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segunda-feira, novembro 01, 2010

A FAÇANHA DE DILMA: Pétalas à nova supermulher

Às 22h de ontem, ao falar pela primeira vez como eleita para a Presidência da República, Dilma Rousseff declarou que assumia a missão mais importante da sua vida. Esse é o seu grandioso desafio pessoal. Para os brasileiros, a eleição de Dilma significa muito mais. É uma façanha com alcance mundial.

A mineira-gaúcha Dilma Vana Rousseff, 62 anos, é desde ontem a primeira mulher brasileira a conseguir uma façanha com alcance mundial. A primeira presidente eleita do país, com 56% dos votos, assegura, já a partir da consagração pelos brasileiros, lugar numa galeria de mulheres únicas da política internacional. Pode se perfilar ao lado das primeiras-ministras Indira Gandhi, da Índia (de 1966 a 1977 e de 1980 a 1984), Golda Meir, de Israel (1969 a 1974), Margaret Thatcher, da Grã-Bretanha (1979 a 1990) e Angela Merkel (eleita em 2005 e ainda no poder).

Todas foram pioneiras em seus países. Todas superaram barreiras monumentais até chegar ao poder sempre dominado pelos homens. Dilma, a pioneira brasileira, também enfrentou dramas pessoais e políticos que testam resistências e acabam por contrariar o que parece improvável. Enfrentou o tucano José Serra em dois turnos exaustivos. Venceu desconfianças e ataques nem sempre leais numa das mais tensas campanhas eleitorais. Mas construiu sua história muitas décadas antes de cogitar uma candidatura ao mais alto posto do país. O Rio Grande do Sul foi o ambiente de algumas das provas mais duras a que se submeteu. Foi aqui que Dilma iniciou a caminhada que a levaria à Presidência.

– Ontem (sábado), estive em Minas, onde comecei a minha vida pessoal. Hoje (domingo), estou no Rio Grande, que me recebeu quando saí da prisão e onde estabeleci relações políticas – disse Dilma ao tomar café da manhã com correligionários, no Plaza São Rafael, antes de votar na Escola Estadual Santos Dumont, no bairro Assunção.

No final de 1972, Porto Alegre acolheu a mineira que tentava superar um trauma. Dilma decidiu morar na Capital depois de quase três anos de cárcere, de 1970 a 1972, acusada de conspirar contra o regime militar em organizações clandestinas. Veio ficar perto do segundo marido, o advogado Carlos Araújo, que estava preso sob a mesma acusação. Tentava reorganizar a vida, não mais como militante clandestina. Araújo seria libertado em junho de 1974, quando Dilma já frequentava a faculdade de Economia da UFRGS. Mas em outubro de 1977, aos 29 anos, Dilma sofre mais um baque.

Uma lista com os nomes de 96 funcionários públicos, que o então ministro do Exército Sylvio Frota define como comunistas, começa a circular pelo país. Estagiária da Fundação de Economia e Estatística (FEE), mantida pelo governo do Estado, vê seu nome na relação, ao lado de outros oito servidores gaúchos considerados subversivos. Perde o emprego.

O estágio na FEE, a partir de 1975, era a entrada tardia no mercado de trabalho. Abatida, muda-se para Campinas (SP), com a filha, Paula, de dois anos. Já formada, matricula-se no mestrado da Unicamp. Mas não desiste de fazer política.

Surge uma Dilma moderada

O economista Cezar Busatto, hoje secretário de Governança de Porto Alegre, lembra-se de Dilma já na militância consentida, em meados dos anos 70. Ela integrava o Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais (Iepes), criado em 1972 pelo MDB, hoje PMDB. O Iepes abrigava jovens, nem todos ligados formalmente ao MDB, que se posicionavam à esquerda do partido. Dilma, sem filiação ao MDB, participava de grupos de estudos.

– Ela sempre foi uma mulher contundente. Fazia cara feia, era aguerrida – afirma Busatto.

O Iepes era um reduto legal de resistência de gente como André Foster, líder do instituto, Raul Pont, João Carlos Brum Torres e José Carlos Oliveira. Em determinado momento, a turma se dividiu: uns vislumbravam a reconquista da democracia apenas como uma etapa, para que, a partir dali, o país avançasse em direção ao socialismo.

Outros integrantes do grupo pretendiam brigar pela redemocratização, para que a partir daí o país seguisse seu rumo. Busatto recorda:

– O Iepes se dividiu em dois blocos. Foi uma discussão muito forte. O Foster era o apaziguador. Dilma ficou com o grupo mais flexível, que levava em conta as questões conjunturais e lutava pela volta da democracia.

Esta Dilma mais moderada em relação à moça que vivia em esconderijos e usava codinomes – Wanda, Estela, Maria, Lúcia –, até ser presa em 1970, participa do Movimento pela Anistia, que defende a volta dos exilados políticos, ao lado da grande amiga, a socióloga Lícia Peres. E adere, a partir de 1979, ao trabalhismo, com o retorno de Leonel Brizola ao país.

– Ela lutou para que o partido (PTB, depois PDT) tivesse um espaço de fortalecimento das mulheres. Criamos a Ação da Mulher Trabalhista, da qual ela foi presidente. Iniciamos um projeto de politização das mulheres.

O professor de administração da UFRGS Walter Nique, 59 anos, foi colega de Dilma na FEE. Também ele estava na lista de Frota. Exilou-se em Paris. Reencontraram-se em 1989. Ele dirigia na época a Faculdade de Administração, quando atendeu a uma convocação de Alceu Collares para elaborar o programa de governo do candidato do PDT ao Piratini.

Dilma assume a coordenação do programa. Collares é eleito em 1990. Quando da formação do governo, alguns trabalhistas estão certos de que Dilma, dedicada com afinco ao plano de governo, assumirá a Secretaria da Fazenda ou a Secretaria do Planejamento. Orion Cabral fica com a Fazenda. Nique é indicado para o Planejamento e oferece à ex-colega da FEE a grande chance da revanche. A economista assume, por indicação de Nique, em março de 1991, a presidência da fundação da qual fora expurgada como estagiária 12 anos e meio antes.

Dilma morou por dois anos em Campinas e retornou em definitivo a Porto Alegre, após frequentar o curso até 1983, para assessorar a bancada do PDT na Assembleia. Depois, foi secretária da Fazenda na prefeitura de Porto Alegre, no governo Alceu Collares, entre 1986 e 1989. Em novembro de 1993, assumiu a Secretaria de Energia de Collares. Lícia acompanhava todos os passos de Dilma:

– Ela é na essência uma pessoa solidária. Foi solidária quando fiquei viúva. E esteve sempre ao meu lado quando enfrentei um câncer.

A partir de abril de 2009, foi a vez de Dilma ter a solidariedade da amiga, ao descobrir que estava com um câncer linfático, já em campanha pela Presidência. Mas por que Dilma, que fazia política desde os 14 anos, decidiu enfrentar as urnas somente aos 62 anos? Por que somente Lula teria sido capaz de identificar na ministra a vocação para o palanque, o embate?

Uma militante de bastidores

Um argumento repetido à exaustão sempre apontou Dilma como uma técnica cuja capacidade foi posta à prova como secretária de Minas e Energia dos governos de Collares e Olívio Dutra (PT) e, depois, como ministra de Energia e da Casa Civil de Lula. Sempre apresentada como “um dos melhores quadros” do PDT no Estado, nunca emplacou como candidata. Era brilhante, ativa, estudiosa, mas vista invariavelmente, nos redutos políticos, como uma militante de bastidores, sem vocação pública.

Em 13 de dezembro de 1993, em convenção do PDT, o dirigente trabalhista Ciro Simoni chegou a apresentá-la como candidata ao governo do Estado em 1994:

– Imaginei que aquele era o momento para lançá-la. Ela poderia se apresentar como fato novo, por ser mulher, firme, forte, centrada – diz Simoni, deputado estadual eleito.

A indicação de Simoni, defendida pelo ex-prefeito de Canela José Vellinho Pinto, não prosperou. O ex-prefeito de Porto Alegre Sereno Chaise concorreu pelo PDT. Simoni recorda-se de que, ao defender a candidatura de Dilma, olhou em direção à economista:

– Ela apenas sorriu, não disse sim, nem não. Seu nome nem foi à votação.

Em 1997, Dilma é lembrada em prospecções do PDT para o Senado. Também não deu em nada. Em 1998, surge de novo como a provável indicação do partido para vice de Olívio Dutra, numa composição PT-PDT ao Piratini. Miguel Rossetto (PT) foi o vice.

Sempre fazendo política, em 2000 Dilma e trabalhistas liderados por ela e Sereno desafiaram o poder de Brizola e provocaram o maior racha no partido no Estado. Em 18 de março de 2001, o grupo filiou-se ao PT, com mais cerca de 300 dissidentes, num evento que teve Lula como padrinho. O então presidente de honra do PT nacional avalizava as fichas dos recém-chegados. Todos os mimos, no plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, eram para Sereno, o decano da turma. Dilma, coadjuvante, só mais tarde se transformaria na estrela do grupo, como integrante da equipe que iria elaborar, em 2002, o programa de governo do petista à Presidência.

Conquistou a admiração de Lula. Virou ministra das Minas e Energia e depois assumiu a chefia da poderosa Casa Civil. Pôs à prova a capacidade de articular várias áreas do governo. Em setembro de 2009, sob desconfiança de parte do partido, que não a considera uma histórica do PT, é anunciada por Lula como candidata à sucessão. A adolescente militante que se protegia em codinomes, a formuladora de programas de governo, a gestora que conquistou Lula iria finalmente fazer política como nunca havia feito. Enfrentou o teste das urnas pela primeira vez, em dois turnos. Venceu.

Ontem, enquanto tomava o café da manhã com Dilma, Lícia Peres admirava a amiga e divagava:

– Acordei hoje e pensei: esse dia vai entrar para a história. Uma mulher eleita presidente. Parece um sonho.

Em 14 de dezembro, Dilma completará 63 anos. Dezoito dias depois, em 1º de janeiro de 2011, tomará posse na Presidência. Uma mulher, uma mineira-gaúcha, estará finalmente no poder, no 122º ano da República.

moises.mendes@zerohora.com.br

MOISÉS MENDES
 
Fonte: Zero Hora

sábado, outubro 30, 2010

PT e PSDB comandaram o País nos últimos 16 anos. Conheça quais são as diferenças entre as gestões e tenha mais elementos para definir o seu voto

Duas eras em confronto - Parte 1

PT e PSDB comandaram o País nos últimos 16 anos. Conheça quais são as diferenças entre as gestões e tenha mais elementos para definir o seu voto

Amauri Segalla e Luiza Villaméa
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TRUNFOS
A marca do governo Lula é o pré-sal. Na gestão tucana, as privatizações.
Abaixo, FHC com Wilma Motta, viúva de Sérgio Motta,
e Mendonça de Barros, que caiu após escândalo
 
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A eleição do domingo 31 não vai apontar apenas o nome do vencedor da corrida presidencial. Ela também simboliza um inédito confronto entre os partidos que dominaram a cena política nos últimos anos – o PT e o PSDB. Pela primeira vez, os brasileiros terão como base de comparação dois períodos precisos, que duraram exatamente oito anos, e que ficaram marcados por diretrizes econômicas e ações políticas divergentes na maioria das vezes. O PSDB deteve o poder de 1995 a 2002, com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Desde 2003, é o PT quem dá as cartas por intermédio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A despeito de convicções ideológicas, tão exacerbadas nestes tempos de eleição, os dois inegavelmente estão na lista dos líderes mais importantes da história do Brasil. Ambos tiveram méritos e defeitos, erros e acertos, e é impossível não creditar à dupla o excepcional momento vivido pelo País. Mas, afinal, como comparar os dois governos? Por mais que um lado ou outro possa reclamar, não há forma mais justa de avaliar as duas eras do que colocar na mesa de discussões os indicadores de cada gestão. Foi isso o que ISTOÉ fez, no levantamento mais completo já realizado a respeito dos dois governos.
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Principalmente nas áreas econômica e social, a análise dos números indica que a gestão petista tem resultados melhores para apresentar. Nesse aspecto, o primeiro dado que chama a atenção é a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), que traduz o aumento da riqueza de um país. Nos dois mandatos de FHC, a taxa média anual de crescimento foi de 2,3%. Nos governos Lula, o índice será de 4% (considerando uma alta do PIB de 7,5% em 2010, embora analistas independentes acreditem que a taxa possa chegar a 8%). Lula também conseguiu uma proeza notável: elevou a renda per capita brasileira a US$ 10 mil, um marco que aproxima o índice brasileiro do indicador observado em países desenvolvidos. Nesse ponto, FHC não brilhou. Entre 1995, primeiro ano do governo Fernando Henrique, e 2002, quando ele deixou o poder, a renda per capita brasileira caiu de US$ 4,85 mil para US$ 2,86 mil. Em defesa de FHC, é importante lembrar que ele enfrentou duas sérias crises (da Ásia e da Rússia), que causaram estragos mundo afora.
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REMÉDIO
O PSDB popularizou os genéricos, medicamentos mais baratos
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ALIMENTO
O PT criou o Bolsa Família, que tirou brasileiros da miséria
 
 
Para muitos especialistas, o principal acerto econômico do governo Lula foi a política de crédito. “A expansão brutal do crédito dinamizou a economia”, diz Aldo Fornazieri, diretor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. “Ela gerou empregos, estimulou investimentos das empresas e blindou o Brasil diante das crises financeiras internacionais.” Com empréstimos mais acessíveis, as pessoas passaram a comprar mais bens, o que contribuiu para o aumento da produção industrial, mobilizada para atender à crescente demanda. Nesse ciclo, mais empregos foram gerados e, como consequência, veio o aumento da renda da população. Um dos efeitos colaterais dessa lógica capitalista é a alta inflacionária, em geral associada ao consumo desenfreado. Com metas de inflação rigorosamente cumpridas, o governo Lula não foi vencido por esse mal. No quesito controle de preços, motivo de orgulho para os tucanos, Lula também obteve um desempenho destacado. Na era Fernando Henrique, a inflação média foi de 9,1%. Nos oito anos de governo Lula, o índice deverá fechar abaixo de 6% – número surpreendente diante dos recorrentes argumentos utilizados pelos defensores de FHC, de que Lula supostamente levaria o País ao abismo inflacionário. “Lula demonstrou uma responsabilidade econômica que foi fundamental para o desenvolvimento do País”, diz o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.
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Justiça seja feita, Fernando Henrique herdou um quadro econômico muito mais complicado do que Lula. Inflação desenfreada, desconfiança internacional, empregos em declínio, investimentos minguados, tudo isso elevou de forma significativa os desafios colocados diante de seu governo. Ao PSDB deve ser atribuído o feito histórico de, enfim, consolidar no País uma moeda forte – o real –, que permitiu que os brasileiros controlassem suas despesas e planejassem melhor o futuro. A estabilidade econômica representou uma virada brutal, que fixou os alicerces necessários para sustentar o crescimento que viria mais adiante. Por sua vez, o PT pegou a casa relativamente arrumada, pronta para avançar num ritmo mais intenso. Lula, porém, foi suficientemente inteligente para prosseguir apostando no que funcionava. “Um dos méritos de Lula foi ter dado continuidade às políticas fiscal e monetária do governo Fernando Henrique”, diz Fleischer.
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ENERGIA
Acima, apagão no governo FHC.
Abaixo, Lula no anúncio do pré-sal
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Embora a condução da política econômica tenha convergido em alguns pontos, as eras PSDB e PT possuem características muito distintas. Qual é a marca principal de cada governo? No caso FHC, seu maior legado foi a estabilidade da moeda, façanha reconhecida por economistas de qualquer inclinação ideológica. No campo das realizações, Fernando Henrique se notabilizou pelas privatizações. Apesar das críticas, o processo de venda das estatais trouxe a melhoria dos serviços e foi fundamental para a multiplicação dos resultados financeiros das empresas. Algumas delas – como as de telefonia – estiveram envoltas em suspeitas de favorecimento a grandes grupos econômicos, denúncia que culminou na demissão do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e do presidente do BNDES à época, André Lara Resende.
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Duas eras em confronto - Parte 2

PT e PSDB comandaram o País nos últimos 16 anos. Conheça quais são as diferenças entre as gestões e tenha mais elementos para definir o seu voto

Amauri Segalla e Luiza Villaméa
 A principal marca do governo do PT é a política desenvolvimentista. Nos últimos oito anos, foram criadas as condições para que o consumo se acelerasse e as empresas incrementassem o nível de investimento. Iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) funcionaram como impulsionadoras de diversos setores – da construção civil à energia – e colocaram em circulação uma enxurrada de recursos. “A orientação do governo Lula foi muito mais pró-crescimento”, diz o professor Policarpo Lima, chefe do departamento de economia da Universidade Federal de Pernambuco. “Houve um crescimento regional mais bem distribuído.” O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que distribui recursos para todos os Estados, alcançou em 2010 seu nível mais alto de investimentos (R$ 15 bilhões, contra os R$ 2,5 bilhões aplicados em 2002). O Nordeste atingiu na era PT um desenvolvimento sem precedentes. Em 2010, os três Estados brasileiros que vão apresentar maior avanço do PIB serão Bahia, Ceará e Pernambuco, com indicadores muito próximos aos da China, o país que mais cresce no mundo. Uma das indutoras do avanço nordestino foi a Petrobras, que ganhou no governo Lula uma relevância que não tinha na gestão tucana. “No governo Lula, a indústria da construção naval foi implantada no Nordeste e isso tem a ver com a Petrobras, que está comprando os navios que são produzidos na região”, diz o professor Policarpo Lima.
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A Petrobras está por trás de uma das maiores fronteiras do desenvolvimento do País. Se o pré-sal confirmar o seu potencial, o Brasil vai ficar entre as seis nações que possuem as maiores reservas de petróleo, atrás apenas de Kuwait, Emirados Árabes, Irã, Iraque e Arábia Saudita. Lula deu sorte com o fato de as reservas serem descobertas em seu governo, mas afinal foi ele quem liberou os recursos que permitiram a pesquisa em novos campos de prospecção. “A Petrobras tem vários papéis importantes para a sociedade”, diz o sociólogo Carlos Roberto Winckler, da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Heuser, em Porto Alegre. “Os investimentos feitos pela empresa causam impacto, a começar pela ciência e tecnologia.” Lula foi perspicaz ao detectar a importância da petrolífera para a sua política desenvolvimentista – e, por isso, passou a usar a empresa como instrumento de marketing político. Funcionou. Em seu governo, o valor de mercado da Petrobras disparou e hoje ela está entre as três maiores corporações das Américas. No campo energético, o PSDB não teve a mesma performance. Os dois últimos anos do governo Fernando Henrique ficaram carimbados pela crise do apagão, que obrigou os brasileiros a racionar energia elétrica.
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EMPREGO E MOEDA FORTE
O PT criou 15 milhões de postos de trabalho
e o PSDB conseguiu estabilizar a moeda
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Nos últimos 16 anos de domínio de PSDB e PT, o Brasil se tornou um país muito melhor. As acertadas políticas econômicas dos dois períodos transformaram a vida de milhões de brasileiros. No campo social, provavelmente nenhuma outra nação passou por uma mudança tão veloz. No governo do PSDB, dois milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza. No governo petista, o contingente chegou a 23 milhões. Criado em 2003, o Bolsa Família teve um papel vital nesse processo. Ele atende 12,6 milhões de lares e, sozinho, foi responsável pela erradicação de quase 30% da extrema pobreza. “Um aspecto gritante, que salta aos olhos, é a ênfase do governo Lula na dimensão social”, diz o cientista político Fábio Wanderley, da Universidade Federal de Minas Gerais. “No governo Lula, houve uma transferência de renda muito grande, o que possibilitou a milhões de pessoas ascender socialmente”, afirma o sociólogo Winckler. Uma comparação simples dimensiona a transformação em curso no País. De 2003 a 2008, a renda dos 10% mais pobres aumentou 8% ao ano, enquanto os ganhos dos ricos cresceram 1,5%. Ou seja, na divisão da riqueza nacional, os pobres começaram enfim a reduzir a gigantesca desvantagem em relação aos que estão no topo da pirâmide. Na área social, o PSDB tem alguns trunfos para apresentar. O partido criou programas bem-sucedidos como o Bolsa Escola e o Cartão Alimentação, que em 2002 atenderam 3,6 milhões de famílias. O governo Fernando Henrique também foi marcado pela disseminação dos remédios genéricos, o que facilitou o acesso a medicamentos considerados de qualidade.
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Para muitos analistas, uma conquista que se deve aos dois governos é o inédito protagonismo internacional alcançado pelo Brasil. “Fernando Henrique começou a enfatizar a li derança brasileira na América do Sul e ambicionou a reforma na ONU para que o Brasil venha a assumir um assento permanente no Conselho de Segurança”, diz o cientista político David Fleischer. Segundo ele, porém, Lula deu mais ênfase a esse processo e abriu portas até então fechadas ao País. “Lula tem sido o que chamamos de presidente-chanceler, por ser realmente o promotor da política externa do País.” Algumas iniciativas marcantes alçaram o presidente à condição de líder internacional. Lula apostou suas fichas na estruturação do G-20 como um novo organismo de coordenação econômica mundial, algo que viria a se transformar em realidade. Sua visita ao Irã, com o objetivo de intermediar um acordo entre o país e as Nações Unidas para pavimentar o caminho da paz nuclear, foi vista inicialmente com ressalvas, mas acabaria por afirmar o Brasil como um grande ator em uma área em que nunca tinha tido participação. “Lula virou o segundo chefe de Estado brasileiro a visitar o Oriente Médio”, diz Fleischer. “O primeiro foi dom Pedro II, por volta de 1876.” Em oito anos de governo, entre 1995 e 2002, FHC fez 115 viagens internacionais. A marca foi batida com folga por Lula. Até outubro de 2010, ele tinha realizado 194 viagens para o Exterior.
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Qualquer que seja o resultado das eleições, o próximo presidente terá um desafio adicional. Fernando Henrique e Lula deixaram aos seus sucessores um indiscutível legado de estadistas e deram ao cargo de presidente a dimensão que ele merece. O novo presidente também vai largar tendo como base de comparação um passado marcado por incontáveis realizações. Por essas razões, será provavelmente mais complicado superá-las. Isso, porém, não tira do próximo líder o dever de fazer o País tão grande quanto ele deve ser – ou pelo menos tão grande quanto o PT e o PSDB o fizeram se transformar nos últimos 16 anos.
Colaboraram: Alan Rodrigues e Adriana Nicacio


FONTE: Revista IstoÉ

sexta-feira, outubro 29, 2010

Serra Cafetão

PAULO PEIXOTO
ENVIADO ESPECIAL A UBERLÂNDIA


Ao encerrar o seu discurso em ato da campanha presidencial na tarde desta quinta-feira em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o candidato José Serra (PSDB) apelou até para as “meninas bonitas” irem a campo em busca dos votos dos seus pretendentes masculinos. E orientou as moças a usarem a internet.


“Quero me concentrar agora no que vamos fazer até domingo. Temos que não apenas votar, temos que ganhar voto de quem está indeciso, voto de quem não está ainda muito decidido do outro lado”, disse, acrescentando que cada um dos seus apoiadores deve buscar ao menos mais um voto.


Disse que os que trabalham na saúde, área em que Serra atuou como ministro, podem conseguir cinco votos para ele. E acrescentou: “Se é menina bonita, tem que ganhar 15 [votos]. É muito simples: faz a lista de pretendentes e manda e-mail dizendo que vai ter mais chance quem votar no 45″.


(…)

sábado, outubro 09, 2010

VOU VOTAR NO SERRA!

Desculpem, amigos, vou votar no Serra; não precisam mais me mandar e-mails de Dilma, sapatão, guerrilheira e etc... "Cansei...Basta"! Vou votar no Serra"


Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou e qualquer um agora se mete a comprar carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.

 
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.


Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega...


Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. " É uma vergonha! ", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar porque, como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.


Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz. Vergonha, vergonha, vergonha...

Cansei de ir a banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial, todos trabalhando de office-boys.


Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode?


Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.

Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria. E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim...


Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros.

Chega dessa baboseira politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco... Quem pode, pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.


Quero os 500 anos de oligarquia autoritária, corrupta e escravizante de volta. Quero também os Arminios Fragas&outros pulhas, que transformaram a Vale e a Embratel em meros ativos para vender a preço de banana para os "amigos do rei".


Quero de volta a quadrilha do FHC, escondendo escândalos, maracutaias e compra de votos no Congresso. Onde já se viu: nesta terra sem lei chamada Brasil, só a direita corrupta tem o direito de roubar, o resto tem que trabalhar duro, com salário de fome para que os tubarões, empresários e banqueiros, comprarem seus jatinhos e iates além de mandarem dinheiro para paraísos fiscais. Quero o Serra&quadrilha fazendo pelo país o que fez com os funcionários públicos, professores, médicos e policiais do estado de São Paulo passarem 14 anos a míngua. Tem que arrebentar essa pobralhada.


Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta! Estou com muito medo! Isso está DILMAis!

sábado, setembro 25, 2010

A onda vermelha

A onda vermelha

De cima a baixo no País, o eleitor apoia a continuidade e tende a garantir uma quase inédita maioria governista no Congresso

Octávio Costa e Sérgio Pardellas
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SEM PARAR
Eleitores de todas as classes sociais
mostram desejo de continuidade
Na esteira da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, uma onda vermelha está tomando conta do País. No início da corrida eleitoral, essa imagem foi cunhada pelos estrategistas da campanha do PT para motivar a militância. Mas, agora, tornou-se realidade. As pesquisas de opinião revelam a supremacia dos candidatos governistas na maioria dos Estados, o que poderá garantir a um eventual governo Dilma ampla maioria na Câmara e no Senado. Surfando numa maré mais favorável do que aquela que levou o ex-metalúrgico Lula ao Palácio do Planalto em 2002, os candidatos da base aliada aos governos estaduais lideram as eleições em 19 das 27 unidades da Federação. Na disputa pelas cadeiras do Senado, a onda vermelha é tão volumosa que deverá eleger 58 dos 81 representantes e deixar sem mandato quadros históricos da oposição. Na Câmara, os partidos governistas devem conquistar 401 dos 513 assentos.
“Acho que vamos assistir a uma vitória esmagadora dos partidos da coalizão do governo”, prevê o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social, Geraldo Monteiro.
MAIORIA
Sólido apoio no Congresso pode facilitar a aprovação
das reformas estruturais de que o País necessita


Não bastasse a liderança em 21 Estados, Dilma está na frente de José Serra (PSDB) em locais em que Lula foi derrotado pela oposição em 2006. Apesar da oscilação registrada na última semana, a ex-ministra está perto da vitória em antigos redutos oposicionistas como São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Na maioria dos Estados em que ela lidera as pesquisas, os candidatos que apoia também estão na dianteira. Bons exemplos são o Rio de Janeiro e a Bahia, onde os governadores Sérgio Cabral (PMDB) e Jaques Wagner (PT) são favoritos para se reeleger no primeiro turno. Como exceções aparecem Minas Gerais, com Antonio Anastasia (PSDB) na liderança, e São Paulo, onde Geraldo Alckmin (PSDB) supera Aloizio Mercadante (PT). No Paraná, a onda vermelha já proporcionou uma grande virada. As últimas pesquisas mostram que o tucano Beto Richa, antes favorito ao governo, perdeu o primeiro lugar para Osmar Dias (PDT). Reviravoltas também têm ocorrido na disputa para o Senado. Até então cotado para uma das vagas do Rio, Cesar Maia (DEM) foi ultrapassado pelo ex-prefeito de Nova Iguaçu Lind­berg Farias (PT). No Amazonas, Arthur Virgílio perdeu o segundo lugar para Vanessa Grazziotin (PCdoB). Em Pernambuco, Marco Maciel (DEM), segundo colocado atrás de Humberto Costa (PT), foi ultrapassado por Armando Monteiro Neto (PTB).

A inédita sintonia fina entre Executivo e Legislativo, a partir de 2011, trará benefícios para o Brasil. Caso se confirme a sólida maioria no Congresso do possível futuro governo Dilma Rous­seff, o Brasil terá finalmente a chance de aprovar as mudanças estruturais que se fazem necessárias há anos, como as reformas política e tributária. “A agenda congressual a partir do ano que vem exigirá a votação das reformas. Com maioria no Legislativo e vontade política, será possível avançar nessas questões”, afirma David Fleischer, cientista político da UnB. Outro aspecto importante é a possibilidade da formação de uma concertação política, composta por partidos aliados chancelados pelo desejo popular. Desde a redemocratização do País, os governos construíram suas maiorias pelas artes do fisiologismo e das políticas do toma-lá-dá-cá, numa espécie de balcão de negócios em pleno Congresso. Nesse novo cenário, queiram ou não, deputados e senadores serão levados a participar de uma ação conjunta, na qual é de esperar que os objetivos políticos se sobreponham à visão patrimonialista do mandato.
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APOIO
Participação de Lula na campanha
de Dilma incomodou a oposição

Há quem afirme que a concentração de poder nas mãos do Executivo, com o Legislativo dócil à vontade do Planalto, pode permitir uma recaída autoritária. O temor não se justifica. Não há ambiente no Brasil para esse tipo de surto. As instituições são sólidas e democráticas, e não há espaço para mudanças constitucionais em benefício de um partido, como aconteceu na história do México, onde o PRI controlou a vida política por 71 anos, graças ao domínio da máquina pública. “O que aconteceu no México foi muito diferente. O PRI chegou ao poder quando a economia mexicana, a sociedade e os políticos eram muito rudimentares e eles forjaram instituições para guiar o desenvolvimento em todas as áreas. Já o PT emergiu no momento em que a economia e as instituições já estavam consolidadas”, compara o brasilianista Peter Hakim, presidente do Interamerican Dialog.
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MINORIA
No Largo de São Francisco (SP), menos de 100
pessoas lançam o manifesto

Contrariando todas as evidências, intelectuais e setores da elite, em São Paulo divulgaram, na semana passada, um manifesto em defesa da democracia e da liberdade de expressão. Um dia depois, o Clube Militar, no Rio de Janeiro, instituição marcada pelo apoio ao antigo regime de exceção que infernizou o País por 20 anos, promovia um inusitado painel de debates para discutir também supostos riscos à democracia no País. Tanto o documento do grupo de intelectuais quanto os debates dos militares ficaram a um passo de questionar a própria legitimidade da eleição de Dilma, em razão da participação do presidente Lula na campanha. Ambos não levaram em conta que a legitimidade brota das urnas. Embora o eleitor manifeste maciçamente sua intenção de votar pela continuidade das políticas oficiais, a opinião pública não vem sendo espelhada na ação de alguns agentes do processo político. O que parece ter sido esquecido no manifesto oposicionista de tendências golpistas é que a democracia é exercida pelo voto.
EQUÍVOCO
Um manifesto oportunista tentou passar a mensagem de que
há uma ameaça à democracia. Esqueceu que a legitimidade vem pelo voto
 

O temor de uma vaga autoritária por parte do governo é deslocado da realidade. Não reflete o momento que o Brasil vive. Não há sinais concretos de que o presidente Lula tenha atentado contra a liberdade de imprensa. Ele vem fazendo apenas críticas pontuais, direito que não pode ser negado a qualquer cidadão, muito menos ao presidente. De resto, desde a luta contra a ditadura, Lula mostrou-se defensor intransigente das liberdades democráticas. “É incrível como as pessoas ficam empurrando o Lula para o chavismo, quando ele tem permanentemente se recusado a cruzar essa fronteira”, rebate o ex-ministro Delfim Netto, com a ironia de sempre. Delfim tem razão. A não ser que o observador da cena nacional, assustado com a onda vermelha, queira ver chifre em cabeça de cavalo.
Censura nas Artes
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TUDO COBERTO
Obra de artista argentino
com os candidatos é retirada da Bienal de SP
A interdição de uma obra antes da inauguração da 29ª Bienal de São Paulo não foi o primeiro nem será o último caso de polêmica gerada em seus pavilhões. Desde que a Bienal é a Bienal, é o lugar propício para os boicotes, as intervenções, os questionamentos às instituições. Talvez exatamente pela imensa repercussão de tudo aquilo que é produzido dentro de seus monumentais nove mil metros quadrados de arquitetura modernista. Em uma Bienal que elege a política como tema não poderia ser diferente. Especialmente
em época eleitoral.

O vespeiro da vez é a obra “El alma no piensa sin imagen”, do argentino Roberto Jacoby, vedada da 29ª Bienal por fazer propaganda à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República.
Os dois grandes painéis com as fotos de Dilma e Serra tiveram repercussão pública imediata, mas, por recomendação do Ministério Público Federal, depois de consulta efetuada pela própria Fundação Bienal, foram cobertos três dias antes da inauguração da mostra.
“Pela primeira vez na história, a crise que os países centrais provocam não é paga pelos países periféricos. Lula é a figura política mais importante do mundo. É mais importante que Obama”, disse Jacoby para justificar sua instalação-comitê. Com pôsteres, palco, equipamento para conferências e cerca de 25 cabos eleitorais que atendiam pelo título de Brigada Argentina por Dilma, a obra efetivamente configurava um comitê. “Ele havia nos dito que faria uma campanha fictícia”, diz o curador Agnaldo Farias. “Ele sabia que seria interditado. Esse é um caso de projeto feito para ser barrado.”
Paula Alzugaray

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/102658_A+ONDA+VERMELHA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

terça-feira, setembro 07, 2010

QUEM TEM MEDO DA DEVASSA?


por João Whitaker

Vocês repararam como no discurso oficial em torno do “escândalo” da Receita Federal aparece reiteradamente o argumento da “vida devassada” – no caso, a vida da Verônica Serra?
A idéia é de que a quebra de sigilo representa uma violação escandalosa da vida privada de cada um, que vê suas contas escancaradas. Um risco para o Estado de Direito, que deve zelar pela privacidade dos seus cidadãos.

Formalmente, o argumento é corretíssimo, tudo que a Lúcia Hippolito queria para se indignar à vontade na CBN. Há de fato aí uma questão que deve ser averiguada, pois não é agradável saber que nossa administração pública não zela como deveria por nossos dados pessoais. Mas sinceramente eu nunca confiei plenamente que meus dados fornecidos para a tal Nota Fiscal Paulista, ou para fazer o Bilhete Único, ou mesmo para tirar os documentos do carro fossem assim tão religiosamente guardados. Aliás, o que não falta é documento de carro clonado surgindo por ai.

No âmbito da iniciativa privada, para não falar em cartões clonados com a “ajuda” de funcionários das instituições bancárias, não consigo mais usar minha conta UOL na internet de tanto Spams que recebo. No celular agora virou comum receber ligações de telemarketing. Pergunta: quem vazou meu mail e meu número para todos esses anunciantes?

Quando as próprias empresas alimentam uma cultura de vazamentos para todos os lados, e em um país em que o Estado ainda é uma máquina bastante corroída pela corrupção (e por isso vulnerável), não deveria parecer tão incomum um sujeito qualquer conseguir um atestado com um documento falso em um posto remoto da Receita Federal. É escandaloso, mas não é novidade.

A grande imprensa – consternada – resolveu agora analisar o porquê do escândalo “não pegar”: para ela, a grande maioria da população sequer paga IR, e por isso acha essa história um tanto complexa. Até ai, tudo ok: o povão não paga IR, e ainda bem. Esses assuntos podem mesmo lhe parecer distantes.

Agora, o que me espanta é essa divisão que vem subjacente ao argumento, como se houvesse dois grupos: um dos que pagam IR e entendem o escândalo, e outro dos que não pagam e não entendem.
Ai está o ponto sobre o qual vale chamar a atenção: há ainda um terceiro grupo, para o qual a mídia não deu atenção, pois entre os que pagam o IR, há uma enorme maioria para quem a palavra “devassa” não significa muita coisa. Em outras palavras, para quem trabalha honestamente e ganha seu salário a duras penas, e ainda paga o IR no fim do ano, ou recebe restituição, a palavra “devassa” ou mesmo “quebra de sigilo” não tem nem de longe o significado terrível e de desmoronamento do Estado que a grande mídia quer dar. No máximo pode significar uma dor de cabeça igual a de saber que seu documento foi clonado. Nada agradável, porém também nada que me faça achar que o Estado brasileiro de repente está desmoronando.

Isso porque para essa maioria, não há o que ser devassado. Querem ver meu IR? Sem problemas: vai aparecer lá que dou aulas em duas faculdades, que faço uma ou outra palestra, e que pago uma fortuna de IR no fim do ano por ter duas fontes de pagamento. Algum problema em devassar-me? Nenhum, salvo eventualmente algum constrangimento menor, quanto à privacidade de saberem meus bens, mas nada de muito significativo.

Ou seja, o discurso da “vida devassada” que a grande mídia está usando é de um elitismo sem tamanho. E por isso não pega também nem na classe média que paga IR.

Quem tem tanto medo de ter a vida fiscal “devassada” é certamente quem tem muito, mas muito a esconder. Quem tem muito dinheiro, quem declara bens incompatíveis com o estilo de vida pública que leva, e assim por diante. Ou seja, a elite da elite. Só para eles ter a “vida devassada” pode ter esse aspecto tão aterrorizante.

Acho até que boa parte da classe média deve inclusive olhar com certa ironia e um pouco de curiosidade perversa a possibilidade de saber quais as eventuais falcatruas que os famosos podem ter feito, e que tanto os fazem temer em ter as contas devassadas. Incluindo-se aí a filha do Serra.
João Whitaker
Arquiteto e Urbanista

Fonte: NovaE

domingo, julho 18, 2010

Serra precisa de amigos


Não deixa de ser curioso ouvir essa expressão, “república sindicalista”, vinda da boca de quem, naquele mesmo ano do golpe, colocava-se ao lado do presidente João Goulart contra os golpistas que se aninhavam nos quartéis com o mesmíssimo pretexto, levantado agora pelo candidato do PSDB, para amedrontar a classe média. Ao se encarcerar nesse conceito político arcaico, preconceituoso e, sobretudo, falacioso, Serra completou o longo arco de aproximação com a extrema-direita brasileira, iniciado ao lado de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. O artigo é de Leandro Fortes.
Do blog Brasília, eu vi

Ao acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter transformado o Brasil em uma “república sindicalista”, José Serra optou por agregar a seu modelito eleitoral, definitivamente, o discurso udenista de origem, de forma literal, da maneira como foi concebido pelas elites brasileiras antes do golpe militar de 1964. Não deixa de ser curioso ouvir essa expressão, “república sindicalista”, vinda da boca de quem, naquele mesmo ano do golpe, colocava-se ao lado do presidente João Goulart contra os golpistas que se aninhavam nos quartéis com o mesmíssimo pretexto, levantado agora pelo candidato do PSDB, para amedrontar a classe média. Jango, dizia a UDN, macaqueavam os generais, havia feito do Brasil uma “república sindicalista”.

Ao se encarcerar nesse conceito político arcaico, preconceituoso e, sobretudo, falacioso, Serra completou o longo arco de aproximação com a extrema-direita brasileira, iniciado ao lado de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. Um casamento celebrado sob as cinzas de seu passado e de sua história, um funeral político que começou a ser conduzido sob a nebulosa aliança de interesses privatistas e conveniências fisiológicas pelo PFL de Antonio Carlos Magalhães, hoje, DEM, de figuras menores, minúsculas, como o vice que lhe enfiaram goela abaixo, o deputado Índio “multa-esmolé” da Costa.

Pior que o conceito, só a audiência especialmente convidada, talvez os amigos que lhe restaram, artistas e intelectuais arrebanhados às pressas para ouvir de Serra seus planos para a cultura brasileira: Carlos Vereza, Rosa Maria Murtinho, Maitê Proença, Zelito Viana, Ferreira Gullar e Marcelo Madureira – este último, raro exemplar de humorista de direita, palestrante eventual do Instituto Millennium, a sociedade acadêmica da neo UDN. Faltou Regina Duarte, a apavoradinha do Brasil, ausente, talvez, por se sentir bem representada. Diante de tão seleta platéia, talvez porque lhe faltem idéias para o setor, Serra destilou fel puro contra as ações culturais do governo Lula, sobretudo aquelas levadas a cabo pela Petrobras, a mesma empresa que os tucanos um dia pretenderam privatizar com o nome de Petrobrax.

Animado com o discurso de Serra, o humorista Madureira saiu-se c om essa: “Quero que o Estado não se meta na cultura e no meu trabalho, como está acontecendo”. Madureira trabalha na TV Globo, no “Casseta & Planeta Urgente”. Como o Estado está se metendo no trabalho dele, ainda é um mistério para todos nós. Mas, a julgar pela falta de graça absoluta do programa em questão, eu imagino que deva ser uma ação do Ministério da Defesa.

O que José Serra não confessou a seus amigos artistas é que a “república sindicalista” saiu-lhe da boca por despeito e vingança, depois que as maiores centrais sindicais do país (CUT, CGT, CTB, CGTB, Força Sindical e Nova Central) divulgaram um manifesto conjunto no qual acusam o candidato tucano de mentiroso por tentar se apropriar da criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e por “tirar do papel”, seja lá o que isso signifique, o Seguro-Desemprego. “Serra não fez nenhuma coisa, nem outra”, esclareceram as centrais.

O manifesto também lembra que, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988), o então deputado federal José Serra boicotou inúmeros avanços para os trabalhadores e o sindicalismo. Serra votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, a garantia de aumento real do salário mínimo, a estabilidade do dirige nte sindical, o direito à greve, entre outras medidas.

Desmascarado, Serra partiu para a tese da “república sindicalista” e, apoiado em apenas uma central que lhe deu acolhida, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), chamou todas as outras de “pelegas” e as acusou de receber dinheiro do governo federal para fazer campanha para a candidata Dilma Rousseff, do PT. Baseado nesse marketing primário, ditado unicamente pelo desespero, Serra mal tem conseguido manter firmes seus badalados nervos de aço, que logo viram frangalhos quando defrontados por repórteres dispostos a fazer perguntas que lhe são politicamente inconvenientes, sejam os pedágios de São Paulo, seja sua falta de popularidade no Nordeste.

Sem amigos e, ao que parece, sem assessores, Serra continua recorrendo ao tolo expediente de bater boca com os jornalistas. Continua, incrivelmente, a fugir das perguntas com outras perguntas, a construir na internet, nos blogs, no youtube e nas redes sociais virtuais uma imagem permanente de candidato à deriva, protagonista de vídeos muitíssimo mais divertidos que, por exemplo, as piadas insossas que seu companheiro de artes cômicas, Marcelo Madureira, insiste em contar na televisão.

quinta-feira, abril 29, 2010

Lula encabeça lista de líderes que mudaram o mundo em 2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encabeça a lista de líderes na edição da revista americana Time das 100 pessoas que mais influenciaram o mundo em 2010, publicada nesta quinta-feira. No texto escrito pelo cineasta Michael Moore, a revista diz que Lula tem lições a dar aos Estados Unidos.

Lula defendeu o ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira 
Lima, acusado de ter beneficiado a Bahia com recursos Foto: Reuters
Para revista, Lula é filho genuíno da classe trabalhadora
Foto: Reuters


O texto chama Lula de "um filho genuíno da classe trabalhadora da América Latina" e cita as dificuldades vividas pelo presidente no passado, como a necessidade de abandonar a escola na 5ª série para trabalhar como engraxate e o acidente de trabalho que o fez perder um dos dedos da mão.

Para o cineasta, um dos motivos que levaram Lula a entrar na carreira política foi a morte de sua mulher durante o oitavo mês de gestação, por não receber atendimento médico adequado. "Eis uma lição para os bilionários de todo mundo: deixem o povo ter um bom serviço de saúde, e ele irá lhes causar muito menos problemas", diz o texto.

Segundo Moore, Lula trabalha para diminuir as desigualdades sociais no Brasil, enquanto os Estados Unidos enfrentam uma situação de concentração de renda cada vez maior. "O que Lula quer para o Brasil é o que nós costumávamos chamar de 'sonho americano'", diz o texto. "Paradoxalmente, os Estados Unidos, onde a população 1% mais rica detém mais riqueza financeira do que o conjunto dos 95% mais pobres", estão se transformando em uma sociedade que está se encaminhando rapidamente para um cenário semelhante ao brasileiro.

"A grande ironia da presidência de Lula (...) é que mesmo quando tenta impulsionar o Brasil para o Primeiro Mundo com programas sociais como o Fome Zero, destinado a acabar com a fome, e planos para melhorar a educação disponível à classe trabalhadora, os EUA se parecem a cada dia mais com o Terceiro Mundo", diz o cineasta.

Fonte: TERRA

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Ranking das cassações do TSE, partido por partido (2009)


DEM = 69 (20,4%)
PMDB = 66 (19,5%)
PSDB = 58 (17,1%)
PP = 32 (10,1%)
PTB = 24 (7,1%)
PDT = 23 (6,8%)
PR = 17 (5%)
PPS = 14 (4,7%)
PT = 10 (2,9%)
PSB = 7 (2,1%)

segunda-feira, dezembro 14, 2009

A MERDA

A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra MERDA . Esta palavra de origem francesa MERD pode mesmo ser considerada um coringa da língua portuguesa. Vejam porque com os exemplos a seguir:

1) Como indicação geográfica 1: Onde fica essa MERDA ?

2) Como indicação geográfica 2: Vá a MERDA !

3) Como indicação geográfica 3: 18:00h – vou embora dessa MERDA .

4) Como substantivo qualificativo: Você é um MERDA!

5) Como auxiliar quantitativo: Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!

6) Como indicador de especialização profissional: Ele só faz MERDA.

7) Como indicativo de MBA: Ele faz muita MERDA .

 Como sinônimo de covarde: Seu MERDA !

9) Como questionamento dirigido: Fez MERDA , né?

10) Como indicador visual: Não se enxerga MERDA nenhuma!

11) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido: Por que você não vai a MERDA?

12) Como especulação de conhecimento e surpresa: Que MERDA é essa?

13) Como constatação da situação financeira de um indivíduo: Ele está na MERDA…

14) Como indicador de ressentimento natalino: Não ganhei MERDA nenhuma de presente!

15) Como indicador de admiração: Puta MERDA !

16) Como indicador de rejeição: Puta MERDA!

17) Como indicador de espécie: O que esse MERDA pensa que é?

18) Como indicador de continuidade: Tô na mesma MERDA de sempre.

19) Como indicador de desordem: Tá tudo uma MERDA !

20) Como constatação científica dos resultados da alquimia: Tudo o que ele toca vira MERDA !

21) Como resultado aplicativo: Deu MERDA .

22) Como indicador de performance esportiva: O Framengo e os Vascainos não

estão jogando MERDA nenhuma!!!

23) Como constatação negativa: Que MERDA!

24) Como classificação literária: Êita textinho de MERDA sô!!!

25) Como qualificação de governo: O governo LULA só faz MERDA !

26) Como situação de “orgulho/metidez” : Ela se acha e não tem “MERDA nenhuma! ”

27) Como indicativo de ocupação: Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!

Retificando

25) Como avaliação de governo: FHC só fez MERDA!

segunda-feira, novembro 30, 2009

O novo Getúlio

É o cara.
Disso ninguém mais duvida.
Luiz Inácio é o
      cara.
O conservador Financial Times já havia aderido.
Agora foi a
      vez da revista alemã Der Spiegel.
Não tem pra ninguém.
Só dá Luiz
      Inácio, o filho do Brasil.
Der Spiegel o chama de "Pai dos
      Pobres".
E fala em "milagre econômico".
Aí está: Luiz Inácio
      consegue misturar Getúlio e a ditadura militar. Faz o mesmo, ou mais, sem   ditadura.
Getúlio virou "pai dos pobres" por força do seu Departamento
      de Imprensa e Propaganda. Na marra.
Luiz Inácio é o novo Getúlio.
Na  lábia, no markegint e nas ações.
O homem faz.
Azar da direita, que    morre de inveja.
Azar do FHC, que era a mãe dos ricos.
Azar dos   tucanos com sua conversa racionalizadora.
O mundo está de joelhos. Luiz
      Inácio é o heroi dos banqueiros, o pai dos pobres, o rei da
      comunicação...
Só a direita brasileira ainda prefere se lembrar que ele
      não tem um dedo, que não tem diploma universitário, que, volta a meia, diz
      "menas" ou "a nível de".
"Menas", "menas", bravos
      reacionários...
Luiz Inácio avisou que a crise no Brasil era uma
      marolinha. Virou motivo de chacota. Foi chicoteado.
Não deu outra.
      Mesmo o jornal francês de direita Le Figaro precisou reconhecer que foi
      uma "vaguelette".
Pois é, Luiz Inácio agora diz "vaguelette", "en
      passant" e "bijou". Faz biquinho e tudo.
Janta com a rainha da
      Inglaterra, dá beijinho na Carla Bruni, tapinha nas costas do Obama.
     
Recebe o Ahamadinejad. E "tant pis" para os doutos.
E é por isso
      que Luiz Inácio fará o seu sucessor. Ele está tão popular que seria capaz
      de eleger até:
1) Poste
2) Uma ex-assaltante de bancos
3) Um
      banqueiro
4) Os dois juntos
5) Tarso Genro
6) Wanderley
      Luxemburgo
7) José Sarney
8) Dona Marisa
9) José Dirceu
10)
      Ele mesmo.
Ele pode tudo. Mas não quer. É malandro velho. Vai tirar
      férias de quatro anos, dar palestras, forrar o poncho e voltar para mais
      oito anos de piadas e feitos.
E não adianta gritar: Menos,
      menos...
É mais, mais... Que não tem erro.
Postado por
      Juremir Machado da Silva - 25/11/2009 10:53

quarta-feira, setembro 23, 2009

lula: 'The Most Popular Politician on Earth'

For nearly seven years, he's done a spectacular job as Brazil's president. But can Lula resist the temptation to throw it away?
Sep 22, 2009
He grew up so poor, he didn't find out what bread was until he was 7. That was Lula's age when he climbed onto a flatbed truck with his Brazilian dirt-farmer family and all their possessions and made the 1,900-mile journey from the country's northeastern dustbowl for a life in the slums of São Paulo. He dropped out of school in the fifth grade, shined shoes on the street, and went to work in a factory at 14, losing a finger to a lathe in an accident on the graveyard shift at an auto-parts plant. Eventually he rose through the rank and file to become an internationally respected union leader. A military junta ruled Brazil back then, and strikes were illegal, but he defied the generals and the bosses and practically shut down the continent's industrial powerhouse in the name of the steelworkers.
He's in New York this week to kick off the 64th session of the United Nations General Assembly. The cameras may focus on the embodiment of American cool, Barack Obama, or on flamboyant autocrats and chest thumpers like Iran's Mahmoud Ahmadinejad and Venezuela's Hugo Chávez, but the biggest star on hand will be the blunt, bearded onetime lathe operator: Brazil's president, Luiz Inácio Lula da Silva. After nearly seven tumultuous years in office, the man everyone calls Lula continues to enjoy an approval rating above 70 percent. That would be a remarkable feat anywhere, never mind in a continent where presidents are a disposable commodity. "That's my man right there," Obama greeted him at the G20 summit in London in April. "The most popular politician on earth."



How da Silva earned such acclaim says plenty about how wealth and power are shifting in this postcrash age. With his leadership, Brazil has withstood the global crisis better than almost any other nation: not a single bank went under, inflation is low, and the economy is growing again. "People doubted it when I said we would be the last to fall into recession and the first out," Lula told NEWSWEEK in an exclusive interview. "But just wait and see, this December. We are going to create a million jobs this year." That's not as good as it may sound: a million jobs would only just about replace the jobs his country has lost since October 2008. But Brazil is looking pretty good compared with most places; it's outpacing Russia and joining India and China—the other big emerging powers tagged collectively BRICs—to lead the way back to global economic growth. Gone are the days when, as Goldman Sachs chief economist Jim O'Neill jokingly recalls, "people told me I put the B in BRICs to make the acronym sound better."

Brazil's man of the moment says he couldn't give a fig for the polls. "If you have flawed policies and try to sell them with false publicity, your ratings won't last," he says. But the question now is whether he can continue to parlay his own star power into gains for Brazil—and, more pointedly, whether he is about to throw away much of what he has accomplished as president. He has just 15 months to go in office, and his favored successor, chief of staff Dilma Rousseff, has little national name recognition and none of her boss's charm. Despite his overwhelming popularity, recent polls say she's running a distant second and losing ground to the opposition's choice, São Paulo Gov. José Serra. "Lula's aura is not transferable," remarks Donna Hrinak, a former U.S. ambassador to Brazil. To compensate, the former labor firebrand has begun doing just what his critics feared when he first took office in 2003: tightening government control of the economy, looking the other way when key allies are caught with their hands in the public till, and spraying money about with abandon.

In the name of helping poor and working-class Brazilians—but with a close eye on next year's election—da Silva has repeatedly pumped up the minimum wage (up 67 percent since 2003, nearly 40 percent over the pace of inflation) and is boosting government pay and pensions, a move that can only add to the next administration's troubles. "We have to give a little more to those who earn less," Lula says. Yet that's the sort of populist talk that gives many the chills. "The risk is the legacy of fixed expenditures and budget commitments that Lula will leave for the future," warns former finance minister Mailson da Nóbrega. The public payroll is growing at more than 10 times the rate of public investment in roads, bridges, and ports. Meanwhile, da Silva has done nothing to ease the country's total tax burden, the highest in the emerging markets at 36 percent of GDP. And when Senate leader and former president José Sarney, who controls a key block of votes in the allied Brazilian Democratic Movement Party, came under fire for handing out jobs to cronies and kin, Lula rushed to his defense, saying Sarney "could not be treated like an ordinary person"—an odd choice of words, coming from a man of the people.

Still, if there's one constant truth about Lula, it is that things are subject to change. "I am a walking metamorphosis," he likes to say, quoting the 1970s Brazilian cult singer Raul Seixas. On the surface, he bears no more than a faint resemblance to the roughcut union man of 30 years ago, or even to the politician he became in the '80s and '90s, stumping for the poor and forgotten till he went hoarse. The once black curls and unkempt beard are neatly trimmed now and shot through with gray. In place of his old stained workshirt and denim bell-bottoms, he dresses in smart suits tailored to flatter his barrel of a body. His lifelong lisp has lessened, and long hours of practice have refined his shop-floor grammar and vocabulary. The man who took office saying he would be content to improve the lot of the Brazilian poor is now convinced of Brazil's mission to transform the world. "Brazil is a country with solid, democratic institutions," he says. "We have shown nations some lessons about how to confront the economic crisis."

And yet in deeper ways he's the same as ever. He still speaks in the sandpaper basso profundo that electrified his fellow metalworkers. And for all his polished manners and fine clothes, nothing vexes Lula more than being trapped in his office. "He gets nervous when he spends too much time at his desk," says his cabinet chief, Gilberto Carvalho. "He says, 'I need to get out and travel, and meet people.' His connection is with the little guy." The president likes nothing more than to ditch protocol, go off script, and (to the despair of his security detail) wade into an adoring crowd. Nevertheless, to his credit, he has resisted his followers' urgings to amend the Constitution so he can seek a third term and warns against the false high of celebrity. "Popularity is like blood pressure," he says. "Sometimes it's high and sometimes it's low. What you need is to keep it under control."

That's a skill he acquired the hard way. Starting in 1989, he ran for president three times, surging in early polls only to hit a wall on voting day. By the late '90s he was on the verge of quitting politics. Instead, he did something bolder: he remade himself. He stopped his fist-waving harangues, climbed into a suit, and hired a speech coach and a marketing wizard. More important, he tempered his leftist politics. The turning point was June 2002. He was ahead in the polls, but Brazil's economy was tanking—largely, it seemed, because investors were spooked by the prospect of President Lula. He responded with a "Letter to the Brazilian People," pledging to honor contracts, pay down the country's debts, abide by the International Monetary Fund's requirements, and generally play by the rules of the market. It was the gamble of his career, the political equivalent of tacking into a hurricane. Hardliners from his Workers Party (PT) accused him of betraying and caving in to bankers and capitalist carpetbaggers. Business executives were also wary: could the "new" Lula be trusted? Investors sat on their hands.

He won by a landslide, but the hard work had only begun. The pre-election financial turmoil had gutted economic growth and forced a steep devaluation of Brazil's currency. "It wasn't easy," recalls Lula. "We had no foreign credit. Our [hard currency] reserves were extremely low. Inflation was showing strong signs of resurgence. The economy was gridlocked." But an even bigger challenge was to live down the hard-left image he and the ruling PT had acquired over the years. "We took office amid a huge crisis of mistrust," says Carvalho, his cabinet chief and a longtime friend. "We were a minority in Congress. The press was skeptical." After all, Carvalho allows, "Until then everything we'd stood for was not paying the foreign debt, raising salaries. It would have been a disaster."

To convince lenders Brazil was serious, Lula increased the "primary budget surplus"—the money the government puts aside every year to pay debt and interest—and boosted lending rates to a scorching 26 percent a year, throttling growth in order to kill inflation. He also kept government wages and pensions under control. "The unions and many people in the party hated it," says Ricardo Kotscho, a friend and former press aide.
International money men still weren't sure. "We knew he'd been a union leader and the president of a political party. What I really wondered was if he had the guns to be president," says former World Bank president James Wolfensohn. So Wolfensohn sent out a feeler, offering to dispatch a team of experts to brief Lula's government on the key issues facing the international economy and Latin America. He didn't know how the new president would respond. "A lot of leaders throw the presidential seal at you," says Wolfensohn. "But Lula lapped it up. He was like a piece of blotting paper. He realized he had a major job to do and that running an election was different from running a country. For me, it characterized the man."

Da Silva has operated that way ever since, putting pragmatism ahead of ideology and, for the most part, fiscal restraint over the quick fix. "No one in their wildest dreams would have thought Lula would behave the way he has," emerging-market investment guru Mark Mobius, of Templeton Asset Management, told me a year ago. Now Templeton has $5 billion in Brazil, more than it does in China. For sure, Lula had plenty to work with. With a web of hydroelectric stations and half its fleet of cars running on clean-burning sugar-cane ethanol, the country has long been the benchmark in renewable energy. Clever agronomists have turned the harsh tropical backlands into a breadbasket, exporting more beef, soybeans, and frozen chickens than any other nation. But Lula also added value by stumping for Brazilian brands abroad. "We had to make it clear that Brazil is not a minor country," he says. "Brazil has the Amazon [rainforest], but also makes airplanes and cell phones." And just as his labor rallies once galvanized the hardhats in São Paulo, his aggressive diplomacy has rallied poorer nations to demand free trade and a new deal in the international economy.

His real genius, however, has been his ability to sell unpalatable reforms to a largely poor population that looked to him as something of a savior. "Lula's popularity helped him make risky decisions that often required sacrifices," says José Dirceu, a former Workers' Party commander who fell to a corruption scandal. More important, unlike the supremos and populist demagogues who abound in Latin America, he did it playing by the rules. "Lula's respect for democracy and elections is a big plus," says former Treasury chief Joaquim Levy. "Very often he has been able to translate key values of democracy in ways that make them more concrete to people." The president still has his work cut out for him, and not much time left to accomplish it. "This is a country that has suffered from low self-esteem," he says. "Brazil needs to recover its pride. And I think things are happening. I hope those who come after me can work to transform Brazil into a great economy."

The economic crash put Lula's skills as a persuader to the test. "It was frightening," da Silva recalls. "We had no credit, no money in September, October, November, December, January, February, and March." But instead of lurching to the left, his instincts took him to the center, steeling him against populist pressures. He gave the central bank a free hand to control inflation, even at the price of curbing growth. "We knew there were no miracles," he says.

Still, the crisis inflamed Lula's old rancor over "savage capitalism" and the folly of the free market. He blamed the subprime market mess on "white-skinned, blue-eyed" bankers and ridiculed the champions of deregulation and the "minimal" state. "In the '80s and '90s it was fashionable to deride the state," he says. "But in the blink of the eye, the [free] market nearly bankrupted the world. And who did they go to for a bailout? The state." This is not as fierce as it sounds. While Lula roundly denounces his predecessor's sell-off of state-owned industries, he made a point not to reverse the process after taking office. "I think privatization was a mistake, but I had to work to do," he says. "I couldn't afford to spend my mandate fighting with the old government." Clout, not dogma, is what fuels Lula.

Clearly part of this is realpolitik as Lula works to cement Brazil's preeminence. "As the dominant economy in the region, Brazil has to be comprehending of its neighbors," he says. "It's like the relations of father to son." He even defends the ham-fisted rule of Venezuelan strongman Hugo Chávez. "Give me one example of how Venezuela is not a democracy!" he demands. But Lula's larger ambition is to assert Brazil's place on the world stage. He makes no secret of his own national pride. Back in 2003, the G7 nations finally opened up their annual gathering to some of the less-wealthy countries, and Lula was among those invited. He stood before the meeting in France and marveled at how unlikely it was that he, a peasant's son, was now addressing some of the most powerful people on the planet. Then he turned the tables: why not hold the next G7 meeting in Brazil, he challenged. "After all, in 20 years maybe only three of you will still be around." Not everyone was amused. But no one missed the point.

Correction: The original version of this story said Obama's "That's my man" comment was made at the Summit of the Americas; it was actually made at the G20 meeting in London.

terça-feira, setembro 22, 2009

O BRASILEIRO É ASSIM

- Comemora pênaltis simulados por jogadores de seus times, gols irregulares; e, faltas violentas.
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Fala no celular enquanto dirige.
-Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas em frente as escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho
- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos piratas com a pela consciência de que são piratas.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Freqüenta os caça-níqueis e fazem uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales transportes e vale refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo.. só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado...
- Quando volta do exterior, nunca fala a verdade quando o policial pergunta o que traz na bagagem...
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.


E querem que os políticos sejam honestos, se escandalizam com a farra das passagens aéreas. Estes políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?!


Brasileiro reclama de quê, afinal?

quinta-feira, julho 09, 2009

Os reconhecimentos a FHC

Emir Sader - Sociólogo

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.
Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.

Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis”, que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completamente subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser

quarta-feira, julho 08, 2009

Lula premiado em prévia do Nobel

O FHC deve estar morrendo de inveja!

Em 20 anos, sete vencedores na Unesco ganharam também o prêmio sueco

Em visita à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condecorado ontem com o Prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Busca da Paz, oferecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A premiação coloca Lula como candidato a outra distinção, esta mais famosa: o Prêmio Nobel da Paz. Criada há 20 anos, a condecoração da Unesco se antecipou ao Nobel em sete oportunidades, homenageando personalidades como Jimmy Carter, Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Frederik de Klerk e Yasser Arafat. Em discurso de agradecimento, Lula lembrou que “a promoção da cultura de paz é um dos pilares da Unesco”.

– Recebo este prêmio como reconhecimento das recentes conquistas sociais do Brasil – disse o presidente.

Sua composição é um dos indícios do prestígio da homenagem, mas não o principal. O dado que mais chama a atenção é a história, que o torna a melhor “prévia do Nobel”.

O caso que melhor sintetiza a sintonia entre o Houphouët-Boigny e o Nobel é também o mais recente: Martti Ahtisaari, diplomata finlandês, foi vencedor do prêmio da Unesco em 2007 e da academia suecaem 2008.

Em Paris, Lula foi o centro das atenções dos convidados e do público, majoritariamente de origem africana, mas também de personalidades como o ex-presidente da França, Jacques Chirac. Uma enxurrada de elogios cobriu o presidente brasileiro. Koichiro Matsuura, diretor-geral da Unesco, apontou o brasileiro como responsável pela “ação em favor da paz, da justiça social e do combate à fome no Brasil”. José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, definiu-o como “um estadista”.

– O presidente Lula da Silva é hoje uma das personalidades mais admiradas e respeitadas do mundo. Sua obra não foi apenas retórica, mas concreta, de construção de mais justiça social e de prestígio internacional.

Antes da premiação, três militantes da organização ambientalista Greenpeace protestaram contra Lula, acusando-o de conivência com o desmatamento da Amazônia. Enquanto os líderes políticos confraternizavam, os três ativistas subiram ao palco. Dois desfraldaram banners nos quais se lia a mensagem “Lula, salve a Amazônia, salve o clima”. Os militantes permaneceram, em silêncio, alguns segundos ao lado dos líderes políticos sem serem importunados por seguranças e sem provocar nenhuma reação de repúdio ou de apoio da plateia ou dos homenageados. Ao término de um instante de expectativa, seguranças da Unesco aproximaram-se, pedindo-lhes as bandeiras. Dois dos manifestantes, os franceses Sylvain Pardy e Pascal Ewig, ambos de 36 anos, expressaram uma breve reação física – um dos quais se jogando ao chão. O terceiro, o brasileiro João Talocchi, biólogo de 25 anos, entregou um globo inflável ao presidente.

– Chamei o presidente duas vezes, ele me olhou mas não quis pegar o globo. Na terceira, ele o pegou, mas o pôs de lado na mesma hora – contou Talocchi.

Paris
O prêmio francês
- Leva o nome de Félix Houphouët-Boigny, ex-presidente da Costa do Marfim.
- É entregue anualmente, podendo não ser conferido.
- O presidente Lula é o primeiro brasileiro a receber a distinção.
ANTECIPANDO O NOBEL DA PAZ
Sete personalidades receberam o Félix Houphouët-Boigny e, posteriormente, o Nobel da Paz:
- Nelson Mandela
- Frederik de Klerk
- Yitzhak Rabin
- Shimon Peres
- Yasser Arafat
- Jimmy Carter
- Martti Ahtisaari