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segunda-feira, agosto 29, 2011

Mídia cerca, invade carro e constrange Reynaldo Gianecchini



Léo Pinheiro/Terra
Reynaldo Gianecchini foi acuado por jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas ao deixar o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
Reynaldo Gianecchini foi acuado por jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas ao deixar o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
Claudio Leal
Na entrada do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, um esquadrão midiático espera o ator Reynaldo Gianecchini, 38 anos, depois da primeira alta médica desde o início do tratamento contra um câncer raro (linfoma não-Hodgkin de células T). Mais de cinquenta jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas ondulam, inquietos, na tarde desta sexta-feira (26). A guarda das televisões foi armada ainda mais cedo.
Uma assessora do hospital tenta organizar a fileira de repórteres, mas antes é necessário atender às angústias.
- Giane vai falar? Ele vai falar? 
- Manda ele parar aqui um pouquinho. Ele para, olha... Depois ele vai embora - pede um paparazzo.
- Ele vai fazer o quiser - avisa a assessora.
- Estou há vinte anos no ramo, me escuta - emenda o fotógrafo. - Ficamos aqui, ele dá uma paradinha de 15 segundos e vai embora... E nós também - sorri, professoral.
Passos adiante:
- Agora não é um bom momento! - irrita-se uma repórter, desligando o celular. - Meu namorado, inconveniente...
Na eulalia, um jornalista veterano procura distribuir sensatez: 
- Ó, ninguém pode falar pro Gianecchini falar mais alto, viu?
Nada de Giane, e mais papos elevados:
- Meu sonho é um dia deixar de ser repórter de famosos e, quando encontrar uma celebridade, dizer: "Dá licença, vamos tirar uma foto!" 
- A Sabrina (Sato), né? - sugere um colega, logo cativado por uma mulher com buquê. - Flores estão descendo... Ou é uma moça que já trouxe flores e está levando embora? - especula o ti-ti-tiete.
Acompanhado da equipe médica e de familiares, Gianecchini deixa o elevador e começa a ser interrompido por fãs, dentro do hospital. A aparição atiça os jornalistas e os nem tanto.
- Ai, ele tá lindo... - arfa uma repórter meticulosamente loira.
O ator aceita tirar fotos. E avança aos poucos, cauteloso na convalescença; ao redor, os murmúrios crescem.
- Quem está de camisa rosa? 
- A mãe?
- Não, a mãe é loira!
- Quem está chorando atrás dele?
Gianecchini aceita falar com os jornalistas. Mas, com a voz um tanto rouca, antecipa que não vai demorar.
- Quero dizer que estou muito forte e essa minha força vem, em grande parte, desse carinho todo. As pessoas têm me mandado e-mails o tempo todo. Estou com o coração cheio de felicidade e absolutamente tocado por essa manifestação...
Os cinegrafistas cortam e abafam a voz do ator:
- Olha cá! Fala pra gente! Olha pra frente! Olha aqui, Giane!
Ele se esforça para levantar a voz. O rosto fica ainda mais pálido com os flashes contínuos.
- Eu estou muito forte, agradeço o carinho. Estou com o coração cheio de felicidade e absolutamente tocado com esse gesto de carinho. Vou ficar um pouco afastado, distante, por causa do meu tratamentinho, mas está tudo bem. Conto com a compreensão de todos vocês.
Novos chiados de fotojornalistas, ou caçadores de celebridades, atrapalham a mensagem do paciente. Uma jornalista baixa a câmera e o gravador, para gritar sua solidariedade: 
- Giane, a gente te amaaaaaaaa!
Fragilizado após a primeira bateria contra o câncer - e um sangramento durante a passagem de um cateter -, Reynaldo Gianecchini sorri e, levemente, se dirige para um Fiat prata.
Agora, a caça. Fotógrafos e cinegrafistas abrem as duas portas do carro, do lado do motorista, e enfiam suas câmeras para congelar o constrangimento de Gianecchini. Os seguranças pedem: 
- Deixem ele sair!
Cercado, o automóvel fica travado na porta do Sírio-Libanês; afastados os penetras, as acompanhantes conseguem fechar a porta, no ensaio de partida. Nada fácil. As câmeras cercam Gianecchini outra vez, para mais instantâneos. Atrás do Fiat, uma Blazer carrega orquídeas, rosas e bromélias enviadas ao hospital.
Na rua Barata Ribeiro, um pequeno congestionamento, provocado pelo semáforo, aumenta o alvoroço. Da sacada da Escola de Enfermagem do Sírio-Libanês, estudantes clamam pelo ídolo e tiram fotos com celulares. "Eu te amo!" vezes cinco. Os paparazzi largam a ponga, e a celebridade (ali, um paciente) consegue abandonar o alarido. Um visitante, cigarro entre os dedos, sai o hospital com uma pergunta:
- Tudo isso por causa de um homem? Pô. Ridículo.
Fonte:

sábado, janeiro 01, 2011

O ''analfabeto'' arrasou



O presidente Luiz Inácio chega ao fim do segundo mandato.... Termina com 87% de aprovação popular. Pode dizer no seu melhor estilo que nunca antes na história de uma democracia um governante conseguiu tal consagração. FHC acabou seus oito anos com míseros 26% de apoio da população. Para mudar é preciso, às vezes, mudar-se. Luiz Inácio mudou. E ajudou a mudar um pouquinho o Brasil. Falta muito. Mas está um pouquinho melhor do que antes. Ao contrário do que alguns andam dizendo, o governo do PT foi muito bem em educação. Recuperou e ampliou as universidades federais. Arrasou ao adotar o ProUni e o Reúne. Deu show ao estimular a política de cotas. Fecha com chave de ouro com a decisão do Itamaraty de reservar vagas para afrodescendentes nos concursos para diplomata.

O orçamento do Ministério da Educação pulou de R$ 29 bilhões para R$ 67 bilhões no reinado de Luiz Inácio. O Bolsa-Família, política de Primeiro Mundo, existente, com outros nomes, nos países mais desenvolvidos e decentes do planeta, diminuiu desigualdades, distribuiu renda, deu de comer a muita gente, gerou empregos e acionou a economia em milhares de pequenas cidades. Só insensíveis, reacionários destemperados e sócios eternos do clube do ódio à esquerda continuam sem reconhecer os méritos das políticas sociais de Luiz Inácio. A extrema-esquerda tem outras razões. Se tivesse sido o que a direita previa, teria imitado Hugo Chávez e falhado. Seria a glória para seus detratores. Ele soube frustrá-los. Exagerou nas alianças indigestas. Fechou os olhos para o caixa dois do mensalão. Mas não deixou de jogar para escanteio potentados envolvidos como José Dirceu. O acusado de não dominar a língua mostrou-se o nosso melhor comunicador.

Na política internacional, Luiz Inácio cometeu erros e acertos. Aproximou-se do Irã, ditadura mal dissimulada que apedreja adúlteras e arranca olhos de quem arranca os olhos dos outros, provocando a fúria dos Estados Unidos, que são muito próximos da Arábia Saudita, ditadura sem dissimulação que apedreja adúlteras... O Brasil atravessou a pior crise financeira internacional depois de 1929 como se, de fato, não passasse de uma "marolinha". O ponto frágil de Luiz Inácio continua sendo o seu filho Lulinha, que mora num apartamento pago pelo Grupo Gol, recebe cada vez mais investimentos da poderosa Oi na sua deficitária empresinha Gamecorp e não decola. Por fim, Luiz Inácio bancou a eleição para o seu lugar de uma mulher, o seu melhor quadro administrativo, a "mineirucha" Dilma Rousseff. Os especialistas de plantão garantiam que seria impossível eleger Dilma. Depois, desesperados, inverteram o argumento: o presidente seria capaz de eleger até um poste. Neste último dia de 2010 e do seu mandato, Luiz Inácio deve conceder refúgio a Cesare Battisti. Se o fizer, demonstrará independência, coragem e capacidade de compreender a natureza dos crimes políticos. O "analfabeto" fez o doutor comer poeira. Poderia ter sido melhor do ponto de vista da esquerda, o que talvez fosse pior para o Brasil. Poderia ter sido pior do ponto de vista da direita, o que seria melhor para ela. Há males que fazem algum bem. Feliz 2011.

JUREMIR MACHADO DA SILVA | juremir@correiodopovo.com.br

quinta-feira, novembro 11, 2010

Hélio Schwartsman: Justiça ainda não entendeu o que é o Enem

Os chamados operadores do direito (advogados, juízes, promotores, procuradores etc.) ainda não entenderam bem o que é o Enem. Se tivessem compreendido, não teriam pedido --e nem concedido-- a suspensão do exame, por desnecessária. 


É fato que, pelo segundo ano consecutivo, os organizadores da prova cometeram erros. Isso depõe contra a capacidade gerencial do Ministério da Educação (MEC) e dos consórcios que confeccionam os testes, mas não afeta os modelos matemáticos que sustentam a Teoria de Resposta ao Item (TRI), na qual o Enem se baseia. 


Desenvolvida nos anos 50 e 60, a TRI torna possíveis testes mais refinados, que permitem comparar alunos submetidos a provas diferentes e a performance de uma mesma instituição ao longo dos anos. Assim, em vez de anular os exames de mais de 3 milhões de estudantes, basta que o MEC ofereça gratuitamente aos cerca de 20 mil alunos que podem ter sido prejudicados a oportunidade de fazer uma nova prova nas próximas semanas. 


Embora seja "apenas uma teoria" a TRI é usada há décadas com bastante sucesso em provas já consagradas como o SAT (o Enem dos EUA) e o Pisa (usado para comparar sistemas de ensino de diferentes países). A ideia central da TRI em sua versão mais simplificada é que cada questão ou item possui duas características especialmente relevantes: o grau de dificuldade e o de discriminação. 

Se a pergunta for fácil, será respondida por quase todos os que estão mais preparados e por parte dos que se mostram menos preparados; se for difícil, será respondida somente por alguns dos mais hábeis. Já a discriminação traduz a eficácia com que o item distingue entre os mais e os menos competentes. 


O que a TRI faz é reunir esses dois parâmetros em um modelo matemático que permite atribuir a cada candidato uma pontuação que leva em conta não só os acertos como também o grau de dificuldade de cada questão e a coerência nas respostas. 


Com isso, nem todos os estudantes recebem os mesmos pontos pelos mesmos acertos. Um aluno que acertar uma questão difícil, sem ter resolvido um número razoável de outras mais fáceis, receberá por aquele acerto uma pontuação menor do que o aluno que tenha demonstrado coerência ao longo de toda a prova.
Evidentemente, o sistema precisa ser calibrado tanto para o grau de dificuldade como para o de discriminação de cada item. Uma série de testes com alunos de diferentes níveis permite a formação de grandes bancos de questões, de modo que, em princípio, não haveria grandes problemas para elaborar em poucos dias uma prova extra para os prejudicados. 


Na verdade, tanto a fraude de 2009 como as falhas organizacionais deste ano poderiam ter sido evitadas se o MEC tivesse avançado mais nas possibilidades abertas pela TRI. Não há razão, por exemplo, para fazer um megaexame que envolva vários milhões de alunos --com todas as dificuldades logísticas daí decorrentes. Seria muito mais razoável organizar sete ou oito provas por ano, como, aliás, ocorre com o SAT norte-americano. 


O mesmo vale para a segurança. Nada impede que o MEC elabore várias dezenas de diferentes modelos de prova. Não estamos aqui falando das mesmas questões dispostas em outra ordem, mas de exames compostos por perguntas diferentes. Se existe apenas uma chance em 50 ou 60 de um candidato a fraudador comprar a prova certa, violações de sigilo praticamente perdem valor de mercado. 


Pode-se ir ainda mais longe e imaginar uma situação onde cada examinando resolva seu teste diretamente num computador. Neste caso, o sistema poderia, a partir do banco de questões, que idealmente conta com milhões de perguntas, gerar uma prova específica para cada candidato. 



E isso é provavelmente o mais perto que se pode chegar de um exame à prova de fraude. 


O verdadeiro teste do MEC vai ser convencer os juízes de que a TRI funciona. 

ONU defende mecanismo de avaliação do Enem

A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou nesta quinta-feira nota defendendo o mecanismo utilizado pelo Enem --que permite a aplicação de provas diferentes com níveis de dificuldade semelhante.


A possibilidade da aplicação de uma segunda prova, para compensar os alunos que tiveram prejuízos no exame de sábado, é uma das questões analisadas pela Justiça para definir se mantém a suspensão do exame.
Há o temor de que, dependendo do nível da eventual segunda prova, os alunos sejam beneficiados ou prejudicados. 

Segundo a nota da ONU no Brasil, a metodologia usada no Enem, chamada de Teoria de Resposta ao Item, permite "a elaboração de provas diferentes para o mesmo exame, que podem ser aplicadas em qualquer período do ano, com o mesmo grau de dificuldade". 

O método prevê um banco com diversas perguntas fáceis, médias e difíceis. Assim, o sistema permite que se monte diversas provas com a mesma dificuldade --basta manter a distribuição de dificuldade das questões.
A ONU destacou que a metodologia é utilizada em outros exames internacionais, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), adotado por membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). 

A mesma avaliação tem o coordenador do vestibular do Insper (ex-Ibmec-SP), Tadeu da Ponte --a faculdade utiliza a TRI na seleção. 

"Estatisticamente, o método permite que haja as mesmas condições em provas diferentes", diz. "Mas não é possível definir o impacto psicológico de ter de fazer uma segunda prova. 

(FÁBIO TAKAHASHI)


quarta-feira, novembro 10, 2010

As falhas no Enem e os interesses que se movem nos bastidores



“Prova do Enem é tecnicamente sustentável sob todos os pontos de vista”
do blog do Planalto

O governo não pretende anular o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010, realizado no último sábado (6/11), e nem refazer as provas para todos os inscritos, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista coletiva à imprensa concedida nesta segunda-feira (8/11), em Brasília (DF). Segundo Haddad, os alunos prejudicados por falhas na impressão em alguns lotes poderão, após a devida apuração por parte do Ministério da Educação (MEC), refazer a prova, sem que haja a necessidade do cancelamento da mesma, uma vez que o princípio da isonomia não foi comprometido.

O Ministro disse ainda que o MEC irá tentar reverter a decisão da 7ª Vara Federal do Ceará de suspender, em caráter liminar, o Enem. O Ministério irá explicar que o uso da Teoria de Resposta ao Item permite a comparabilidade de provas distintas, possibilitando a realização de um novo exame com “questões de mesmo peso”. De acordo com o Ministro, caso a Justiça Federal do Ceará mantenha a decisão, o MEC irá recorrer em instâncias superiores, pois há, por parte do governo, a segurança de que a prova é tecnicamente sustentável.

A prova será reaplicada para quem foi prejudicado. A grande vantagem que nós temos é que, como o Enem, desde o ano passado, responde pela Teoria de Resposta ao Item, essas provas são rigorosamente comparáveis e não é necessário anular o exame como um todo… Em um exame com quase 5 milhões de inscritos, se você não adota esse sistema, compromete-se a isonomia da prova.

Questionado sobre eventuais impactos dos erros de impressão na credibilidade do Enem, Haddad afirmou que a julgar pelo relato de reitores e o aumento em 10% no número de inscritos com relação a 2009, não há razões para acreditar na perda de credibilidade do Enem, que é “irreversível, um caminho sem volta”. O Ministro informou ainda que não há uma data precisa para a reaplicação do teste para os estudantes que foram comprovadamente prejudicados.

Para definir a data temos que observar o calendário universitário e, segundo, verificar quantos estudantes efetivamente terão que refazer. No ano passado, marcamos para cerca de um mês depois. Essa é a previsão.

Sobre os custos para a realização de uma nova prova, Haddad explicou que todas as despesas ficarão a cargo da gráfica que realizou a impressão e que há, ainda, previsão contratual para a cobrança de multa.

PS do Viomundo: As falhas no Enem são lamentáveis. É prato cheio para a oposição, já que estamos falando de milhões de futuros eleitores. Dito isso, é preciso ter em conta os interesses que se movem nos bastidores. São os interesses dos que defendem a perpetuação dos cursinhos e que, em São Paulo, fizeram da Secretaria da Educação um canal de financiamento da grande mídia, como está exposto aqui.

segunda-feira, novembro 08, 2010

ENEM 2010 e a mídia

Há 5 anos, a antiga FFFCMPA errou 5 questões de Física. Imagine se cada vez que ocorresse algo assim anulassem vestibulares.

O ITA, todos anos apresenta inúmeras questões sem resposta.

A PUCRS, cansa de apresentar questões sem respostas plausíveis.

No ENEM 2010, apenas 0,003% das provas tinham problemas de impressão, o que é aceitável, já que 10 milhões de provas foram impressas e não poderiam ser revisadas individualmente (questão de segurança).

É irritante ver gente falando coisas que não entendem.

São os mesmos que acreditam em horóscopo e  não entendem uma previsão do tempo (que é sempre PROBABILÍSTICA é não absoluta).




sábado, outubro 09, 2010

O dia em que a Folha matou meu pai

Dia 24 a Folha matou meu pai

Por Rogério Tuma, na CartaCapital

Mentira: a serviço de alguma força obscura, Folha Online e UOL noticiam a morte do senador Tuma e não se retratam

O maior crime cometido pela imprensa nesta eleição ocorreu no dia 24 de setembro, quando a Folha Online e o site UOL noticiaram a morte do senador Romeu Tuma, meu pai e paciente. Foi completamente abafado pelo corporativismo deste quarto poder que hoje se diz ameaçado.

Em uma manobra sórdida e a serviço de alguma força obscura, mas que a justiça ou o tempo vão desmascarar, duas empresas do Grupo Folha de S. Paulo tentam eliminar da campanha política um senador da República candidato à reeleição, sem sequer se importar com o ser humano e toda uma família vítima desta maldade hedionda.

A mídia alardeia que não merece ser presidente quem desconhece as ações do seu segundo ou terceiro escalão, e até o presente momento o senhor Otavio Frias Filho ainda não se manifestou sobre o “assassinato”de meu pai, cometido por uma de suas jornalistas.

Já foi dito à minha família que quem ocupa cargo importante não pode cometer erros sob pena de ser pré-julgado e perder o seu posto. Mas, e no caso de uma instituição? Como ela deveria pagar por isso?

O presidente do grupo deve ter se esquecido, mas tive a oportunidade de conhecer seu pai e outras pessoas de sua família, em situação semelhante àquela atual em que meu pai se encontra, sem condições físicas para se defender, daí recordar o tratamento de respeito e dignidade reservado a Otavio Frias de Oliveira, bem ao contrário daquele que o grupo herdado dá agora ao senador Romeu Tuma.

Digo a você, “Otavinho”, que o que herdamos de nossos pais é apenas o potencial e não o poder. Precisamos nos desenvolver para conseguirmos chegar perto do que seu pai foi e o que o meu é. Não se herda respeito, o legado são as nossas obrigações e os feitos de nossos pais. Eles são o exemplo a ser seguido e nossa sorte é poder assistir a seus atos de perto, para aprender as lições.

Eu não falo aqui apenas como filho, mas como médico responsável pelo tratamento do senador e também como membro da comissão de ética do hospital onde ele está internado.

Posso afirmar, portanto, que jamais integrante algum da Folha Online e UOL entrou em contato com as pessoas aptas a fornecer uma informação dessa importância para confirmá-la ou desmenti-la. Fato e boato são duas coisas complementares diferentes, e isso deveria estar escrito em qualquer manual de conduta de um jornalista.

Diga-se que diversas outras instituições da imprensa buscaram a veracidade da notícia e não a publicaram por não poder confirmá-la, mesmo duvidando dos boletins médicos.

A redação da Folha não se redimiu nem após horas de discussão em que o diretor de jornalismo não quis acreditar em meu irmão, e sim na “confiável” jornalista, cuja fonte seria um médico do corpo clínico do hospital. Não pode ser incompetência apenas preferir a apalavra do jornalista e do médico não identificado. Tudo aponta para uma orquestração maligna pela conquista de poder. Nem o príncipe de Maquiavel pensaria em uma coisa dessas.

Não bastasse isso, o Grupo Folha espalhou a mentira e insistiu nela. Tivemos paciência, e aguardamos o dia seguinte, pois a moral os obrigaria a dar o mesmo espaço e destaque à verdade quanto fora dado à mentira. Esperamos em vão. O ombudsman do grupo que está de férias ou ficou tão envergonhado com a empresa onde trabalha que se demitiu. Certo é que a coluna dele não fez citação ao ocorrido.

Houve candidato à mesma vaga de meu pai que comemorou e deu ordem para estampar a notícia em seu site. Por sabedoria de seus companheiros, o ato foi adiado, mas seu ódio e inveja ficaram expostos.

Adepto da teoria do caos, sei que nada se dá por acaso e que cada ato leva a uma consequência. O Grupo Folha cobriu-se de vergonha. Para meu pai, que mesmo impedido de vir a público pelos médicos para denunciar esta farsa, valeu para ganhar forças e recuperar-se e voltar à sua vida de trabalho e luta em prol da verdadeira democracia.

Políticos que não leram Platão não sabem o quanto é difícil para o homem honesto chegar ao poder, e quanta sorte tem uma nação quando isso ocorre.

Esses políticos nunca entendem por que são derrotados nas urnas. Isso tudo evoca o senhor José Serra: na época da campanha à prefeitura de São Paulo, quando meu pai era pré-candidato, Serra foi categórico ao dizer que sua mãe votaria no doutor Romeu Tuma e não nele. E evoca o candidato Aloysio Nunes Ferreira, esquecido que em sua campanha, em 1994, foi Romeu Tuma um dos que mais o ajudaram. Quem sabe eles saibam explicar a mentira do Grupo Folha.

No momento sem uma imprensa justa e honesta, basta ao senador Romeu Tuma o direito de ler seu obituário e completá-lo.

A Rede Globo foi muito econômica com seus efeitos. E o luto é da imprensa brasileira.

terça-feira, setembro 28, 2010

Pensamento do dia

"Os anúncios contêm as únicas verdades que podem ser utilizadas em um jornal."
 
Mark Twain (1835-1910)

terça-feira, setembro 21, 2010

Lula foi o presidente que modernizou o Brasil, diz jornal francês

Reportagem do 'Le Figaro' destaca impacto das políticas sociais do governo Lula junto aos pobres.
21 de setembro de 2010 | 5h 09



Uma reportagem na edição desta terça-feira do jornal francês Le Figaro afirma que Luiz Inácio Lula da Silva foi o presidente responsável por "modernizar o Brasil".

O texto, que recebeu uma chamada na capa do Le Figaro, é assinado pela correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Lamia Oualalou.

A reportagem conta a história de Ricardo Mendonça, paraibano de Itatuba que se mudou para o Rio de Janeiro à busca de emprego em 2003 e conseguiu entrar na universidade graças a uma bolsa do programa Pro-Uni, do governo federal.

O jornal atribui o sucesso de Mendonça às políticas do governo Lula.

"Histórias como esta de Ricardo o Brasil registra aos milhões. A três meses do fim do seu segundo mandato, este é um país mudado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará ao seu sucessor", escreve o Le Figaro.

'Barbudo onipresente'

O jornal diz que quando Lula chegou ao poder, em 2003, o Brasil era um país sem "grandes esperanças" que havia finalmente dado uma chance a um "turbulento barbudo onipresente na cena eleitoral deste o restabelecimento da democracia".

O Le Figaro destaca que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu combater a hiperinflação com o Plano Real, mas que se tornou "muito impopular" antes de deixar o poder em 2002.

Citando analistas políticos brasileiros, o jornal diz que Lula foi responsável por ampliar políticas sociais do governo anterior.

"O chefe de Estado reagrupou algumas medidas sociais do seu antecessor e às deu uma dimensão inimaginável", diz a reportagem do jornal.

"Pela primeira vez na história, o Brasil assiste a uma redução continua e inédita das desigualdades. Em dois mandatos, 24 milhões de brasileiros saíram da miséria e 31 milhões entraram para a classe média."

O jornal diz que o governo quer agora usar a riqueza dos novos campos de petróleo descobertos no litoral brasileiro para criar um fundo que beneficie os mais pobres.

O Le Figaro destaca que apesar dos avanços, o Brasil ainda é um dos mais desiguais da América Latina e do mundo, com altos índices de analfabetismo e problemas crônicos de saúde pública.

O jornal alerta também que as autoridades e parte dos analistas no Brasil não estão imunes a "complacência". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lula-foi-o-presidente-que-modernizou-o-brasil-diz-jornal-frances,612948,0.htm

segunda-feira, setembro 20, 2010

Decidir.com, Inc

Decidir.com, Inc. foi uma "empresa ponto com" norteamericana, subsidiária da matriz argentina "Decidir", de busca e verificação de dados cadastrais e crédito. Registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000 sob o número P00000044377, ganhou certa notoriedade no Brasil por ter tido como membros da diretoria tanto Verônica Dantas Rodemburg, irmã de Daniel Dantas, do CVC Opportunity, como Verônica Allende Serra, filha do governador José Serra e funcionária do fundo International Real Returns. Tal fato foi utilizado por adversários do político paulista na tentativa de ligá-lo ao banqueiro Daniel Dantas.



A empresa tinha sede na Argentina e filiais no Chile, México, Venezuela, Brasil além da filial estadunidense. Segundo o jornalista Marco Damiani, o site ofereceria consultas diversas, inclusive pesquisas de editais públicos de licitações no Brasil. "Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado" escreveu ele em coluna da Revista "Isto É Dinheiro".[1][2].



Verônica Serra, que é advogada formada na Faculdade de Direito da USP com mestrado (MBA) na Universidade Harvard[2], retirou-se da empresa pouco depois do estouro da bolha da internet em 2001[3]


A diretoria executiva da Decidir.com, Inc. era assim composta: Brian Kim (representando o Citibank), Verônica Valente Dantas Rodemburg (representando o fundo CVC Opportunity), Guy Nevo (representando a Decidir Argentina), Verônica Allende Serra (representando o fundo International Real Returns - IRR), além de Esteban Nofal e Esteban Brenman.

Com o estouro da bolha da internet em maio de 2001[3], os fundos de investimentos Citibank, CVC Opportunity e IRR se retiraram do negócio, ficando a Decidir.com apenas com as operações na Argentina e Brasil[4].


Atualmente, apenas a matriz Decidir.com, que atua na Argentina está em operação, e sua proposta de negócios anunciada é: "Com nossos serviços você poderá concretizar Negócios Seguros, evitando riscos desnecessários"[5].


A Decidir.com, Inc teria sido fechada em 5 de março de 2002, assim como tantas outras empresas "ponto com" devido ao colapso das ações de tecnologia na bolsa NASDAQ. Cópia dos documentos estão a disposição de qualquer pessoa no site sunbiz.org, que fornece cópias de documentos públicos emitidos na capital da Flórida.




Vazamento de dados de crédito de correntistas brasileiros



Em janeiro de 2001, o jornal Folha de São Paulo publicou matéria em que divulgou uma relação de 18 deputados que haviam emitido cheques sem fundos no Brasil. Os dados foram conseguidos, sem maiores dificuldades, através da consulta ao sistema da Decidir.com. Segundo o jornal, o banco de dados da empresa esteve aberto a qualquer pessoa que se cadastrasse, o que seria ilegal perante normas do Banco Central na época. Os dados de outras 692 autoridades brasilienses também foram vasculhados pelo jornal, entre eles o do então presidente Fernando Henrique Cardoso[6]. Segundo entrevista com o presidente do Serasa - outra empresa de consulta de dados de crédito - Líbio Seixas, "Os dados só podem ser usados para a concessão de crédito.

Há um código de ética disciplinando o uso das informações e a quebra dessa regra pode resultar em processo por danos morais". A representante da Decidir.com ouvida pelo jornal, Cíntia Yamamoto, afirmou que "as pessoas estavam conseguindo se cadastrar, nos últimos 10 ou 12 dias, sem comprovar relação com o comércio. Agora reformulamos as regras de acesso à base de dados e isso não é mais possível". O jornal confirmou que a senha obtida pela reportagem para ter acesso aos dados foi bloqueada pelos administradores do site após serem procurados[7].


Mais de nove anos depois, em setembro de 2010, a revista Carta Capital publicou matéria de capa alegando que dados protegidos por sigilo bancário de quase 60 milhões de correntistas brasileiros e informações relativas ao Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos ficaram expostos, por cerca de 20 dias, à visitação pública no site da Decidir.com.

A Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, proíbe a divulgação de dados cadastrais a terceiros e a Lei n˚ 4.595 de 1964 caracteriza a quebra de sigilo bancário como crime. No dia 30 de janeiro de 2001, Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou ofício ao Banco Central, na época dirigido por Armínio Fraga, solicitando explicações sobre a quebra.[8]



Segundo a revista Carta Capital, o governo brasileiro, então sob gestão de Fernando Henrique Cardoso do PSDB, teria tentado abafar o caso. A revista aponta como evidências o fato de que o Banco Central não instaurou processo administrativo para averiguar a existência de um acordo entre o Banco do Brasil e a Decidir.inc, o que alegadamente deveria ter ocorrido, uma vez que a a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. Também afirma que as empresas envolvidas deveriam ter sido alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF), o que não ocorreu. O Ministério da Justiça, pasta à qual a PF é subordinada, era então dirigido por José Gregori, tesoureiro da campanha de José Serra à presidência do Brasil em 2010.[8]


Desmentido de Verônica Serra


Por ocasião da prisão de Daniel Dantas juntamente com sua irmã Verônica Dantas, Verônica Serra, filha do governador de São Paulo José Serra (PSDB), emitiu nota à imprensa em que nega ter sido sócia de Verônica Dantas na empresa Decidir.com, Inc., cuja sede ficava nos Estados Unidos. Segundo Verônica Serra, ela era apenas representante indicada do fundo de investimentos em que trabalhava para compor o conselho de administração da empresa de internet.

Diz ainda ela nunca viu Verônica Dantas nas reuniões em que participou e que o objetivo principal da Decidir não era o de facilitar que os seus clientes se tornassem fornecedores do Estado, mas disponibilizar bancos de dados com informações cadastrais públicas e privadas em qualquer ramo de atividade.[4]




Referências

1. ↑ DAMIANI, Marco, com STUDART, Hugo Studart e LEITE, Janaína. As duas Verônicas. Revista IstoÉ Dinheiro, 25 de Setembro de 2002
2. ↑ a b MARTINS, Ivan. "PERFIL Verônica Serra". Revista IstoÉ Dinheiro
3. ↑ a b Redação Terra. "Anos 00: empresas virtuais, Nasdaq e a Bolha". Web Site Terra Tecnologia
4. ↑ a b SERRA,Verônica. "Esclarecimento". Google Sites
5. ↑ "Portal da empresa Decidir"
6. ↑ GRAMACHO, Wladimir. 18 deputados emitiram cheques sem fundos. Jornal Folha de São Paulo, 30 de janeiro de 2001 - só para assinantes
7. ↑ GRAMACHO, Wladimir. Site pode ser processado por divulgar dados sigilosos do BC. Jornal Folha de São Paulo, 31 de janeiro de 2001 - só para assinantes
8. ↑ a b Carta Capital: filha de Serra expôs sigilo de milhões de pessoas. Vermelho, republicação de conteúdo da revista Carta Capital. Página visitada em 10 de setembro de 2010.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Decidir.com,_Inc



sexta-feira, setembro 10, 2010

O circo da mídia

Eu sou um grande amante da liberdade de imprensa e o direito à liberdade de expressão, mas acredito que a imprensa deve exercer alguma restrição ao relatar certos assuntos.

Muitas vezes a mídia oferece muita atenção à informação declarações e ações do lunáticos da sociedade e no processo faz um grande desserviço para a grande maioria que não tolera esses grupos marginais, nem liga para o que eles têm a dizer.

A mídia deveria parar de fazer uma montanha de um montículo, e não fornecer plataformas para pessoas com pouca ou nenhuma realizações.

O mundo em que vivemos hoje é de hipersensibilidades  e o circo da mídia adiciona mais tensão para um mundo já tenso.

terça-feira, setembro 07, 2010

QUEM TEM MEDO DA DEVASSA?


por João Whitaker

Vocês repararam como no discurso oficial em torno do “escândalo” da Receita Federal aparece reiteradamente o argumento da “vida devassada” – no caso, a vida da Verônica Serra?
A idéia é de que a quebra de sigilo representa uma violação escandalosa da vida privada de cada um, que vê suas contas escancaradas. Um risco para o Estado de Direito, que deve zelar pela privacidade dos seus cidadãos.

Formalmente, o argumento é corretíssimo, tudo que a Lúcia Hippolito queria para se indignar à vontade na CBN. Há de fato aí uma questão que deve ser averiguada, pois não é agradável saber que nossa administração pública não zela como deveria por nossos dados pessoais. Mas sinceramente eu nunca confiei plenamente que meus dados fornecidos para a tal Nota Fiscal Paulista, ou para fazer o Bilhete Único, ou mesmo para tirar os documentos do carro fossem assim tão religiosamente guardados. Aliás, o que não falta é documento de carro clonado surgindo por ai.

No âmbito da iniciativa privada, para não falar em cartões clonados com a “ajuda” de funcionários das instituições bancárias, não consigo mais usar minha conta UOL na internet de tanto Spams que recebo. No celular agora virou comum receber ligações de telemarketing. Pergunta: quem vazou meu mail e meu número para todos esses anunciantes?

Quando as próprias empresas alimentam uma cultura de vazamentos para todos os lados, e em um país em que o Estado ainda é uma máquina bastante corroída pela corrupção (e por isso vulnerável), não deveria parecer tão incomum um sujeito qualquer conseguir um atestado com um documento falso em um posto remoto da Receita Federal. É escandaloso, mas não é novidade.

A grande imprensa – consternada – resolveu agora analisar o porquê do escândalo “não pegar”: para ela, a grande maioria da população sequer paga IR, e por isso acha essa história um tanto complexa. Até ai, tudo ok: o povão não paga IR, e ainda bem. Esses assuntos podem mesmo lhe parecer distantes.

Agora, o que me espanta é essa divisão que vem subjacente ao argumento, como se houvesse dois grupos: um dos que pagam IR e entendem o escândalo, e outro dos que não pagam e não entendem.
Ai está o ponto sobre o qual vale chamar a atenção: há ainda um terceiro grupo, para o qual a mídia não deu atenção, pois entre os que pagam o IR, há uma enorme maioria para quem a palavra “devassa” não significa muita coisa. Em outras palavras, para quem trabalha honestamente e ganha seu salário a duras penas, e ainda paga o IR no fim do ano, ou recebe restituição, a palavra “devassa” ou mesmo “quebra de sigilo” não tem nem de longe o significado terrível e de desmoronamento do Estado que a grande mídia quer dar. No máximo pode significar uma dor de cabeça igual a de saber que seu documento foi clonado. Nada agradável, porém também nada que me faça achar que o Estado brasileiro de repente está desmoronando.

Isso porque para essa maioria, não há o que ser devassado. Querem ver meu IR? Sem problemas: vai aparecer lá que dou aulas em duas faculdades, que faço uma ou outra palestra, e que pago uma fortuna de IR no fim do ano por ter duas fontes de pagamento. Algum problema em devassar-me? Nenhum, salvo eventualmente algum constrangimento menor, quanto à privacidade de saberem meus bens, mas nada de muito significativo.

Ou seja, o discurso da “vida devassada” que a grande mídia está usando é de um elitismo sem tamanho. E por isso não pega também nem na classe média que paga IR.

Quem tem tanto medo de ter a vida fiscal “devassada” é certamente quem tem muito, mas muito a esconder. Quem tem muito dinheiro, quem declara bens incompatíveis com o estilo de vida pública que leva, e assim por diante. Ou seja, a elite da elite. Só para eles ter a “vida devassada” pode ter esse aspecto tão aterrorizante.

Acho até que boa parte da classe média deve inclusive olhar com certa ironia e um pouco de curiosidade perversa a possibilidade de saber quais as eventuais falcatruas que os famosos podem ter feito, e que tanto os fazem temer em ter as contas devassadas. Incluindo-se aí a filha do Serra.
João Whitaker
Arquiteto e Urbanista

Fonte: NovaE

domingo, julho 18, 2010

Serra precisa de amigos


Não deixa de ser curioso ouvir essa expressão, “república sindicalista”, vinda da boca de quem, naquele mesmo ano do golpe, colocava-se ao lado do presidente João Goulart contra os golpistas que se aninhavam nos quartéis com o mesmíssimo pretexto, levantado agora pelo candidato do PSDB, para amedrontar a classe média. Ao se encarcerar nesse conceito político arcaico, preconceituoso e, sobretudo, falacioso, Serra completou o longo arco de aproximação com a extrema-direita brasileira, iniciado ao lado de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. O artigo é de Leandro Fortes.
Do blog Brasília, eu vi

Ao acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter transformado o Brasil em uma “república sindicalista”, José Serra optou por agregar a seu modelito eleitoral, definitivamente, o discurso udenista de origem, de forma literal, da maneira como foi concebido pelas elites brasileiras antes do golpe militar de 1964. Não deixa de ser curioso ouvir essa expressão, “república sindicalista”, vinda da boca de quem, naquele mesmo ano do golpe, colocava-se ao lado do presidente João Goulart contra os golpistas que se aninhavam nos quartéis com o mesmíssimo pretexto, levantado agora pelo candidato do PSDB, para amedrontar a classe média. Jango, dizia a UDN, macaqueavam os generais, havia feito do Brasil uma “república sindicalista”.

Ao se encarcerar nesse conceito político arcaico, preconceituoso e, sobretudo, falacioso, Serra completou o longo arco de aproximação com a extrema-direita brasileira, iniciado ao lado de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. Um casamento celebrado sob as cinzas de seu passado e de sua história, um funeral político que começou a ser conduzido sob a nebulosa aliança de interesses privatistas e conveniências fisiológicas pelo PFL de Antonio Carlos Magalhães, hoje, DEM, de figuras menores, minúsculas, como o vice que lhe enfiaram goela abaixo, o deputado Índio “multa-esmolé” da Costa.

Pior que o conceito, só a audiência especialmente convidada, talvez os amigos que lhe restaram, artistas e intelectuais arrebanhados às pressas para ouvir de Serra seus planos para a cultura brasileira: Carlos Vereza, Rosa Maria Murtinho, Maitê Proença, Zelito Viana, Ferreira Gullar e Marcelo Madureira – este último, raro exemplar de humorista de direita, palestrante eventual do Instituto Millennium, a sociedade acadêmica da neo UDN. Faltou Regina Duarte, a apavoradinha do Brasil, ausente, talvez, por se sentir bem representada. Diante de tão seleta platéia, talvez porque lhe faltem idéias para o setor, Serra destilou fel puro contra as ações culturais do governo Lula, sobretudo aquelas levadas a cabo pela Petrobras, a mesma empresa que os tucanos um dia pretenderam privatizar com o nome de Petrobrax.

Animado com o discurso de Serra, o humorista Madureira saiu-se c om essa: “Quero que o Estado não se meta na cultura e no meu trabalho, como está acontecendo”. Madureira trabalha na TV Globo, no “Casseta & Planeta Urgente”. Como o Estado está se metendo no trabalho dele, ainda é um mistério para todos nós. Mas, a julgar pela falta de graça absoluta do programa em questão, eu imagino que deva ser uma ação do Ministério da Defesa.

O que José Serra não confessou a seus amigos artistas é que a “república sindicalista” saiu-lhe da boca por despeito e vingança, depois que as maiores centrais sindicais do país (CUT, CGT, CTB, CGTB, Força Sindical e Nova Central) divulgaram um manifesto conjunto no qual acusam o candidato tucano de mentiroso por tentar se apropriar da criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e por “tirar do papel”, seja lá o que isso signifique, o Seguro-Desemprego. “Serra não fez nenhuma coisa, nem outra”, esclareceram as centrais.

O manifesto também lembra que, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988), o então deputado federal José Serra boicotou inúmeros avanços para os trabalhadores e o sindicalismo. Serra votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, a garantia de aumento real do salário mínimo, a estabilidade do dirige nte sindical, o direito à greve, entre outras medidas.

Desmascarado, Serra partiu para a tese da “república sindicalista” e, apoiado em apenas uma central que lhe deu acolhida, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), chamou todas as outras de “pelegas” e as acusou de receber dinheiro do governo federal para fazer campanha para a candidata Dilma Rousseff, do PT. Baseado nesse marketing primário, ditado unicamente pelo desespero, Serra mal tem conseguido manter firmes seus badalados nervos de aço, que logo viram frangalhos quando defrontados por repórteres dispostos a fazer perguntas que lhe são politicamente inconvenientes, sejam os pedágios de São Paulo, seja sua falta de popularidade no Nordeste.

Sem amigos e, ao que parece, sem assessores, Serra continua recorrendo ao tolo expediente de bater boca com os jornalistas. Continua, incrivelmente, a fugir das perguntas com outras perguntas, a construir na internet, nos blogs, no youtube e nas redes sociais virtuais uma imagem permanente de candidato à deriva, protagonista de vídeos muitíssimo mais divertidos que, por exemplo, as piadas insossas que seu companheiro de artes cômicas, Marcelo Madureira, insiste em contar na televisão.

quarta-feira, junho 30, 2010

Brazil’s Journalists Grumble at Strict World Cup Rules

Brazil’s Journalists Grumble at Strict World Cup Rules
JOHANNESBURG — When the Brazilian legend Pelé scored his landmark 1,000th career goal on Nov. 19, 1969, the soccer ball was not the only thing to go into the net.

Video of the celebrative moment at Rio de Janeiro’s Maracaña stadium shows Pelé going into the goal to retrieve the ball and reporters going into the goal to retrieve Pelé.

In soccer-mad Brazil, radio and television reporters stand behind the goals and along the sideline during matches. Technically, they are restricted to interviewing players before matches, at halftime and after the final whistle. But sometimes they get a few comments after goals are scored or when players receive red-card ejections. Once, they were even known to follow Pelé into the shower.

“In Brazil, everything is possible,” said Jorge Baptista, a Portuguese television commentator who is the press officer at Ellis Park Stadium here during the World Cup, where the rules are much stricter.
During the World Cup, photographers are allowed near the field, but reporters are not. They must sit in the press area and wait to interview players in a postgame scrum called the mixed zone.

For some matches, mostly not involving Brazil, it is even worse for the country’s febrile radio and television commentators: seating for members of the news media is limited, so they must do their jobs not in the stadiums but while watching a television screen at the International Broadcast Center here.

“This is very cold,” said Reinaldo Costa, a Brazilian radio commentator who has been in the business for 41 of his 58 years. “The main thing is the emotion on the pitch. When you don’t have this, you can’t tell it to your listener. In the previous days, it was more romantic, like you were participating in the history of the game.”
Some restrictions seem unavoidable. Television networks that pay millions of dollars in rights fees want some exclusivity of access in return. Also,, thousands of journalists are covering the World Cup. It would be a logistical and security nightmare if every one of them tried to stand around the field.

“The idea is to give equal opportunity to everybody,” Baptista said. “If you invite chaos, you will have chaos.”
Dunga, Brazil’s no-nonsense coach, has also limited daily access to his players to news conferences instead of individual interviews. And he has restricted media access to practices, which are frequently broadcast live.
This is not going over well with radio stations that have hours of time to fill each day during the tournament. Globo, the Brazilian television rights holder, quit calling Dunga by name after he had a spat with one of its journalists and began referring to him only as Brazil’s coach, Reuters reported last week.

Dunga battles constantly with the Brazilian news media, which criticize him for fielding a team too reliant on muscle and not enough on beauty. But he knows the criticism will be far harsher if he does not bring home Brazil’s sixth World Cup trophy. So he sticks to his methods, making sure his players are rested and not distracted.
“They say Dunga doesn’t allow them to interview,” he said after Brazil defeated Chile, 3-0, on Monday, advancing to Friday’s quarterfinals against the Netherlands. “We have to think about nutrition, recovery, relaxing.”
At the same time, Brazilian fans are losing some of the immediacy they have historically enjoyed in following their favorite sport. Brazil won its first two World Cups in 1958 and 1962, when relatively few people in the country had televisions, making radio a vital and traditional way of consuming soccer.

“TV and the Internet, they can change many things, but there is still the habit of listening to soccer on the radio,” said Andre Kfouri, a journalist for ESPN Brasil. “It’s like baseball in the U.S. Fans like the way they call soccer on the radio. It is a lot faster; you have to create emotion.”

In the Brazilian league, separation between players and reporters is sometimes nonexistent during a match. Andre Henning, a television commentator who has spent much of his career in radio, said he once was speaking to a player who had been ejected after a fight, only to have the scuffle begin anew during the interview.
Players who are named man of the match sometimes receive radios as a reward from a sponsoring station. Those who score three goals in a match can request a song that will be played in their honor on a popular television program called “Fantastico.”

After scoring goals, players often run toward television cameras, prompted sometimes by attractive women holding up signs that say, “Send your messages here.” And they do, often to their families, something like, “I love you, momma” or “Daddy misses you.”
Other lines are more memorable. Claudiomiro, a Brazilian player in the 1970s, was asked once how he liked the Amazon rain forest city of Belem — Portuguese for Bethlehem — and is said to have replied, “I’m happy to be here in the birthplace of Jesus Christ.”

Another player from the 1970s, a flamboyant forward nicknamed Dada Maravilha, would utter remarks like, “I don’t know how to player soccer; I spend too much time scoring goals” and “Only three things can hover in the air: a helicopter, a hummingbird and Dada.”

Often, according to Henning, Brazilian players will ask television reporters stationed near the bench whether an offside call was accurate or how many minutes are remaining in a match. “If the coach is your friend, he might come over and say, ‘I don’t like how my team is playing’ or ‘We should have attacked more from the right side,’ ” Henning said.

About a decade ago, a heavyset radio reporter strayed onto the field at Maracaña stadium, mistakenly believing a match was completed, Henning said. “Then you had a hundred thousand people yelling: ‘Fat man, are you crazy? The game’s not over.’ Afterward, the coach blamed him because his team could not get a tie.”
When the former superstar Ronaldo returned to play club soccer in Brazil last year after a stellar career in Europe, he was surrounded by journalists after his first match, bopped on the head with a microphone and a television camera and left with a black eye, according to Reuters.

“Come on, it’s Brazil,” Henning said. “We go onto the pitch. We talk to the coach. That stretcher they use to pick up injured players? We might take that out there, too. Then we come to the World Cup and realize not every part of the world is like this.”

Fonte: NYTIMES

segunda-feira, maio 24, 2010

Brasil comemora entrega de acordo nuclear à ONU pelo Irã

BRASÍLIA (Reuters) - A entrega dos termos do acordo de intercâmbio de combustível nuclear à ONU pelo Irã é considerada pelo governo brasileiro uma vitória do diálogo, afirmou na segunda-feira o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Pelo plano apresentado à Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas (AIEA), vinculada à ONU, o Irã enviará à Turquia 1.200 quilos de urânio baixamente enriquecido e receberá de volta 120 quilos de urânio enriquecido a 20 por cento, para uso em um reator de pesquisas médicas em Teerã. O acordo foi mediado pelo Brasil e Turquia.

"O presidente está bastante satisfeito. Ele acha que foi uma vitória da diplomacia e do diálogo. Quando chefes de Estado dialogam diretamente entre si, é possível conseguir avanços maiores do que só aqueles por canais diplomáticos", disse o ministro a jornalistas após participar da reunião de coordenação política do governo convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Padilha, "aquilo que a comunidade internacional se esforçava em fazer foi concretizado hoje com a entrega". Ele negou que o episódio possa gerar "rusgas" nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos.

O acordo foi proposto inicialmente pela ONU há seis meses, mas os EUA e seus aliados dizem que a proposta já foi superada pelos acontecimentos.

Teoricamente, esse intercâmbio seria uma garantia à comunidade internacional de que o Irã não está desviando urânio enriquecido para atividades bélicas. Mas a comunidade internacional avalia que, a esta altura, o estoque iraniano de urânio baixamente enriquecido já é bem maior do que 1.200 quilos, e que por isso ainda sobraria muito material para o Irã usar no suposto programa de armas nucleares.

Alguns diplomatas dizem que só haverá acordo se o Irã parar de enriquecer urânio a 20 por cento, atividade que iniciou em fevereiro, alimentando as suspeitas ocidentais de que o país estaria secretamente desenvolvendo armas nucleares. Teerã diz que seu programa nuclear se destina à geração de energia para fins civis.

Seis grandes potências já definiram novas punições ao Irã --inclusive China e Rússia, que antes relutavam em aceitar uma quarta rodada de sanções ao país. Teerã diz que vai cancelar o acordo se o Conselho de Segurança da ONU aprovar a resolução proposta pelos EUA, possivelmente no mês que vem.

Turquia e Brasil --membros temporários do Conselho de Segurança da ONU-- alegam que o acordo seria motivo suficiente para suspender, ao menos por enquanto, a discussão sobre novas sanções à República Islâmica. No entanto, potências ocidentais dizem que o Irã aceitou o acordo apenas para ganhar tempo contra novas sanções.


Reuters

Fonte: SwissInfo

domingo, maio 23, 2010

Documentos comprovam que Israel tem armas nucleares, diz jornal

Reportagem do jornal The Guardian revela que país tentou vender armas à África do Sul







Documentos comprovam que Israel tem armas nucleares, diz jornal
Reportagem do jornal The Guardian revela que país tentou vender armas à África do Sul

Documentos secretos mostram que Israel tentou vender armas nucleares à África do Sul na época do regime do apartheid (segregação racial), revelou neste domingo reportagem exclusiva do jornal britânico The Guardian. É a primeira evidência oficial de que os israelenses têm um arsenal atômico.

O registro de reuniões entre autoridades dos dois países em 1975 mostram que o então ministro da Defesa sul-africano, PW Botha, pediu ogivas a Shimon Peres - então ministro da Defesa de Israel e hoje seu presidente -, que respondeu oferecendo "três tamanhos".

Os dois também assinaram um pacto de cooperação militar entre as nações, incluindo uma cláusula determinando que "a própria existência do acordo" deveria permanecer em segredo. O governo sul-africano queria os mísseis para intimidar ou atacar as nações vizinhas.

Os documentos, descobertos por um acadêmico americano, Sasha Polakow-Suransky, durante pesquisa para um livro sobre as relações entre os dois países, são uma evidência de que Israel tem armas nucleares, apesar de sua política de "ambiguidade", não confirmando nem negando a existência de tais armamentos.

Segundo o Guardian, as autoridades israelenses tentaram impedir que o governo pós-apartheid da África do Sul entregasse os documentos a Polakow-Suransky. As revelações serão um constrangimento para o governo de Israel, particularmente porque a conferência sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear, em Nova York, nesta semana, será focada no Oriente Médio.

Além disso, irá minar o argumento israelense de que, se o país tem armas nucleares, é "responsável" e não fará mau uso da tecnologia, ao contrário de nações como o Irã, que não seriam confiáveis.

FONTE: Zero Hora