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sábado, maio 22, 2010

O Irã que eu conheci

Por Sonia Bonzi

Depois de ter morado no Irã, minha maneira de ver o mundo mudou bastante. Não acredito em mais nada do que diz a grande mídia.

Quando soube que ia morar em Teerã senti um certo medo, mas aceitei o desafio. Comecei uma busca voraz por informações sobre o país, a cidade, a história, o povo. Depois de tudo que li, decidi que viveria em casa, reclusa, lendo, escrevendo, fazendo crochet, inventando moda...

Parti de Londres pronta para o sacrifício. Teria que conviver com os xiitas radicais, terroristas cruéis, apedrejadores de mulheres, exterminadores de homossexuais, homens-bomba, mulheres oprimidas, cobertas com véus...

Eu estava submetida às leis locais e me seria vedado mostrar cabelos, pernas e braços. Ficar em casa era o que mais me atraia. Vestir um chador para sair me parecia um pouco demais. A caminho de Teerã eu depositava o sucesso da minha estadia nos jardins da casa onde fui morar. Ter aquele espaço me bastaria.

Logo ao sair do aeroporto comecei a ter uma imagem diferente de tudo aquilo que eu tinha lido. Tudo tão bonito, belas estradas, muita luz, viadutos com mosaicos, jardins bem cuidados, gente vendendo flores nos sinais, um engarrafamento sem buzinas, pedestres poderosos cruzando entre os carros, rapaziada de cabelo espetado, mocinhos com camisetas apertadinhas, moças lindas, super produzidas e também muitas mulheres de chador. Parques cheios de gente. Muita criança. Muito pic nic.

Dizem que a primeira impressão é a que vale. Gostei da chegada. Não tive medo. Não vi tanques, cadafalsos, escoltas armadas... Gostei das caras, das montanhas, das casas, das árvores, dos muros, do alfabeto que me tornava analfabeta.
Logo no segundo dia eu já tinha entendido que minha leitura sobre o cotidiano não tinha nada de realidade. Eu não precisava usar chador. Podia sair vestida com uma calça comprida, um camisão de mangas compridas e um lenço na cabeça. Senti-me nos anos 70, quando eu não dispensava um lencinho.

Deixei o jardim de casa e fui conhecer Teerã.

A imprensa e os meios de comunicação do ocidente me deixavam confusa. O que eu lia e ouvia não correspondi ao que eu vivia e via.

Encontro um povo é acolhedor, educado, culto, simpático, que gosta de fazer amigos, que abre as portas de casa para os estrangeiros, gosta de música, de dança, de declamar poesia... Não encontrei os problemas de abastecimento que me informaram haveria. Comprava-se de tudo, inclusive uísque e vodka. Bastava um telefonema.

Os temíveis homens-bomba nunca passaram por lá. Ninguém se explodia. Foi horrível constatar que enforcamentos aconteciam de vez em quando. Apedrejamento de mulher adúltera já não acontecia há 14 anos.

Fiquei amiga de muitos gays, fiz e fui a festas espetaculares, tomei vinho feito em casa, viajei sem escoltas pelo país, visitei amigos em suas casas de campo, de praia, de montanha...

Apaixonei-me pela culinária refinadíssima, morro de saudades das nozes, pistaches, castanhas, avelãs, frutas secas. Não me esqueço dos pães, do iogurte, do suco de romã puro ou com vodka...

Conheci a Pérsia profunda: lagos salgados, desertos salgados, as antigas capitais, segui a "rota da seda", dormi em caravanserais... Sempre assessorada por amigos locais.

Não conheci um iraniano, de nenhuma classe social, que fosse favorável ao regime teocrático instalado no país. Só uma coisa aproxima o povo do governo: o direito à tecnologia nuclear.

A pressão do ocidente fortalece e radicaliza os aiatolás. O povo do Irã não aceita esta interferência mundial. Quem são os ocidentais para dizer a eles o que fazer? Eles não vem o ocidente como um modelo a ser seguido. Eles não acreditam nos governos que já apoiaram Sadam Hussein numa guerra contra eles. Eles não tem razão para acreditar nas grandes potências. Isto incomoda. Melhor demonizá-los. Eles são acusados de não cumprirem acordos. Quem os acusa também não cumpre.
O domínio da tecnologia nuclear é considerado pelo povo do Irã como um direito deles, que sempre tiveram grandes cientistas, que sempre valorizaram o conhecimento, a medicina de ponta, que querem vender energia nuclear..

O povo iraniano não começa uma guerra há mais de 200 anos. Eles não são belicosos. São diferentes de seus vizinhos. A instabilidade no Oriente Médio não é causada pelo Irã. Apesar da força que a imprensa, os governos, as corporações fazem para denegrir a imagem do Irã, eu confesso que o Irã que eu conheci não é o que é descrito pela mídia ocidental.

Não há favelas em Teerã, não há miseráveis pelas ruas. Minorias tem seus representantes no Congresso, judeus tem seus negócios, suas sinagogas, zoroastrianos tem acesa a chama em seus templos. A família é uma instituição valorizada. Refugiados palestinos e iraquianos são mantidos pelo governo e pelo povo iraniano, que lhes oferece abrigo, alimento e escolas...
Não acredito que ameaças e o uso da força possam melhorar a situação na região. Os iranianos não são os iraquianos. Ser mártir para defender a religião ou a pátria é motivo de júbilo até para as mães.

A negociação, o respeito, a falta de arrogância, as informações corretas são as armas para defender a estabilidade no mundo. Pena que muitos interesses financeiros estejam acima dos sonhos de bem-estar e paz.

A escritora Sonia Bonzi é uma das mais antigas colaboradoras da NovaE, escrevendo do Irã e de vários países do mundo.

Fonte: NOVAE

sexta-feira, janeiro 01, 2010

A "campanha presidencial da paz" na América Latina

Noam Chomsky
Do The New York Times

Barack Obama, o quarto presidente dos Estados Unidos a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, mantém a tradição de seus antecessores para promover a paz, desde que, é claro, seja conveniente para seu país.

Todos os quatro presidentes deixaram sua marca na "região que nunca incomodou ninguém", como descreveu a América Latina o Secretário da Guerra norte-americano Henry L. Stimson, em 1945.

Levando em conta a postura da administração Obama com relação às eleições de Honduras em Novembro, pode ser interessante rever a história.

THEODORE ROOSEVELT 
 
Em seu segundo mandato na presidência dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt declarou que "a expansão dos povos brancos ou de origem europeia nos últimos séculos resultou em benefícios para a maioria dos países por eles colonizados", apesar dos africanos, Índios norte-americanos, filipinos e outros supostos beneficiários discordarem redondamente.

Foi então "inevitável e altamente desejável para o bem da humanidade em geral, que o povo americano derrotasse os mexicanos", conquistando metade do México, já que "estava fora de questão esperar que os texanos se submetessem à autoridade de uma raça inferior".

Usar a chamada "diplomacia de canhoneiras" para roubar o Panamá da Colômbia para construir o canal também foi considerado um bem para a humanidade.

WOODROW WILSON 

Woodrow Wilson foi o mais laureado dos presidentes e talvez o pior para a América Latina.

A invasão do Haiti orquestrada por Wilson em 1915 matou milhares de pessoas, restaurou a escravidão e deixou boa parte do país em ruínas.

Demonstrando seu amor pela democracia, Wilson ordenou a seus fuzileiros que dissolvessem o parlamento haitiano à mão armada, pois o mesmo se negou a aprovar uma lei "progressista" que permitia às empresas dos EUA praticamente comprar o país. O problema foi remediado quando os haitianos adotaram à força uma constituição redigida pelos EUA. O Departamento de Estado, inclusive, garantiu ao povo que o feito seria "bom para o Haiti".

Wilson também invadiu a República Dominicana para garantir o bem estar da nação. Os dois países foram colocados sob a custódia de guardas nacionais perversas. Décadas de tortura, violência e miséria foram o legado do "idealismo de Wilson", um princípio que norteou fundamentalmente a política diplomática dos Estados Unidos.

JIMMY CARTER
 
Para o presidente Jimmy Carter, os direitos humanos eram "a alma da política de relações internacionais".

Robert Pastor, conselheiro de segurança nacional para a América Latina, explicou algumas diferenças importantes entre direitos e políticas: Infelizmente, a administração precisava apoiar o regime do ditador Nicaraguense Anastasio Somoza e, mesmo quando isso se tornou impraticável, era preciso manter a Guarda Nacional treinada pelos americanos, ainda que ela tenha massacrado a população "com uma brutalidade que as nações normalmente reservam a seus inimigos", matando quase 40.000 pessoas.


Para Pastor, a razão é óbvia: "Os Estados Unidos não queriam controlar a Nicarágua ou qualquer outro país da região, mas também era preciso manter um certo controle sobre seu desenvolvimento. Os norte-americanos queriam que os nicaraguenses agissem de forma independente, a não ser quando isso afetasse os interesses dos Estados Unidos".

BARACK OBAMA
 
O presidente Barack Obama isolou os Estados Unidos de quase toda a América Latina e Europa quando aceitou o golpe militar que derrubou a democracia hondurenha em junho.

O golpe refletiu uma "separação política e socioeconômica", como relatou o New York Times. Para a "pouco representativa classe alta", o presidente hondurenho Manuel Zelaya estava se tornando uma ameaça ao que eles chamam de "democracia", especialmente para "as mais poderosas forças políticas e corporativas do país".

Zelaya estava levando a cabo medidas perigosas, como o aumento do salário mínimo - isso em um país em que 60% da população vive na pobreza. É claro que ele precisava ser deposto.

Quase sem o apoio de mais ninguém, os Estados Unidos reconheceram as eleições de novembro (em que Pepe Lobo saiu vitorioso), realizadas sob a ditadura militar: "uma grande festa da democracia", como descreveu o embaixador de Obama, Hugo Llorens.

O apoio também preservou o direito de uso da base aérea de Palmerola, mais valiosa do que nunca, já que as forças armadas norte-americanas têm se tornado cada vez menos bem-vindas na América Latina.

Depois das eleições, Lewis Anselem, o representante de Obama na OEA, sugeriu que os países latinos contrários deveriam reconhecer a legitimidade do golpe militar e juntar-se aos Estados Unidos, "no mundo real e não no mundo de realismo fantástico".

O apoio de Obama ao golpe militar foi realmente inédito. O governo dos Estados Unidos financia o Instituto Internacional Republicano e o Instituto Nacional Democrata, duas instituições que teoricamente deveriam promover a democracia.
O Instituto Republicano costuma apoiar golpes militares para depor governos eleitos, como aconteceu na Venezuela em 2002 e no Haiti em 2004.

Mas o Instituto Democrata permanecia em silêncio. Em Honduras, pela primeira vez, o Instituto Democrata concordou em observar as eleições sob o comando militar, ao contrário da OEA e da ONU, que continuavam em um mundo de realismo fantástico.

Levando em conta as ligações entre o Pentágono e o exército hondurenho e as vantagens econômicas descomunais que os EUA têm no país, seria muito mais simples que Obama aderisse à América Latina e Europa na luta para proteger a democracia em Honduras.

Mas Obama preferiu a política tradicional.

Em sua história de relações internacionais com o hemisfério sul, o acadêmico Gordon Connell-Smith escreve que "apesar do discurso pró-democracia na América Latina, os interesses dos Estados Unidos estão justamente direcionados ao oposto", a não ser por "uma democracia artificial, com eleições que na maioria das vezes não passam de puro teatro".

Uma democracia funcional precisa reagir às questões populares, ao passo que "os Estados Unidos estão mais preocupados em estabelecer as melhores condições para realizar seus investimentos".

É preciso muito da chamada "ignorância intencional" para deixar de perceber a realidade.

Essa cegueira deve ser sustentada cuidadosamente se o estado violento pretende manter-se no poder - sempre para o bem da humanidade como declarou Obama no discurso de agradecimento pelo Nobel da Paz.

 Fonte: Terra

terça-feira, outubro 06, 2009

A política do desprezo

Paul Krugman
Do The New York Times

Semana passada ocorreu o que o presidente Barack Obama gosta de chamar de "oportunidade de aprendizado", quando o Comitê Olímpico rejeitou a cidade de Chicago para sediar as Olimpíadas de 2016.

De acordo com o blog de um dos membros da publicação conservadora Weekly Standard, houve uma "festa" na redação da revista. O título da postagem era "Obama perdeu! Obama perdeu!". Rush Limbaugh disse estar "satisfeito". "O Mundo Rejeita Obama", disse o Drudge Report. E assim por diante.

E qual foi o aprendizado então? Primeiro, aprendemos que o movimento conservador moderno, que domina o partido republicano, tem a maturidade emocional de um pirralho de 13 anos.

Mas, além disso, o episódio revelou uma verdade incontestável da situação política nos Estados Unidos: No momento, a força motriz de um dos maiores partidos do país é basicamente o desprezo. Se os republicanos acham que alguma coisa pode ser boa para o presidente, eles se mostram imediatamente contra, sem relevar se essa mesma coisa é ou não boa para o país.

Na realidade, a celebração infantil da rejeição do Comitê Olímpico não foi exatamente ofensiva. Mas esse princípio do desprezo tem determinado posições republicanas em questões mais sérias, com consequências infinitamente mais graves - em especial no debate da reforma de saúde.

É compreensível que muitos republicanos se oponham aos planos dos democratas de aumentar a abrangência da cobertura de saúde - da mesma forma que a maioria dos democratas se opôs à tentativa de Bush de transformar a Previdência Social em um grande plano 401(k). Os dois partidos, no final das contas, possuem filosofias diferentes relativas ao papel do governo.

Mas eles também têm diferentes táticas. Em 2005, quando os democratas fizeram campanha contra a privatização da previdência, seus argumentos eram consistentes à sua ideologia: eles diziam que substituir os benefícios garantidos por contas privadas significaria expor os contribuintes a um risco desnecessário.
A campanha republicana contra a reforma da saúde, ao contrário disso, não demonstra qualquer consistência. O ataque dos republicanos baseia-se na alegação de que a reforma irá enfraquecer o Medicare. E essa forma de ataque vai contra as tradições do partido e suas filosofias.

Veja que bizarra e contraditória deve ser para os republicanos a posição de defensores do gasto irrestrito para o plano Medicare. Em primeiro lugar, o partido republicano moderno considera-se um partido de Ronald Reagan - e Reagan opunha-se ferrenhamente à criação do Medicare, alegando que ele iria acabar com a liberdade nos EUA. (E isso não é brincadeira.) Na década de 1990, Newt Gingrich tentou forçar cortes drásticos no orçamento do Medicare. Recentemente, os republicanos têm desdenhado do crescimento nos gastos com a previdência - crescimento esse que é impulsionado pelos gastos cada vez maiores com seguros de saúde.

Mas a administração Obama planeja aumentar a cobertura de saúde com a verba que sobrará do Medicare. E já que os republicanos se opõem a tudo que possa ser bom para Obama, tornaram-se defensores apaixonados do sistema que sustenta operações inúteis e pagamentos exorbitantes aos convênios de saúde.
Como é que um dos maiores partidos do país veio a tornar-se tão inescrupuloso, tão cruel a ponto de aplicar táticas que inviabilizem inclusive as administrações futuras de fazer um governo decente?

O ponto mais importante é que, desde a era Reagan, o partido republicano tem sido dominado por radicais - demagogos e fundamentalistas que não aceitam o direito do outro de governar.

Quem se espanta com a oposição viperina e selvagem a Obama deve ter esquecido da era Clinton. Lembra quando Rush Limbaugh disse que Hillary Clinton era cúmplice de assassinato? Quando Newt Gingrich calou o governo federal para tentar forçar Bill Clinton a aceitar os cortes do Medicare? E é melhor nem falarmos naquela história de impeachment.

A única diferença agora é que o partido republicano está na posição mais fragilizada, perdeu controle no congresso e teve sua oratória enfraquecida. O público não acredita mais na ideologia conservadora como antigamente; os velhos ataques ao governo e as súplicas da mágica da economia de mercado não surtem mais efeito. E, mesmo assim, os conservadores acreditam que só eles devem ter o direito de governar.

O resultado disso é uma abordagem amarga e inescrupulosa. À espera do dia em que o partido governará novamente para, na primeira oportunidade, punir a atual administração da forma mais severa.

É um quadro assustador. Mas é a verdade. E é uma verdade que precisa ser encarada por todos que desejam fazer algo para resolver os problemas dos Estados Unidos.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.
 
Fonte: TERRA

terça-feira, janeiro 20, 2009

Discurso de posse de Barack Obama

O presidente dos EUA, Barack Obama, discursou durante 20 minutos na cerimônia de posse que o nominou o 44º presidente americano. Abaixo, as palavras do novo líder.

Meus amigos cidadãos:

Eu me coloco aqui hoje com humildade para a tarefa que temos diante de nós, grato pela confiança que vocês têm concedido, consciente dos sacrifícios carregados pelos nossos antepassados. Agradeço ao presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, bem como pela generosidade e cooperação que ele demonstrou durante esta transição.

Quarenta e quatro americanos agora já tomaram o juramento presidencial. As palavras têm sido ditas durante ascendentes marés de prosperidade e ainda em águas de paz. No entanto, algumas vezes o juramento é tomado em meio a nuvens carregadas e tempestades furiosas.

Nesses momentos, a América tem se mantido não por causa da habilidade ou visão dos que estão nos altos cargos simplesmente, mas porque nós, o povo, temos permanecido fiéis aos ideais dos nossos ancestrais e fiéis aos documentos dos nossos fundadores. Portanto, é como tem sido. Portanto, isto deve estar com esta geração de americanos.

Que nós estamos no meio da crise está agora bem compreendido. Nossa nação está em guerra, contra uma crescente rede de violência e ódio. A nossa economia está muito debilitada, uma consequência da ganância e da irresponsabilidade de alguns, mas também do nosso fracasso coletivo de fazer escolhas difíceis e preparar a nação para uma nova era. Casas foram perdidas, empregos deixados, empresas fechadas.

O nosso sistema de saúde é muito caro; nossas escolas enfraqueceram demais, e cada dia traz mais uma evidência de que as maneiras como usamos a energia fortalecem os nossos adversário e ameaçam o nosso planeta.

Estes são os indicadores da crise, submetidos a dados e estatísticas. Menos calculada, mas não menos profunda, é a corrente desconfiança em toda a nossa terra - um perturbante medo de que o declínio da América é inevitável e que a próxima geração deve reduzir seus horizontes.

Hoje eu digo a vocês que os desafios que encaramos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão facilmente vencidos ou em um curto espaço de tempo. Mas saiba isto, América — eles serão vencidos. Neste dia, estamos unidos porque escolhemos a esperança ao invés do medo, a unidade de objetivos ao invés do conflito e da discórdia.

Neste dia, nós viemos para dar um basta aos problemas mesquinhos e falsas promessas, às recriminações e dogmas desgastados, que durante muito tempo têm estrangulado a nossa política.

Continuamos sendo uma nação jovem, mas, nas palavras da Escritura, chegou a hora de deixar de lado as coisas infantis. Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito duradouro; de escolher a nossa melhor história, de levar adiante aquela preciosa lembrança, aquela nobre ideia, transmitida de geração para geração: a promessa dada por Deus de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem uma oportunidade de perseguir as suas plenas medidas de felicidade.

Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, nós entendemos que a grandeza nunca é dada. Ela deve ser merecida. Nossa jornada nunca foi de pequenos cortes ou estabelecida para menos. Ela não tem sido o caminho para o medroso — para aqueles que preferem o lazer ao invés do trabalho, ou procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama.

Pelo contrário, ela tem sido para os corajosos, para os empreendedores, para os criadores de coisas — alguns célebres, mas frequentemente homens e mulheres obscuros em seus trabalhos, que têm nos sustentado ao longo da áspera caminhada rumo à prosperidade e à liberdade.

Por nós, eles empacotaram as suas poucas posses mundanas e viajaram através dos oceanos em busca de uma nova vida. Por nós, eles trabalharam duramente em empregos escravizantes e estabeleceram o Ocidente; aguentaram o açoite do chicote e lavraram a dura terra. Por nós, eles lutaram e morreram em lugares como Concord e Gettysburg, Normandia e Khe Sahn.

Ontem e hoje novamente estes homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até esfolarem as suas mãos para que possamos viver uma vida melhor. Eles viram a América maior do que a soma das nossas ambições individuais; superior a todas as diferenças de origem ou de riqueza ou de facção. Esta é a jornada que hoje prosseguimos.

Continuamos sendo a mais próspera e poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando a crise começou. Nossas mentes não são menos criativas, nossos benefícios e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, no último mês ou no último ano. Nossa capacidade permanece inalterada.

Mas o nosso tempo de prestígio permanente, de proteção dos interesses reduzidos e do adiamento de decisões desagradáveis - este tempo certamente passou. A partir de hoje, temos de nos erguer, tirar o pó que nos cobre e começar novamente o trabalho de transformação da América.

Para todo lado que olhamos, há trabalho a ser feito. O estado da economia exige uma ação, rápida e ousada, e nós vamos agir — não apenas para criar novos empregos, mas para estabelecer uma nova base para o crescimento. Nós vamos construir as estradas e pontes, as redes elétricas e linhas digitais que alimentam o nosso comércio e nos unem.

Vamos restaurar a ciência ao seu lugar correto, e utilizar com eficácia as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade da saúde e reduzir o seu custo. Vamos aproveitar o sol e os ventos e o solo para alimentar os nossos carros e ativar nossas fábricas. E vamos transformar as nossas escolas e faculdades e universidades para atender as demandas da nova era. Tudo isto é possível fazer. E tudo isto nós vamos fazer.

Agora, há alguns que questionam a dimensão das nossas ambições — que sugerem que o nosso sistema não pode tolerar planos muito grandes. Suas memórias são curtas. Para eles terem esquecido o que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem realizar quando a imaginação está dentro do objetivo comum, e requer a coragem.

O que os cínicos não compreendem é que o chão mudou debaixo deles — que os argumentos políticos rançosos que têm nos consumido há tanto tempo já não se aplicam. O que nós questionamos hoje não é se o nosso governo é muito grande ou muito pequeno, mas se ele funciona — se ajuda as famílias a encontrarem trabalho de um salário decente, preocupa-se se eles podem pagar, uma reforma que seja digna.

Se a resposta é sim, nós temos a intenção de avançar. Se a resposta é não, os programas vão terminar. E aqueles de nós que gerenciam dólares públicos serão preparados a prestar contas — para gastar com sabedoria, mudar os maus hábitos e fazer os nossos negócios à luz do dia — pois só assim poderemos restabelecer a vital confiança entre um povo e seu governo.

Também não é a questão que temos diante de nós se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade é inigualável, mas esta crise nos lembrou que, sem um olhar atento, o mercado pode ficar fora de controle — e que uma nação não pode prosperar quando ela favorece apenas os prósperos.

O sucesso da nossa economia sempre dependeu não apenas da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas sobre o alcance da nossa prosperidade; sobre a nossa capacidade de estender oportunidades para todos os corações dispostos — e não por caridade, mas porque é o caminho certo para o nosso bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, nós rejeitamos a falsa escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, confrontados com perigos que dificilmente podemos imaginar, traçaram uma carta de direitos para assegurar a autoridade da lei e os direitos do homem, um carta expandida pelo sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abandoná-los por conveniências.

E assim, para todos os povos e governos que estão nos assistindo hoje, das grandes capitais à pequena vila onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de cada nação e cada homem, mulher e criança que persegue um futuro de paz e dignidade, e que estamos dispostos a liderar mais uma vez.

Lembrem-se de que as gerações anteriores enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças robustas e convicções duradouras. Eles entenderam que o nosso poder, sozinho, não pode proteger-nos nem nos confere fazer o que nos satisfaz. Em vez disso, eles sabiam que o nosso poder cresce através do seu uso prudente; nossa segurança emana da justiça da nossa causa, da força do nosso exemplo, das suavidades qualidades da humildade e moderação.

Nós somos os guardiões deste legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, nós podemos superar essas novas ameaças que demandam ainda grande esforço - ainda maior cooperação e entendimento entre as nações. Vamos começar a deixar responsavelmente o Iraque para o seu povo, e forjar uma difícil e merecida paz no Afeganistão.

Com velhos amigos e antigos adversários, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear e deixar para trás o espectro do aquecimento global. Não vamos pedir desculpas pela nossa forma de vida, nem vamos vacilar em sua defesa, e para aqueles que procuram fazer avançar os seus objetivos pela indução do terror e massacre de inocentes, dizemos-lhe agora que o nosso espírito é forte e não pode ser quebrado; vocês não podem durar mais do que nós, e nós vamos derrotá-los.

Nós sabemos que o nosso patrimônio costurado é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus — e não-crentes. Nós somos moldados por cada língua e cultura, traçadas a partir de cada extremidade da Terra; e por termos provado o gosto amargo da Guerra Civil e da segregação, e termos emergido fortes e mais unidos deste capítulo escuro, não podemos evitar, mas acredito que os velhos ódios devem passar um dia; que as linhas do clã devem se dissolver rapidamente; que, enquanto o mundo que cresce aos poucos, a nossa humanidade comum deve revelar-se, e que a América deve desempenhar o seu papel no início de uma nova era de paz.

Para o mundo muçulmano, buscamos um novo caminho, baseado no interesse e no respeito mútuos. Para aqueles líderes que procuram semear o conflito no mundo ou culpar o Ocidente pelos males das suas socidades — saibam que os seus povos irão decidir sobre o que vocês podem construir, e não o que podem destruir. Para aqueles que se agarram ao poder através da corrupção e da fraude e do silenciamento da discórdia, saibam que vocês estão no lado errado da história; mas que vamos estender a mão se vocês estiverem dispostos a abrir o punho primeiro.

Para as pessoas de nações pobres, nos prontificamos a trabalhar com vocês para florescer as suas fazendas e deixar as águas correrem limpas; para nutris corpos famintos e alimentar mentes famintas. E para aquelas nações como a nossa, que gozam de relativa fartura, dizemos que não podemos mais ser manter a indiferença ao sofrimento fora de nossas fronteiras, nem podemos consumir os recursos mundiais sem considerar as consequências. Pois o mundo mudou, e precisamos mudar com ele. Ao considerarmos os caminhos que se abrem diante de nós, lembramos com humildade aqueles bravos americanos que, nesta exata hora, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes.

Eles têm algo a nos dizer hoje, bem como aqueles heróis que jazem em Arlington sussurram através dos tempos. Nós os honramos não apenas porque eles são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles incorporam o espírito de servir; uma vontade de realizar algo maior que eles mesmos. E, neste momento — um momento que definirá uma geração-, é esse espírito que tem de habitar em todos nós.

Pois, por mais que o governo possa fazer e tenha que fazer, no fim é sobre a fé e a determinação do povo americano que esta nação se apoia. É a gentileza de abrigar um estranho quando as barragens se rompem, é o desprendimento dos trabalhadores que preferem um corte em suas horas trabalhadas a ver um amigo perder o emprego que nos observa em nossas horas mais complicadas.

É a coragem do bombeiro de subir uma escadaria cheia de fumaça, mas também a disposição dos pais em nutrir um filho que no fim decide nosso destino. Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com os quais podemos superá-los podem ser novos. Mas aqueles valores sobre os quais depende o nosso sucesso — trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo — essas são coisas antigas e verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa história.

O que se exige, então, é retornar a essas verdade. O que se pede agora é uma nova era de responsabilidade — o reconhecimento, por parte de cada americano, de que temos deveres para conosco, nosso país e o mundo; deveres que não aceitamos com rancor, mas que recebemos com gratidão, certos de que não há nada tão satisfatório para o nosso espírito, nada tão definidor de nosso caráter que entregamos tudo de nós a uma tarefa difícil.

Este é o preço e a promessa da cidadania. Esta é a fonte da nossa confiança - a certeza de que Deus nos chama para moldar um destino incerto. Esse é o sentido da nossa liberdade e da nossa crença — por que cada homem e mulher e criança de cada raça e cada crença podem se juntar em celebração nesta magnífica avenida, e por que um homem, cujo pai há menos de 60 anos podia não ser servido em um restaurante local, pode agora estar diante de vocês para fazer o juramento mais sagrado.

Vamos marcar esse dia com a lembrança de quem somos e quão longe chegamos. No ano do nascimento dos Estados Unidos, no mais frio dos meses, um pequeno bando de patriotas se juntou ao redor de fracas fogueiras à beira de um rio gelado. A Capital foi abandonada. O inimigo estava avançando. A neve estava manchada de sangue. Em um momento em que se duvidada da revolução, o pai da nossa nação ordenou que essas palavras fossem lidas ao povo:

"Que isso seja dito ao mundo futuro. Que nas profundezas do inverno, quando nada além da esperança e da virtude poderiam sobreviver. Que a cidade e o país, alarmados por um perigo comum, avancem para enfrentar."

América, diante de nossos perigos em comum, neste inverno de dificuldades, vamos lembrar essas palavras imemoriais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez as correntes geladas e as tempestades que podem vir.

Que os filhos de nossos filhos digam que, quando fomos testados, nos recusamos a deixar essa jornada acabar, que não recuamos, nem que hesitamos; e com olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus sobre nós, levamos adiante nossa liberdade e a entregamos em segurança para as gerações futuras.

domingo, janeiro 18, 2009

Obama, Lula e Sarkozy são modelos do século XXI, diz especialista

Vice-Presidente do think-thank Public Agenda e autor de Forgive Us Our Debts: The Intergenerational Dangers of Fiscal Irresponsibility, publicado nos Estados Unidos pela editora da Universidade de Yale, Andrew L. Yarrow defendeu, em artigo publicado na página de opinião do The Baltimore Sun, que a apologia da impossibilidade funcional dos governos está com os dias contados. E que um trio de líderes - formado pelo recém-eleito Barack Obama, o presidente francês Nicolas Sarkozy e o brasileiro Luiz Ignácio Lula da Silva - representam a ascendência, no mundo ocidental, do idealismo, do ativismo e da cooperação supra-partidária sobre o unilateralismo, a política mais convencional e o apadrinhamento de aliados característico da administração Bush.

Professor da American University e consultor do centrista Brookings Institution, Yarrow vai além e propõe o estabelecimento de uma nova era, calcada na imagem dos presidentes de Brasil, França e EUA. "Prestando atenção no simbolismo político dos três estadistas, vê-se que o mundo democrático está entrando em um novo período, tão definitivo e transformador quanto o pacto social-democrático de Franklin Delano Roosevelt após a Segunda Guerra Mundial, o chamado Consenso Liberal, ou a Ascensão Conservadora das últimas três décadas, marcadas pelas políticas de Ronald Reagan e Maragareth Thatcher", escreve.

Para o historiador, que deixou a reportagem do The New York Times para investir na vida acadêmica, completando a pós-graduação Universidade de Harvard e trabalhando no governo Bill Clinton, o comprometimento com a Justiça Social dos três líderes está um passo à frente da Terceira Via de Clinton e Tony Blair, representada no Brasil pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. O cerne do sucesso dos três líderes, diz Yarrow, está na idéia de compaixão social condicionada à responsabilidade pessoal - no Brasil, com as contrapartidas exigidas pelo Bolsa Família, nos EUA, com o discurso de Obama voltado para o ativismo social dos mais abastados e a necessidade de a comunidade afro-americana voltar a investir nos valores de fortalecimento familiar - e em uma visão internacionalista comprovada pela movimentação de Paris e Brasília durante a mais recente crise no Oriente Médio, trabalhando ativamente por uma trégua entre Israel e os palestinos.

O Terra conversou com o professor da American University sobre sua previsão de que os próximos anos no mundo ocidental serão moldados pela ação de Lula, Obama e Sarkozy. Yarrow só não quis emitir opinião sobre a sucessão presidencial no Brasil, tema que acompanha de longe e com enorme atenção - a se julgar por seus questionamentos sobre a possível candidatura da ministra Dilma Roussef em 2010.

O senhor diz que o Lula, Obama e Sarkozy desafiam, cada um a seu modo, a política convencional. Pode explicar melhor esta sua observação?
Lula, Obama e Sarkozy são, os três, líderes políticos pós-partidários. Eles combinam um comprometimento com a inclusão e a justiça social com um crescimento econômico que beneficie ao mesmo tempo trabalhadores e empresários. Eles refutam os moribundos modelos advindos do "Consenso de Washington", o capitalismo neo-liberal pós-Reagan e Thatcher, calcado na desregulamentação dos mercados. Mas também não são estatizantes per se, não se aproximam de modelos socialistas tal qual os conhecemos. Lula com o PT, Obama com os Democratas, e Sarkozy com os gaullistas e os democrata-cristãos, estabeleceram rupturas com as culturas políticas mais características de seus grupos partidários.

O senhor fala do Consenso Liberal dos anos 30 e da Revolução Conservadora dos 70-80. O que esperar da era de Lula-Obama-Sarkozy?
A era de Lula-Obama-Sarkozy é marcada por um retorno, em âmbito interno, das políticas de crescimento econômico emparelhadas com a busca de Justiça Social. Os três também representam, não apenas através de seus atos, mas por suas próprias trajetórias de vida, um mundo mais multi-cultural, mais globalizado. Em política externa, talvez menos com Obama, embora ele tenha se comprometido com a tese durante a campanha eleitoral, os três são arquitetos de um novo internacionalismo, que acredita na intervenção em casos de emergências humanitárias, em casos de genocídio e grandes epidemias, por exemplo.

O senhor diz também que os três são "figuras ultra-públicas". Pode explicar melhor esta idéia?
Lula, Obama e Sarkozy são três figuras extremamente carismáticas. E, embora manchados um pouco por problemas relacionados às suas atividades pessoais, especialmente o líder francês, os três restauraram a fé na vida pública e fizeram com que os cidadãos de seus países acreditassem na eficácia do governo novamente. Obama e Lula, particularmente, inspiram esperança e conseguiram trazer para o tabuleiro político parcelas do eleitorado que não tinham voz em seus respectivos países. E os três são figuras públicas dispostas a atos dramáticos, que chamam atenção para aspectos críticos tanto de situações internas quanto de crises internacionais.

Quando o senhor fala de Lula em seu artigo, um dos destaques é a noção de 'responsabilidade condicional' colocada novamente na mesa a partir da fórmula do Bolsa Família. Por que acredita que este aspecto é tão fundamental na consolidação do fenômeno Lula?
É a idéia de que, não esquecendo que o governo deve ajudar a incrementar o bem-estar da população, e provê-los segurança, os indivíduos devem assumir uma maior responsabilidade pessoal pelas suas vidas. Lula e Obama defendem um novo contrato social - diferente tanto do liberal do pós-guerra quanto do consenso conservador dos anos 80 - que oferece um balanço entre as responsabilidades do Estado e as do cidadão comum.

Como o senhor definiria cada um destes três líderes que, de acordo com o senhor, estariam redefinindo ideologicamente o mundo ocidental?
Lula, Obama e Sarkozy são homens que chegaram à liderança política emergindo de áreas distantes das elites tradicionais de Brasil, Estados Unidos e França. Eles chegaram ao poder através de seu carisma, da capacidade de fazer com que a população acreditasse em seus esforços em relação a melhoria da vida em seus países, e da coragem de abraçarem novas filosofias, calcadas em extraordinária capacidade de organização e mobilização política.

Fonte: Terra, por Eduardo Graça


sábado, janeiro 10, 2009

Revista Veja: a nossa ASNEIRA nacional

Mais uma vez a nossa querida ignorante (mas não inocente) revista VEJA parte para imbecilidade:

Ambiente | Onde está o efeito estufa?
Verão frio no Brasil e o inverno forte na Europa significam que o aquecimento global é lenda? O Ártico mostrou que não. Há sinais inequívocos da mudança.


Tenho certeza que se eles pesquisarem irão descobrir que não se faz análise de clima com um, dois ou 100 verões ou invernos. É precisa lever em conta séculos, eras inteiras.

As mentes mais brilhantes e esclarescidas do mundo científico já concordaram que algo não vai bem, mas a VEJA insiste na imbecilidade. Claro, gênios podem errar. Mas em geral, são derrotados por outros gênios e não por jornalistas experts em tudo.

É claro que fenômenos complexos não são lineares. Mas é claro também que o princípio de precaução quando se lida com a vida precisa ser respeitado.

Mas a visão de mundo da VEJA é egoísta, típica dos riquinhos que a herdaram.

Na mesma edição desta semana , lê-se coisas como:


Obama e os corruptos
Nenhum dos cinco senhores da foto ao lado (Obama com Bursh, Bush pai, Clinton e Carter) passou pela Casa Branca sem se tisnar em algum escândalo de corrupção. O problema de Obama é que já tropeça antes da posse.

Ou o absurdo (que só o Bush defende)
Israel | Direito à autodefesa do país contra grupo Hamas

O pior de tudo é pensar que existem pessoas que concordam com a VEJA e o podem estar ao seu lado.

Cuidado com elas.