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quarta-feira, fevereiro 11, 2009

A Itália esconde Jorge Troccoli.

O que a "imprensa livre" brasileira não mostra: o caso Jorge Troccoli.

Nas últimas semanas, o caso Cesare Battisti vem ocupando um grande espaço nos principais "veículos de comunicação" do país e a cobertura dada ao mesmo - para variar - tem sido extremamente tendenciosa. De modo geral, a grande imprensa brasileira tem feito coro às alegações do governo italiano de que o Brasil está concedendo o status de refugiado político a um "terrorista", condenado por quatro homicídios, em seu país natal.

No entanto, esta mesma imprensa - que se diz neutra, livre e isenta - esquece deliberadamente um episódio ocorrido no ano passado na "democrática" Itália e que merece ser lembrado, no momento em que acontece este contencioso entre o Brasil e o governo do Sr. Berlusconi: o caso do militar uruguaio Jorge Troccolli. Capitão da marinha uruguaia, Troccoli teve uma atuação bastante ativa na tristemente famosa “Operação Condor” (que contou com a participação das ditaduras militares do Uruguai e de outros países sul-americanos), tendo sido responsável pela tortura e morte de mais de uma centena de opositores desses regimes, entre 1975 e 1983. Em 2002, o governo do Sr. Silvio Berlusconi – em sua segunda passagem pela chefia do gabinete de ministros da Itália - concedeu cidadania italiana ao Capitão Troccoli, mesmo sabendo das acusações de crime contra a humanidade que pesavam contra ele.

Em setembro do ano passado, o ministro da justiça da Itália, Angelino Alfano, negou-se à extraditar Troccoli para o Uruguai, alegando que ele é cidadão italiano, tomando como base jurídica um tratado assinado entre os dois países em 1879. Portanto, o mesmo governo que nega-se a extraditar um notório torturador, utilizando dessas filigranas jurídicas, é o mesmo que se considera ofendido pela não-extradição de Battisti, que seguiu todas as normas da legislação brasileira, que por sua vez se baseia em uma série de convenções internacionais.

A mídia golpista brasileira, interessada em atacar o governo Lula, opta por dar razão a um governo com notórias ligações com grupos neo-fascistas e com o crime organizado na Itália, como é o governo Berlusconi, ao invés de cobrir o caso Battisti com a isenção que seria necessária. E se é para dar opiniões pessoais e subjetivas - que é o que tem feito a maior parte dos principais articulistas da grande imprensa - eu prefiro concordar com a bela Carla Bruni, que apóia Battisti, do que com a deputada neo-fascista Alessandra Mussolini (neta do próprio), que faz parte da base de apoio de Berlusconi!!

Maiores informações sobre o caso Troccoli podem ser encontradas em um artigo publicado recentemente no jornal italiano "l'Unità".

O link é: www.unita.it/news/80861/troccoli_il_battisti_uruguayano

domingo, janeiro 25, 2009

Comentário sobre estupro rende críticas a Berlusconi

Premiê italiano prometeu mobilizar 30 mil soldados para combater estupros.
Ele disse ser preciso 'tantos soldados quanto meninas bonitas'.


O premiê italiano, Silvio Berlusconi, prometendo mobilizar 30 mil soldados para combater o crime depois de um surto de estupros em Roma, disse no domingo (25) que os estupros vão continuar a acontecer enquanto não houver "tantos soldados quanto meninas bonitas na cidade".


Foto: Reuters
O premiê italiano Silvio Berlusconi, durante encontro de líderes europeus, no início do mês (Foto: Reuters)

O primeiro-ministro de centro-direita foi reeleito no ano passado, prometendo combater o crime. Ele recrutou a ajuda de 3.000 soldados para ajudar a polícia. Ele disse no sábado que vai aumentar este número em dez vezes, o que gerou a crítica de que está criando "um Estado policial".


A oposição disse que três casos de estupro particularmente violentos ocorridos em Roma neste mês mostram que a mobilização do Exército não adiantou nada. Berlusconi respondeu no domingo que "essas coisas sempre vão acontecer, mesmo no estado mais militarizado e mais policiado".


"Não poderíamos recrutar uma força grande o suficiente para evitar este risco. Teríamos de ter tantos soldados quanto meninas bonitas. Não acho que conseguiríamos", disse a repórteres.

Críticas

Os críticos disseram que o bilionário de 72 anos (cuja mania de flertar com as mulheres em público lhe rendeu reprimendas públicas da esposa) está sendo insolente em relação a uma questão muito séria.


"Berlusconi tem de parar de dizer coisas ofensivas sobre as mulheres", disse a ministra da Igualdade Vittoria Franco. "Basicamente, o que ele está dizendo é que as mulheres que saem de casa correm o risco de ser estupradas ou atacadas porque não é possível deixar o país seguro", afirmou.


Alessandra Mussolini, política de direita que faz campanha contra as decisões judiciais injustas para as vítimas de estupro, disse: "O fato é que precisamos de muitos soldados porque há muitos homens agindo de forma feia".


Fonte: G1

Meu comentário: e ainda consideram a Itália "primeiro mundo"...