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segunda-feira, janeiro 17, 2011

Brasil dobra número de mestres e doutores em dez anos

Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O número de mestres e doutores titulados no Brasil dobrou nos últimos dez anos. De 2001 a 2010, a quantidade de pesquisadores formados por ano no país passou de 26 mil para cerca de 53 mil, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

De acordo com o órgão, só em 2010, 12 mil receberam o título de doutor e 41 mil o de mestre. Esses dados constam do balanço final do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação divulgado pelo governo federal no fim do ano passado.

O documento compila informações de vários órgãos ligados à pesquisa no país e avalia o resultado de um plano de investimento lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2007.

Segundo o documento, só em 2009, 161 mil estudantes estavam matriculados em programas de mestrado e doutorado de universidades brasileiras. O número equivale a 90% da soma dos mestres e doutores titulados no país de 2003 até 2009.

“Esses números são extremamente significativos”, afirmou o pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan. “Para padrões latino-americanos, é um crescimento muito grande. Mas ainda temos que avançar”.


Em entrevista à Agência Brasil, Agopyan disse que o aumento na titulação de pesquisadores deve-se principalmente ao investimento governamental. Segundo ele, governo federal e de alguns estados como São Paulo, Paraná e Bahia entenderam a importância da pesquisa para o desenvolvimento do país e, por isso, passaram dar mais atenção ao setor.

Por conta disso, nos mesmos dez anos, o número de cursos de pós-graduação no país também cresceu. Em 2001, eles eram 1,5 mil. Já em 2009, subiram para 2,7 mil. Só as universidades federais têm quase 1,5 mil programas de mestrado ou doutorado.

Além disso, cresceu o número de bolsas de estudo concedidas a estudantes. Em 2001, a Capes e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concederam 80 mil bolsas de mestrado e doutorado. Em 2010, foram 160 mil.

Todo esse investimento, entretanto, não atingiu às expectativas do ministério. No lançamento do plano de ação, a previsão era de que o Brasil passasse a investir o equivalente a 1,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisas até 2010. O montante chegou a 1,25%.

“Empresas também precisam investir em pesquisa”, complementou Agopyan, apontando uma das falhas que o país precisa resolver. “O Brasil é grande. Precisamos formar pelo menos 20 mil doutores por ano”.

A China, por exemplo, investiu 1,44% do seu PIB em 2007. Com isso, formou 36 mil doutores. Já o Japão, um dos países mais inovadores do mundo, investiu 3,44% e formou 17 mil doutores em um ano.

Edição: Rivadavia Severo

quarta-feira, novembro 10, 2010

Brasil é 13º em produção científica, diz Unesco

Neste ano, o relatório da UNESCO sobre Ciência (versão em português), que analisa o status da ciência em torno do mundo, dedicou um capítulo inteiro sobre o Brasil. De acordo com o documento, a nona economia do mundo avançou nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento graças ao crescimento econômico.

Foram US$23 bilhões gastos, em 2008, algo comparável aos investimentos da Espanha (US$ 20 bilhões) e Itália (US$22 bilhões) em termos absolutos. Porém, em comparação a produção, o Brasil ficou para trás em relação a estes países. Ocupou o 13º lugar no ranking mundial de produção científica.


Ainda que os números de artigos científicos e doutorados finalizados a cada ano tenham aumentado – 26.482 artigos científicos em periódicos indexados pelo Thomson Reuter’s Science Citation Index em 2008 – é possível notar falta de homogeneidade na distribuição regional dos profissionais acadêmicos e na base de conhecimentos do país: 60% de todos os artigos científicos se originaram em apenas sete universidades, sendo que quatro delas estão no estado de São Paulo. Também há uma falta de homogeneidade nos campos das diferentes disciplinas.

No Brasil, entre 2000 e 2008, houve aumento no gasto interno bruto em pesquisa e desenvolvimento de 28% - de R$ 25,5 bilhões para R$ 32,8 bilhões. Em 2000 os investimentos correspondiam a 1,02% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em 2008, foi de 1,09%. Mas a Unesco indica que seria preciso mais. Para alcançar uma boa média de financiamento público, o Brasil precisaria investir um adicional de R$ 3,3 bilhões. Esse montante corresponde, grosso modo, a três vezes o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Outra característica marcante é que o setor público arca com a sua maior parte (55%), algo comum a quase todos os países em desenvolvimento. Aproximadamente três quartos dos cientistas continuam trabalhando no setor acadêmico.

Fonte:  IG