Portanto, a evolução é teoricamente capaz de fazer o trabalho que antigamente parecia ser uma prerrogativa de Deus. Mas há alguma prova de que a evolução tenha de facto acontecido? A resposta é sim; a prova é esmagadora. Milhões de fósseis encontram-se exactamente nos lugares e exactamente à profundidade a que devemos esperar que estejam se a evolução aconteceu. Nem um único fóssil foi alguma vez encontrado num local em que a teoria da evolução não previsse que estivesse, embora isto pudesse ter acontecido com muita facilidade: um fóssil de um mamífero tão antigo que os peixes ainda não existissem, por exemplo, seria suficiente para refutar a teoria da evolução.

Os padrões de distribuição dos animais e das plantas pelos continentes e ilhas do mundo são exactamente os que seria de esperar que fossem se eles tivessem evoluído de antepassados comuns por graus lentos e graduais. Os padrões de semelhança entre animais e plantas são exactamente o que esperaríamos se alguns fossem entre si primos chegados, e outros mais distantes. O facto do código genético ser o mesmo em todas as criaturas vivas sugere esmagadoramente que todas descendem de um único antepassado. As provas a favor da evolução são tão conclusivas que a única forma de salvar a teoria da criação é assumir que Deus deliberadamente colocou enormes quantidades de provas para fazer com que parecesse que a evolução ocorreu. Por outras palavras, os fósseis, a distribuição geográfica dos animais e tudo isso, são todos um gigantesco conto do vigário. Alguém quer adorar um Deus capaz de tal embuste? É certamente muito mais respeitoso, assim como mais sensato do ponto de vista científico, tomar as provas pelo seu valor facial. Todas as criaturas vivas são primas umas das outras, descendem de um antepassado remoto que viveu há mais do que 3000 milhões de anos.

Por conseguinte, o Argumento do Desígnio foi destruído como razão para acreditar em Deus. Existem outros argumentos? Algumas pessoas acreditam em Deus por causa do que sentem ser uma revelação interior. Tais revelações nem sempre são edificantes mas para a pessoa em questão são sem dúvida sentidas como reais. Muitos habitantes de hospícios têm uma fé inabalável em que são Napoleão ou, na verdade, o próprio Deus. Não há dúvida do poder de tais convicções para quem acredita nelas, mas isto não é razão para que o resto de nós acredite. Na verdade, uma vez que essas crenças são mutuamente contraditórias, não podemos acreditar nelas.

É preciso dizer um pouco mais. A evolução por selecção natural explica muitas coisas, mas não poderia ter começado do nada. Não poderia ter começado sem que houvesse algum género de reprodução e de hereditariedade. A hereditariedade moderna baseia-se no código de ADN, que é ele mesmo demasiado complicado para ter surgido espontaneamente por um único acto de acaso. Isto parece significar que teve de existir algum sistema hereditário anterior, agora desaparecido, que era suficientemente simples para ter surgido por acaso e pelas leis da química e que forneceu o meio no qual uma forma primitiva de selecção natural cumulativa pôde começar. O ADN foi um produto posterior desta selecção primitiva e cumulativa. Antes deste género original de selecção natural, houve um período em que foram construídos compostos químicos complexos a partir de compostos químicos mais simples e antes desse um período em que os elementos químicos foram feitos a partir de elementos mais simples, seguindo leis físicas bem compreendidas. Antes disso, em última instância foi tudo construído de hidrogénio puro no imediato seguimento do big bang que iniciou o universo.

Há a tentação de defender que, embora Deus possa não ser necessário para explicar a evolução da ordem complexa uma vez que o universo, com as suas leis fundamentais da física, tenha começado, precisamos de um Deus para explicar a origem de todas as coisas. Esta ideia não deixa Deus com muito que fazer: somente iniciar o big bang, e em seguida sentar-se e esperar que tudo aconteça. O físico-químico Peter Atkins, no seu livro maravilhosamente escrito The Creation, postula um Deus preguiçoso que se esforçou por fazer tão pouco quanto possível para iniciar tudo. Atkins explica como cada passo na história do universo seguiu, por simples lei física, o seu predecessor. Reduziu assim a quantidade de trabalho que o criador preguiçoso precisaria de fazer e no fim de contas concluiu que de facto não precisaria de fazer nada!

Os detalhes da fase inicial do universo pertencem ao reino da física e eu sou biólogo, mais interessado nas últimas fases da evolução em complexidade. Para mim, o ponto importante é que, mesmo se o físico precisa de postular um mínimo irredutível que teve de estar presente no começo, para que o universo começasse, esse mínimo irredutível é certamente extremamente simples. Por definição, as explicações construídas sobre premissas simples são mais plausíveis e mais satisfatórias do que as explicações que têm de postular começos complexos e estatisticamente improváveis. E dificilmente poderemos encontrar algo mais complexo do que um Deus Todo-Poderoso!

Richard Dawkins é Professor em Oxford de Compreensão Pública da Ciência. É o autor de O Relojoeiro Cego (no qual este artigo se baseia em parte) e A Escalada do Monte Improvável. É Editor Principal do Free Inquiry.
Tradução de Álvaro Nunes

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Lula projeta Brasil a 'líder regional e ator global de 1ª ordem', diz jornal argentino

O jornal argentino "La Nación" afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como "líder regional e ator global de primeira ordem".

O texto, intitulado "Brasil, nas grandes ligas", atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a "via das políticas de Estado (...) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso".

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de "dois troféus" aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma "formidável imagem de como se defende o interesse nacional". O "La Nación" sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, "aversões pessoais" entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal "não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas".

"A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo." Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, "enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama".

O jornal observa que "em 2011 terminará o segundo período de Lula". "Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas." Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, "o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina" e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que "em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões".

"Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida."

FONTE: UOL

Minha observação

O comentário feito sobre Buenos Aires se aplicar ao RS. Aqui, gremistas ficam torcendo para que as reformas do Beira-Rio dêem errado e com isso o Olímpico tenha alguma chance, mesmo que a FIFA já tenha definido tudo.

Por isso, o RS é um estado realmente "aregentino", inclusive nos defeitos.

Domingo, Outubro 11, 2009

ENEM: aplique-se a Lei 8666/93 ao Grupo Folha

No âmbito do direito cível e do administrativo, a gráfica Plural, que pertence ao grupo Folha de São Paulo, foi contratada por meio de licitação pública. Ou seja, comprometeu-se a cumprir todas as exigências do edital, pelo menor preço. E uma dessas exigências era o sigilo e a confidencialidade do trabalho, que era a impressão de provas de um concurso. E a essa exigência, evidente e notoriamente o grupo não cumpriu.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

As Raízes da Corrupção


Terça-feira, Outubro 06, 2009

A política do desprezo

Paul Krugman
Do The New York Times

Semana passada ocorreu o que o presidente Barack Obama gosta de chamar de "oportunidade de aprendizado", quando o Comitê Olímpico rejeitou a cidade de Chicago para sediar as Olimpíadas de 2016.

De acordo com o blog de um dos membros da publicação conservadora Weekly Standard, houve uma "festa" na redação da revista. O título da postagem era "Obama perdeu! Obama perdeu!". Rush Limbaugh disse estar "satisfeito". "O Mundo Rejeita Obama", disse o Drudge Report. E assim por diante.

E qual foi o aprendizado então? Primeiro, aprendemos que o movimento conservador moderno, que domina o partido republicano, tem a maturidade emocional de um pirralho de 13 anos.

Mas, além disso, o episódio revelou uma verdade incontestável da situação política nos Estados Unidos: No momento, a força motriz de um dos maiores partidos do país é basicamente o desprezo. Se os republicanos acham que alguma coisa pode ser boa para o presidente, eles se mostram imediatamente contra, sem relevar se essa mesma coisa é ou não boa para o país.

Na realidade, a celebração infantil da rejeição do Comitê Olímpico não foi exatamente ofensiva. Mas esse princípio do desprezo tem determinado posições republicanas em questões mais sérias, com consequências infinitamente mais graves - em especial no debate da reforma de saúde.

É compreensível que muitos republicanos se oponham aos planos dos democratas de aumentar a abrangência da cobertura de saúde - da mesma forma que a maioria dos democratas se opôs à tentativa de Bush de transformar a Previdência Social em um grande plano 401(k). Os dois partidos, no final das contas, possuem filosofias diferentes relativas ao papel do governo.

Mas eles também têm diferentes táticas. Em 2005, quando os democratas fizeram campanha contra a privatização da previdência, seus argumentos eram consistentes à sua ideologia: eles diziam que substituir os benefícios garantidos por contas privadas significaria expor os contribuintes a um risco desnecessário.
A campanha republicana contra a reforma da saúde, ao contrário disso, não demonstra qualquer consistência. O ataque dos republicanos baseia-se na alegação de que a reforma irá enfraquecer o Medicare. E essa forma de ataque vai contra as tradições do partido e suas filosofias.

Veja que bizarra e contraditória deve ser para os republicanos a posição de defensores do gasto irrestrito para o plano Medicare. Em primeiro lugar, o partido republicano moderno considera-se um partido de Ronald Reagan - e Reagan opunha-se ferrenhamente à criação do Medicare, alegando que ele iria acabar com a liberdade nos EUA. (E isso não é brincadeira.) Na década de 1990, Newt Gingrich tentou forçar cortes drásticos no orçamento do Medicare. Recentemente, os republicanos têm desdenhado do crescimento nos gastos com a previdência - crescimento esse que é impulsionado pelos gastos cada vez maiores com seguros de saúde.

Mas a administração Obama planeja aumentar a cobertura de saúde com a verba que sobrará do Medicare. E já que os republicanos se opõem a tudo que possa ser bom para Obama, tornaram-se defensores apaixonados do sistema que sustenta operações inúteis e pagamentos exorbitantes aos convênios de saúde.
Como é que um dos maiores partidos do país veio a tornar-se tão inescrupuloso, tão cruel a ponto de aplicar táticas que inviabilizem inclusive as administrações futuras de fazer um governo decente?

O ponto mais importante é que, desde a era Reagan, o partido republicano tem sido dominado por radicais - demagogos e fundamentalistas que não aceitam o direito do outro de governar.

Quem se espanta com a oposição viperina e selvagem a Obama deve ter esquecido da era Clinton. Lembra quando Rush Limbaugh disse que Hillary Clinton era cúmplice de assassinato? Quando Newt Gingrich calou o governo federal para tentar forçar Bill Clinton a aceitar os cortes do Medicare? E é melhor nem falarmos naquela história de impeachment.

A única diferença agora é que o partido republicano está na posição mais fragilizada, perdeu controle no congresso e teve sua oratória enfraquecida. O público não acredita mais na ideologia conservadora como antigamente; os velhos ataques ao governo e as súplicas da mágica da economia de mercado não surtem mais efeito. E, mesmo assim, os conservadores acreditam que só eles devem ter o direito de governar.

O resultado disso é uma abordagem amarga e inescrupulosa. À espera do dia em que o partido governará novamente para, na primeira oportunidade, punir a atual administração da forma mais severa.

É um quadro assustador. Mas é a verdade. E é uma verdade que precisa ser encarada por todos que desejam fazer algo para resolver os problemas dos Estados Unidos.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.
 
Fonte: TERRA

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

La apuesta de Lula para ubicar a Brasil en el centro del mundo

RIO DE JANEIRO- Desde que Río de Janeiro alcanzó la recta final para ser sede olímpica, Lula puso todo el peso de su liderazgo y popularidad para concretar una de sus grandes ambiciones antes de dejar la presidencia de Brasil en el 2010: que los Juegos Olímpicos del 2016 se realicen en este país.
Lejos de formar parte de una obsesión circunstancial, la ambición de Lula de colocar el nombre "Brasil" en el mundo y extender su liderazgo en todos los campos posibles se constituyó en un objetivo incesante de la política exterior brasileña de los últimos gobiernos.

En este sentido, Lula entendió perfectamente que una de las maneras de posicionar a su país en el centro del mundo y de ejercer el liderazgo que Brasil viene desplegando en los últimos años también se logra a través del deporte, motivando el inicio de su cruzada para constituirse en sede del mundial de fútbol en el 2014, algo que consiguió y significó un logro inmediato de la política exterior y de su gobierno.

Esta visión se reforzó luego del espectacular despliegue de China en las olimpíadas de Pekín 2008, uno de los principales socios políticos de Brasil en el grupo de los BRIC, que integra junto a Rusia y la India, donde se consolidó la idea de Lula de posicionar a su país como referente mundial también en el campo deportivo.

Lejos de leerse como un hecho aislado, la obsesión que el gobierno brasileño mostró por los Juegos Olímpicos debe interpretarse como una actitud de un país que aún con su compleja problemática social, actúa como potencia y pretende que así sea percibida en el campo internacional. No faltará la oportunidad: en el 2014 y 2016 el mundo tendrá sus ojos puestos en Brasil. 

Fonte: La Nacion

Alguns comentários de leitores:

Muy bién por nuestros vecinos Brasileros, Los envidio sanamente, De afuera se vé que sus polìticos están creando un país en serio en todos sus estamentos, con polìticas de estado creíbles y un presidente inteligente con un carisma arrollador. Los admiro!!!!!

Mientras Brasil muestra un liderazgo cada vez mas notable pensando en crecer cada vez mas, recordando el pasado para no repetir errores en el futuro (a diferencia de la impresentable que quiere volver a los 70s para vivir en el pasado) , organizaran en el 2014 el mundial de futbol y en el 2016 los juegos olimpicos, FELICITACIONES A BRASIL Y LA VERDAD UNA GRAN ENVIDIA A los brasileños por tener en LULA UN GRAN ESTADISTICA (A DIFERENCIA DE LA PROFESORA OFELIA QUE HABLA MUCHO DE MEMORIA, SIN SENTIDO, Y SE chor... todo )

Estoy mirando en TV a LULA ¡què presidente!. Lo veo con su corbata con los colores de la bandera brasileña y su pin en el saco y siento ENVIDIA. Està emocionado hablando de su paìs. Es inevitable compararlo con la crispaciòn y soberbia gubernamental argentina. Los brasileños deben estar ORGULLOSOS de tener a LULA.


Grande Brasil !!!!!!!!!!!!!!!!!! y como dice el amigo es una victoria de toda sudamerica contra los poderosos ; Felicitaciones Brasil !!!!!!!!!!!!!!


Vivo en brasil hace 30 anios,soy de Avellaneda,hoy es un dia de gran felicidad para Brasil y Sudamerica,y quien dijo que Lula no va estar de presidente,en 2014,pueden tener certeza que será candidato y ganará facil,si bien no concordo con sus amistades,tipo chavez,evo morales ,fidel o su preferencia con el lado palestino,no dejo de reconocer que el pais esta muy bien,solido y con gran desenvolvimiento para seguir cresciendo.Excelente el trabajo del comite olimpico brasilero,Brasil fue el pais comn mas emocion y ganas de acontecer,por eso :bella victoria.PARABENS,FELICITACIONES! a todos los que trabajaron para este triunfo,Argentina tiene la chance de se esforzar para obtener buenos resultados,es casi local en Rio.

Indudablemente Lula es un estadísta y en el mundo se lo reconoce como tal.

La verdad, un gran logro y una cabal demostración del status de Brazil en el mundo. Nosotros estamos cerca (geográficamente, por supuesto).





Quarta-feira, Setembro 23, 2009

lula: 'The Most Popular Politician on Earth'

For nearly seven years, he's done a spectacular job as Brazil's president. But can Lula resist the temptation to throw it away?
Sep 22, 2009
He grew up so poor, he didn't find out what bread was until he was 7. That was Lula's age when he climbed onto a flatbed truck with his Brazilian dirt-farmer family and all their possessions and made the 1,900-mile journey from the country's northeastern dustbowl for a life in the slums of São Paulo. He dropped out of school in the fifth grade, shined shoes on the street, and went to work in a factory at 14, losing a finger to a lathe in an accident on the graveyard shift at an auto-parts plant. Eventually he rose through the rank and file to become an internationally respected union leader. A military junta ruled Brazil back then, and strikes were illegal, but he defied the generals and the bosses and practically shut down the continent's industrial powerhouse in the name of the steelworkers.
He's in New York this week to kick off the 64th session of the United Nations General Assembly. The cameras may focus on the embodiment of American cool, Barack Obama, or on flamboyant autocrats and chest thumpers like Iran's Mahmoud Ahmadinejad and Venezuela's Hugo Chávez, but the biggest star on hand will be the blunt, bearded onetime lathe operator: Brazil's president, Luiz Inácio Lula da Silva. After nearly seven tumultuous years in office, the man everyone calls Lula continues to enjoy an approval rating above 70 percent. That would be a remarkable feat anywhere, never mind in a continent where presidents are a disposable commodity. "That's my man right there," Obama greeted him at the G20 summit in London in April. "The most popular politician on earth."



How da Silva earned such acclaim says plenty about how wealth and power are shifting in this postcrash age. With his leadership, Brazil has withstood the global crisis better than almost any other nation: not a single bank went under, inflation is low, and the economy is growing again. "People doubted it when I said we would be the last to fall into recession and the first out," Lula told NEWSWEEK in an exclusive interview. "But just wait and see, this December. We are going to create a million jobs this year." That's not as good as it may sound: a million jobs would only just about replace the jobs his country has lost since October 2008. But Brazil is looking pretty good compared with most places; it's outpacing Russia and joining India and China—the other big emerging powers tagged collectively BRICs—to lead the way back to global economic growth. Gone are the days when, as Goldman Sachs chief economist Jim O'Neill jokingly recalls, "people told me I put the B in BRICs to make the acronym sound better."

Brazil's man of the moment says he couldn't give a fig for the polls. "If you have flawed policies and try to sell them with false publicity, your ratings won't last," he says. But the question now is whether he can continue to parlay his own star power into gains for Brazil—and, more pointedly, whether he is about to throw away much of what he has accomplished as president. He has just 15 months to go in office, and his favored successor, chief of staff Dilma Rousseff, has little national name recognition and none of her boss's charm. Despite his overwhelming popularity, recent polls say she's running a distant second and losing ground to the opposition's choice, São Paulo Gov. José Serra. "Lula's aura is not transferable," remarks Donna Hrinak, a former U.S. ambassador to Brazil. To compensate, the former labor firebrand has begun doing just what his critics feared when he first took office in 2003: tightening government control of the economy, looking the other way when key allies are caught with their hands in the public till, and spraying money about with abandon.

In the name of helping poor and working-class Brazilians—but with a close eye on next year's election—da Silva has repeatedly pumped up the minimum wage (up 67 percent since 2003, nearly 40 percent over the pace of inflation) and is boosting government pay and pensions, a move that can only add to the next administration's troubles. "We have to give a little more to those who earn less," Lula says. Yet that's the sort of populist talk that gives many the chills. "The risk is the legacy of fixed expenditures and budget commitments that Lula will leave for the future," warns former finance minister Mailson da Nóbrega. The public payroll is growing at more than 10 times the rate of public investment in roads, bridges, and ports. Meanwhile, da Silva has done nothing to ease the country's total tax burden, the highest in the emerging markets at 36 percent of GDP. And when Senate leader and former president José Sarney, who controls a key block of votes in the allied Brazilian Democratic Movement Party, came under fire for handing out jobs to cronies and kin, Lula rushed to his defense, saying Sarney "could not be treated like an ordinary person"—an odd choice of words, coming from a man of the people.

Still, if there's one constant truth about Lula, it is that things are subject to change. "I am a walking metamorphosis," he likes to say, quoting the 1970s Brazilian cult singer Raul Seixas. On the surface, he bears no more than a faint resemblance to the roughcut union man of 30 years ago, or even to the politician he became in the '80s and '90s, stumping for the poor and forgotten till he went hoarse. The once black curls and unkempt beard are neatly trimmed now and shot through with gray. In place of his old stained workshirt and denim bell-bottoms, he dresses in smart suits tailored to flatter his barrel of a body. His lifelong lisp has lessened, and long hours of practice have refined his shop-floor grammar and vocabulary. The man who took office saying he would be content to improve the lot of the Brazilian poor is now convinced of Brazil's mission to transform the world. "Brazil is a country with solid, democratic institutions," he says. "We have shown nations some lessons about how to confront the economic crisis."

And yet in deeper ways he's the same as ever. He still speaks in the sandpaper basso profundo that electrified his fellow metalworkers. And for all his polished manners and fine clothes, nothing vexes Lula more than being trapped in his office. "He gets nervous when he spends too much time at his desk," says his cabinet chief, Gilberto Carvalho. "He says, 'I need to get out and travel, and meet people.' His connection is with the little guy." The president likes nothing more than to ditch protocol, go off script, and (to the despair of his security detail) wade into an adoring crowd. Nevertheless, to his credit, he has resisted his followers' urgings to amend the Constitution so he can seek a third term and warns against the false high of celebrity. "Popularity is like blood pressure," he says. "Sometimes it's high and sometimes it's low. What you need is to keep it under control."

That's a skill he acquired the hard way. Starting in 1989, he ran for president three times, surging in early polls only to hit a wall on voting day. By the late '90s he was on the verge of quitting politics. Instead, he did something bolder: he remade himself. He stopped his fist-waving harangues, climbed into a suit, and hired a speech coach and a marketing wizard. More important, he tempered his leftist politics. The turning point was June 2002. He was ahead in the polls, but Brazil's economy was tanking—largely, it seemed, because investors were spooked by the prospect of President Lula. He responded with a "Letter to the Brazilian People," pledging to honor contracts, pay down the country's debts, abide by the International Monetary Fund's requirements, and generally play by the rules of the market. It was the gamble of his career, the political equivalent of tacking into a hurricane. Hardliners from his Workers Party (PT) accused him of betraying and caving in to bankers and capitalist carpetbaggers. Business executives were also wary: could the "new" Lula be trusted? Investors sat on their hands.

He won by a landslide, but the hard work had only begun. The pre-election financial turmoil had gutted economic growth and forced a steep devaluation of Brazil's currency. "It wasn't easy," recalls Lula. "We had no foreign credit. Our [hard currency] reserves were extremely low. Inflation was showing strong signs of resurgence. The economy was gridlocked." But an even bigger challenge was to live down the hard-left image he and the ruling PT had acquired over the years. "We took office amid a huge crisis of mistrust," says Carvalho, his cabinet chief and a longtime friend. "We were a minority in Congress. The press was skeptical." After all, Carvalho allows, "Until then everything we'd stood for was not paying the foreign debt, raising salaries. It would have been a disaster."

To convince lenders Brazil was serious, Lula increased the "primary budget surplus"—the money the government puts aside every year to pay debt and interest—and boosted lending rates to a scorching 26 percent a year, throttling growth in order to kill inflation. He also kept government wages and pensions under control. "The unions and many people in the party hated it," says Ricardo Kotscho, a friend and former press aide.
International money men still weren't sure. "We knew he'd been a union leader and the president of a political party. What I really wondered was if he had the guns to be president," says former World Bank president James Wolfensohn. So Wolfensohn sent out a feeler, offering to dispatch a team of experts to brief Lula's government on the key issues facing the international economy and Latin America. He didn't know how the new president would respond. "A lot of leaders throw the presidential seal at you," says Wolfensohn. "But Lula lapped it up. He was like a piece of blotting paper. He realized he had a major job to do and that running an election was different from running a country. For me, it characterized the man."

Da Silva has operated that way ever since, putting pragmatism ahead of ideology and, for the most part, fiscal restraint over the quick fix. "No one in their wildest dreams would have thought Lula would behave the way he has," emerging-market investment guru Mark Mobius, of Templeton Asset Management, told me a year ago. Now Templeton has $5 billion in Brazil, more than it does in China. For sure, Lula had plenty to work with. With a web of hydroelectric stations and half its fleet of cars running on clean-burning sugar-cane ethanol, the country has long been the benchmark in renewable energy. Clever agronomists have turned the harsh tropical backlands into a breadbasket, exporting more beef, soybeans, and frozen chickens than any other nation. But Lula also added value by stumping for Brazilian brands abroad. "We had to make it clear that Brazil is not a minor country," he says. "Brazil has the Amazon [rainforest], but also makes airplanes and cell phones." And just as his labor rallies once galvanized the hardhats in São Paulo, his aggressive diplomacy has rallied poorer nations to demand free trade and a new deal in the international economy.

His real genius, however, has been his ability to sell unpalatable reforms to a largely poor population that looked to him as something of a savior. "Lula's popularity helped him make risky decisions that often required sacrifices," says José Dirceu, a former Workers' Party commander who fell to a corruption scandal. More important, unlike the supremos and populist demagogues who abound in Latin America, he did it playing by the rules. "Lula's respect for democracy and elections is a big plus," says former Treasury chief Joaquim Levy. "Very often he has been able to translate key values of democracy in ways that make them more concrete to people." The president still has his work cut out for him, and not much time left to accomplish it. "This is a country that has suffered from low self-esteem," he says. "Brazil needs to recover its pride. And I think things are happening. I hope those who come after me can work to transform Brazil into a great economy."

The economic crash put Lula's skills as a persuader to the test. "It was frightening," da Silva recalls. "We had no credit, no money in September, October, November, December, January, February, and March." But instead of lurching to the left, his instincts took him to the center, steeling him against populist pressures. He gave the central bank a free hand to control inflation, even at the price of curbing growth. "We knew there were no miracles," he says.

Still, the crisis inflamed Lula's old rancor over "savage capitalism" and the folly of the free market. He blamed the subprime market mess on "white-skinned, blue-eyed" bankers and ridiculed the champions of deregulation and the "minimal" state. "In the '80s and '90s it was fashionable to deride the state," he says. "But in the blink of the eye, the [free] market nearly bankrupted the world. And who did they go to for a bailout? The state." This is not as fierce as it sounds. While Lula roundly denounces his predecessor's sell-off of state-owned industries, he made a point not to reverse the process after taking office. "I think privatization was a mistake, but I had to work to do," he says. "I couldn't afford to spend my mandate fighting with the old government." Clout, not dogma, is what fuels Lula.

Clearly part of this is realpolitik as Lula works to cement Brazil's preeminence. "As the dominant economy in the region, Brazil has to be comprehending of its neighbors," he says. "It's like the relations of father to son." He even defends the ham-fisted rule of Venezuelan strongman Hugo Chávez. "Give me one example of how Venezuela is not a democracy!" he demands. But Lula's larger ambition is to assert Brazil's place on the world stage. He makes no secret of his own national pride. Back in 2003, the G7 nations finally opened up their annual gathering to some of the less-wealthy countries, and Lula was among those invited. He stood before the meeting in France and marveled at how unlikely it was that he, a peasant's son, was now addressing some of the most powerful people on the planet. Then he turned the tables: why not hold the next G7 meeting in Brazil, he challenged. "After all, in 20 years maybe only three of you will still be around." Not everyone was amused. But no one missed the point.

Correction: The original version of this story said Obama's "That's my man" comment was made at the Summit of the Americas; it was actually made at the G20 meeting in London.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

O BRASILEIRO É ASSIM

- Comemora pênaltis simulados por jogadores de seus times, gols irregulares; e, faltas violentas.
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Fala no celular enquanto dirige.
-Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas em frente as escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho
- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos piratas com a pela consciência de que são piratas.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Freqüenta os caça-níqueis e fazem uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales transportes e vale refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo.. só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado...
- Quando volta do exterior, nunca fala a verdade quando o policial pergunta o que traz na bagagem...
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.


E querem que os políticos sejam honestos, se escandalizam com a farra das passagens aéreas. Estes políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?!


Brasileiro reclama de quê, afinal?

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

'Le Monde': Lula acertou ao falar que crise era "marolinha"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão "bastante correta" ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma "marolinha", diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira. 

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e do real. 



"A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais", afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado "A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics", o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo - Brasil, Rússia, Índia e China - um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países
"É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna", diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.
O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços. Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. 

Fonte: Terra

Sábado, Setembro 05, 2009

Pedagogia: Formação deficiente

EDITORIAIS


Os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), divulgados agora pelo Ministério da Educação (MEC), colocam o Rio Grande do Sul em primeiro lugar entre os Estados com maior número de cursos universitários com conceitos 4 e 5, numa escala de 1 a 5. O desempenho gaúcho merece ser comemorado, mas não é suficiente para atenuar a preocupação com outro aspecto revelado pela pesquisa, evidenciado em âmbito nacional: a precariedade, de maneira geral, da formação de professores, encarregados da formação básica dos brasileiros. A avaliação confirma, assim, a importância de mais investimentos nos cursos destinados à formação de educadores e dos mecanismos de avaliação que vêm sendo implantados por alguns Estados, incluindo o Rio Grande do Sul.

O exame do MEC revela que na área de Pedagogia, uma das 23 avaliadas, um em cada quatro futuros profissionais do país se forma em cursos de má qualidade – os avaliados com conceito 1 e 2. E o mais preocupante é que a deterioração da qualidade do curso, responsável pela formação de professores, coordenadores e diretores de escolas, vem aumentando. De 2005 até agora, o percentual de faculdades de mau desempenho nesta área, em âmbito nacional, aumentou de 28,8% para 30,1%. O país precisa deter de imediato essa deterioração crescente e qualificar as alternativas já existentes de formação, evitando a perpetuação dos prejuízos para as futuras gerações.

A particularidade de as causas do problema serem múltiplas faz com que a solução não possa ser encarada como fácil. Investimentos na melhoria da qualidade da formação e intensificação dos mecanismos de avaliação dos profissionais, como os em andamento no governo federal e no estadual, estão entre as providências obrigatórias.

Nem o Rio Grande do Sul, nem o Brasil podem se conformar com o círculo vicioso mantido por características como a de que os jovens optam por Pedagogia pelo fato de ser mais fácil passar no vestibular e que o curso é ruim porque os alunos são pouco exigentes. Educação de qualidade, como a que o Estado e o país precisam, exige antes de mais nada professores bem formados e alunos realmente interessados em seguir a carreira.


Fonte: ZERO HORA

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Pensamento do dia

"Todo mundo pode dominar uma dor exceto a que sente."

  Willian Shakespeare
Ele quiz dizer o seguinte: Quando é alguém a sentir dor, nós aconselhamos, indicamos soluções, indicamos remédios, etc, mas, não sentimos aquela dor, pois ela é de outrem. Porém, quando a sentimos, a história torna-se diferente e, acontece o que ele disse, não dominamos. Inclusive esse pensamento é bem mais amplo do que parece, pois a dor veio ao mundo para "ser sentida", o próprio nome caracteriza a sua função. Ela não tem outra função. Mesmo com todo avanço tecnológico e científico, chega-se a um determinado ponto em que ela sai vitoriosa, isso sem mencionar, a dor psicológica, que talvez seja a pior delas.
Hoje, sofrendo de uma doença cruel, sofro em pensar que não disse as palavras certas aos meus pais antes deles morrem de doenças graves.
As piores coisas que se pode dizer são: vai passar, tem gente pior, tem gente que se cura, não é bom pensar na morte, etc.
Quem tem doença grave no fundo quer que todos tenham compaixão e facilitem sua vida. Quem tem doença grave quer que as pessoas dêem menos opiniões e parém de finger sentimentos.

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

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Domingo, Agosto 09, 2009

TAMIFLU: Quem [e Donald H. Rumsfeld

Reuters
Nome: Donald H. Rumsfeld
Cargo: secretário de Defesa dos EUA (Governo Bush)
Formação: história, Universidade de Princeton
Estado civil: casado com Joyce Pierson, com quem tem três filhos.
Nascimento: 9 de julho de 1932, em Chicago, Illinois, EUA (71 anos)


Donald Rumsfeld nasceu em Chicago (Illinois) em 9 de julho de 1932. Depois de se formar na Universidade de Princeton (Illinois), Rumsfeld serviu a Marinha por três anos como piloto e instrutor de vôo, passando mais tarde para a reserva, onde ainda cumpriria funções administrativas até 1975. Nesse ano, se tornou o mais jovem Secretário da Defesa que os EUA já tiveram.

Antes da Secretaria da Defesa, assumida pela primeira vez durante o governo de Gerald Ford (1974-1977), Rumsfeld foi assessor parlamentar, executivo de investimentos em um banco e deputado pelo Estado de Illinois reeleito três vezes (1962-1969), até trocar o Congresso pelo gabinete, assumindo cargos na Fazenda e na Defesa, respectivamente.

De 1977 a 1993, Rumsfeld voltou à vida corporativa, mas sem se distanciar do governo federal. Representou os EUA na ONU (Organização das Nações Unidas), participou dos Conselhos Presidenciais sobre Controle de Armas, Sistemas Estratégicos, Relações Bilaterais entre EUA e Japão e Serviços Públicos; foi membro da Comissão Econômica Nacional e ocupou o posto de Enviado Especial dos EUA ao Oriente Médio durante o governo Ronald Reagan (1981-1989).

Antes de reassumir a Secretaria da Defesa em 2001, Rumsfeld dirigiu a comissão bipartidária sobre mísseis balísticos.

TAMIFLU: Donald H. Rumsfeld Named Chairman of Gilead Sciences

Donald H. Rumsfeld Named Chairman of Gilead Sciences

Foster City, CA -- January 3, 1997

Gilead Sciences Inc. (Nasdaq: GILD) today announced that board member Donald H. Rumsfeld will assume the position of Chairman, effective immediately. Mr. Rumsfeld succeeds Michael L. Riordan, M.D., who founded Gilead in 1987 and has served as Chairman since 1993. Dr. Riordan will continue to serve as a director on the board.

"Gilead is fortunate to have had Don Rumsfeld as a stalwart board member since the company's earliest days, and we are very pleased that he has accepted the Chairmanship," Dr. Riordan said. "He has played an important role in helping to build and steer the company. His broad experience in leadership positions in both industry and government will serve us well as Gilead continues to build its commercial presence."

"In my years with Gilead, I have witnessed the evolution of one of the industry's premier biotechnology companies," Mr. Rumsfeld said. "Michael Riordan's founding vision and enormous accomplishments are evident in the VISTIDE® product approval, deep pipeline and talented team that will continue to move Gilead to develop novel treatments for viral diseases."

Mr. Rumsfeld, who joined Gilead as a director in 1988, is currently in private business and is distinguished for his accomplishments in both industry and government. Mr. Rumsfeld served as chief executive officer of G.D. Searle, a worldwide pharmaceutical company, from 1977 to 1985. During this time, his stewardship of Searle earned him awards as the Outstanding Chief Executive Officer in the pharmaceutical industry in 1980 and 1981. He also served as chairman and chief executive of General Instrument Corporation, a diversified electronics company and world leader in broadband and all digital high definition television technology.

A graduate of Princeton University, Mr. Rumsfeld has served in numerous positions of public service, including four terms in the U.S. Congress, U.S. Ambassador to NATO, White House Chief of Staff and as the 13th Secretary of Defense. In 1977, Mr. Rumsfeld was awarded the nation's highest civilian award, the Presidential Medal of Freedom.

In addition to Gilead, Mr. Rumsfeld presently serves as an advisor to several companies and as a member of the board of directors of ABB AB; Gulfstream Aerospace Corp.; Kellogg; Metricom, Inc.; Sears, Roebuck and Co. and Tribune Company. Mr. Rumsfeld's current civic activities include service on the board of trustees of the Eisenhower Exchange Fellowship, Freedom House and the RAND Corporation.

Dr. Riordan will continue to assist the company with strategic direction through his involvement on the board of directors. Since founding the company in 1987, Riordan has overseen Gilead's evolution to a leading biotechnology company with its first approved product and a diversified pipeline of antiviral therapies.

"Michael Riordan's vision and leadership have guided Gilead from a start-up to a commercial company, and we are pleased to rely on his continued counsel as an active board member," John C. Martin, Ph.D., President and Chief Executive Officer of Gilead said. "Over the past several years, I have enjoyed working with Don Rumsfeld as an active director and look forward to his new role as Chairman as we continue to build the Gilead business."

Gilead Sciences is a leader in the discovery and development of a new class of human therapeutics based on nucleotides, the building blocks of DNA and RNA. In 1996, Gilead's first product, VISTIDE (cidofovir injection), was cleared by the U.S. Food & Drug Administration for the treatment of cytomegalovirus (CMV) retinitis in patients with AIDS. Gilead has other nucleotide product candidates in human testing for the potential treatment of viral diseases caused by CMV, human immunodeficiency virus (HIV), hepatitis B virus, herpes simplex virus and human papillomavirus.

The Company's research and development efforts encompass three interrelated programs: small molecule antivirals, cardiovascular therapeutics and genetic code blockers for cancer and other diseases. Gilead's expertise in each of these areas has also resulted in the discovery and development of non-nucleotide product candidates, including neuraminidase inhibitors for the potential treatment and prevention of viral influenza and protease inhibitors for the potential treatment of HIV.

FONTE: http://www.gilead.com/wt/sec/pr_933190157/

Tamiflu Scandal: Gilead Sciences' Donald Rumsfeld Connection | The News is NowPublic.com

Tamiflu Scandal: Gilead Sciences' Donald Rumsfeld Connection | The News is NowPublic.com

Tamiflu Scandal: Gilead Sciences' Donald Rumsfeld Connection

by Tina Kells | May 1, 2009 at 02:02 pm

Tamiflu is being touted as the best way to combat the H1N1 Swine Flu virus which has communities around the world in a pandemic panic, but is there a hidden agenda behind the push? Tamiflu is only one of two readily available anti-viral medications, yet Relenza isn't getting the same cure-it attention.

Could the fact that former Defense Secretary Donald Rumsfeld has substantial interest in Gilead Sciences, the company that exclusively produces Tamiflu, be part of the reason that Relenza is taking a back seat in the H1N1 Swine Flu treatment plan?

The suggestion of a US government/Tamiflu conflict of interest is not new. It first surfaced in 2005 when then President George W. Bush pushed for and won $7.1 billion in emergency funding to prepare for an influenza pandemic that was not even yet on the horizon.

George W. Bush pushed for the emergency funding to develop a strategy against a Bird Flu type pandemic in the US, more than 14% of which went to one company, Gilead Sciences, producer of Tamiflu. Not so scandalous in and of itself until you learn that prior to becoming Defense Secretary Donald Rumsleld was Chairman of the Board of Gilead Sciences, a post he held from 1997 to 2001.

Prominent among the President’s (then George Bush) list of emergency measures was a call for Congress to appropriate another $1 billion explicitly for Tamiflu.

Conflict of interest or insider trading?

The saga of Tamiflu is just the tip of a big iceberg. As we noted in an earlier article, the real point of interest is the company in California who developed Tamiflu, Gilead Sciences, listed on the NASDAQ as (GILD). As we also noted, US Secretary of Defense, Donald H. Rumsfeld, was Chairman of the Board of Gilead Sciences from 1997 until early 2001 when he became Defense Secretary. Rumsfeld had been on the board of Gilead since 1988, some thirteen years.


Is U.S. Secretary of Defense Donald Rumsfeld personally profiting from fears that a worldwide bird flu pandemic may occur? Yes. Rumsfeld once served as chairman of Gilead Sciences, Inc., the company that holds the patent on the antiviral drug Tamiflu, currently regarded as the world's best hope for the prevention and treatment of avian influenza. He still owns Gilead stock valued at between $5 million and $25 million.


The Rumsfeld connection to Tamiflu and its parent company Gilead Sciences is an eyebrow raiser which has caused bloggers to raise suspicious alarm bells. But the push to use Tamiflu over Relenza begs the question, why is the Obama administration pushing that one drug over an alternative? It can't possibly have an interest in padding the pockets of George W. Bush loyalists.

The reasons for the Tamiflu push may have been established long before Obama was calling the shots. As part of George W. Bush's 381-page Pandemic Influenza Strategic Plan the US amassed a stockpile of anti-viral medications to combat a future H1N1 pandemic. Starting in 2006 the Strategic National Stockpile (SNS) collected Tamiflu and Relenza at a ratio of 80% Tamiflu, 20% Relenza. Total bill to the US taxpayer, $731 million (in 2006 dollars).

Q: What is the target ratio for SNS antivirals (Tamiflu/Relenza)?


A: SNS is currently purchasing antivirals in a ratio of 80% Tamiflu to 20% Relenza. The SNS also includes smaller quantities of rimantadine. Each State should purchase antivirals in a ratio that best fulfills their needs. HHS will be providing additional guidance to States to assist them in making this decision.

Q: What is the federal funding breakdown?


A: Congress appropriated $3.8 billion to help prepare the nation for a pandemic influenza event. Of this money, $3.3 billion was allocated to HHS for:
• $ 1.8 B – Vaccine production and development
• $731 M –Antiviral procurement (includes procurements and research)
• $162 M –Procurement of other medical supplies
• $350 M –State and local readiness
• $161 M –Domestic preparedness
• $ 94 M - International Activities
• $ 38 M – Communications

Sábado, Agosto 08, 2009

Por que uso Macintosh?

“Poderia dizer que é porque que meu trabalho está ligado à estética, mas não é só por isso. Poderia dizer que quero parecer diferente, mas não é só isso. Poderia dizer que acho o produto lindo, mas não é só isso. Usar Mac é pertencer à uma cultura de pessoas que se preocupam com os mínimos detalhes, onde perfeição e beleza têm um peso importante. Conviver diariamente com um Mac é estar inserido neste mundo ideal onde todas as coisas são mais belas e funcionam melhor. E se a gente quer melhorar o mundo, nada melhor do que começar idealizando.”
Michel Lent Schwartzman
Diretor 10’minutos Interactive

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Traidores

Como poderíamos conquistar esse país se não fossem os traidores?

(comentário de um oficial japonês sobre um rico chinês que traiu seu povo, no filme "A estirpe do dragão", de 1944)

Dinheiro e Felicidade

...."Tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que tudo que tem é dinheiro"

Sábado, Agosto 01, 2009

Carta do Índio aos Brancos

A chamada "Carta do Índio aos Brancos" foi escrita pelo Chefe Seatle, um índio americano, e depois distribuída pela ONU (Organização das Nações Unidas) para todo o mundo.

A razão dessa carta, é que, em 1854, o presidente dos Estados Unidos na época fez a uma tribo indígena a proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em troca, a concessão de uma outras, que seriam a nova "reserva indígena" daquela tribo. A resposta do Chefe Seatle, abaixo, tem sido considerada desde então um dos mais bonitos e profundos textos pela defesa do meio ambiente. Veja se você concorda:

"O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo."

"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho."

"Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família."

"Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais."

"Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão."

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda."

Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros."

"O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados."

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos."

"Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos."

"O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo."

"Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos."

"Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todos as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios."

"Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo."

"Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos."

"Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam."

"Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o
início da sobrevivência."

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Tamiflu causa náuseas e pesadelos em crianças, aponta pesquisa

Remédio contra a gripe A provoca efeitos colaterais, segundo jornal britânico

Mais da metade das crianças que tomam o remédio utilizado no combate à gripe A, o Tamiflu, sofrem efeitos colaterais como náusea e pesadelos, aponta uma pesquisa da Agência britânica de Proteção à Saúde, publicada pelo site do jornal Times.

De acordo com o estudo, que contemplou crianças de três escolas de Londres e uma do sudoeste da Inglaterra mostraram que entre 51% e 53% tiveram um ou mais efeitos colaterais ao utilizar o medicamento, que é oferecido a todos que apresentam sintomas da gripe A na Inglaterra.

Um total de 103 crianças fizeram parte do estudo, em que 85 receberam a prescrição do Tamiflu como uma medida de precaução após um dos alunos ter sido diagnosticado com a nova gripe. Destes, 45 sentiram um ou mais efeitos colaterias. O mais comum foi a náusea (29%), seguido de dor no estômago ou cólicas (20%) e problemas para dormir (12%). Quase um em cada cinco tiveram efeitos como dificuldade de pensar claramente, pesadelos e "comportamento estranho", de acordo com a pesquisa.

ZEROHORA.COM

Quinta-feira, Julho 30, 2009

Pensamento do dia

"Brilhantismo intelectual não garante a ninguém a certeza de estar sempre certo."
(Carl Sagan)

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Os reconhecimentos a FHC

Emir Sader - Sociólogo

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.
Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.

Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis”, que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completamente subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Lula premiado em prévia do Nobel

O FHC deve estar morrendo de inveja!

Em 20 anos, sete vencedores na Unesco ganharam também o prêmio sueco

Em visita à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condecorado ontem com o Prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Busca da Paz, oferecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A premiação coloca Lula como candidato a outra distinção, esta mais famosa: o Prêmio Nobel da Paz. Criada há 20 anos, a condecoração da Unesco se antecipou ao Nobel em sete oportunidades, homenageando personalidades como Jimmy Carter, Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Frederik de Klerk e Yasser Arafat. Em discurso de agradecimento, Lula lembrou que “a promoção da cultura de paz é um dos pilares da Unesco”.

– Recebo este prêmio como reconhecimento das recentes conquistas sociais do Brasil – disse o presidente.

Sua composição é um dos indícios do prestígio da homenagem, mas não o principal. O dado que mais chama a atenção é a história, que o torna a melhor “prévia do Nobel”.

O caso que melhor sintetiza a sintonia entre o Houphouët-Boigny e o Nobel é também o mais recente: Martti Ahtisaari, diplomata finlandês, foi vencedor do prêmio da Unesco em 2007 e da academia suecaem 2008.

Em Paris, Lula foi o centro das atenções dos convidados e do público, majoritariamente de origem africana, mas também de personalidades como o ex-presidente da França, Jacques Chirac. Uma enxurrada de elogios cobriu o presidente brasileiro. Koichiro Matsuura, diretor-geral da Unesco, apontou o brasileiro como responsável pela “ação em favor da paz, da justiça social e do combate à fome no Brasil”. José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, definiu-o como “um estadista”.

– O presidente Lula da Silva é hoje uma das personalidades mais admiradas e respeitadas do mundo. Sua obra não foi apenas retórica, mas concreta, de construção de mais justiça social e de prestígio internacional.

Antes da premiação, três militantes da organização ambientalista Greenpeace protestaram contra Lula, acusando-o de conivência com o desmatamento da Amazônia. Enquanto os líderes políticos confraternizavam, os três ativistas subiram ao palco. Dois desfraldaram banners nos quais se lia a mensagem “Lula, salve a Amazônia, salve o clima”. Os militantes permaneceram, em silêncio, alguns segundos ao lado dos líderes políticos sem serem importunados por seguranças e sem provocar nenhuma reação de repúdio ou de apoio da plateia ou dos homenageados. Ao término de um instante de expectativa, seguranças da Unesco aproximaram-se, pedindo-lhes as bandeiras. Dois dos manifestantes, os franceses Sylvain Pardy e Pascal Ewig, ambos de 36 anos, expressaram uma breve reação física – um dos quais se jogando ao chão. O terceiro, o brasileiro João Talocchi, biólogo de 25 anos, entregou um globo inflável ao presidente.

– Chamei o presidente duas vezes, ele me olhou mas não quis pegar o globo. Na terceira, ele o pegou, mas o pôs de lado na mesma hora – contou Talocchi.

Paris
O prêmio francês
- Leva o nome de Félix Houphouët-Boigny, ex-presidente da Costa do Marfim.
- É entregue anualmente, podendo não ser conferido.
- O presidente Lula é o primeiro brasileiro a receber a distinção.
ANTECIPANDO O NOBEL DA PAZ
Sete personalidades receberam o Félix Houphouët-Boigny e, posteriormente, o Nobel da Paz:
- Nelson Mandela
- Frederik de Klerk
- Yitzhak Rabin
- Shimon Peres
- Yasser Arafat
- Jimmy Carter
- Martti Ahtisaari

Sábado, Junho 27, 2009

Estratégias discursivas


A repetição da idéia de que a saúde está em crise no Brasil não corresponde à realidade e funciona como camuflagem para um modelo de viés mercadológico. Investimentos nacionais, comparativamente, chegam a superar montante de países desenvolvidos
por Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim
JULIE NICHOLLS/CORBIS/LatinStock; COM INTERVENÇÃO ARTÍSTICA SOBRE O

A saúde está em crise. Essa é uma afirmação ouvida quase diariamente e que, por isso mesmo, acaba por adquirir peso de verdade absoluta, ou de senso comum.

Devemos ter cuidado com conceitos generalizados. É preciso lembrar que, desde o século 16, com René Descartes, já se sabe que o senso comum confunde a compreensão da realidade. Isso significa dizer que, quando todo mundo pensa igual, ninguém realmente pensa.

Olhando bem de perto, veremos que os investimentos no setor de saúde são crescentes, e as taxas de lucro também. Além disso, os gastos brasileiros totais com saúde, tomados como porcentagem da renda nacional, são comparáveis, senão superiores, aos de diversos países desenvolvidos.

Contra os atuais mais de 8% do PIB gastos com saúde no Brasil, podemos comparar os gastos do Japão (7%), Reino Unido (8,1%), Itália (8,7%), Suécia (9,1%), França (9,5%), Austrália (9,6%), Canadá (9,8%), Alemanha (10,6%), e mais de 15% nos Estados Unidos. Na América Latina, os gastos com saúde alcançam cerca de 4% da renda nacional no Peru, 6% no Chile, 6,5% no México e Costa Rica, 8,2% no Uruguai e Nicarágua, e 9,6% na Argentina.
©ELZA FIÚZA/ABR
INVESTIMENTOS EM SAÚDE, são crescentes, e taxas de lucro também. No Brasil, investimentos totais, equivalentes à renda nacional, são comparáveis e, em alguns casos, até superiores a de muitos países desenvolvidos.
É claro que a renda nacional varia de país a país. Assim, 1% da renda nacional dos Estados Unidos é muito maior que 1% da renda nacional da Nicarágua ou Costa Rica, por exemplo. Mas a comparação é válida, pois mostra quanto do orçamento nacional é comprometido com saúde. Essa comparação é semelhante ao que ocorre com uma família, quando reparte o orçamento doméstico em alimentação, educação, plano de saúde e transporte.

No caso das comparações entre países, as despesas refletem principalmente o quanto é gasto com ações de assistência médico-hospitalar e farmacêutica – os gastos com saneamento e educação, essenciais para garantir qualidade de vida e saúde, não são computados. Despesas com ações de prevenção e promoção de saúde entram no cálculo, mas são muito menores que as com assistência médico-hospitalar e com medicamentos.

Os gastos com saúde têm sido crescentes, tanto nos países com economia já estabilizada quanto naqueles em desenvolvimento, variando entre um e três pontos percentuais na última década. No Brasil, as inversões governamentais em saúde também têm crescido para atender à população dependente do Sistema Único de Saúde (SUS) – embora, como mostrou recente estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os gastos privados tenham crescido ainda mais.

Discurso Repetitivo
Mesmo com gastos crescentes, não desapareceu o discurso de crise. Afinal, do que tratamos quando nos referimos à “crise”? Só é possível compreender as dificuldades do modelo brasileiro de atenção à saúde partindo de um princípio básico: o setor é muitíssimo heterogêneo, e para analisá-lo é preciso compreender o funcionamento e os interesses de cada elo de sua cadeia produtiva.
©ELZA FIÚZA/ABR
O MODELO BRASILEIRO de atenção à saúde tem raízes na época colonial, com transformações que chegaram com a corte portuguesa, no início do século 19, e impactos absorvidos de sucessivas crises políticas. Ausência de democracia estrutural se refl ete nitidamente na saúde pública./ NO ATUAL COMPLEXO médico-hospitalar, com conexões nos anos 40, o Estado é tanto controlador como controlado por grupos privados, além de produtor e comprador de serviços, entre outros papéis. A tendência é de concentração de poder na industria de materiais, equipamentos e medicamentos.
No campo das diferenças, separemos inicialmente a saúde privada ou complementar do SUS. A primeira depende dos recursos privados dos consumidores de planos de saúde e dos recursos governamentais diretos (compra de serviços e medicamentos) e indiretos (incentivos fiscais e tributários). A segunda depende apenas dos recursos estatais. Se a procura por planos de saúde varia em função da renda disponível para o consumo, a procura pelo SUS é infinitamente crescente. Quanto mais acessível e melhor for o serviço público gratuito, mais pessoas o procurarão – afinal, se for bom e barato, para que pagar o plano de saúde?

No segmento privado, as indústrias de materiais, equipamentos e medicamentos tiveram vendas e lucros crescentes nos últimos três anos. Por exemplo, os hospitais vinculados à Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) tiveram, em 2007, lucro 12% maior que o obtido em 2006, enquanto as operadoras de planos de saúde obtiveram, em 2008, crescimento de 6% comparado a 2007. Para comparar, a taxa média de crescimento da economia brasileira entre 2006-2008 foi de magros 2,5% ao ano. Assim, vários outros indicadores de desempenho do setor privado nos desautorizam a caracterizá-lo como “em crise”.

Talvez o leitor esteja se lembrando das muitíssimas dificuldades pelas quais passou quando precisou usar seu plano de saúde e, a partir de sua experiência pessoal, ainda esteja convencido da existência da “crise” na saúde.

É verdade que as operadoras de planos de saúde encontram-se há anos no topo das listas de reclamações dos consumidores, mas as companhias telefônicas e os bancos também estão incluídos nessa lista e, no entanto, o senso comum não faz juízos sobre a crise do sistema financeiro e telefônico. O sistema financeiro tem uma “crise” desde setembro de 2008, mas essa é uma história inteiramente diferente. As agruras dos usuários de planos de saúde encontram-se no campo das relações de consumo, do direito do consumidor, da capacidade de o Estado vigiar e punir empresas, e são, literalmente, um problema de outra natureza, não exclusivo dos serviços de saúde.
© FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR
DESCENTRALIZAR IMPLICA em distribuir tanto recursos financeiros como poder de decisão, por si só uma tarefa desafiadora, sempre sob crítica de interesses opostos.
No mundo do SUS, a realidade é outra. A queixa por mais recursos financeiros para saúde é unanimidade. Afinal, todas as organizações, estatais, públicas e privadas, seriam beneficiadas se o dinheiro repassado pelo governo fosse maior. Essa seria a solução, caso o Estado, como qualquer outra unidade orçamentária, não tivesse recursos finitos e vários outros setores tão importantes quanto a saúde. Mais dinheiro para a saúde? E por que não para a educação, saneamento, moradia, segurança...? Mais para a saúde, menos para quem?

Saúde e Democracia
Mas para absolutamente todos os agentes envolvidos na oferta de bens e serviços de atenção à saúde, os assuntos de eficácia e eficiência econômicas são muito mais espinhosos. Empreender ações necessárias para atingir os objetivos determinados, e fazê-las bem feitas e com economia de recursos, está no campo de aplicação dos instrumentos de gestão e controle das instituições e processos. No entanto, os conhecimentos econômico e administrativo não podem tudo quando eficácia e eficiência estão em jogo; aspectos culturais, legais e sobretudo relativos à disputa por poder e recursos econômicos em uma sociedade democrática pesam muito na escolha de prioridades e na forma de executá-las. É preciso levar em conta a existência de um permanente “cabode-guerra” entre as diversas instâncias envolvidas, e como no jogo real, ganha quem joga melhor.

Esse conjunto de aspectos econômicos, culturais, legais e políticos produz um problema sério: o acesso da população de baixa renda aos serviços de atenção à saúde. Discutir esse ponto é diferente de sair por aí em suposta ou verdadeira indignação contra a “crise na saúde”. Se a atividade tem sido crescentemente lucrativa para amplos segmentos, como comentamos antes, as dificuldades de uns constituem o modelo de operação de outros.

E discutir o modelo ou estrutura de atenção à saúde é, quase sempre, uma armadilha. Entre economistas, por exemplo, quando não se considera possível ou desejável levantar um determinado problema, costuma-se afirmar: “é estrutural”. Para bom entendedor significa que vai permanecer como está.
A constituição do modelo brasileiro de atenção à saúde vem ocorrendo desde os tempos coloniais, passando por transformações com a chegada da família real, em 1808, depois com a declaração de Independência, e os sucessivos golpes da República, do Governo Provisório, do Estado Novo e da ditadura militar. O país até hoje paga a conta da falta de estabilidade política e da rasa experiência democrática, e os reflexos no sistema de saúde são inevitáveis.

Não consideramos razoável, nos limites das sociedades democráticas, esperar ou promover mudanças drásticas de estruturas – nunca se viu lugar onde essa estratégia tenha dado certo. Recomendamos que o enfrentamento do grave problema da dificuldade de acesso ocorra de forma contínua e consistente, o que já seria muito em termos de concretizar a cidadania. Pensar soluções para problemas com um longo histórico nos remete justamente à história da implantação do complexo médico-hospitalar no Brasil. Vamos a ela.

Tanto em termos absolutos quanto relativos o Brasil gasta atualmente com assistência à saúde mais que países de renda média comparáveis. No entanto, consegue apenas resultados relativamente menores quanto ao montante despendido. Esses dados, apresentados no relatório do Banco Mundial “Desempenho Hospitalar no Brasil”, são acompanhados de outros: mesmo com 60% dos hospitais brasileiros oferecendo menos de 50 leitos, ainda assim respondem pelo emprego de 56% da mão-de-obra utilizada na saúde, representando 67% das despesas totais e 70% dos gastos públicos com saúde.

O estudo do IBGE “Economia da saúde – Uma perspectiva macroeconômica 2000-2005”, nos fornece mais dados interessantes. Mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro destinam-se aos gastos com saúde e 60% dessa despesa cabe às famílias; em 2005, isso correspondia a 8,2% de seus gastos totais. Nas economias desenvolvidas, a maior parte dos gastos com saúde, entre 70-85%, cabem ao governo; no Brasil, esse valor é menor que 40%, semelhante ao verificado nos Estados Unidos (45%). Mas lá, cerca de 50 milhões de habitantes não dispõem de cobertura de plano de saúde, e também não existe um sistema nacional de saúde.
Investimentos Superiores
Comparando o Brasil aos demais países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), os gastos brasileiros superaram os da Índia (19%) e China (39%), mas foram menores que os da Rússia (62%). Mesmo entre as famílias, o gasto com saúde não é uniforme, variando conforme a renda; enquanto o gasto médio mensal com saúde dos 40% mais pobres da população é R$ 28,00, a dos 10% mais ricos é R$ 376,00; mais de 13 vezes superior, concentrada nos planos de saúde, medicamentos e atenção odontológica.

Mais alguns dados interessantes: nos mais de sete mil hospitais brasileiros verifica-se tanto densidade de leitos como utilização de cuidados hospitalares em níveis superiores aos encontrados em economias de renda média semelhantes, mesmo tendo o Brasil uma população mais jovem que a dos demais países do Bric, com perfil epidemiológico menos dependente de hospitalização. A maior parte dos gastos estatais com saúde acaba destinada aos hospitais, e entender por que isso acontece é muito importante para o entendimento das dificuldades do sistema de atenção à saúde.

A história pode nos fornecer caminhos para a resposta. Entre 1942 e 1966, no contexto das modificações econômicas e políticas ocorridas no Brasil, ocorreu a implantação e consolidação do complexo médico-hospitalar de assistência à saúde, precursor do atual complexo médico-industrial. Acompanhando o desenrolar dos fatos históricos dessa fase, vamos compreender que parte significativa dos dilemas da saúde enfrentados atualmente já estava presente ao menos desde os anos 40, pressionando os tomadores de decisão e trazendo conseqüências para os cidadãos.

Complexo médico-hospitalar é o conjunto de estruturas de atenção à saúde orientado pelas demandas das organizações hospitalares, isto é, hospitais, clínicas e ambulatórios, laboratórios, entre outros, além das entidades médicas organizadas. Nesse conglomerado, o Estado é, simultaneamente, controlado por e controlador dos grupos privados, e também produtor e comprador de serviços, entre outros papéis.
Mesmo permanecendo atuante até hoje, o modelo progressivamente cede espaço e poder para seu sucessor, o complexo médico-industrial. Este modelo desloca os hospitais para posições de menor poder, conferindo hegemonia à indústria de materiais, equipamentos e medicamentos. Essa passagem de um complexo para outro é uma das causas, por exemplo, da perda de renda média da maioria dos médicos. O dinheiro antes destinado às consultas remunera hoje os produtores de exames, equipamentos e medicamentos. É ainda uma das causas dos conflitos e dificuldades atuais do sistema de saúde brasileiro, quando se tem em vista melhorar as condições de vida do cidadão e seu acesso aos serviços.

Com a Segunda Guerra Mundial já em andamento, e o alinhamento dos interesses políticos e econômicos do Brasil aos dos Estados Unidos, o modelo de saúde médico-hospitalar ganha impulso. Apresentando-se como “moderno” e “científico”, é progressivamente adotado em todo o país, tornando-se hegemônico. Baseado em “experimentação científica” e tecnologia, coloca o hospital no centro de atenção e integração de técnicas e equipamentos, tornados crescentemente indispensáveis para a atenção à saúde. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo foi instrumental na implantação do modelo: auxiliada pelos recursos da Fundação Rockefeller, americana, deu legitimidade e espaço para o exercício da medicina centralizada no hospital.

Conceber Alternativas
Quando se discutem outros meios de acesso à saúde, prevenção e promoção, por exemplo, o peso de décadas de cultura médica que entende como recurso fundamental o consumo de serviços centralizados no hospital, não facilita a tarefa de imaginar outros modelos. Além do que, reduzir a atuação da medicina estritamente curativa é redirecionar dinheiro e poder para outros atores.

Maior acesso à saúde em 2009, o que é? Mais dinheiro para os hospitais e centros de diagnósticos ou para o saneamento, educação e habitação?
A criação do SUS, em 1988, ocorre em um contexto de transição do padrão controlado pelo hospital para aquele pautado por um novo ator, a indústria de medicamentos.

Na primeira situação, a centralização física das atividades de prestação de serviços nos hospitais repete-se na centralização do modelo como um todo. Os períodos ditatoriais dos governos brasileiros, Vargas, de 1930 a 1945, e os militares, de 1964 a 1985, agem no mesmo sentido. E o SUS, no bojo dos anseios sociais pela redemocratização, defende e defenderá a descentralização como uma das condições para melhorar o atendimento.

Descentralizar é distribuir poder e dinheiro. Não é tarefa fácil. Foi e continua sendo alvo de críticas. O relatório “Desempenho Hospitalar no Brasil”, já mencionado e patrocinado pelo Banco Mundial, critica o modelo descentralizado do SUS, sobretudo a autonomia dos municípios, considerada excessiva, apontando-a, entre outras, como uma das causas da ineficiência (sic) do sistema de saúde brasileiro.

A partir do final da década de 70, dados os controles governamentais sobre o balanço de pagamentos e a restrição à importação de materiais de consumo e de tecnologia menos sofisticada, a tecnificação da medicina no Brasil permitiu a instalação de uma indústria local de materiais médicos. Em 2009, a produção de insumos nacionais encontra- se bastante desenvolvida, mas voltada para equipamentos de tecnologia já dominada pelo parque industrial nacional. Dependemos ainda da importação de equipamentos de tecnologia de ponta, visto que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são escassos, e as parcerias entre universidades e empresas permanecem embrionárias.
A crescente importância da incorporação de inovação tecnológica aos serviços de saúde é a base para a formação do complexo médico-industrial, significando que os interesses da indústria de materiais e medicamentos também contam nas decisões sobre a quantidade, características, qualidade e preço do acesso à saúde.

A inovação tecnológica é elemento vital no funcionamento do complexo médico-industrial. Os benefícios da inovação na saúde são inegáveis. Certa taxa de desperdício e erro na oferta de inovações são inevitáveis (o produto ou serviço, que parecia tão bom a princípio, pode revelar-se mais tarde um fiasco ou até mesmo mal-intencionado). Afinal, a ciência é parcialmente evolutiva, muitas vezes o novo é melhor, e os interesses econômicos também contam no lançamento de novidades. Nos anos 40/50, leite materno era considerado “cientificamente” fraco, recomendando-se dar leite em pó aos bebês. Hoje sabemos que a pesquisa sobre conveniência da substituição era patrocinada pelo fabricante de leite em pó. Mas, naturalmente, a inovação não é sempre a vilã. Novos procedimentos cirúrgicos, por exemplo, menos invasivos, até segunda ordem são um grande benefício para os pacientes.

A inovação custa mais caro, não necessariamente por causa do custo de produção: é da natureza das economias de mercado que seja assim. A questão é, portanto, quanto os contribuintes e consumidores pagarão pela inovação. Quanto vale o novo medicamento ou procedimento, em termos de custo comparado aos benefícios reais?

Em síntese, falar de “crise” na saúde, de forma genérica, não ajuda a compreender o problema – a dificuldade do acesso para as parcelas de baixa renda, entre outros – e muito menos a encontrar soluções.

E as soluções, como a história revela, terão de lidar com as características do modelo de atenção à saúde, construído há décadas, e considerar o quanto o modelo médico-industrial molda interesses, corações e mentes.
CONCEITOS-CHAVE
- O discurso de que a saúde está em crise no Brasil, ainda que não corresponda à realidade, camufla uma situação estrutural.

- Só é possível compreender as dificuldades do modelo brasileiro partir de um princípio básico: o setor é bastante heterogêneo.

- Hospitais vinculados à Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) tiveram, em 2007, lucro
PARA CONHECER MAIS
Dinâmica do segmento de saúde no Brasil: interesses, confl itos e perspectivas. Maria Cristina S. Amorim, in M. C. S. Amorim e E. B. F. Perillo (orgs.) Para entender a saúde no Brasil. São Paulo: LCTE, 2006.

Hospital performance in Brazil, the search for excellence. Gerard M. La Forgia e Bernard F. Couttolenc. Washington, The World Bank, 2008.

Importação e implantação do modelo médico-hospitalar no Brasil. Um esboço de história econômica do sistema de saúde 1942-1966. E. B. F. Perillo. Tese de doutorado, FFLCH, USP, 2008.
Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim Eduardo Bueno Fonseca Perillo é graduado em medicina e doutor em história da economia pela USP. Há mais de uma década trabalha com educação continuada para executivos em estudos econômicos e gestão de saúde pública e privada no Brasil. Maria Cristina Amorim, economista, é professora titular e coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Regulação Econômica e Estratégias Empresariais da PUC/SP.
Fonte: Sci Am Brasil

Diploma de jornalista

Ulisses Capozzoli

A discussão recente (na verdade ela se arrasta há anos) envolvendo exigência de diplomas para jornalismo é o tipo de questão em que não se pode, mecanicamente, se declarar a favor ou contra, sem outras considerações.

O ataque sistemático contra o diploma tem partido especialmente do jornal Folha de S. Paulo, com o argumento, entre outros, de que foi uma decisão da ditadura militar.

Mas a implantação do Fundo de Garantia também foi uma solução da ditadura militar. E por que a Folha não se coloca contra a adoção do Fundo de Garantia?

A resposta é óbvia, ainda que a argumentação, em casos como este, costume passar por discursos envolvendo a “modernização” das relações de trabalho entre outras considerações.

Suspeito também a Folha se apegar tanto ao argumento de “solução da ditadura” porque, à época do governo dos generais, a Folha não tinha editorial. Ou seja, não manifestava a sua opinião, corroborando a versão popular do “quem cala consente”.

E isso sem considerar que o grupo Folhas, a que a Folha de S. Paulo pertence, tinha duas publicações sintomáticas, no sentido freudiano do termo.

Uma delas era a simplesmente horrorosa Notícias Populares, a versão mais repugnante do chamado “mundo cão”.

A outra era a Folha da Tarde, jornal francamente identificado com a ditadura militar que, agora, a Folha de São Paulo pretende caracterizar como nefasta.

Se não convence leitores mais críticos, a Folha ao menos conquista a parcela do estilo “me engana que eu gosto”, um tipo de gente que escreve cartas aos jornais apoiando o que quer que seja, ou desaprovando, não faz diferença.

O que a Folha pretende, na verdade, é dispor do que no passado foi chamado de “exército industrial de reserva”, e que hoje pode se entender como abundância de mão-de-obra, a custo baixo e submissa ao autoritarismo que caracteriza sua redação, uma das mais perversas da história do jornalismo.

Nesta semana o Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de seu presidente, o “deixa que eu chuto” Gilmar Mendes, anunciou o fim da exigência de diploma para jornalistas.

E Mendes, como é de seu estilo, trombeteou que essa é a solução final no caso.

Os atritos, próximo ao estilo briga de rua, que têm caracterizado o STF, sem falar dos transbordamentos egóicos que caracterizam parte de seus membros, combina com o estilo falastrão do ministro.

Em artigo publicado na Folha de ontem, no entanto (esse é o estilo de venda da imagem de modernidade do jornal) o advogado José Paulo Cavalcanti Filho colocou o assunto em termos inteligíveis e civilizados.

Não cabe, deixou claro Cavalcanti Filho, ao STF definir a obrigatoriedade ou não de diplomas para jornalistas (ou se meter na regularização/desregularização) de qualquer outra profissão.

Esse é um papel do Congresso Nacional, ainda que esse mesmo Congresso também venha nos dando espetáculos repetidos de atos constrangedores.

O fato, no entanto, e esse parece ser o centro da questão, é que por trás do fim do diploma para jornalistas não há qualquer pretensão de se elevar a qualidade do jornalismo brasileiro.

O buraco aqui, para fazer uso de uma expressão popular “é mais embaixo” e não tem relação com qualquer tipo de altruísmo ou coisas dessa natureza.

O interesse por trás do fim do diploma é simplesmente o barateamento da mão-de-obra e a elevada rotatividade profissional e essa é a ameaça que acompanha as frases feitas como as utilizadas pela Folha.

Qualquer telespectador de canais por assinatura pode constatar, em emissoras de países desenvolvidos, a quantidade de jornalistas veteranos envolvidos em coberturas, comentários e avaliações de fatos merecedores de abordagem jornalística.

Não é o que acontece no Brasil, onde a experiência profissional, a partir de certo momento, é mais identificada como ameaça, no sentido de resistência a atitudes indignas, que qualidade e isenção crítica sobre o que está em debate.

Dizer que a defesa do diploma caracteriza corporativismo é palavra de ordem, lógica fácil, uma forma de jogar areia nos olhos da sociedade.

Até porque a legislação atual aceita determinado percentual de jornalistas sem, obrigatoriamente, a exigência de diploma.

Na verdade, a regulamentação/desregulamentação da profissão de jornalismo, acompanhada de várias outras atividades, mereceria uma discussão pragmática, articulada com uma realidade nacional mais ampla e crítica.

Mas isso denunciaria interesses imediatos camuflados por trás de palavras de ordem, a lógica fácil que, especialmente críticos menos exigentes, tendem a aceitar como o equivalente da verdade.

Fonte: Revista Scientific American Brasil

Sexta-feira, Junho 19, 2009

A cota de sucesso da turma do ProUni

Elio Gaspari - Escritor e jornalista

A DEMOFOBIA pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que, se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas, eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.

Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão).

O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".

A "Oração aos Moços" é de 1921, quando Rui já prevalecera com sua contribuição abolicionista. A discussão em torno do sistema de acesso dos afrodescendentes às universidades teve a virtude de chamar a atenção para o passado e para a esplêndida produção historiográfica sobre a situação do negro brasileiro no final do século 19. Acaba de sair um livro exemplar dessa qualidade, é "O jogo da Dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil", da professora Wlamyra de Albuquerque, da Federal da Bahia. Ela mostra o que foi o peso da cor. Dezesseis negros africanos que chegaram à Bahia em 1877 para comerciar foram deportados, apesar de serem súditos britânicos. Negros ingleses negros eram, e o Brasil não seria o lugar deles.

A professora Albuquerque transcreve em seu livro uma carta de escravos libertos endereçada a Rui Barbosa em 1889, um ano depois da Abolição. Nela havia um pleito, que demorou para começar a ser atendido, mas que o DEM e os donos de faculdades ainda lutam para derrubar: "Nossos filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução". A comissão pedia o cumprimento de uma lei de 1871 que prometia educação para os libertos. Mais de cem anos depois, iniciativas como o ProUni mostraram não só que isso era possível mas que, surgindo a oportunidade, a garotada faria bonito.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Sete "regras de ouro" do charlatanismo:

#1 - Escolha um filão inesgotável;
#2 - Seja revolucionário;
#3 - Percorra os atalhos batidos;
#4 - Nunca invente nada;
#5 - Cultive o segredo;
#6 - Encontre seu público;
#7 - Não desista nunca.

Fonte:
A Impostura Intelectual em Dez Lições, de Michel de Pracontal
Tradução de Álvaro Lorencini
São Paulo: Unesp, 2004, 453 pp.

Terça-feira, Junho 02, 2009

The top 4 ebook readers

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DICA: Chat sobre Vestibular

Quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Chat com Professor Alberto, do Universitário

Aí galerinha! Rolou nesta quarta à tarde, no site do Kzuka, o chat com o professor de Física do Universitário, Alberto. No bate-papo, os internautas tiraram dúvidas sobre o vestibular, como por exemplo, qual a melhor maneira de evitar o estresse ou o famoso "branco" que dá na hora da prova.

O pessoal também pediu dicas de estudo para saber como se preparar melhor para a maratona do vestibular. Você confere logo abaixo a íntegra do chat.

Pergunta da internauta Pê: Professor Alberto. Eu gosto de Física e exatas em geral, mas simplesmente não tenho aptidão nenhuma! Como faço para melhorar?

Prof. Alberto: Olá Pê. Gostar é o primeiro passo. Aptidão é necessária, mas você vai desenvolvendo.

Pergunta da internauta Cris: Bom dia. Como evitar o estresse na reta final para as provas?

Prof. Alberto: Nem todo mundo concorda, mas digo que esse estresse é natural. É normal que exista estresse. Tem que aprender a conviver com ele, não tem como fugir (infelizmente). O ideal é transformar isso em uma grande vontade de estudar e vencer. Dizer que não vai ter estresse, só se drogando (risos).

Pergunta da internauta Pê: E o famoso BRANCO? O que fazer quando ele aparece?

Prof. Alberto: Pois é... O branco aparece geralmente com as fórmulas. A dica que damos é fazer um resumo para olhar antes da prova (especificamente em Física). Ao receber a prova, anote o máximo de informações desse resumo (as fórmulas) na própria.

Pergunta da internauta Pê: Tem algum daqueles macetes para decorar fórmulas?

Prof. Alberto: O macete para fórmulas é fazer resumos. Às vezes, de tanto fazer “colas”, a pessoa aprende, desenvolve uma boa memória visual.

Pergunta da internauta Pê: Não tenho estudado muito, o que devo revisar primeiro de Física para a prova? O que é essencial?

Prof. Alberto: A prova de Física da UFRGS e da maioria das Universidades é conceitual, ou seja, você precisa saber o conceito antes de pensar em fórmulas. Neste momento, já que você não tem estudado muito, pegue o que você já estudou (até vale pegar uma prova de um vestibular passado) e entenda que existe 40% de questões “fáceis”. Uma boa leitura (com calma) facilita muito.

Pergunta da internauta lluly _:: Olá, que dica a respeito da concentração o sr daria?

Prof. Alberto: (nem eu tenho concentração, me disperso fácil) A gente tem que ordenar as idéias. É claro que não é fácil, mas não dá pra ler as 25 questões de uma vez só. A minha dica é que leia e tente resolver uma de cada vez. Outra dica que funciona é que fique um tempo exagerado na mesma. Se não entendeu, passe adiante.

Pergunta do internauta samir: Como deve ser a rotina de estudos durante o ano e no período que antecede as provas? Devo seguir no mesmo ritmo? Quantas horas por dia devo me dedicar?

Prof. Alberto: Ao longo do ano, o ideal é resolver questões (de provas, principalmente), procurando entender a lógica da prova, ou seja, o que a Universidade está querendo. Mais perto da prova, pegar o que já se estudou, organizar o material e ver o que está faltando. Dá mais uma olhadinha. Sempre funciona.

Pergunta da internauta Pê: Física ainda é muito difícil pra mim. Se eu for mal na prova, tenho condição de passar na UFRGS ou não?

Prof. Alberto: Vamos complementar o raciocínio que foi feito anteriormente: No mínimo 40% da prova, desde que tenha estudado e tenha calma na hora, o estudante consegue resolver. Depende muito do curso que você escolheu. Na maioria dos cursos, não é a física que vai comprometer, mas lembre-se que a média na Ufrgs é harmônica (você não pode ir muito mal em uma matéria).

Internauta Pê: boa dica, professor! obrigada

Pergunta da internauta Cris: Qual o assunto da Física que costuma ser mais cobrado nas provas da UFRGS?

Prof. Alberto: A UFRGS é muito previsível. Não há uma mudança significativa de um ano para outro na distribuição dos conteúdos. Por isso, é interessante analisar as últimas provas. Mas, de uma forma geral, mecânica é 40% da prova. Ondas 10%, calor 10%, ótica 10%, eletricidade 10%, física moderna 10% e o restante em questões variadas.

Pergunta da internauta isi08: boa tarde.tenho que desabafar. nao estava muito certa na minha escolha e nem se realmente queria fazer vestibular,mas meu chefe insistiu e eu me inscrevi.mas estou muito insegura,pois quase nao tenho tempo de estudar e fikei sabedo do vestubular a pouco.minha verdadeira intenção era de fazer um tecnico para ter tempo de pensar o q eu realmente keria fazer

Prof. Alberto: Eu diria que você deve fazer o curso técnico. O importante é a pessoa ser feliz! Vá pensando e deixe pra decidir depois se quer fazer vestibular ou não.

Pergunta da internauta lluly _:: O que o sr diz para um candidato a medicina? (além de estudar mt), quais são as materias que valem mais?

Prof. Alberto: Para Medicina é tudo. Não tem restrição. Faça o oposto: descubra o que NÃO estudar. Se uma questão caiu somente uma vez na prova nos últimos 10 anos, ignore. Por isso é importante ter idéia da prova (o assunto cai, mas de que maneira cai?).

isi08 fala para todos: vau fazer sim o vestibular, mas meu grande medo e a fisica e a matemática. chego tão cansada que nao tenho tempo de estudar

Prof. Alberto: Você não está sozinha. No final das contas, todo mundo está empatado com esse medo. Todo mundo tem a mesma dificuldade e preocupação.

Pergunta da internauta Juh: referete a prova de matematica,quais os assuntos mais cobrados?

Prof. Alberto: Você pode acessar http://www.universitario.com.br/professores e entrar em contato com um professor de Matemática.

Pergunta da internauta lluly _:: Ha qto tempo o sr eh professor?

Prof. Alberto: No Universitário, fiz 15 anos como professor nessa semana.


Fonte: KZUKA

Domingo, Maio 17, 2009

Pensamento do dia

Como poderia alguém achar maçante o estudo de Ciência!
Haveria alguma coisa mais emocionante do que as leis que regem o Universo,
ou mais maravilhosa do que a inteligência humana que as descobre?
(Marie Curie)

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Rio Grande do Sul é incapaz de reter os acervos de Mário Quintana e Erico Verissimo

Reproduzo texto do qual concordo em grande parte:


Vergonha, suprema vergonha para os gaúchos, que se auto-intitulam dos mais cultos e politizados do Brasil. Pois não é que estão indo embora do Estado os acervos do escritor Érico Veríssimo e do poeta Mário Quintana? É melhor que seja assim, porque estão sendo levados para o Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, onde serão bem cuidados. O acervo de Érico Veríssimo estava na PUC do Rio Grande do Sul. Seu filho autorizou a ida para o Rio de Janeiro.

Podia ele ir junto e ficar no museu. A pretensão cultural do Rio Grande do Sul se resume à criação de casas de cultura. Ninguém dá dois passos na área do grande centro de Porto Alegre sem topar com um centro de cultura a cada dois metros. Mas os acervos são grandes porcarias, muito limitados. Uma das maiores preciosidades está localizada em uma maravilhosa casa colonial, na rua João Alfredo, o Museu Joaquim Felizardo. Pois lá existe o único retrato pintado a óleo do fundador de Porto Alegre. Trata-se do militar português Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda, mandado para o Brasil, em fuga, com o nome falso de José Marcelino de Figueiredo, por ter matado em duelo um capitão escocês, John McDonald, em Lisboa. O rei Dom José 1º mandou por escrito que seu nome verdadeiro fosse preservado como alto segredo de Estado. Esse homem, que fundou Porto Alegre, em um ponto estratégico, que impedia o ingresso dos espanhóis no território gaúcho, é responsável pela constituição geográfica atual do território do Brasil. Pois Porto Alegre lhe dedicou em homenagem apenas uma ruela de duas quadras, entre o portão central do porto e a Praça da Alfândega. Para essa ruela não dá a porta de nenhum edifício. Não há numeração nessa ruela, portanto. Também não há nenhum telefone registrado nesse endereço. Ninguém sabe quem foi Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda, ou seu pseudônimo, José Marcelino de Figueiredo. Se Porto Alegre e os porto-alegrenses não têm o mínimo apreço por seu fundador, por que deveriam ter pelos acervos de Érico Veríssimo e Mário Quintana? Érico Veríssimo costumava se orgulhar dizendo que era de uma cidade que tinha uma orquestra sinfônica. Agora os porto-alegrenses poderão se orgulhar dizendo que mandaram para o Rio de Janeiro o seu acervo. Êta gente culta, sô.....

Fonte: VideVersus