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sexta-feira, maio 15, 2009

Rio Grande do Sul é incapaz de reter os acervos de Mário Quintana e Erico Verissimo

Reproduzo texto do qual concordo em grande parte:


Vergonha, suprema vergonha para os gaúchos, que se auto-intitulam dos mais cultos e politizados do Brasil. Pois não é que estão indo embora do Estado os acervos do escritor Érico Veríssimo e do poeta Mário Quintana? É melhor que seja assim, porque estão sendo levados para o Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, onde serão bem cuidados. O acervo de Érico Veríssimo estava na PUC do Rio Grande do Sul. Seu filho autorizou a ida para o Rio de Janeiro.

Podia ele ir junto e ficar no museu. A pretensão cultural do Rio Grande do Sul se resume à criação de casas de cultura. Ninguém dá dois passos na área do grande centro de Porto Alegre sem topar com um centro de cultura a cada dois metros. Mas os acervos são grandes porcarias, muito limitados. Uma das maiores preciosidades está localizada em uma maravilhosa casa colonial, na rua João Alfredo, o Museu Joaquim Felizardo. Pois lá existe o único retrato pintado a óleo do fundador de Porto Alegre. Trata-se do militar português Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda, mandado para o Brasil, em fuga, com o nome falso de José Marcelino de Figueiredo, por ter matado em duelo um capitão escocês, John McDonald, em Lisboa. O rei Dom José 1º mandou por escrito que seu nome verdadeiro fosse preservado como alto segredo de Estado. Esse homem, que fundou Porto Alegre, em um ponto estratégico, que impedia o ingresso dos espanhóis no território gaúcho, é responsável pela constituição geográfica atual do território do Brasil. Pois Porto Alegre lhe dedicou em homenagem apenas uma ruela de duas quadras, entre o portão central do porto e a Praça da Alfândega. Para essa ruela não dá a porta de nenhum edifício. Não há numeração nessa ruela, portanto. Também não há nenhum telefone registrado nesse endereço. Ninguém sabe quem foi Manoel Jorge Gomes de Sepúlveda, ou seu pseudônimo, José Marcelino de Figueiredo. Se Porto Alegre e os porto-alegrenses não têm o mínimo apreço por seu fundador, por que deveriam ter pelos acervos de Érico Veríssimo e Mário Quintana? Érico Veríssimo costumava se orgulhar dizendo que era de uma cidade que tinha uma orquestra sinfônica. Agora os porto-alegrenses poderão se orgulhar dizendo que mandaram para o Rio de Janeiro o seu acervo. Êta gente culta, sô.....

Fonte: VideVersus

sexta-feira, março 20, 2009

O Censor Gilmar Mendes: Carta aberta aos jornalistas do Brasil


Leandro Fortes

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes
Jornalista

Brasília, 19 de março de 2009

Fonte: NovaE


domingo, janeiro 25, 2009

Comentário sobre estupro rende críticas a Berlusconi

Premiê italiano prometeu mobilizar 30 mil soldados para combater estupros.
Ele disse ser preciso 'tantos soldados quanto meninas bonitas'.


O premiê italiano, Silvio Berlusconi, prometendo mobilizar 30 mil soldados para combater o crime depois de um surto de estupros em Roma, disse no domingo (25) que os estupros vão continuar a acontecer enquanto não houver "tantos soldados quanto meninas bonitas na cidade".


Foto: Reuters
O premiê italiano Silvio Berlusconi, durante encontro de líderes europeus, no início do mês (Foto: Reuters)

O primeiro-ministro de centro-direita foi reeleito no ano passado, prometendo combater o crime. Ele recrutou a ajuda de 3.000 soldados para ajudar a polícia. Ele disse no sábado que vai aumentar este número em dez vezes, o que gerou a crítica de que está criando "um Estado policial".


A oposição disse que três casos de estupro particularmente violentos ocorridos em Roma neste mês mostram que a mobilização do Exército não adiantou nada. Berlusconi respondeu no domingo que "essas coisas sempre vão acontecer, mesmo no estado mais militarizado e mais policiado".


"Não poderíamos recrutar uma força grande o suficiente para evitar este risco. Teríamos de ter tantos soldados quanto meninas bonitas. Não acho que conseguiríamos", disse a repórteres.

Críticas

Os críticos disseram que o bilionário de 72 anos (cuja mania de flertar com as mulheres em público lhe rendeu reprimendas públicas da esposa) está sendo insolente em relação a uma questão muito séria.


"Berlusconi tem de parar de dizer coisas ofensivas sobre as mulheres", disse a ministra da Igualdade Vittoria Franco. "Basicamente, o que ele está dizendo é que as mulheres que saem de casa correm o risco de ser estupradas ou atacadas porque não é possível deixar o país seguro", afirmou.


Alessandra Mussolini, política de direita que faz campanha contra as decisões judiciais injustas para as vítimas de estupro, disse: "O fato é que precisamos de muitos soldados porque há muitos homens agindo de forma feia".


Fonte: G1

Meu comentário: e ainda consideram a Itália "primeiro mundo"...


terça-feira, janeiro 13, 2009

"A postura dos ricos me envergonha"

Entrevista Isay Weinfeld

O arquiteto critica a elite nacional, diz que nunca teve Oscar Niemeyer como referência e conta por que é seletivo nos projetos



por Claudia Jordão

Fotos: murillo constantino/ag. istoé; divulgação;

O paulistano Isay Weinfeld, 56 anos, é o arquiteto mais badalado do momento no País. Eclético, levam a assinatura dele os sofisticados hotéis Fasano do Rio de Janeiro e São Paulo, restaurantes do grupo, duas filiais da Livraria da Vila e a loja da Forum nos Jardins, todas na capital paulista, entre outros projetos. Mas, ao mesmo tempo que é assediado pela elite (ele projetou a casa do empresário Fernando Altério e do cineasta Hector Babenco), faz a linha low profile. Dá de ombros para as concorridas licitações internacionais para grandes obras e prefere investir em suas caixas de ângulos retos, que se abrem de fora a fora para revelar um amplo jardim - preceito que aparece nos trabalhos de Le Corbusier e no modernismo.

Enquanto toca cerca de 30 projetos, no Brasil e lá fora, lança o livro Isay Weinfeld (Bei Editora), que reúne 15 projetos residenciais realizados nos últimos dez anos. Filho de um imigrante polonês, separado e pai de uma filha, mora sozinho em um apartamento em São Paulo. Isay é um apaixonado por cinema - ele já dirigiu 14 curtas e o longa Fogo e paixão, de 1988 - e música (é fã do Radiohead). Sempre que pode, viaja para algum canto do planeta para assistir aos shows da banda, que se apresenta em março no País com a presença garantida dele, é claro.

ISTOÉ - O sr. faz casas, edifícios, lojas, hotéis, boates. Seu novo livro privilegia as residências por algum motivo especial?


Isay Weinfeld - Foi a maneira que encontrei de mostrar bem os projetos. Temos as plantas e várias fotos. São só 15 casas, realizadas nos últimos dez anos. Não que eu tenha muito mais; devo ter mais outras dez casas, mas quis mostrar direito, e eventualmente ter outro volume para trabalhos comerciais.

Fotos: murillo constantino/ag. istoé; divulgação;
"No Hotel Fasano, conseguimos mostrar que é possível ser luxuoso sem ostentar. Não precisa ter dourado e rococó"

ISTOÉ - O sr. é conhecido como um arquiteto que escolhe com quem trabalhar. O que o pauta na hora de pegar ou não um projeto?


Weinfeld - Em primeiro lugar, tenho interesse em fazer o que me dá prazer. De preferência, algo que eu não tenha feito antes, é isso que me move, por causa da minha exagerada curiosidade. Prefiro pegar um projeto completamente novo a um parecido com o que acabei de fazer.

ISTOÉ - Por exemplo?


Weinfeld - Depois da Disco (boate em São Paulo), vieram outras propostas de projetos de casas noturnas. Recusei porque não quis fazer, para não me repetir. É como se, naquele momento, eu tivesse dito tudo sobre o tema discoteca pelo viés da arquitetura. Então vamos deixar passar um tempo para, quem sabe, eu ter vontade de falar sobre o tema de novo.

ISTOÉ - Identificar-se com o cliente é fundamental?


Weinfeld - Depois do Fasano, tive várias propostas para fazer restaurante. Não é frescura, eu sou antitudo isso. Mas, por exemplo, se não gosto da comida, não consigo fazer o lugar. Não é porque sou metido ou arrogante, é que não vou saber fazer. Se não gosto da comida, isso quer dizer, de cara, que não tenho muito a ver com aquele proprietário. Com um cliente que tem um gosto compatível com o meu, como o (restauranteur) Rogério Fasano, não preciso me preocupar. Ou seja, se eu não escolher o copo da (lanchonete) Forneria, ele vai escolher o copo certo. Penso o projeto do início ao fim: o ambiente, a decoração, os objetos. Como sou macaco velho, não pego projeto por pegar. É preciso agradar ao cliente e a mim.

ISTOÉ - O que sente quando um projeto seu é alterado pelo cliente depois de entregue?


Weinfeld - Você tocou em um pontochave do meu trabalho. Inclusive acho que difere um pouco do pensamento geral dos outros profissionais dessa área. Primeiro, se a minha obra não permanecer, não faz a mínima diferença para mim. Se ela for modificada, não significa nada. Se ela for destruída, menos ainda. Não tenho preocupação com esse tipo de coisa. Segundo, acho um absurdo quando ouço arquitetos falarem que o cliente estragou sua obra. Isso é inconcebível de ouvir. Primeiro, porque se escolho os trabalhos que pego, o cliente jamais estragará. É óbvio, o gosto dele bate com o meu. Por isso, nunca comprei uma briga com um cliente. O arquiteto acha que tem que fazer o que quer, do jeito dele. Tenho de fazer o que meu cliente quer do meu jeito, sob o meu olhar.

ISTOÉ - O sr. critica o luxo que ostenta. É difícil trabalhar no Brasil?


Weinfeld - Não sei falar se é difícil, mas aqui não é muito diferente do Exterior. Meus clientes não valorizam a ostentação. Por isso, não tenho problema com isso. Mas entendo o que você está falando. Por outro lado, acho que essa é uma das minhas funções. Acho que no Hotel Fasano conseguimos mostrar que é possível ser luxuoso sem ostentar. Para mim, foi muito importante mostrar para uma turma que frequenta o luxo que não é preciso ter dourado e rococó e tudo o mais para ser requintado. Pode ser mais elegante e simples.





Entrevista
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ISTOÉ - O que pensa do gosto da elite nacional em geral?
Weinfeld - É só observar a arquitetura de São Paulo para perceber que as pessoas precisam de certos símbolos para se sentir ricas, poderosas. Elas precisam morar no edifício Champs- Elysées, precisa ter port cocher. O edifício não pode chamar Panorama, tem que chamar Champs-Elysées. Não pode ter uma entrada de automóvel, tem que ter uma port cocher. Boa parte da elite precisa desses símbolos para sentir que é alguém na vida. É uma característica fortíssima das pessoas que têm dinheiro no Brasil.

ISTOÉ - O que mais o incomoda?
Weinfeld - O que me incomoda muito é a postura e os valores dos ricos brasileiros em geral, até me envergonham. Quando vejo - e vejo sempre - pessoas em carros de luxo jogando maço de cigarro pela janela. Se você quiser me ver doente é me colocar em frente a uma coisa dessas. Parece que o que está fora daquele automóvel não importa. É que ele considera que não é dele. Quando vejo alguém em um restaurante de luxo sem falar "por favor", nem "muito obrigado", sem pedir licença. Quando estou no meio dessas pessoas, fico muito envergonhado com o baixo nível de educação e dos valores delas.

ISTOÉ - Qual a cidade mais bonita e a mais cafona no mundo?
Weinfeld - A mais cafona... não sei dizer... A mais bonita é Paris. Mas a que eu mais gosto é Londres, acho incrível a mistura de centro urbano com cidade do interior. Já Veneza é a cidade mais interessante porque é a mais rica espacialmente. Ela surpreende a cada virada de esquina. Você pode dar de cara com a gigantesca Piazza San Marco ou com uma charmosa ruela. Veneza é a mais rica emocionalmente. Ela é exatamente o oposto de Brasília, que não tem esquina.

ISTOÉ - O que acha do trabalho de Oscar Niemeyer?
Weinfeld - O Niemeyer nunca foi uma referência para mim como arquiteto. Mas o considero maravilhoso, sem dúvida. Ele é um artista único, um grande escultor de formas. Acho que ninguém mais vai chegar lá, não há um segmento, não há uma escola.

ISTOÉ - O que gosta do que está sendo feito na arquitetura atual?
Weinfeld - Apesar de não ser uma referência para o meu trabalho, gosto (dos projetos do arquiteto japonês Yoshio) Taniguchi. Ele faz uma arquitetura muito mais silenciosa do que essa que está sendo feita hoje no mundo, que é uma arquitetura que fala alto, grita, berra. Há muitos arquitetos que têm o ego maior que a função do edifício que projetam. As obras mais simples são muito mais fortes na minha opinião.

ISTOÉ - Quais são suas principais fontes de inspiração?
Weinfeld - Muito mais que qualquer obra arquitetônica, é o cinema e a música. Depois que o projeto da Disco ficou pronto, estava ouvindo uma música do Radiohead quando enxerguei uma semelhança entre meu projeto e aquela sonoridade. A Disco era uma discoteca toda negra, mas tinha alguns elementos multicoloridos. Na entrada, tinha um corredor com pastilhas de vidro. Lá dentro, havia um painel de fios dos irmãos Campana e, no banheiro, umas cubas multicoloridas. A música Motion Picture Soundtrack, do Radiohead, era isso, ela começa inteirinha negra e depois se abre para uma explosão de cores. Como sou muito ligado na música deles, vi essa semelhança. São coisas assim que me inspiram.

Fotos: murillo constantino/ag. istoé; divulgação;
"Veneza surpreende a cada esquina, é a cidade mais rica emocionalmente. É o oposto de Brasília"

ISTOÉ - Às vezes o sr. parece ter uma preferência maior pela música ou pelo cinema. Há alguma frustração em não ter seguido outra carreira?
Weinfeld - Não se trata de frustração, mas de desejo. Não me considero realmente um arquiteto. A arquitetura é apenas uma maneira de eu me expressar. Mas, se você não levar isso como uma frase arrogante, tenho certeza de que se eu tivesse continuado com a minha carreira no cinema você estaria aqui da mesma forma. Não estou falando de sucesso, apenas querendo dizer que estaria no mesmo patamar da arquitetura hoje. Eu escolhi um jeito. Além disso, gosto de exercitar esses meus outros lados, como fazer um curta-metragem ou um cenário de peça. Isso me dá muito prazer.

ISTOÉ - O projeto da casa onde o sr. mora é seu?
Weinfeld - Não, moro em um apartamento.

ISTOÉ - Já projetou alguma casa para o sr. ou para sua família?
Weinfeld - Não.

ISTOÉ - Nunca teve vontade?
Weinfeld - Não, nunca tive a mínima vontade.

ISTOÉ - Por quê?
Weinfeld - Nunca tive a mínima vontade de morar em um lugar que eu tenha projetado. Esse tipo de coisa eu não tenho.


Fonte: ISTOÉ

domingo, janeiro 11, 2009

Bush defende interrogatórios e asfixia simulada contra detidos por terrorismo

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu hoje os métodos de interrogatórios autorizados por seu governo contra os detidos na luta antiterrorista e afirmou que a "asfixia simulada" ajudou a salvar vidas.

Em entrevista divulgada pela rede "Fox", Bush lembrou que seu governo foi marcado pelos atentados terroristas de 2001 e, portanto, "utilizou os poderes (presidenciais) consagrados na Constituição para defender" o país.

Acompanhado de Bush pai, o presidente americano disse que as controvertidas técnicas de interrogatórios "eram e são necessárias em ocasiões inusitadas para obter informação para proteger o povo americano".

Citou como exemplo o caso do estrategista da Al-Qaeda, Khalid Sheikh Mohammed, que supostamente foi submetido à asfixia simulada, um método condenado por grupos humanitários e pela comunidade internacional como método de tortura.

Mohammed, detido no Paquistão e levado para uma prisão clandestina na Polônia, "foi o cérebro dos atentados do dia 11 de setembro de 2001 que mataram quase 3 mil pessoas em nosso solo", destacou Bush.

— Acho que quando o povo estudar a história deste episódio em particular, verão que obtivemos boa informação de Khalid Sheikh Mohammed para proteger nosso país — argumentou Bush.

A entrevista foi divulgada no mesmo dia em que ativistas de diversas organizações humanitárias organizaram vigílias e outros atos de protesto dentro e fora do país contra o centro de detenções dos EUA em Guantánamo, no sétimo aniversário de sua criação.

Em Washington, ativistas da Anistia Internacional e outros grupos, vestidos com o uniforme laranja dos detidos, exigiram o fechamento de Guantánamo e o respeito aos direitos humanos.

O presidente eleito de EUA, Barack Obama, disse à rede "ABC" que de seu ponto de vista, a asfixia simulada é tortura e reiterou sua promessa de fechar Guantánamo, apesar de possivelmente não poder cumpri-la durante os primeiros cem dias de seu Governo.

Durante a entrevista à "Fox", Bush disse que sua saída de Washington será um momento agridoce e de emoções porque, por um lado, sentirá saudades de ser o comandante-em-Chefe.


Fonte: ZeroHora

sábado, janeiro 10, 2009

Revista Veja: a nossa ASNEIRA nacional

Mais uma vez a nossa querida ignorante (mas não inocente) revista VEJA parte para imbecilidade:

Ambiente | Onde está o efeito estufa?
Verão frio no Brasil e o inverno forte na Europa significam que o aquecimento global é lenda? O Ártico mostrou que não. Há sinais inequívocos da mudança.


Tenho certeza que se eles pesquisarem irão descobrir que não se faz análise de clima com um, dois ou 100 verões ou invernos. É precisa lever em conta séculos, eras inteiras.

As mentes mais brilhantes e esclarescidas do mundo científico já concordaram que algo não vai bem, mas a VEJA insiste na imbecilidade. Claro, gênios podem errar. Mas em geral, são derrotados por outros gênios e não por jornalistas experts em tudo.

É claro que fenômenos complexos não são lineares. Mas é claro também que o princípio de precaução quando se lida com a vida precisa ser respeitado.

Mas a visão de mundo da VEJA é egoísta, típica dos riquinhos que a herdaram.

Na mesma edição desta semana , lê-se coisas como:


Obama e os corruptos
Nenhum dos cinco senhores da foto ao lado (Obama com Bursh, Bush pai, Clinton e Carter) passou pela Casa Branca sem se tisnar em algum escândalo de corrupção. O problema de Obama é que já tropeça antes da posse.

Ou o absurdo (que só o Bush defende)
Israel | Direito à autodefesa do país contra grupo Hamas

O pior de tudo é pensar que existem pessoas que concordam com a VEJA e o podem estar ao seu lado.

Cuidado com elas.

sábado, dezembro 27, 2008

ISRAEL: os nazis do século 21

No pior ataque em 40 anos, Israel bombardeia Gaza e mata 205. Cerca de 50 aviões e helicópteros da Força Aérea israelense participaram da ofensiva.

Duzentos e cinco pessoas morreram e 750 ficaram feridas neste sábado em um ataque aéreo em massa em Gaza, no que foi a operação militar israelense mais violenta contra os palestinos em 40 anos.

— Não há registro de um dia mais mortífero desde a guerra de 1967. Israel não tinha matado, desde então, tanta gente em um só dia — afirmou Moawiya Hasanie, chefe dos serviços médicos de Gaza e coordenador da ajuda às vítimas.

Cerca de 50 aviões e helicópteros da Força Aérea israelense participaram do ataque, que aconteceu pouco antes do meio-dia (hora local), durou apenas dois minutos e destruiu 30 prédios. Além da Cidade de Gaza, a operação militar israelense incluiu alvos em outras localidades da Faixa, como Khan Yunis e Rafah, e entre os mortos há várias autoridades do Hamas.

No ataque, morreram o responsável da polícia do Hamas em Gaza, Tawfiq Jaber, o chefe da Segurança do Hamas, Ismail al-Jaabari, e o governador da circunscrição de Al-Wusta, na Gaza Central, Ahmad Abu Aashur.

— Foi como um terremoto, em instantes os edifícios vieram abaixo e os carros arderam em chamas — contou o comerciante Ahmed Ghannam.

A maioria dos imóveis atingidos pertencia ao Hamas ou era sede das forças de segurança do movimento islâmico, muitos deles situados em áreas residenciais.

O ataque causou pânico entre a população das áreas afetadas, e a televisão local mostrou imagens de civis pedindo vingança entre edifícios transformados em escombros, de onde apareciam corpos de policiais com o uniforme preto do Hamas.

Os centros médicos de Gaza ficaram sobrecarregados pela chegada dos mortos e feridos, até o ponto que, no principal hospital da Cidade de Gaza, Shifa, algumas vítimas eram atendidas nos corredores por falta de leitos suficientes.

O bombardeio ocorreu dois dias depois que o governo israelense decidiu empreender uma operação militar em grande escala em Gaza se os grupos armados palestinos continuassem lançando foguetes contra seu território.

Segundo a imprensa israelense, a execução dessa intervenção militar aconteceria a partir de domingo, para dar tempo às autoridades egípcias de realizar uma última tentativa de mediação entre Israel e Hamas.

A mediação egípcia tinha o objetivo de renovar a trégua que as duas partes assinaram em junho e concluiu no último dia 19 sem que tivesse sido acordada sua continuidade.

Após o ataque, porta-vozes do Hamas anunciaram que o movimento continuaria resistindo "até a ultima gota de sangue". Pouco depois do alerta, os grupos armados palestinos de Gaza lançaram mais de 20 foguetes artesanais sobre as cidades israelenses que fazem divisa com a Faixa.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, não descartou que os ataques do Exército do Estado judeu em Gaza "prossigam e se ampliem se for necessário" nos próximos dias. Barak ordenou que as povoações israelenses divisórias a Gaza permaneçam em "estado de alerta", e antecipou que os próximos dias "serão difíceis".

Já a ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, convocou à tarde uma entrevista coletiva em Tel Aviv na qual ressaltou que o país "não tem outro remédio" além de recorrer à força para desmantelar a infra-estrutura do Hamas.

O massacre de Gaza causou revolta na Cisjordânia, onde o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou em Ramala o ataque e pediu o fim da operação militar israelense. No final da tarde, a condenação tinha se estendido às ruas em cidades cisjordanianas como Belém, cujas autoridades municipais ordenaram a suspensão das festividades populares organizadas por ocasião do Natal. Já em Jerusalém Oriental (árabe), grupos de jovens palestinos atiraram pedras contra as forças de ordem do Estado judeu.

Texto da ZeroHora