quinta-feira, dezembro 02, 2010
REALISMO E POSITIVISMO
segunda-feira, novembro 15, 2010
Carta ao filósofo da UNICAMP: Interpretação da Escola de Copenhaque
Recebi por email.
Sent: Sunday, January 22, 2006 12:10 PM
Subject: A Interpretação de Copenhague é não-realista!
Caro Jose Oscar
A Interpretação da Escola de Copenhaque (IEC) foi apresentada pela primeira vez no Congresso Solvay de Bruxelas em 1927 por Bohr, Born, Heisenberg, Pauli e Dirac. De imediato passou a ser criticada por diversos físico de renome, entre eles Schrödinger, De Broglie (este posteriortmente adere à EC e mais adiante rejeita novamente), Lorentz, Einstein e Planck.
A IEC é consistente com a filosofia do Positivismo Lógico, então no auge do seu vigor, adotando as teses fenomenista (o objeto físico não tem existência independente do observador) e empirista do Círculo de Viena. Vou te destacar alguns aspectos que são indicadores do caráter não-realista, idealista da IEC:
1) A MQ não se refere aos entes quânticos em si mas ao que se pode observar dos entes quânticos.
2) Os entes quânticos exibem um caráter dual, podendo se apresentar (!!) como ondas ou como partículas dependendo da situação experimental. Novamente, a MQ não se pronuncia sobre os entes quânticos em si mas sobre como os entes quânticos podem se apresentar a um observador; portanto a MQ não trata da coisa-em-si mas do fenômeno.
3) As relações de Heisenberg são denominadas de Princípio da Incerteza. Incerteza é um estado mental, descreve uma condição do nosso conhecimento sobre as coisas, não é uma propriedade das coisas em si.
5) O quadrado da função de onda em um ponto é a densidade de probabilidade de se medir ou se observar o ente quântico naquele ponto.
6) Os autovalores de um operador que corresponde a uma variável dinâmica são os possíveis valores medidos (!!) para a variável dinâmica. A própria variável dinâmica é denominada de "observável".
7) O colapso da função de onda segundo vou Neumann ocorre na consciência do observador. O mundo somente funciona quando alguém o observa!!
Como bem sabes os materialistas dialéticos não toleram o idealismo. Na URSS diversos físicos importantes queriam adotar IEC e a adotaram (o mais conhecido deles era Fock); para tanto tiveram que travesti-la com a linguagem do materialismo dialético (por exemplo, a dualidade onda-partícula mostra o caráter dialético da natureza e o Princípio da Incerteza foi rebatizado por Princípio da Indeterminação). Fock tentou diversas vezes levar Bohr a Moscou mas isto não foi permitido pelo partido pois os ideólogos comunistas tinham bem claro que Bohr professava uma filosofia intolerável para os marxistas. Somente nos anos 50 é que finalmente Bohr pode ir a Moscou.
Einstein era uma realista e um determinista (Deus não joga dados!). Tinha objeções a MQ por causa do seu caráter probabilista. Um determinista somente pode aceitar enunciados de probabilidade como consequência da sua falta de conhecimento (interpratção subjetivista para a probabilidade). Assim a MQ, por ser uma teoria probabilista, não falava do mundo em si como deseja um realista. Desta forma a MQ seria no futuro substituída por uma teoria mais profunda de caráter determinista. Einstein também não tolerava a tese de que a MQ era o fim do caminho (tese defendida pela EC, especialmente por Bohr); para ele todas as teorias são provisórias e serão substituídas por outras. Inspirou Bohm a produzir a primeira "teoria de variáveis ocultas" para explicar a MQ.
Para uma excelente exposição do caráter subjetivista da IEC pode-se consultar por exemplo Karl Popper (A teoria dos quanta e o cisma da Física), Mario Bunge (Filosofia da Física, Controversias en física, Racionalidad y realismo), Franco Selleri (Paradoxos e Realidade). Tanto Popper quanto Bunge defendem interpretações realistas-probabilistas para a MQ. Franco Selleri é um físico que trabalha em fundamentos da MQ e defende uma interpretação realista inspirada no "dualismo objetivo de De Broglie". Um excelente livro sobre as interpretações da MQ é o do teu colega Osvaldo Pessoa Jr. (Conceitos de Física Quântica).
Abraços
Fernando
http://www.if.ufrgs.br/~lang/
sexta-feira, junho 05, 2009
Sete "regras de ouro" do charlatanismo:
#2 - Seja revolucionário;
#3 - Percorra os atalhos batidos;
#4 - Nunca invente nada;
#5 - Cultive o segredo;
#6 - Encontre seu público;
#7 - Não desista nunca.
Fonte:
A Impostura Intelectual em Dez Lições, de Michel de Pracontal
Tradução de Álvaro Lorencini
São Paulo: Unesp, 2004, 453 pp.
segunda-feira, maio 04, 2009
Para quem acredita em possessão do demônio e outras tolices
quinta-feira, abril 09, 2009
Lógica? por Sírio Possenti De Campinas (SP)
Uma repórter que entrevistou Lula em Londres começou pedindo desculpas por ter olhos azuis. Foi sem dúvida uma boa sacada para provocar o presidente ou para fazer rir, mais precisamente, rir dele, talvez acuado. Mas a pergunta revelou também um erro de lógica. Exatamente como o do "ítalo-descendente de pele branca e olhos claros" que entrou com um pedido de explicação no STF "contra" o presidente, por causa de sua declaração culpando a "gente branca de olhos azuis" pela crise. Clóvis Victorio Mezzomo afirma que se sentiu pessoalmente ofendido... (Folha de S. Paulo, 4/4/2009, p. B10).

Freud não disse que toda frase curta é um chiste.
Alguns leitores cometeram a mesma falácia em mensagens que me mandaram pelo e-mail que Terra Magazine fornece para os que querem me desancar ou, eventualmente, manifestar concordância. Diziam que eram brancos etc. e que se sentiram ofendidos. Como se Lula tivesse se referido a eles.
Uma das "técnicas" que se aprendem já no segundo dia das aulas de lógica é que uma coisa é dizer, por exemplo, que "todos os cariocas são brasileiros" e outra que "todos os brasileiros são cariocas". A segunda sentença ou proposição não se deduz da primeira, porque não se pode concluir mais de menos. É que o predicado de uma afirmativa não é universal, ou distribuído, mas sim particular. Portanto, quando a sentença é convertida e ele vai para a posição de sujeito, não pode ser universal (todos); só pode ser particular (alguns). "Os cariocas são brasileiros" significa "todos os cariocas são alguns dos brasileiros". Depois, aprende-se que isso se chama de falácia do consequente ("se o carioca é brasileiro, então o brasileiro é carioca" seria um exemplo dessa falácia).
Voltando à declaração de Lula: convertida em uma sentença com formato das que estão nos silogismos, ele teria dito que "todos os responsáveis por essa crise são brancos de olhos azuis", e não que "todos os brancos de olhos azuis são responsáveis por essa crise". Ou seja, que alguns brancos de olhos azuis são responsáveis - os banqueiros, os Madoffs etc. Pretender fazer parte desse grupelho é erro de lógica ou pura pretensão? Não sei o que é pior.
Aparentemente, ninguém mais estuda isso na escola, uma lástima. Um dia tive que fazer longo exercício de paciência diante de um interlocutor que lera em Freud que os chistes são breves e insistia em achar que todas as suas frases curtas (breves) deveriam ser chistes, como se Freud tivesse escrito que tudo o que é breve é chiste. Uma boa piada.
Ah, sim, como Lula também não deve ter estudado lógica, já que foi por pouco tempo à escola e a que mais frequentou era uma que formava torneiros mecânicos, embora tenha se dado melhor como orador (os oradores são cheios de falácias), respondeu à moça gentil e sorridente, sem esculachar sua falta de lógica. Talvez por não saber nada disso. Talvez por causa dos olhos dela.
Alguns leitores acharam que defendi Lula quando disse que a expressão que empregou não é racista. O texto pode ter soado assim a certos leitores, mas não é o que está escrito. Pelo menos, se o texto for lido logicamente. O que eu disse é que se costuma analisar de forma equivocada muitas das falas de Lula, como se não fosse ele o pouco escolarizado, mas sim os analistas. Diz-se que fala por metáforas quando se vale de comparações ou de metonímias, que acusou todos os brancos, quando não foi o caso etc.
E assim se comete outro erro de lógica, outra falácia: toma-se a crítica das análises erradas como se fosse uma defesa das declarações de Lula e até de suas ações de governo. Um leitor, para mostrar que eu estava errado defendendo o Lula apelou para as manifestações do MST, que o presidente deveria reprimir... E eu falei disso?
Deveríamos ler pelo menos o velho Aristóteles. Também sua Retórica, é claro. Ou mesmo algum manual com a lista das falácias mais comuns. Seria bem mais útil do que uma lista de regras gramaticais.
Fonte:Sírio Possenti De Campinas (SP), Terra