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terça-feira, setembro 22, 2009

O BRASILEIRO É ASSIM

- Comemora pênaltis simulados por jogadores de seus times, gols irregulares; e, faltas violentas.
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Fala no celular enquanto dirige.
-Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas em frente as escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho
- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos piratas com a pela consciência de que são piratas.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Freqüenta os caça-níqueis e fazem uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales transportes e vale refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo.. só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado...
- Quando volta do exterior, nunca fala a verdade quando o policial pergunta o que traz na bagagem...
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.


E querem que os políticos sejam honestos, se escandalizam com a farra das passagens aéreas. Estes políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?!


Brasileiro reclama de quê, afinal?

sábado, junho 27, 2009

Estratégias discursivas


A repetição da idéia de que a saúde está em crise no Brasil não corresponde à realidade e funciona como camuflagem para um modelo de viés mercadológico. Investimentos nacionais, comparativamente, chegam a superar montante de países desenvolvidos
por Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim
JULIE NICHOLLS/CORBIS/LatinStock; COM INTERVENÇÃO ARTÍSTICA SOBRE O

A saúde está em crise. Essa é uma afirmação ouvida quase diariamente e que, por isso mesmo, acaba por adquirir peso de verdade absoluta, ou de senso comum.

Devemos ter cuidado com conceitos generalizados. É preciso lembrar que, desde o século 16, com René Descartes, já se sabe que o senso comum confunde a compreensão da realidade. Isso significa dizer que, quando todo mundo pensa igual, ninguém realmente pensa.

Olhando bem de perto, veremos que os investimentos no setor de saúde são crescentes, e as taxas de lucro também. Além disso, os gastos brasileiros totais com saúde, tomados como porcentagem da renda nacional, são comparáveis, senão superiores, aos de diversos países desenvolvidos.

Contra os atuais mais de 8% do PIB gastos com saúde no Brasil, podemos comparar os gastos do Japão (7%), Reino Unido (8,1%), Itália (8,7%), Suécia (9,1%), França (9,5%), Austrália (9,6%), Canadá (9,8%), Alemanha (10,6%), e mais de 15% nos Estados Unidos. Na América Latina, os gastos com saúde alcançam cerca de 4% da renda nacional no Peru, 6% no Chile, 6,5% no México e Costa Rica, 8,2% no Uruguai e Nicarágua, e 9,6% na Argentina.
©ELZA FIÚZA/ABR
INVESTIMENTOS EM SAÚDE, são crescentes, e taxas de lucro também. No Brasil, investimentos totais, equivalentes à renda nacional, são comparáveis e, em alguns casos, até superiores a de muitos países desenvolvidos.
É claro que a renda nacional varia de país a país. Assim, 1% da renda nacional dos Estados Unidos é muito maior que 1% da renda nacional da Nicarágua ou Costa Rica, por exemplo. Mas a comparação é válida, pois mostra quanto do orçamento nacional é comprometido com saúde. Essa comparação é semelhante ao que ocorre com uma família, quando reparte o orçamento doméstico em alimentação, educação, plano de saúde e transporte.

No caso das comparações entre países, as despesas refletem principalmente o quanto é gasto com ações de assistência médico-hospitalar e farmacêutica – os gastos com saneamento e educação, essenciais para garantir qualidade de vida e saúde, não são computados. Despesas com ações de prevenção e promoção de saúde entram no cálculo, mas são muito menores que as com assistência médico-hospitalar e com medicamentos.

Os gastos com saúde têm sido crescentes, tanto nos países com economia já estabilizada quanto naqueles em desenvolvimento, variando entre um e três pontos percentuais na última década. No Brasil, as inversões governamentais em saúde também têm crescido para atender à população dependente do Sistema Único de Saúde (SUS) – embora, como mostrou recente estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os gastos privados tenham crescido ainda mais.

Discurso Repetitivo
Mesmo com gastos crescentes, não desapareceu o discurso de crise. Afinal, do que tratamos quando nos referimos à “crise”? Só é possível compreender as dificuldades do modelo brasileiro de atenção à saúde partindo de um princípio básico: o setor é muitíssimo heterogêneo, e para analisá-lo é preciso compreender o funcionamento e os interesses de cada elo de sua cadeia produtiva.
©ELZA FIÚZA/ABR
O MODELO BRASILEIRO de atenção à saúde tem raízes na época colonial, com transformações que chegaram com a corte portuguesa, no início do século 19, e impactos absorvidos de sucessivas crises políticas. Ausência de democracia estrutural se refl ete nitidamente na saúde pública./ NO ATUAL COMPLEXO médico-hospitalar, com conexões nos anos 40, o Estado é tanto controlador como controlado por grupos privados, além de produtor e comprador de serviços, entre outros papéis. A tendência é de concentração de poder na industria de materiais, equipamentos e medicamentos.
No campo das diferenças, separemos inicialmente a saúde privada ou complementar do SUS. A primeira depende dos recursos privados dos consumidores de planos de saúde e dos recursos governamentais diretos (compra de serviços e medicamentos) e indiretos (incentivos fiscais e tributários). A segunda depende apenas dos recursos estatais. Se a procura por planos de saúde varia em função da renda disponível para o consumo, a procura pelo SUS é infinitamente crescente. Quanto mais acessível e melhor for o serviço público gratuito, mais pessoas o procurarão – afinal, se for bom e barato, para que pagar o plano de saúde?

No segmento privado, as indústrias de materiais, equipamentos e medicamentos tiveram vendas e lucros crescentes nos últimos três anos. Por exemplo, os hospitais vinculados à Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) tiveram, em 2007, lucro 12% maior que o obtido em 2006, enquanto as operadoras de planos de saúde obtiveram, em 2008, crescimento de 6% comparado a 2007. Para comparar, a taxa média de crescimento da economia brasileira entre 2006-2008 foi de magros 2,5% ao ano. Assim, vários outros indicadores de desempenho do setor privado nos desautorizam a caracterizá-lo como “em crise”.

Talvez o leitor esteja se lembrando das muitíssimas dificuldades pelas quais passou quando precisou usar seu plano de saúde e, a partir de sua experiência pessoal, ainda esteja convencido da existência da “crise” na saúde.

É verdade que as operadoras de planos de saúde encontram-se há anos no topo das listas de reclamações dos consumidores, mas as companhias telefônicas e os bancos também estão incluídos nessa lista e, no entanto, o senso comum não faz juízos sobre a crise do sistema financeiro e telefônico. O sistema financeiro tem uma “crise” desde setembro de 2008, mas essa é uma história inteiramente diferente. As agruras dos usuários de planos de saúde encontram-se no campo das relações de consumo, do direito do consumidor, da capacidade de o Estado vigiar e punir empresas, e são, literalmente, um problema de outra natureza, não exclusivo dos serviços de saúde.
© FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR
DESCENTRALIZAR IMPLICA em distribuir tanto recursos financeiros como poder de decisão, por si só uma tarefa desafiadora, sempre sob crítica de interesses opostos.
No mundo do SUS, a realidade é outra. A queixa por mais recursos financeiros para saúde é unanimidade. Afinal, todas as organizações, estatais, públicas e privadas, seriam beneficiadas se o dinheiro repassado pelo governo fosse maior. Essa seria a solução, caso o Estado, como qualquer outra unidade orçamentária, não tivesse recursos finitos e vários outros setores tão importantes quanto a saúde. Mais dinheiro para a saúde? E por que não para a educação, saneamento, moradia, segurança...? Mais para a saúde, menos para quem?

Saúde e Democracia
Mas para absolutamente todos os agentes envolvidos na oferta de bens e serviços de atenção à saúde, os assuntos de eficácia e eficiência econômicas são muito mais espinhosos. Empreender ações necessárias para atingir os objetivos determinados, e fazê-las bem feitas e com economia de recursos, está no campo de aplicação dos instrumentos de gestão e controle das instituições e processos. No entanto, os conhecimentos econômico e administrativo não podem tudo quando eficácia e eficiência estão em jogo; aspectos culturais, legais e sobretudo relativos à disputa por poder e recursos econômicos em uma sociedade democrática pesam muito na escolha de prioridades e na forma de executá-las. É preciso levar em conta a existência de um permanente “cabode-guerra” entre as diversas instâncias envolvidas, e como no jogo real, ganha quem joga melhor.

Esse conjunto de aspectos econômicos, culturais, legais e políticos produz um problema sério: o acesso da população de baixa renda aos serviços de atenção à saúde. Discutir esse ponto é diferente de sair por aí em suposta ou verdadeira indignação contra a “crise na saúde”. Se a atividade tem sido crescentemente lucrativa para amplos segmentos, como comentamos antes, as dificuldades de uns constituem o modelo de operação de outros.

E discutir o modelo ou estrutura de atenção à saúde é, quase sempre, uma armadilha. Entre economistas, por exemplo, quando não se considera possível ou desejável levantar um determinado problema, costuma-se afirmar: “é estrutural”. Para bom entendedor significa que vai permanecer como está.
A constituição do modelo brasileiro de atenção à saúde vem ocorrendo desde os tempos coloniais, passando por transformações com a chegada da família real, em 1808, depois com a declaração de Independência, e os sucessivos golpes da República, do Governo Provisório, do Estado Novo e da ditadura militar. O país até hoje paga a conta da falta de estabilidade política e da rasa experiência democrática, e os reflexos no sistema de saúde são inevitáveis.

Não consideramos razoável, nos limites das sociedades democráticas, esperar ou promover mudanças drásticas de estruturas – nunca se viu lugar onde essa estratégia tenha dado certo. Recomendamos que o enfrentamento do grave problema da dificuldade de acesso ocorra de forma contínua e consistente, o que já seria muito em termos de concretizar a cidadania. Pensar soluções para problemas com um longo histórico nos remete justamente à história da implantação do complexo médico-hospitalar no Brasil. Vamos a ela.

Tanto em termos absolutos quanto relativos o Brasil gasta atualmente com assistência à saúde mais que países de renda média comparáveis. No entanto, consegue apenas resultados relativamente menores quanto ao montante despendido. Esses dados, apresentados no relatório do Banco Mundial “Desempenho Hospitalar no Brasil”, são acompanhados de outros: mesmo com 60% dos hospitais brasileiros oferecendo menos de 50 leitos, ainda assim respondem pelo emprego de 56% da mão-de-obra utilizada na saúde, representando 67% das despesas totais e 70% dos gastos públicos com saúde.

O estudo do IBGE “Economia da saúde – Uma perspectiva macroeconômica 2000-2005”, nos fornece mais dados interessantes. Mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro destinam-se aos gastos com saúde e 60% dessa despesa cabe às famílias; em 2005, isso correspondia a 8,2% de seus gastos totais. Nas economias desenvolvidas, a maior parte dos gastos com saúde, entre 70-85%, cabem ao governo; no Brasil, esse valor é menor que 40%, semelhante ao verificado nos Estados Unidos (45%). Mas lá, cerca de 50 milhões de habitantes não dispõem de cobertura de plano de saúde, e também não existe um sistema nacional de saúde.
Investimentos Superiores
Comparando o Brasil aos demais países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), os gastos brasileiros superaram os da Índia (19%) e China (39%), mas foram menores que os da Rússia (62%). Mesmo entre as famílias, o gasto com saúde não é uniforme, variando conforme a renda; enquanto o gasto médio mensal com saúde dos 40% mais pobres da população é R$ 28,00, a dos 10% mais ricos é R$ 376,00; mais de 13 vezes superior, concentrada nos planos de saúde, medicamentos e atenção odontológica.

Mais alguns dados interessantes: nos mais de sete mil hospitais brasileiros verifica-se tanto densidade de leitos como utilização de cuidados hospitalares em níveis superiores aos encontrados em economias de renda média semelhantes, mesmo tendo o Brasil uma população mais jovem que a dos demais países do Bric, com perfil epidemiológico menos dependente de hospitalização. A maior parte dos gastos estatais com saúde acaba destinada aos hospitais, e entender por que isso acontece é muito importante para o entendimento das dificuldades do sistema de atenção à saúde.

A história pode nos fornecer caminhos para a resposta. Entre 1942 e 1966, no contexto das modificações econômicas e políticas ocorridas no Brasil, ocorreu a implantação e consolidação do complexo médico-hospitalar de assistência à saúde, precursor do atual complexo médico-industrial. Acompanhando o desenrolar dos fatos históricos dessa fase, vamos compreender que parte significativa dos dilemas da saúde enfrentados atualmente já estava presente ao menos desde os anos 40, pressionando os tomadores de decisão e trazendo conseqüências para os cidadãos.

Complexo médico-hospitalar é o conjunto de estruturas de atenção à saúde orientado pelas demandas das organizações hospitalares, isto é, hospitais, clínicas e ambulatórios, laboratórios, entre outros, além das entidades médicas organizadas. Nesse conglomerado, o Estado é, simultaneamente, controlado por e controlador dos grupos privados, e também produtor e comprador de serviços, entre outros papéis.
Mesmo permanecendo atuante até hoje, o modelo progressivamente cede espaço e poder para seu sucessor, o complexo médico-industrial. Este modelo desloca os hospitais para posições de menor poder, conferindo hegemonia à indústria de materiais, equipamentos e medicamentos. Essa passagem de um complexo para outro é uma das causas, por exemplo, da perda de renda média da maioria dos médicos. O dinheiro antes destinado às consultas remunera hoje os produtores de exames, equipamentos e medicamentos. É ainda uma das causas dos conflitos e dificuldades atuais do sistema de saúde brasileiro, quando se tem em vista melhorar as condições de vida do cidadão e seu acesso aos serviços.

Com a Segunda Guerra Mundial já em andamento, e o alinhamento dos interesses políticos e econômicos do Brasil aos dos Estados Unidos, o modelo de saúde médico-hospitalar ganha impulso. Apresentando-se como “moderno” e “científico”, é progressivamente adotado em todo o país, tornando-se hegemônico. Baseado em “experimentação científica” e tecnologia, coloca o hospital no centro de atenção e integração de técnicas e equipamentos, tornados crescentemente indispensáveis para a atenção à saúde. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo foi instrumental na implantação do modelo: auxiliada pelos recursos da Fundação Rockefeller, americana, deu legitimidade e espaço para o exercício da medicina centralizada no hospital.

Conceber Alternativas
Quando se discutem outros meios de acesso à saúde, prevenção e promoção, por exemplo, o peso de décadas de cultura médica que entende como recurso fundamental o consumo de serviços centralizados no hospital, não facilita a tarefa de imaginar outros modelos. Além do que, reduzir a atuação da medicina estritamente curativa é redirecionar dinheiro e poder para outros atores.

Maior acesso à saúde em 2009, o que é? Mais dinheiro para os hospitais e centros de diagnósticos ou para o saneamento, educação e habitação?
A criação do SUS, em 1988, ocorre em um contexto de transição do padrão controlado pelo hospital para aquele pautado por um novo ator, a indústria de medicamentos.

Na primeira situação, a centralização física das atividades de prestação de serviços nos hospitais repete-se na centralização do modelo como um todo. Os períodos ditatoriais dos governos brasileiros, Vargas, de 1930 a 1945, e os militares, de 1964 a 1985, agem no mesmo sentido. E o SUS, no bojo dos anseios sociais pela redemocratização, defende e defenderá a descentralização como uma das condições para melhorar o atendimento.

Descentralizar é distribuir poder e dinheiro. Não é tarefa fácil. Foi e continua sendo alvo de críticas. O relatório “Desempenho Hospitalar no Brasil”, já mencionado e patrocinado pelo Banco Mundial, critica o modelo descentralizado do SUS, sobretudo a autonomia dos municípios, considerada excessiva, apontando-a, entre outras, como uma das causas da ineficiência (sic) do sistema de saúde brasileiro.

A partir do final da década de 70, dados os controles governamentais sobre o balanço de pagamentos e a restrição à importação de materiais de consumo e de tecnologia menos sofisticada, a tecnificação da medicina no Brasil permitiu a instalação de uma indústria local de materiais médicos. Em 2009, a produção de insumos nacionais encontra- se bastante desenvolvida, mas voltada para equipamentos de tecnologia já dominada pelo parque industrial nacional. Dependemos ainda da importação de equipamentos de tecnologia de ponta, visto que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são escassos, e as parcerias entre universidades e empresas permanecem embrionárias.
A crescente importância da incorporação de inovação tecnológica aos serviços de saúde é a base para a formação do complexo médico-industrial, significando que os interesses da indústria de materiais e medicamentos também contam nas decisões sobre a quantidade, características, qualidade e preço do acesso à saúde.

A inovação tecnológica é elemento vital no funcionamento do complexo médico-industrial. Os benefícios da inovação na saúde são inegáveis. Certa taxa de desperdício e erro na oferta de inovações são inevitáveis (o produto ou serviço, que parecia tão bom a princípio, pode revelar-se mais tarde um fiasco ou até mesmo mal-intencionado). Afinal, a ciência é parcialmente evolutiva, muitas vezes o novo é melhor, e os interesses econômicos também contam no lançamento de novidades. Nos anos 40/50, leite materno era considerado “cientificamente” fraco, recomendando-se dar leite em pó aos bebês. Hoje sabemos que a pesquisa sobre conveniência da substituição era patrocinada pelo fabricante de leite em pó. Mas, naturalmente, a inovação não é sempre a vilã. Novos procedimentos cirúrgicos, por exemplo, menos invasivos, até segunda ordem são um grande benefício para os pacientes.

A inovação custa mais caro, não necessariamente por causa do custo de produção: é da natureza das economias de mercado que seja assim. A questão é, portanto, quanto os contribuintes e consumidores pagarão pela inovação. Quanto vale o novo medicamento ou procedimento, em termos de custo comparado aos benefícios reais?

Em síntese, falar de “crise” na saúde, de forma genérica, não ajuda a compreender o problema – a dificuldade do acesso para as parcelas de baixa renda, entre outros – e muito menos a encontrar soluções.

E as soluções, como a história revela, terão de lidar com as características do modelo de atenção à saúde, construído há décadas, e considerar o quanto o modelo médico-industrial molda interesses, corações e mentes.
CONCEITOS-CHAVE
- O discurso de que a saúde está em crise no Brasil, ainda que não corresponda à realidade, camufla uma situação estrutural.

- Só é possível compreender as dificuldades do modelo brasileiro partir de um princípio básico: o setor é bastante heterogêneo.

- Hospitais vinculados à Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) tiveram, em 2007, lucro
PARA CONHECER MAIS
Dinâmica do segmento de saúde no Brasil: interesses, confl itos e perspectivas. Maria Cristina S. Amorim, in M. C. S. Amorim e E. B. F. Perillo (orgs.) Para entender a saúde no Brasil. São Paulo: LCTE, 2006.

Hospital performance in Brazil, the search for excellence. Gerard M. La Forgia e Bernard F. Couttolenc. Washington, The World Bank, 2008.

Importação e implantação do modelo médico-hospitalar no Brasil. Um esboço de história econômica do sistema de saúde 1942-1966. E. B. F. Perillo. Tese de doutorado, FFLCH, USP, 2008.
Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim Eduardo Bueno Fonseca Perillo é graduado em medicina e doutor em história da economia pela USP. Há mais de uma década trabalha com educação continuada para executivos em estudos econômicos e gestão de saúde pública e privada no Brasil. Maria Cristina Amorim, economista, é professora titular e coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Regulação Econômica e Estratégias Empresariais da PUC/SP.
Fonte: Sci Am Brasil

quinta-feira, abril 23, 2009

Dilma Rousseff é a dama de ferro com os pés no barro

Le Monde
Jean-Pierre Langellier

Sobrenome: Rousseff; nome: Dilma; idade: 61 anos. Você não a conhece? Mas ouvirá falar dela, cada vez mais, até o fim de 2010, quando acontecerá a eleição presidencial no Brasil.

Há quatro anos ela detém o segundo cargo político mais importante do país: chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma espécie de primeiro-ministro não oficial. É uma função exaustiva ("Um Paris-Dacar a cada dia", ela diz), mas discreta, longe dos holofotes que se focam em Lula.

Uma discrição relativa, que já deveria ser tratada quase no passado. Pois Dilma, como muitos de seus compatriotas a chamam - evitemos "Dilminha", uma familiaridade que ela não aprecia muito - está se tornando a estrela política do Brasil.

Alan Marques / Folha imagem - 25.mar.2009
Dilma acena aos jornalistas ao chegar ao Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília

E isso, por uma razão muito importante. O presidente Lula, a quem a Constituição proíbe de disputar um terceiro mandato de quatro anos, a escolheu como sua princesa herdeira. A menos que aconteça algo inesperado, ela será a candidata em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980, e no poder graças a ele desde 2002. Imaginemos que Dilma seja eleita: uma mulher, pela primeira vez presidente, oito anos após a eleição de um operário. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só, e bom para a imagem da democracia brasileira.

Lula não possui herdeiro natural em um partido que ele domina com sua forte personalidade. A escolha de Dilma se impôs a ele aos poucos. É uma aposta segura. A futura candidata está na política desde sempre, e como! Ela é filha de um advogado comunista de origem búlgara. Esse intelectual bon vivant lhe transmitiu o gosto pela leitura e pelos cigarros. Ela tinha 15 anos quando ele morreu.

O golpe de Estado pelos militares em 1964 levou essa estudante idealista e determinada para o militantismo radical. Ela se juntou a uma organização que pregava a luta armada, casou com outro militante, de quem logo se divorciou, passou a estudar economia e mergulhou na clandestinidade após o endurecimento da ditadura no fim de 1968. Ela admirava Jean-Paul Sartre, os guerrilheiros vietnamitas e Fidel Castro. O encontro com um "velho" comunista de 31 anos, Carlos Araújo, que se tornaria seu segundo marido, a envolveu um pouco mais no combate.

Ela adotou nomes falsos, dos quais sua ficha de polícia ainda tem registro: Luiza, Estella, Marina. Aprendeu a manejar um fuzil, a fabricar explosivos ao mesmo tempo em que pregava a prioridade do trabalho político, da "luta de massa" sobre a ação militar. Ela não participou diretamente de nenhuma operação armada, mas esteve estreitamente associada à mais famosa delas: o roubo, no Rio de Janeiro em 1969, de US$ 2,5 milhões do cofre da amante de um ex-governador. Quando a polícia a deteve, em janeiro de 1970 em São Paulo, ela tinha uma arma em seu poder.

"Você não pode imaginar a quantidade de segredos que pode sair de um ser humano que é maltratado", ela confessou recentemente. Será que ela se referia a ela mesma? As testemunhas de então se lembram que, depois de sua detenção, ela enfrentou com coragem 22 dias de torturas. Ela só saiu da prisão quase quatro anos mais tarde: "Tive tempo suficiente para aprender a tricotar e fazer crochê".

Sua juventude agitada não causou nenhum arrependimento na ex-guerrilheira: "Nós éramos ingênuos e generosos. Queríamos salvar o mundo". Ela certamente mudou sua visão e seus métodos: "Aprendi a importância da democracia. Mas tenho orgulho de não ter mudado de lado".

Ela teve uma filha, Paula, se divorciou novamente em 2000, e no meio tempo teve uma brilhante carreira político-administrativa, especialmente como secretária de Minas e Energia em Porto Alegre. Lula, a cujo partido ela filiou-se tardiamente, lhe ofereceu o mesmo posto em nível federal antes de lhe confiar em 2005 a "Casa Civil", onde ela rapidamente adquiriu a reputação de uma "dama de ferro".

Seus trunfos? A inteligência, a força de trabalho, as qualidades como administradora. Seu defeito? Ela nunca passou pela prova das urnas. Sob aconselhamento e auxílio de Lula, seu principal defensor, Dilma Rousseff tenta se tornar conhecida. Ela põe "o pé no barro", como se diz aqui. Há vários meses ela está em formação pré-eleitoral acelerada. Ela acompanha com frequência o presidente em suas atividades oficiais, divide os palanques com ele, cede entrevistas à imprensa. Várias vozes do PT se puseram à sua disposição para tecer uma teia nacional.

Apesar da imensa popularidade de seu principal defensor, sua vitória em 2010 não é garantida. Ela terá como provável adversário um homem de peso, José Serra, governador de São Paulo e ex-rival de Lula nas urnas, derrotado em 2002.

Como é de se esperar no Brasil, paraíso da cirurgia estética, Dilma já mudou de visual. Alguns golpes estratégicos de bisturi rejuvenesceram e suavizaram seus traços. Ela perdeu 10 kg, adotou um penteado mais moderno e mais ruivo, substituiu seus óculos de míope por lentes de contato. Ela cuida de sua maquiagem, sorri com mais frequência e usa palavras mais simples em público.

O "produto" Dilma logo estará pronto para venda. Lula lhe deixou de herança seu velho slogan de campanha, que já se ouve nos comícios do PT: "Brasil! Urgente! Dilma presidente!"

Tradução: Lana Lim
Fonte: UOL

quarta-feira, abril 22, 2009

The Crafty Superpower

By turns charming and cagey, cool to America and close to Obama, Lula is building a unique regional giant.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

A Itália esconde Jorge Troccoli.

O que a "imprensa livre" brasileira não mostra: o caso Jorge Troccoli.

Nas últimas semanas, o caso Cesare Battisti vem ocupando um grande espaço nos principais "veículos de comunicação" do país e a cobertura dada ao mesmo - para variar - tem sido extremamente tendenciosa. De modo geral, a grande imprensa brasileira tem feito coro às alegações do governo italiano de que o Brasil está concedendo o status de refugiado político a um "terrorista", condenado por quatro homicídios, em seu país natal.

No entanto, esta mesma imprensa - que se diz neutra, livre e isenta - esquece deliberadamente um episódio ocorrido no ano passado na "democrática" Itália e que merece ser lembrado, no momento em que acontece este contencioso entre o Brasil e o governo do Sr. Berlusconi: o caso do militar uruguaio Jorge Troccolli. Capitão da marinha uruguaia, Troccoli teve uma atuação bastante ativa na tristemente famosa “Operação Condor” (que contou com a participação das ditaduras militares do Uruguai e de outros países sul-americanos), tendo sido responsável pela tortura e morte de mais de uma centena de opositores desses regimes, entre 1975 e 1983. Em 2002, o governo do Sr. Silvio Berlusconi – em sua segunda passagem pela chefia do gabinete de ministros da Itália - concedeu cidadania italiana ao Capitão Troccoli, mesmo sabendo das acusações de crime contra a humanidade que pesavam contra ele.

Em setembro do ano passado, o ministro da justiça da Itália, Angelino Alfano, negou-se à extraditar Troccoli para o Uruguai, alegando que ele é cidadão italiano, tomando como base jurídica um tratado assinado entre os dois países em 1879. Portanto, o mesmo governo que nega-se a extraditar um notório torturador, utilizando dessas filigranas jurídicas, é o mesmo que se considera ofendido pela não-extradição de Battisti, que seguiu todas as normas da legislação brasileira, que por sua vez se baseia em uma série de convenções internacionais.

A mídia golpista brasileira, interessada em atacar o governo Lula, opta por dar razão a um governo com notórias ligações com grupos neo-fascistas e com o crime organizado na Itália, como é o governo Berlusconi, ao invés de cobrir o caso Battisti com a isenção que seria necessária. E se é para dar opiniões pessoais e subjetivas - que é o que tem feito a maior parte dos principais articulistas da grande imprensa - eu prefiro concordar com a bela Carla Bruni, que apóia Battisti, do que com a deputada neo-fascista Alessandra Mussolini (neta do próprio), que faz parte da base de apoio de Berlusconi!!

Maiores informações sobre o caso Troccoli podem ser encontradas em um artigo publicado recentemente no jornal italiano "l'Unità".

O link é: www.unita.it/news/80861/troccoli_il_battisti_uruguayano

domingo, janeiro 18, 2009

Obama, Lula e Sarkozy são modelos do século XXI, diz especialista

Vice-Presidente do think-thank Public Agenda e autor de Forgive Us Our Debts: The Intergenerational Dangers of Fiscal Irresponsibility, publicado nos Estados Unidos pela editora da Universidade de Yale, Andrew L. Yarrow defendeu, em artigo publicado na página de opinião do The Baltimore Sun, que a apologia da impossibilidade funcional dos governos está com os dias contados. E que um trio de líderes - formado pelo recém-eleito Barack Obama, o presidente francês Nicolas Sarkozy e o brasileiro Luiz Ignácio Lula da Silva - representam a ascendência, no mundo ocidental, do idealismo, do ativismo e da cooperação supra-partidária sobre o unilateralismo, a política mais convencional e o apadrinhamento de aliados característico da administração Bush.

Professor da American University e consultor do centrista Brookings Institution, Yarrow vai além e propõe o estabelecimento de uma nova era, calcada na imagem dos presidentes de Brasil, França e EUA. "Prestando atenção no simbolismo político dos três estadistas, vê-se que o mundo democrático está entrando em um novo período, tão definitivo e transformador quanto o pacto social-democrático de Franklin Delano Roosevelt após a Segunda Guerra Mundial, o chamado Consenso Liberal, ou a Ascensão Conservadora das últimas três décadas, marcadas pelas políticas de Ronald Reagan e Maragareth Thatcher", escreve.

Para o historiador, que deixou a reportagem do The New York Times para investir na vida acadêmica, completando a pós-graduação Universidade de Harvard e trabalhando no governo Bill Clinton, o comprometimento com a Justiça Social dos três líderes está um passo à frente da Terceira Via de Clinton e Tony Blair, representada no Brasil pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. O cerne do sucesso dos três líderes, diz Yarrow, está na idéia de compaixão social condicionada à responsabilidade pessoal - no Brasil, com as contrapartidas exigidas pelo Bolsa Família, nos EUA, com o discurso de Obama voltado para o ativismo social dos mais abastados e a necessidade de a comunidade afro-americana voltar a investir nos valores de fortalecimento familiar - e em uma visão internacionalista comprovada pela movimentação de Paris e Brasília durante a mais recente crise no Oriente Médio, trabalhando ativamente por uma trégua entre Israel e os palestinos.

O Terra conversou com o professor da American University sobre sua previsão de que os próximos anos no mundo ocidental serão moldados pela ação de Lula, Obama e Sarkozy. Yarrow só não quis emitir opinião sobre a sucessão presidencial no Brasil, tema que acompanha de longe e com enorme atenção - a se julgar por seus questionamentos sobre a possível candidatura da ministra Dilma Roussef em 2010.

O senhor diz que o Lula, Obama e Sarkozy desafiam, cada um a seu modo, a política convencional. Pode explicar melhor esta sua observação?
Lula, Obama e Sarkozy são, os três, líderes políticos pós-partidários. Eles combinam um comprometimento com a inclusão e a justiça social com um crescimento econômico que beneficie ao mesmo tempo trabalhadores e empresários. Eles refutam os moribundos modelos advindos do "Consenso de Washington", o capitalismo neo-liberal pós-Reagan e Thatcher, calcado na desregulamentação dos mercados. Mas também não são estatizantes per se, não se aproximam de modelos socialistas tal qual os conhecemos. Lula com o PT, Obama com os Democratas, e Sarkozy com os gaullistas e os democrata-cristãos, estabeleceram rupturas com as culturas políticas mais características de seus grupos partidários.

O senhor fala do Consenso Liberal dos anos 30 e da Revolução Conservadora dos 70-80. O que esperar da era de Lula-Obama-Sarkozy?
A era de Lula-Obama-Sarkozy é marcada por um retorno, em âmbito interno, das políticas de crescimento econômico emparelhadas com a busca de Justiça Social. Os três também representam, não apenas através de seus atos, mas por suas próprias trajetórias de vida, um mundo mais multi-cultural, mais globalizado. Em política externa, talvez menos com Obama, embora ele tenha se comprometido com a tese durante a campanha eleitoral, os três são arquitetos de um novo internacionalismo, que acredita na intervenção em casos de emergências humanitárias, em casos de genocídio e grandes epidemias, por exemplo.

O senhor diz também que os três são "figuras ultra-públicas". Pode explicar melhor esta idéia?
Lula, Obama e Sarkozy são três figuras extremamente carismáticas. E, embora manchados um pouco por problemas relacionados às suas atividades pessoais, especialmente o líder francês, os três restauraram a fé na vida pública e fizeram com que os cidadãos de seus países acreditassem na eficácia do governo novamente. Obama e Lula, particularmente, inspiram esperança e conseguiram trazer para o tabuleiro político parcelas do eleitorado que não tinham voz em seus respectivos países. E os três são figuras públicas dispostas a atos dramáticos, que chamam atenção para aspectos críticos tanto de situações internas quanto de crises internacionais.

Quando o senhor fala de Lula em seu artigo, um dos destaques é a noção de 'responsabilidade condicional' colocada novamente na mesa a partir da fórmula do Bolsa Família. Por que acredita que este aspecto é tão fundamental na consolidação do fenômeno Lula?
É a idéia de que, não esquecendo que o governo deve ajudar a incrementar o bem-estar da população, e provê-los segurança, os indivíduos devem assumir uma maior responsabilidade pessoal pelas suas vidas. Lula e Obama defendem um novo contrato social - diferente tanto do liberal do pós-guerra quanto do consenso conservador dos anos 80 - que oferece um balanço entre as responsabilidades do Estado e as do cidadão comum.

Como o senhor definiria cada um destes três líderes que, de acordo com o senhor, estariam redefinindo ideologicamente o mundo ocidental?
Lula, Obama e Sarkozy são homens que chegaram à liderança política emergindo de áreas distantes das elites tradicionais de Brasil, Estados Unidos e França. Eles chegaram ao poder através de seu carisma, da capacidade de fazer com que a população acreditasse em seus esforços em relação a melhoria da vida em seus países, e da coragem de abraçarem novas filosofias, calcadas em extraordinária capacidade de organização e mobilização política.

Fonte: Terra, por Eduardo Graça


terça-feira, dezembro 23, 2008

Lula é eleito 18ª pessoa mais poderosa do mundo pela "Newsweek"

da Folha de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito a 18ª pessoa mais poderosa do mundo pela revista americana "Newsweek".

Atrás do presidente eleito dos EUA, Barack Obama --número um da lista composta de 50 nomes-- e dos presidentes da China, Hu Jintao, e França, Nicolas Sarkozy, Lula ficou à frente de nomes como a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, e do papa Bento 16.

Ao citar o brasileiro, a revista americana diz que o "ex-sindicalista cabeludo" levou o país, "que já esteve à beira da ruína", a ser uma das mais saudáveis economias emergentes.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Revista Newsweek elege Lula o 18º mais influente do mundo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito a 18ª pessoa mais influente do mundo pela revista americana Newsweek. A relação, que lista 50 personalidades mundiais, foi publicada na edição online do semanário. Em primeiro lugar aparece o presidente eleito nos Estados Unidos, Barack Obama.

A publicação atribui a Lula o fato de o Brasil ter atualmente "a menor taxa de inflação nos países em desenvolvimento, além de possuir hoje US$ 207 bilhões em reservas internacionais". "Graças à política fiscal de Lula, o Brasil está hoje entre as economias emergentes mais saudáveis do mundo", diz a revista.

Aparecem à frente de Lula personalidades como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que inicia hoje sua última visita oficial ao Brasil como líder da União Européia.

Também estão à frente de Lula a presidente alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a senadora e ex-primeira dama dos EUA, Hillary Clinton.

Já o criador da Microsoft, Bill Gates, aparece quatro posições atrás de Lula na listagem.

Confira abaixo a relação das 50 pessoas mais influentes do mundo segundo a Newsweek:

1. Barack Obama
2. Hu Jintao
3. Nicolas Sarkozy
4. Ben Bernanke
5. Jean-Claude Trichet
6. Masaaki Shirakawa
7. Gordon Brown
8. Angela Merkel
9. Vladimir Putin
10. Abdullah bin Abdulaziz Al-Saud
11. Ayatollah Ali Khamenei
12. Kim Jong Il
13. Hillary Clinton
14. Bill Clinton
15. Timothy Geithner
16. Gen. David Petraeus
17. Sonia Gandhi
18. Luiz Inácio Lula da Silva
19. Warren Buffett
20. Gen. Ashfaq Parvez Kayani
21. Nuri al-Maliki
22. Bill Gates
23. Melinda Gates
24. Nancy Pelosi
25. Khalifa bin Zayed Al Nahyan
26. Mike Duke
27. Rahm Emanuel
28. Eric Schmidt
29. Jamie Dimon
30. David Axelrod
31. Valerie Jarrett
32. Dominique Strauss-Kahn
33. Rex Tillerson
34. Steve Jobs
35. John Lasseter
36. Michael Bloomberg
37. Pope Benedict XVI
38. Katsuaki Watanabe
39. Rupert Murdoch
40. Jeff Bezos
41. Shahrukh Khan
42. Osama bin Laden
43. Hassan Nasrallah
44. Dr. Margaret Chan
45. Carlos Slim Helú
46. The Dalai Lama
47. Oprah Winfrey
48. Amr Khaled
49. E. A. Adeboye
50. Jim Rogers

Fonte: Terra

quinta-feira, novembro 27, 2008

Lula é líder ibero-americano mais bem avaliado em pesquisa

Presidente lidera lista que inclui 16 nomes avaliados por 20 mil pessoas em 18 países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu pela primeira vez a melhor avaliação entre líderes da região ibero-americana em pesquisa realizada pela ONG chilena Latinobarómetro.

O levantamento foi realizado com base em 20.204 entrevistas realizadas em 18 países latino-americanos entre os dias 1º de setembro e 11 de outubro.

Além de Lula, foram avaliados outros nove presidentes sul-americanos, o cubano Fidel Castro, o americano George W. Bush, o mexicano Felipe Calderón, o nicaragüense Daniel Ortega e os espanhóis José Luis Rodríguez Zapatero e o rei Juan Carlos.

No ranking elaborado pela entidade, Lula ultrapassou os dois espanhóis: o rei Juan Carlos ficou em segundo lugar e o primeiro-ministro Zapatero, que tinha empatado com Lula em anos anteriores, caiu para a terceira posição.

Segundo a pesquisa, em uma escala de notas que vai de zero a dez, de "muito mal" a "muito bem", Lula recebeu 5,9 na pesquisa. No ano passado, ele tinha 5,6, a mesma avaliação de 2006. Em 2005, tinha recebido a nota 5,8.

Com a avaliação que recebeu dos entrevistados, Lula superou todos os presidentes sul-americanos avaliados no levantamento, incluindo a chilena Michelle Bachelet (4ª), o paraguaio Fernando Lugo (5º) e o colombiano Álvaro Uribe (6º).

O nome do presidente da Bolívia, Evo Morales, aparece em décimo lugar, seguido pela argentina Cristina Kirchner (11ª) e pelo venezuelano Hugo Chávez (13º).

Resultado 'esperado'

Entrevistada pela BBC Brasil, por telefone, a diretora do Latinobarómetro, Marta Lagos, baseada em Santiago, no Chile, disse que Lula "inseriu" o Brasil no cenário internacional e, com isso, também deu destaque para toda a América Latina no mundo.

"Esse resultado é óbvio, já era esperado", afirmou. "O Brasil se transformou em uma potência mundial. Lula colocou o Brasil no cenário internacional e a América Latina foi junto e reconhece isso."

Lagos interpreta ainda que os entrevistados entenderam que Lula, "sem muito barulho", superou a crise com a Bolívia e "dominou" e "controlou" a influência de Chávez na região.

Na opinião da diretora do Latinobarómetro, o rei Juan Carlos acabou em segundo lugar provavelmente por sua reação - com a frase "Por que não se cala?" - à partipação de Chávez em uma reunião regional.

Lagos destaca também que o Brasil realmente se comporta, na sua visão, como "potência", já que os brasileiros têm a noção do tamanho do país, do seu potencial e de seus problemas.

"No Brasil, parecem não acreditar nos contos mágicos", disse. "Sabem da realidade do país."

Segundo Marta Lagos, o mesmo não se observa em outros países da região.

Fonte: G1